Domingo, 30 de Janeiro de 2011
olha quem fala em crueldade

Manifestação em Díli em 1974 em honra de Almeida Santos
> Almeida Santos era ministro da Coordenação Interterritorial do primeiro governo após o golpe de Estado militar do 25 de Abril. Foi incumbido de se deslocar a Timor-Leste em Setembro de 1974, a fim de discutir com os dirigentes timorenses a transição do território para a continuação da ligação a Portugal ou outra forma de autodeterminação. Mas... primeiramente deslocou-se a Jacarta, capital da Indonésia. Como a memória futura não pode ser apagada, ainda tenho comigo as declarações do general Ali Muortopo, chefe das Forças Armadas indonésias e homem todo-poderoso do regime do presidente Soeharto, após o encontro que manteve com Almeida Santos e que eram bem animadoras no sentido de que a descolonização de Timor-Leste não teria nada a ver com uma possível independência.
De seguida, Almeida Santos foi recebido em apoteose na capital de Díli por milhares de timorenses. Tudo prometeu no sentido da liberdade e da democracia para aquele povo até à data administrado pela soberania portuguesa. Depois dessa promessa, sabemos bem com que crueldade foi servida a integração de Timor-Leste na República da Indonésia, após as idas de Almeida Santos a Jacarta, a Díli, a Macau, a Hong Kong e do seu colega dos Negócios Estrangeiros, Melo Antunes, a Roma para a assinatura do célebre acordo com os indonésios.
E depois de tanta crueldade para com cerca de 800 mil timorenses, dos quais um terço foram fuzilados pelas balas do invasor, é o mesmo Almeida Santos que diz isto: Cavaco foi cruel na hora do discurso da vitória.
PAU COMMENTS
De a.marques a 30 de Janeiro de 2011 às 19:20
Um personagem que dá cobertura e coabita num reduto que vive de golpes traiçoeiros, manhas e armadilhas chapinhando no próprio lamaçal onde se atola, inundado de rancores, zangas e provocações. Só
falta de discernimento e estatura moral podem justificar a pretensão de defender tal reduto tentando atingir com os próprios salpicos os que não ajoelham, não pactuam e não se vergam. Não há figura como a primeira nem triste figura como o último retrato. Sem remédio.
De Manuel D'Oliveira a 31 de Janeiro de 2011 às 12:00
Em relação a este teu artigo sobre Almeida Santos, envio-te uma passagem do meu livro “Buan ! Buan ! Buan !” pois que o assunto e até a própria fotografia não me deixam indiferente. Um abraço. mco
“Timor, especialmente Díli, dia a dia ficava mais mergulhada na liberdade nova palavra que na realidade significava o caos. Os slogans importados, sabe Deus de onde, enchiam as paredes como prova cabal de que os bons e educados costumes estavam já ultrapassados. Os jovens em nome de uma nova era política, apedrejavam nas ruas a polícia e elementos de outros partidos, criando uma instabilidade propícia aos desígnios de outros, que na sombra manobravam os cordelinhos, com polegares levantados em forma de aquiescência e apoio. Matavam-se os irmãos para se dar lugar a uns mencionados primos, os quais esfregavam as mãos em grande gozo político. Os serviços secretos Indonésios, esses estavam a levar bem a água ao seu moinho, dominando a situação política a seu belo prazer.
No meio de toda esta confusão eu apenas saía de casa para o jardim do padre reitor, e rezava para que toda esta barafunda passasse rapidamente.
