Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Carmindices

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

CAVACO: INTERVENÇÃO TARDIA DE UM CÚMPLICE 
 
> O requerimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento do Estado para 2013, subscrito por Cavaco Silva, é incisivo. Através de uma fundamentação muito rigorosa e pormenorizada, o Presidente põe em causa as bases fundamentais do tipo de política de austeridade que o Governo quer impor.
 
Mas esta nova faceta de Cavaco é profundamente contraditória com as suas anteriores actuações.
 
Sócrates decretou, para 2011, a retirada de uma percentagem dos salários dos funcionários públicos, atacando o seu rendimento. Já era, como agora afirma Cavaco, uma ablação de rendimentos. Mas Cavaco promulgou tranquilamente o Orçamento de então e nem sequer uma palavra crítica proferiu. O Tribunal considerou, a instâncias de um grupo de deputados, que a medida era temporária e, assim, respeitava a Constituição.
 
No Orçamento de Estado de 2012, Passos Coelho retirou os subsídio de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos reformados. Cavaco pronunciou-se negativamente, manifestando a opinião de que uma sobretaxa geral de IRS seria uma solução mais adequada e justa. Mas, contraditoriamente, não requereu a fiscalização da constitucionalidade do diploma.
 
O Tribunal Constitucional acabou por declarar inconstitucional a medida, mas apenas porque deputados do PS e do BE o pediram.
 
Perante nova retirada de subsídios e uma contribuição de solidariedade sobre certas pensões, para 2013, Cavaco mudou de atitude: pediu a fiscalização, e em termos extremamente aguerridos.
 
Estes ziguezagues do Presidente não o credibilizam.
 
Mostram que não tem uma acção coerente e norteada por um pensamento claro.
 
Actua ao sabor do vento.
 
Pontos que invoca para o OE 2013 eram invocáveis anteriormente.
 
Tendo agora razão, é porque antes não quis fazer valer essa razão e acobardou-se. O que é inadmissível e inescrupuloso.
 
O ponto a que se chegou, de imposição de sacrifícios apenas a algumas camadas da população, teve a cumplicidade de Cavaco. A sua presente actuação, por contraponto, é a prova disso mesmo.
 
Só quando se aproxima a segunda metade do seu último mandato é que Cavaco teve um mínimo de coragem e firmeza. 
 
E, mesmo assim, ninguém lhe ouve uma palavra que seja sobre o facto de as despesas com injecções de capital na banca e com as parcerias público-privadas se manterem estranhamente intocáveis. Apesar de terem contribuído com importante fatia do endividamento público.
 
Cavaco age como alguém que pede socorro  depois de estar horas a fio a observar  o acidentado moribundo e, ainda assim, se recusa a testemunhar sobre o acidente.


* Professor Catedrático Jubilado



por João Severino às 14:24
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012

Carmindices

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

OS ÚLTIMOS A SABER
 
Durão Barroso anunciou hoje que a Comissão Europeia já aprovou as medidas orçamentais que lhe foram apresentadas pelo Governo Português.
 
Desmoralizado e derrotado pelo recuo que teve que fazer quanto ao Orçamento de 2013, nomeadamente a descida da Taxa Social Única, com equivalente aumento das contribuições dos trabalhadores, Passos Coelho ainda não disse aos portugueses o que fará alternativamente.
 
Mas já o foi dizer a Bruxelas.
 
Somos os últimos a saber.
 
As cúpulas da instituição maçónica chamada União Europeia já sabem o nosso destino. Nós não.
 
O governo vai-se putrefazendo: o Tribunal Constitucional considera inconstitucionais as suas medidas evidentemente iníquas; o Presidente convoca reuniões do Conselho de Estado para deitar abaixo as suas propostas de orçamento; o CDS está com um pé dentro e outro fora da coligação; a eminência parda António Borges cai no ridículo cada vez que abre a boca (o que  faz, aliás,sem qualquer autoridade política ou legal).
 
