Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

CASAMINTO

 

 

 

por João Severino às 19:30
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POLÍTICO, EMBRULHA! (2)

 

> "Aquilo que torna mais difícil chegar a acordo com os outros é não gostarmos de nós próprios"

 

Balzac

 

 


 

 

por João Severino às 17:29
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COMO MATARAM SÁ CARNEIRO E AMARO DA COSTA

 

 Assassinato do Primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro, do Ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e o envolvimento dos americanos

 

 

 

Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate.

 

No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judícial, poderia ser preso e condenado. 

 

Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sígilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989.

 

Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.

 

Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995.

 

Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações.  

 

Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar. 

 

Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi.

 

Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria-geral da Republica.

 

Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado.

 

Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio.

 

Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. 

 

Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido.

 

Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.

 

Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos. 

 

Estavamos ainda relativamente proximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. 

 

Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate.

 

Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. 

 

Naquela altura contudo, Camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências.

 

Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.

 

Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação.

 

Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi.

 

A cobertura legal de Uta Gerveck é feita através do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi.

 

Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau.

 

O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA.

 

A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em 1976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.

 

Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi.

 

Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck.

 

0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. 

 

Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski.

 

Hans Jurgen Wischewski era o raponsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg.

 

Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80, de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental.

 

Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.

 

Relativamente ao relato dos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido).

 

Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.

 

Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido).

 

Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.

 

Através de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell.

 

Falei então durante algum tempo com Philip Snell.

 

O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton.

 

Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres, a uma agência de viagens na Av. De Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA.

 

Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA.

 

Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan.

 

Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência.

 

Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações).

 

Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security (Sul Africana).

 

Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro.

 

Entre 1976 e 1977, durante cerca de um ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. 

 

Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel.

 

Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana.

 

O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc.

 

Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Secret Service, depois DONS e actualmete SASS.

 

Era pago em Portugal, recebendo cerca de USD 5.000 por mês.

 

Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas.

 

Actuei utilizando vários nomes diferente, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa.

 

Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano, o kimbundo.

 

A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal.

 

Era a vivenda "Alpendrada".

 

A partir de 1975, como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA.

 

Contudo a partir de l978, passei a trabalhar como agente encoberto, no chamado "Office of Special Operations".

 

A que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. 

 

Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial" que significa que se fossemos apanhados  nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação.

 

Nessa circunstância tinhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.

 

Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA.

 

Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas contas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade.

 

Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America.

 

Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency). 

 

Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco  azul, “em cash”, valores esses postos á disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas.

 

Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.

 

Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750.000 e 1 milhão de USD. 

 

Só o Sr. José António dos Santos Esteves recebeu 200.000 USD. 

 

Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.

 

Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc., etc.

 

Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.

 

A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.

 

Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci.

 

O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo,  junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney.

 

O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano.

 

Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.

 

A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency.

 

O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.

 

Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador.

 

Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de  William Casey.

 

Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank  Carlucci.

 

Da DEA conheci Celerino Castilho e Mike Levine.

 

Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989.

 

Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado.

 

Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum.

 

Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas.

 

Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua.

 

Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas.

 

Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.

 

A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era

proprietário Carlos Lheder Rivas.

 

Carlos Rivas era um dos chefes do Cartel de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio.

 

Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA.

 

Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o Colombus Trust.

 

Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19.

 

Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.

 

O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus".

 

Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.

 

Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá.

 

Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas.

 

Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA.

 

Noriega fazia também parte da operação "Black Eagle", dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA.

 

Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega.

 

Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados.

 

Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso.

 

Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.

 

No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.

 

Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses.

 

Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias.

 

Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.

 

Foi numa operação de droga que realizei na  Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Miami, pois eles queriam ficar com 10 milhões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga.

 

Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. 

 

Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA.

 

A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em 1989, a conselho de Frank Carlucci.

 

O principal culpado da minha saida da CIA e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes.

 

John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas.

 

Após a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994.

 

Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a Camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola.