No cerne da nova ordem que as forças policiais não podiam, ou não queriam pôr cobro, surgiu a notícia de que vinha um ministro de Portugal, para "in loco" apreciar se o “Transatlântico parado no meio do oceano” estava já andando para o lado Indonésio, ou nem por isso. Foi o pandemónio. Das montanhas desceram os fantasmas do passado em forma de bandeiras velhinhas, tão velhas que ao passarem transportadas por velhos montanheses de longas barbas brancas, nos sentíamos na obrigação de ajoelhar em homenagem a um passado já passado, que se erguia orgulhoso, antes de ser traído, e tombar para sempre nas tumbas do obsoleto. O Ministro chegou por fim a essa ilha em forma de crocodilo, quedou-se emocionado, soltou um gemido e algumas lágrimas do supradito e regressou muito depressa, para nas entrelinhas das suas novas declarações em forma de arrependimento, dizer que era necessário acelerar a confecção da sopa que estava a ser cozinhada. O destino de Timor estava traçado. Muitos milhares, embalados mais uma vez nas palavras fingidas de um lado, e radicais do outro, estavam psicologicamente preparados para serem imolados no altar da hipocrisia e da ganância do poder, caminhando por entre cânticos ardentes de revolução e outras cantigas antigas, inevitavelmente, em direcção do holocausto.”
"in Buan,Buan,Buan"
De anonimo a 30 de Janeiro de 2011 às 18:00
boa, joão!
De a.marques a 30 de Janeiro de 2011 às 19:20
Um personagem que dá cobertura e coabita num reduto que vive de golpes traiçoeiros, manhas e armadilhas chapinhando no próprio lamaçal onde se atola, inundado de rancores, zangas e provocações. Só
falta de discernimento e estatura moral podem justificar a pretensão de defender tal reduto tentando atingir com os próprios salpicos os que não ajoelham, não pactuam e não se vergam. Não há figura como a primeira nem triste figura como o último retrato. Sem remédio.
Há certas vozes que nunca chegarão ao céu...!
De zeparafuso a 31 de Janeiro de 2011 às 07:43
Almeida Santos a voltar aos velhos tempos! A. Santos no seu melhor.
De Manuel D'Oliveira a 31 de Janeiro de 2011 às 12:00
Em relação a este teu artigo sobre Almeida Santos, envio-te uma passagem do meu livro “Buan ! Buan ! Buan !” pois que o assunto e até a própria fotografia não me deixam indiferente. Um abraço. mco
“Timor, especialmente Díli, dia a dia ficava mais mergulhada na liberdade nova palavra que na realidade significava o caos. Os slogans importados, sabe Deus de onde, enchiam as paredes como prova cabal de que os bons e educados costumes estavam já ultrapassados. Os jovens em nome de uma nova era política, apedrejavam nas ruas a polícia e elementos de outros partidos, criando uma instabilidade propícia aos desígnios de outros, que na sombra manobravam os cordelinhos, com polegares levantados em forma de aquiescência e apoio. Matavam-se os irmãos para se dar lugar a uns mencionados primos, os quais esfregavam as mãos em grande gozo político. Os serviços secretos Indonésios, esses estavam a levar bem a água ao seu moinho, dominando a situação política a seu belo prazer.
No meio de toda esta confusão eu apenas saía de casa para o jardim do padre reitor, e rezava para que toda esta barafunda passasse rapidamente.
No cerne da nova ordem que as forças policiais não podiam, ou não queriam pôr cobro, surgiu a notícia de que vinha um ministro de Portugal, para "in loco" apreciar se o “Transatlântico parado no meio do oceano” estava já andando para o lado Indonésio, ou nem por isso. Foi o pandemónio. Das montanhas desceram os fantasmas do passado em forma de bandeiras velhinhas, tão velhas que ao passarem transportadas por velhos montanheses de longas barbas brancas, nos sentíamos na obrigação de ajoelhar em homenagem a um passado já passado, que se erguia orgulhoso, antes de ser traído, e tombar para sempre nas tumbas do obsoleto. O Ministro chegou por fim a essa ilha em forma de crocodilo, quedou-se emocionado, soltou um gemido e algumas lágrimas do supradito e regressou muito depressa, para nas entrelinhas das suas novas declarações em forma de arrependimento, dizer que era necessário acelerar a confecção da sopa que estava a ser cozinhada. O destino de Timor estava traçado. Muitos milhares, embalados mais uma vez nas palavras fingidas de um lado, e radicais do outro, estavam psicologicamente preparados para serem imolados no altar da hipocrisia e da ganância do poder, caminhando por entre cânticos ardentes de revolução e outras cantigas antigas, inevitavelmente, em direcção do holocausto.”
"in Buan,Buan,Buan"
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