É difícil fazer pior.
 
Passos queria aproveitar a crise para estrangular o funcionalismo público e os reformados. O Tribunal Constitucional não deixou.
 
Furibundo, tinha que arranjar alternativa que mantivesse intocáveis nos seus biliõesos negócios das parcerias público-privadas.
 
A alternativa que arranjou foi tão perniciosa - e desprespeitadora da decisão do Tribunal Constitucional - que foi chamado à pedra pelos outros órgão do poder político e pelos parceiros sociais.
 
Acossado, e mostrando que está à deriva, recuou. Só não se sabe para onde.
 
Mas Durão Barroso já se ufana de que sabe. Antes de todos nós.
 

Mais uma vez o eleitorado é o bombo da festa - e ainda o gozam.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado

 

 

por João Severino às 22:17
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

CARMINDICES

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

MARCELO E OS TENTÁCULOS VIS E MISERÁVEIS DO SOCRATISMO
 
 
> De Paris, gozando rendimentos, Sócrates desfruta a sua reforma política.
 
Aqui, temos de nos amolar com o que ele nos deixou: um País a sobreviver de ajudas externas.
 
Mas Sócrates não se limita a tirar pós-graduações parisienses que ninguém percebe, pois na verdade nem licenciado regularmente é.
 
Os seus tentáculos vão-se mexendo, provando que a intenção é de um exílio meramente temporário.
 
Que o digam aqueles que ele pensa que se atravessam no seu caminho.
 
Sócrates tem do seu lado a mais completa e poderosa rede de apoios, transversais às várias forças políticas.
 
Foi assim em 2004, quando uma conjugação de esforços do PS, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e outros elementos do PSD derrubou o governo de coligação PSD/CDS liderado por Santana Lopes, levando Sócrates ao colo para o poder.
 
Nesses outros elementos do PSD inclui-se, obviamente, Marcelo Rebelo de Sousa, que torturou miseravelmente Santana como nunca ousou fazer aos governos socratinos. Com argumentos tão desonestos como dizer que a lei das rendas era má e, mais tarde, afiançar que foi a única coisa boa do santanismo. Rui Gomes da Silva, legitimamente, defendeu o governo, e Marcelo foi a Belém numa triste rábula, em jeito de queixa a Sampaio.
 
Alguém se lembra que Marcelo tenho feito algo do género entre 2005 e 2011? Terá havido um único comentário de Marcelo contra Sócrates que seja digno de ter ficado na memória do público, como ficou a telenovela que se armou em 2004?
 
Supreendentemente, já no período de exílio francês, Marcelo continua na sua senda de caça a quem possa desagradar a Sócrates.
 
Primeiro foi Cavaco Silva.
 
Quando este, no soporífero e perfeitamente inócuo prefácio a um dos seus "roteiros", acusou Sócrates de deslealdade institucional, Marcelo ignorou a substância da acusação: preferiu fustigar Cavaco por não ter, no devido tempo, tirado as devidas conclusões institucionais da actuação socratina. Virando o bico ao prego, atacou Cavaco e deixou Sócrates incólume.
 
Agora é António José Seguro.
 
O líder do PS, eleito contra a corrente socratina, pretendeu alterar regras e procedimentos internos que fortalecessem a sua posição contra os constantes ataques dos adversários, inspirados a partir de Paris.
 
Marcelo, não tardou: atacou de forma arrasadora Seguro, inclusivamente recorrendo a argumentos falseados.
 
Confrontado com a sua falta de rigor, indigna de um comentador sério e de um académico, Marcelo, qual garoto malcriado que nunca aceita as correcções que lhe fazem, não pediu desculpas e continuou as suas diatribes contra a direcção de Seguro.
 
Santana Lopes, Cavaco Silva, António José Seguro. Três pessoas que, em momentos diferentes, eram incómodas para Sócrates e a quem Marcelo se atirou como gato a bofe.
 