 

Mantive contatos directos flequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre 1975 e 1982, de quem recebi instruções para varios trabalhos e operações.

 

Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone.

 

A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.

 

Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre porugueses e americanos.

 

Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos.

 

William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas.

 

Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee.

 

Neste ambito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran.

 

Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.

 

Das reuniões que tive com a embaixada  americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA.

 

O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado.

 

Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo.

 

Da parte militar da CIA conheci o Coronel Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o Coronel Peter Bleckley.

 

O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. 

 

Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North, tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas.

 

Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá.

 

Neste último país contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores  do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega.

 

Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.

 

Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.

 

Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez.

 

Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua.

 

Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.

 

Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Carlucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa.

 

Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA.

 

Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o Gen. Diogo Neto, o Cor. Vinhas, o Cor. Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas.

 

Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.

 

Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos.

 

Depois há um outro jantar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Cor. Oliver North, onde este diz claramentete que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas.

 

Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer.

 

Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o Gen. Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio.

 

Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados.

 

Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições.

 

Restava portanto a via de um atentado.

 

Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis.

 

Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo.

 

Referem que contam comigo para esta operação.

 

O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.

 

Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses.

 

Perguntam-me se já recrutei a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo.

 

Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário.

 

Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro.

 

Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época.

 

O sogro era de nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980.

 

Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa.

 

Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.

 

Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues (que na altura ainda não conhecia).

 

O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a Renamo.

 

Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.

 

Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North.

 

Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".

 

Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Sturgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa.

 

O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres.

 

Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.

 

Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele.

 

Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta.

 

Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station.

 

Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação.

 

Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama.

 

O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material.

 

Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.

 

O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada.

 

Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro.

 

Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante Galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa.

 

Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro.

 

Lee Rodrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo.

 

Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado.

 

Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola.

 

Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo intenção de me levantar.

 

Refiro que, através de Frank Carlucci, já estava a par de tudo.

 

Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.

 

Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina).

 

Vou e levo comigo José Esteves.

 

Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos.

 

Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção.

 

É referido também os cuidados que devem  ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal.

 

A língua utilizada na reunião é o inglês.

 

José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho.

 

Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA.

 

Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil US Dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 US Dólares.

 

Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto.

 

Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na Mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe.

 

Lee Rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão.

 

A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues.

 

Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.

 

Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.

 

José Esteves prepara então na sua casa no Cacém, um engenho para o atentado. 

 

Conta com a colaboração de outro operacional  chamado Carlos Miranda, especialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal.

 

José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.

 

Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris.

 

No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.

 

Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado.

 

É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton.

 

Nesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião.

 

Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro.

 

Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião.

 

Penaguião afirma, de forma fria e directa que Sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada!"

 

Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do tráfico de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas.

 

Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

 

Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado.

 

Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutada.

 

No final do jantar, juntam-se a nós três o Gen. Diogo Neto e o Cor. Vinhas.

 

Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi.

 

Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo.

 

Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA.

 

Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS.

 

Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo.

 

Isto e a usual “realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.

 

Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José Esteves e Carlos Miranda

 

Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José Esteves.

 

Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado.

 

Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o  atentado será a 3 ou 4 de Dezembro.

 

Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa.

 

No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante " O Polícia".

 

No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim.

 

Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto.

 

Conduzo José Esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.

 

Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido.

 

Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim.

 

Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto.

 

Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.

 

Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução.

 

Ouvimos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.

 

 

4º PARTE

 

 

Afirma que fomos enganados!

 

Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro.

 

José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele.

 

Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua GomesFreire, na PJ, para falar com ele.

 

Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia.

 

Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate.

 

José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa.

 

 

Vem contudo dormir para minha casa. 

 

Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci.

 

A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião.

 

Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.

 

Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa.

 

Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba (esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter "sensacionalismo" á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25.

 

Não falei então com Victor Pereira Com camarate.

 

Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao Aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo Eng. Adelino Amaro da Costa.

