Colaboração de Jorge Cabral
DECAPITAÇÕES? GUERRA COLONIAL – URGE CATARSE
> Há dias senti uma profunda indignação ao ouvir num serviço noticioso da RTP de uma forma venenosa e insidiosa trazer-se à liça uma folha triste da nossa História. Os exageros que se cometeram nos primeiros dias da Guerra Colonial, designadamente quando em resposta aos “corajosos actos de guerra” cometidos pelos garbosos nacionalistas, foram igualmente cometidos actos de barbárie por parte de alguns militares das nossas fileiras. A notícia em que se baseia, do “Público” é um exercício despudorado e descontextualizado que só pode merecer o nosso mais profundo repúdio.
Aos palhaços que querem desenterrar estas lamentáveis páginas eu quero lembrar que ninguém tem o direito de manchar o que na sua generalidade foi uma guerra onde o respeito humano foi preservado ao seu mais elevado nível. As relações que mantivemos e temos com esses povos são bem testemunho disso e a sua principal razão.
A emoção que caracterizou a resposta ao tremendo e trucidário início da guerra, assentou no que de mais elementar sabemos da condição humana. Soldados impreparados e profundamente emocionados para não dizer mesmo transtornados pela indizível violência praticada pelos então “terroristas”, desventrando bebés de berço e rasgando ventres de mulheres grávidas para trespassarem os fetos pelas suas catanas, passando pelos mais atrozes actos sobre os homens e mulheres independentemente das suas idades, rasgando vulvas até ao ventre, decepando e decapitando indiscriminadamente, algumas vezes, chegando ao ponto de extirpar órgãos, comendo-os, não souberam conter-se, dando também lugar, em pretensa resposta a actos de barbárie numa fase tremenda mas que teve uma existência curtíssima, de meses, senão mesmo de escassas semanas.
Por outro lado, tendo sido porventura um dos milicianos que mais tempo cumpriu de “zona operacional” tenho o direito e mesmo a obrigação de esclarecer que essa mancha comportamental não foi de forma alguma a imagem que dela deixámos ao longo de 14 anos, onde os capturados eram muitas vezes tratados com exagerados cuidados, tantas vezes suspeitos, porque bem maiores do que os que dávamos aos nossos soldados.
O que é lamentável é que hoje se desenterre essa realidade, sem um responsável enquadramento no contexto em que se verificou. Informação não é isso e a forma como o sacripanta do jornalista abordou o assunto envergonha todos os portugueses que, postos em situações que ele, porventura nem sequer imagina, mantivemos um comportamento que até a ele, que nada fez por isso, dignifica e honra. Tinha uma razoável ideia pelo pivot em causa, de nome HENRIQUE QUALQUER COISA, mas neste momento já só sou capaz de o colocar ao nível da pungente mediocridade que por aí grassa. Infelizmente tal criatura bebe café pelas mesmas chávenas que eu – espero que m’as não contamine.
A forma acintosa como na peça inquiriu o investigador que desenterrou este facto, não fora a lucidez, responsabilidade, saber e consciência do próprio inquirido, poderia trazer mais uma distorção de entendimento da guerra que travámos e que está tão mal tratada. Indivíduos como este, estão a mais – com tão elevada taxa de desemprego e com tanta gente mais competente nessa condição, porque é que basbaques deste calibre são perpetuados a ocupar lugares que seguramente estão longe de merecer?
João Eduardo Severino
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