A agenda política de Rebelo de Sousa é clara. Já todos podem entendê-la.  
 
Que dor de alma ver um Catedrático servir tão reles gente.


 

 

por João Severino às 18:34
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

carmindices

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 

OS HORRORIS CAUSA 

> Xanana Gusmão, velho combatente em prol da causa comunista e contra a civilização ocidental, inimigo jurado da presença portuguesa em Timor (sem qualquer acompanhamento da maioria da população, diga-se) e actual praticante de jogo duplo quanto à língua a utilizar em Timor (favorecendo na penumbra o inglês), vai receber o doutoramento honoris causa pela Universidade de Coimbra, proposto pela respectiva Faculdade de Letras.
Assim se vão degradando as distinções académicas, tornando-as em meros penduricalhos políticos. A Universidade de Coimbra, transformada em distribuidora de brindes de acordo com as vontades do poder, espelha bem o estado da academia e da educação em Portugal.
Se o povo timorense tanto sofreu, deve-o a Xanana e seus comparsas, quando tentaram tornar Timor num satélite soviético e mergulharam o território no complexo e sangrento jogo da guerra fria. Uma coisa é certa: piores do que Suharto e seus esbirros, só os mentores do guerrilheiro Xanana, então instalados no Kremlin.
É este o curriculum de Xanana, que tanto deslumbrou a Universidade coimbrã! Foi esta folha de serviços que a fez atribuir uma distinção académica a quem não tem qualquer passado académico!
Como Che Guevara já está morto, arranjaram o que ainda poderia simbolizar as loucuras que tantos continuam a apreciar.
Mas se Xanana pode receber galardões académicos, os melhores alunos portugueses do ensino secundário, para aprenderem que é com marxismo e anti-portugalidade que se é reconhecido, já tiveram a notícia que os 500 euros que lhes foram prometidos vão para outros bolsos!
Nuno Crato (de quem me lembro a chafurdar nas vascas da extrema-esquerda, cujos quadros mentais parece que não abandonou inteiramente) quis dar um sinal de que estudar, trabalhar e cumprir a palavra é tudo conversa. Só por isto, também ele merecia um horroris causa...
Assim vamos. Mérito é ser beneficiado por jogos políticos. Trabalhar e alcançar resultados é recompensado com ... coices.

É o espelho de uma sociedade que depois se admira de andar a sobreviver de esmolas.

 

por João Severino às 17:56
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Sábado, 6 de Agosto de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

Mercado Social de Arrendamento: Socratinismo sem Sócrates?
 
> O governo anunciou que vai promover um "mercado social de arrendamento", aproveitando os muitos imóveis que a banca tem disponíveis por incumprimento dos empréstimos para habitação.
 
Na base disto, estará o arrendamento de “casas desocupadas abaixo do preço de mercado tradicional, com o objectivo de dinamizar o mercado de arrendamento".
 
O mais certo é tudo ficar em águas de bacalhau, como é costume. Mas a proposta é particularmente perigosa.
 
Como todos sabemos, o mercado de arrendamento tem um sector completamente estrangulado, o dos arrendamento de renda congelada. São centenas de milhares de contratos anteriores a 1990 (data da liberalização pelo governo de Cavaco Silva, mas com efeitos só para o futuro) que os senhorios não podem terminar e com rendas que durante décadas não puderam ser aumentadas. Nestes contratos, o Estado obriga os proprietários a serem a Segurança Social de quem, muitas vezes, nem precisa.
 
Por isso, legislar em matéria de arrendamento sem mexer nestes contratos é tapar o sol com uma peneira.
É muito bonito dar aos necessitados o que eles precisam. Mas, se as rendas serão abaixo do preço de mercado, só há três alternativas:
- ou os proprietários das casas são muito bondosos e aceitam ficar com o prejuízo;
- ou os proprietários são coagidos a ficar com o prejuízo;
- ou o Estado cobre a diferença entre a renda social e a renda de mercado.
 