 

Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas e de pessoas envolvidas com o Fundo de Defesa do Ultramar.

 

Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ.

 

Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás deste atentado, nunca mais voltou a aparecer.

 

Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986.

 

Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.

 

Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire.

 

 

Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por cusa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queriamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate.  

 

Eu não participo na reunião, fico à porta.

 

Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer.

 

Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate.

 

Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.

 

*** A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do ediflcio da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro.***

 

No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria Pinto Balsemão.

 

É importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.

 

Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em l980.

 

Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa,quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.

 

Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas como tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal.

 

Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a Pj entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos.

 

 

Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. 

 

Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas.

 

Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografá-lo ou copiá-lo.

 

Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos.

 

Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses.

 

Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil.

 

Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, em El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.

 

Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de paises de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc.

 

Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").

 

 

PAU COMMENTS

 

 

De Carmindo Mascarenhas Bordalo a 30 de Abril de 2012 às 21:31
Uma pequena, mas importante, parte deste depoimento é corroborado por Freitas do Amaral, no 2º volume das suas memórias. O então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirma que recebeu um telegrama vindo por canal diplomático de Londres, no qual a Scotland Yard avisa que um especialista em engenhos explosivos, Lee Rodrigues, foi visto perto do avião no dia do atentado.
Freitas afiança que mandou o telegrama para a Polícia Judiciária mas que, quando consultou o processo anos mais tarde, não havia rasto dele.



 

 

por João Severino às 16:57
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DA-QUI-A-SEIS-ANOS

 

> Eu-co-mo-minis-tro-das-Fi-nanças quero a-nun-ciar aos por-tu-gueses que só-em-2018-é-que-se-rão-repos-tos-os subsí-dios-de-Natal-e-de-fé-rias.

 

 

por João Severino às 16:02
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HIPOPÓTISE

 

 

 

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por João Severino às 11:18
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CROMO (12)

 

 

 

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por João Severino às 11:05
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A BOLHA A REBENTAR

 

> Cerca de 202 milhões de pessoas vão ficar sem emprego este ano, estima Organização Internacional do Trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

por João Severino às 11:04
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A CAPA DE HOJE (2)

 

 

 

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por João Severino às 10:23
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ASSUNÇÃO SABE POUCO DO 25 DE ABRIL

 

 

> A história é a história por muitas voltas que lhe demos. No 25 de Abril de 1974 a única senha do Movimento das Forças Armadas para que as unidades móveis saissem dos quartéis foi a música "Grândola, Vila Morena", emitida na Rádio Renascença pelo programa "Limite" de Carlos Albino. Este jornalista estava por dentro de toda a preparação do MFA e esteve numa reunião com Otelo presente, onde este comunicou que tinha dado uma senha ao seu amigo radialista João Paulo Diniz e que a mesma seria a canção "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho. Nessa reunião, foi explicado a Otelo que essa senha não serviria para nada porque os Emissores Associados de Lisboa não eram audíveis a nível nacional e que, mesmo em Lisboa nem em todos os locais a frequência dessa estação de rádio era captada. Foi então deliberado que a canção "E Depois do Adeus" se manteria para que não fosse dada a ideia a João Paulo Diniz de que o Movimento tinha sido suspenso e que todos os que ouvissem essa canção às 11.55 horas de 24 de Abril, deveriam preparar-se para as 00.20 horas de 25 de Abril quando o "Limite" transmitisse a verdadeira senha "Grandola, Vila Morena". Na Rádio Renascença por se tratar de uma estação radiofónica com cobertura nacional. E por quê a Rádio Renascença? Porque na Emissora Nacional não havia nenhum trabalhador que oferecesse confiança ao MFA e porque o Rádio Clube Português tinha sido escolhido para ser o posto de comando do Movimento.  E por quê às 00.20 horas? Porque as portas de armas dos quartéis encerravam às 00.30 horas e nesses 10 minutos seriam confrontados pelos militares do MFA todos os comandantes de unidades e os oficiais de dia para se saber se aderiam ao Movimento, ou não. Em caso negativo, seriam detidos.

Neste sentido, estranha-se que a presidente da AR, Assunção Esteves, tenha "oficializado" na última cerimónia do 25A no parlamento uma senha que não foi a senha oficial do Movimento. E se Assunção Esteves pretender para o próximo ano difundir a verdadeira gravação da senha emitida em 1974, resta-lhe pedir à Fundação Mário Soares, onde a bobina está religiosamente guardada, depois de ter sido doada pelo jornalista Carlos Albino.

 

 

por João Severino às 09:00
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Domingo, 29 de Abril de 2012

A VERGONHA DA SEMANA

 

> Um tal de Bartolomeu, que se intitula presidente da União de Leiria a acusar um jogador desesperado, a quem deve cinco meses de salário, de ter levado uma pasta com seis mil euros. É preciso descaramento. E no futebol? Também ninguém vai preso?

 

 

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por João Severino às 23:52
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PINTO DA COSTA ARRISCA A VIDA

 

photo 'Público'

 

> O Futebol Clube do Porto é o campeão de futebol 2011/12. Milhares de portistas correram para festejar o feito na Avenida dos Aliados e no Estádio do Dragão. À volta do estádio azul juntaram-se milhares de adeptos do FCP. Eis se não quando, Jorge Nuno Pinto da Costa, ele mesmo, o presidente de 30 anos do clube, resolveu furar pelo meio da multidão a fim de se deslocar para o interior do estádio e subir à varanda onde se encontravam os jogadores e o treinador Vítor Pereira. Foi o caos a partir do momento em que a multidão incrédula se deparava com o presidente ali lado a lado. Beijos, abraços, palmadas, apertões nas bochechas, palmadinhas na nuca, óculos quase a cair, mais beijos, abraços, vivas a Pinto da Costa, um sufoco, um perigo iminente para a integridade física de Pinto da Costa. Um susto. Enfim, muito a custo, lá conseguiu chegar à porta de entrada do estádio e ser ovacionado desde a varanda pela multidão azul e branca. FC Porto revalida título a duas jornadas do fim.

 

 

por João Severino às 23:32
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PUBLICIDADE DE BORLA (20)

 

 

 

por João Severino às 18:26
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A CAPA DE HOJE (1)

 

 

 

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por João Severino às 17:51
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ESCOLA

 

 

 

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por João Severino às 17:48
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TROCOS

 

 

> - É pá, estou chocado! O Sócrates gastou 460 mil euros em refeições nos seis anos de governo!

 

- Ó pá, isso são trocos... comparado com 10 mil por noite em Paris...

 

 

© texto: jes

© ilustração: jpb

 

 

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por João Severino às 17:10
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LISBOA É UM BURACO

 

 

> Lisboa reduziu para menos de metade investimento na reparação de buracos.

 

 

 

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por João Severino às 17:08
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CHINA INTERIOR

 

Cidade de Fong Wong Ku Seng, Hunam

 

 


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por João Severino às 11:05
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CAMPEÃ

 

 

> Black Caviar é o melhor cavalo de corridas a galope de sempre da história na Austrália. Ontem, esta égua venceu em Adelaide pela 20ª vez consecutiva. 20 vitórias em 20 corridas, um caso único. Estiveram no hipódromo mais de 30 mil pessoas. Em Portugal, com a economia de rastos, continua-se sem saber quando é aprovado o licenciamento para corridas.

 

http://www.youtube.com/watch?v=EacCn0i5Lps&feature=related

 

 


por João Severino às 10:59
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EM GUARDA

 

 

> Na esplanada do café, de vez em quando, assiste-se a uma luta de cães. A maioria das pessoas só querem ter cão, mas não fazem ideia o que é treinar um animal para que o comportamento seja sem sobressaltos. É óbvio que ao encontrarem-se numa simples esplanada onde se encontram adultos e crianças que é desagradável quando tudo fica virado ao contrário porque dois desconhecidos canídeos resolveram molhar um no outro...