Se os proprietários não tiverem um ataque de generosidade e o governo não os quiser obrigar a ceder os seus imóveis, resta ao Estado financiar o tal mercado social.
 
Mas deve começar por o fazer com aqueles que estão na casa alheia a pagar misérias. Muitas vezes à custa de pessoas que são pobres.
 
Se não se for por aí, temos de concluir que o "mercado social de arrendamento" mais não é do que um frete aos bancos, que depois de terem irresponsavelmente emprestado dinheiro durante anos, já não sabem o que fazer a tantas casas que recebem dos incumpridores. 
 
Se assim acontecer, teremos uma medida ao nível do pior de Sócrates: ao mesmo tempo que se beneficiam os grandes grupos económicos com projectos faraónicos, oneram-se os pequenos proprietários e empresários com impostos e inquilinos perpétuos. E destrói-se o mercado privado de arrendamento, com uma concorrência desleal, financiada pelo Orçamento do Estado.
 
Esperemos que não.
*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente
por João Severino às 10:22
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

carmindices

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

O BLOCO CENTRAL PODE ENTRAR PELA JANELA??
 
 
> No dia 6 de Junho, logo a seguir às eleições legislativas, fiz "votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu".
Se Passos Coelho e o seu governo querem colocar um basta ao socialismo que nos conduziu à pré-bancarrota, têm de enfrentar os vampiros com estaca de madeira.
Durão Barroso, com medo de Sampaio - e, quem sabe, de outras forças - nunca fez a purga necessária. Os altos níveis da administração pública mantiveram uma horda de quadros intermédios que já tinha servido o PS. Importantes leis (como a lei do arrendamento) não avançaram. Quando Santana as quis efectivar, foi corrido.
É por isso que soube com terrível preocupação que  Francisco Ribeiro de Menezes (que foi até Agosto do ano passado chefe de gabinete de Luís Amado) será o chefe de gabinete de Passos Coelho.
As grandes reformas nunca se fizeram com quem salta de lado da barricada.
Rezar a Deus e ao demónio nunca foi prova de qualquer tipo de integridade.
Quem serviu o governo de Sócrates num lugar de directa confiança política, poderá participar numa regeneração do País que Sócrates afundou?
Votei PSD. Não votei PS.

Espero que este episódio não seja sintoma de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, arranjou maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

 

por João Severino às 22:01
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

carmindices

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

QUEM SÃO OS INDEPENDENTES DE PASSOS?
 