 

 

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por João Severino às 10:27
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SERÁ O DA RAINHA ISABEL?

 

 

 

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por João Severino às 09:44
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???

 

 

 

por João Severino às 09:43
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BENFICA B

 

 

 

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por João Severino às 09:40
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Sábado, 28 de Abril de 2012

O ESPIÃO

 

EXCLUSIVO

 

photo jotaesse

 

> O espião que saíu do frio? Não. É o "espião" que saíu do café Vává após almoçar com os seus colaboradores. Miguel Ângelo, ele mesmo, agora que vai lançar o seu novo trabalho de originais – o segundo a solo do cantor – que chega às lojas depois do verão, mas o single de avanço será dado a conhecer já neste primeiro semestre – altura em que arranca com as apresentações ao vivo, onde também não vão faltar muitas das canções que celebrizou com os Delfins. Acompanham-no nesta aventura discográfica Rui Fadigas (guitarra baixo), Mário Andrade (guitarra eléctrica), Rogério Correia (guitarra de 12 cordas) e Samuel Palitos (bateria).

 

 

por João Severino às 16:49
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OVIBEJA

 

 

 

> - Ó querida, a rica já foi a Guimarães, cidade da cultura?!

 

- Ai, querida, eu só estou preocupada com os comes e bebes! Percebe, querida? Eu só fui à OVIBEJA...

 

 

© texto: jes

© ilustração: jpb

 

 

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por João Severino às 16:02
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DELINQUENTE

 

> Filomena Mónica: “Sócrates foi um delinquente político"

 

 

 

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por João Severino às 09:56
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

A BANANA DAS REPÚBLICAS

 

> Guiné-Bissau está transformada numa banana podre das repúblicas vizinhas. Os chefes das Forças Armadas dos países vizinhos foram a Bissau e logo os golpistas borraram-se todos. "Ou libertam o primeiro-ministro e o Presidente interino da República ou nós rebentamos com tudo isto. Têm duas horas depois da nossa retirada para o fazer", mais ou menos assim devem ter sido as palavras dos estrangeiros que foram a Bissau ter um encontro com os militares golpistas guineenses, a partir dos dados conhecidos. Militares libertam Presidente e primeiro-ministro depostos na Guiné-Bissau.

 

 

por João Severino às 22:51
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BOM FIM-DE-SEMANA

 

 

 

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por João Severino às 16:23
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CADA UM COM A SUA CARTA

 

> Lei n.º 17/2012. D.R. n.º 82, Série I de 2012-04-26 que estabelece o regime jurídico aplicável à prestação de serviços postais, em plena concorrência, no território nacional, bem como de serviços internacionais com origem ou destino no território nacional e transpõe para a ordem jurídica interna a Diretiva n.º 2008/6/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de fevereiro de 2008.

 

 

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por João Severino às 11:18
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BAFUREIRA SUSPENSA

 

> A praia da Bafureira, em Cascais, ficou com o seu uso suspenso. Não acredita? Então, leia aqui: Portaria n.º 114/2012. D.R. n.º 83, Série I de 2012-04-27.

 

 

 

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por João Severino às 11:12
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GENIAL

 

 

 

     «Nação valente e imortal»

António Lobo Antunes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos.

Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade. O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade as vezes é hereditário, dúzias deles. Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito. Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver

- Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro

- Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima

- Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente. Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos.

Vale e Azevedo para os Jerónimos, já!

Loureiro para o Panteão já!

Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já!

Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha.

Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano. Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar. Abaixo o Bem-Estar.

Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval.

Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros. Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos uns aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.

 

in Revista Visão
05.04.2012

 

 


por João Severino às 10:58
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O PERIGOSO

 

> The Economist considera Hollande "um homem perigoso".

 

 

 

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por João Severino às 10:29
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FAÇAM BEM AS CONTAS

 

 

Máquina registadora, Restaurante Reviravolta, Lisboa

photo jotaesse

 

 

por João Severino às 09:48
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O ROUBO CONTINUA

 

> Marques Mendes denuncia combinação de preços nos combustíveis.

 

 

 

por João Severino às 09:48
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Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

O SPORTING ESTÁ ARRUMADO

 

> Não, não me refiro à Liga Europa. A grande preocupação diz respeito com o que se passou naquela Assembleia Geral onde pouco menos de 500 sócios deliberaram uma fusão que pode ser o início do fim do Sporting. Depois falamos, porque hoje está tudo muito triste.

 

 

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por João Severino às 22:52
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POLÍTICO, EMBRULHA! (1)

 

> "O acaso é a lei da vida. E aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente certamente irão perder o futuro"

 

John F. Kennedy

 

 

por João Severino às 19:28
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GRANDE VITÓRIA

 

 

> Esta égua - Molto Bene - preparada pelo meu filho Rui, em Adelaide-Austrália, tem apenas 2 anos, realizou apenas duas corridas e venceu as duas. No fim de semana passado ganhou de uma forma soberba uma corrida do Grupo 3. Reparem que do último lugar dispara para a vitória deixando o 2º classificado muito longe. Sensacional.

 

http://www.theracessa.com.au/show_video.php?track=30072&date=2012-04-21&race=4&trial=no

 

 

 

 

por João Severino às 16:45
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SERÁ COMO O AZEITE...

 

> Ex-presidente das Estradas da Madeira presta declarações na GNR.

 

 

 



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por João Severino às 15:26
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ZÉ CA PINHA

 

 

> Testemunha do caso Freeport diz que Sócrates sugeriu arquitectos.

 

 

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por João Severino às 14:53
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ADEUS Ó PATO

 

 

 

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por João Severino às 14:48
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INCESTO

 

 

 

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por João Severino às 14:46
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1º PLAYBOY

 

 

 

por João Severino às 10:57
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NÃO FALTE AO ESTORIL OPEN

 

 

 

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por João Severino às 10:52
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CROMO (11)

 

 

 

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por João Severino às 10:51
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CORTA!!!

 

 

 

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por João Severino às 10:47
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ESPIONAGEM

 

 

 

por João Severino às 10:46
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UI!!!

 

 

 

por João Severino às 10:44
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INDEPENDÊNCIA, JÁ!

 

> Os mesmos que andaram a insultar os "continentais" sempre que os "bandidos", "imbecis" e "estúpidos" do continente não lhes enviavam a massa necessária para as obras faraónicas que deram milhões para o bolso de muitos madeirenses, são os mesmos que agora vêm ameaçar com a independência da Madeira. Estamos fartos de gentalha dessa estirpe. Que se lhe conceda a independência, já!!!

 

"Se continuarmos a a ser atacados por Lisboa, acho muito sinceramente que a próxima revolta será a revolta dos madeirenses e será pela nossa independência, para seguirmos os nossos próximos rumos", disse ontem o líder da JSD/Madeira, José Pedro Pereira, no Funchal.

 

Quem toma uma posição destas (recado de Jardim?) só merece uma resposta dura e pronta por parte dos portugueses no sentido de lhes fazer a vontade de imediato. Mas antes da declaração da independência, os madeirenses devem devolver o "buraco" de cerca de 8 mil milhões de euros que foram para os bolsos de muita gente e para os túneis absurdos.

 

 

 

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por João Severino às 10:14
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ANA

 

 

> - É pá, franceses, alemães, espanhóis e árabes estão na corrida à ANA!

 

- Ó pá, mas a minha mulher não está à venda...

 

 

© texto: jes

© ilustração: jpb

 

 

 

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por João Severino às 10:06
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IRS

 

> Os reembolsos do IRS/2011 começaram hoje a ser recebidos pelos contribuintes.

 

 

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por João Severino às 09:40
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

SÓ PODIA

 

 

> Uma foto com esta "qualidade" só podia ser de um dos melhores fotógrafos portugueses.

TOZE Canaveira Photography's photo.

 

 

por João Severino às 19:12
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MANUEL ALEGRE É RACISTA?

 

> Assistimos esta semana a algo de preocupante e absurdo. Quando nas hostes socialistas se reuniam consensos no sentido de se apoiar uma candidatura à Presidência da República de António Costa, eis que, Manuel Alegre lança Jaime Gama para Belém. Qual é o problema de ser o António Costa? É por ser um cidadão português de cor não totalmente branca? Vamos falar sem rodeios e vamos perguntar ao senhor Manuel Alegre se, afinal, quando deixou Angola ficou-lhe algum restício de racismo?

 

 

por João Severino às 15:55
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PREOCUPADO?

 

> Governo preocupado com incidência “alarmante” de diabetes.

Preocupado? É para rir ou chorar? Os medicamentos para a diabetes são cada vez mais caros...

 

 

 

por João Severino às 15:52
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AMIGO MELRO

 

 photo jotaesse by iPhone

 

> Hoje, o meu amigo melro de todos os dias, no parque 1º de Maio do Inatel, estava triste e esfomeado. Não havia ninguém para almoçar, para festejar o 25A e para jogar ténis... Mesmo assim, cumprimentou-me e disse-me que estava uma "chuva de molha-tolos".

 

 

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por João Severino às 15:39
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A DESCRENÇA

 

> A prova de que os portugueses estão descrentes, quanto à situação do país, democracia e seus políticos, está patente na Avenida da Liberdade, onde se encontram em manifestação apenas umas centenas de pessoas, segundo anunciou há momentos (15 horas) a Antena 1.

 

 

por João Severino às 15:02
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A QUAIS MILITARES?

 

> Soares irrita Passos e PSD com apoio aos militares.

 

 

por João Severino às 11:41
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GRANDE IDEIA

 

PAU COMMENTS
De Cortes a 25 de Abril de 2012 às 10:33
O que é que isto tem a ver com o 25 de Abril?

De João E. Severino a 25 de Abril de 2012 às 10:58
Muito, caro Cortes. Trata-se de uma montagem onde um diário que se publica em Macau com todos os sacrifícios em defesa da língua e da cultura portuguesas, arranjou uma excelente ideia para manifestar a sua adesão ao 25A, sempre!
Só isso, mas de grande significado.
por João Severino às 10:03
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25A

 

 

Esta fotografia foi tirada de cima da carrinha da RTP onde eu me encontrava a dirigir a reportagem, no 1º de Maio de 1974

 

> No dia 25 de Abril aconteceu um golpe de Estado militar que proporcionou uma certa liberdade para que certos fulanos levassem Portugal para o estado em que Portugal se encontra... muito bom, bom, sofrível, mau, conforme a interpretação de cada leitor. Pela minha parte, o 25A foi uma desilusão. E não tem cura.

 

 

por João Severino às 00:21
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012

UM HOMEM SÉRIO DEIXOU-NOS

 

 

> Miguel Portas morreu aos 53 anos.

 

 

por João Severino às 19:01
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LIVROS

 

 

 

> - Ai, querida, tenho de ir à Feira do Livro!

 

- Sim, rica! Eu também... E já escolheu as obras?

 

- Ai, querida, eu vou só ver qual é a capa mais gira...

 

 

© texto: jes

© ilustração: jpb

 

 

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por João Severino às 16:27
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NOVA MODA

 

 

> Depois não se queixem que são violadas...

 

 

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por João Severino às 16:12
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pptao

Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

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Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

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