"No Governo ou vai estar o Partido Socialista ou vai estar o PSD, não vamos estar os dois".
Passos Coelho foi peremptório nesta afirmação.
Passos deu a sua palavra a Portugal de que não levará os socialistas (e não especificamente Sócrates) para o governo.
PSD e CDS alcançaram ontem uma confortável maioria absoluta: cerca de 50% dos votos e, pelo menos, 129 deputados (em 230).
É uma ampla base social e política. 
Sócrates nunca a teve - e, mesmo assim, governou sozinho durante seis anos.
Atendendo ao outro compromisso de Passos - o de levar o CDS para o governo - poderíamos concluir que o PS está irremediavelmente arredado do poder.
Mas...
Quer no último dia de campanha, quer no discuro de vitória, o presidente do PSD afirmou que, além de se coligar com o CDS, colocará personalidades independentes no executivo.
A questão reside aqui: quem são esses independentes?
Cavaco levou para o governo independentes ligados à direita (como Roberto Carneiro e Bagão Félix) ou sem qualquer peso político (caso do polémico Carlos Borrego). Não alteraram a correlação de forças interna ou as linhas definidas pelo PSD.
Guterres contou com muitos independentes no seu primeiro governo. Mas tratava-se de pessoas que haviam participado nos "Estados Gerais" do PS, colaborando na elaboração da alternativa socialista de 1995.
Portanto, até hoje, as vagas de independentes que integraram governos ou eram ideologicamente próximas do partido do poder, ou não tinham relevância política, limitando-se a uma participação governativa de carácter técnico.
Ora, os independentes de Passos Coelho não fazem parte de uma plataforma de fundo como a dos "Estados Gerais" - e, isto, porque o PSD não apresentou nada do género.
Serão figuras do centro-direita, embora não militantes do PSD ou do CDS? Parece-me improvável, pois, nesse caso, não mereceriam tanto ênfase nos discursos de Passos.
Restam, pois, duas alternativas:
- ou serão personalidades sem filiação política definida, mas que se destacam pela sua competência técnica em determinadas áreas (por exemplo, Medina Carreira como Ministro das Finanças);
- ou serão figuras que estabelecerão pontes com o PS.
Se for o último caso, Passos terá de ter muito cuidado.
Está a pisar gelo muito fino.
Prometeu não levar o PS para o poder.
Não pode, sob pena de desonestidade, trazer o PS para o governo, a coberto de pretensas independências de quem tem afinidades notórias com os socialistas.
Não pode deixar entrar pela janela o que garantiu que saía pela porta.
Não se pode comportar como o alcoólico que bebe vinho de olhos fechados, porque prometeu não olhar mais para a bebida.
Estranhamente, Passos não se contenta com a confortável maioria de que dispõe com o CDS. Voltou a dizer que quer independentes, colocando-os ao mesmo nível do parceiro de coligação.
Se o CDS não chega, mas o PS também não serve, resta, ao que parece, uma base política comum ao PSD e aos socialistas.
E ela é fornecida pela Maçonaria, organização que é transversal ao PSD, ao PS e ao CDS e que poderá oferecer esse tipo de "independentes".
Esperemos para ver.
Com os votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.
*Professor Caredrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 08:54
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

carmindices

 

Carmindo Mascasrenhas Bordalo*

 

 

SÓCRATES E O PS - AS VÍBORAS DISFARÇADAS DE ENGUIA
 
> Nos últimos tempos, os dirigentes do PS, vendo que poderão ser escorraçados do poder que tanto proveito lhes deu, desfazem-se em apelos a uma coligação governamental de que venham a fazer parte.
Carlos Melancia, António Costa, Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Pinho e, agora, o próprio Sócrates.
É um truque de mau gosto.
Como o nosso João Severino já disse, Passos Coelho tem de rejeitar expressamente essa hipótese grotesca.
O PS levou Portugal à bancarrota, de que apenas nos salvámos com um empréstimo concedido pela Europa e pelo FMI (e que  os socialistas atrasaram suicidamente).
Com o PS, a degradação da qualidade política atingiu graus nunca vistos, com a impunidade e as mentiras constantes de Sócrates.
Se Passos Coelho quer, efectivamente, salvar Portugal, tem de afastar o PS.
Sócrates e o PS são duas  víboras que provocaram o maior descalabro social, económico e financeiro dos últimos 35 anos.
A eles devemos os recordes de desemprego, endividamento, défice orçamental e falta de liberdade na comunicação social.
Para a educação, deram-nos as Novas Oportunidades (o liceu oferecido como brinde dos ovos da Páscoa).
Para as contas públicas, deram-nos um buraco orçamental único na nossa história.
Para a política social, deram-nos aa duplicação do desemprego.
Como recompensa pelo trabalho, cortaram salários
Como futuro do País, serviram o aborto e o casamento gay.
Como exemplo de conduta pública, apresentaram-nos o Freeport e a Face Oculta.
Esta gente tem de ser travada.
O PS não deve ser mantido no governo.
Os resultados foram catastróficos.
Sócrates e o PS disfarçam-se agora de enguia: um ser que escorrega, que muda de posição agora que está aflito, mas que é inofensivo e, até, comestível.
Na realidade, são víboras, também viscosas e rastejantes, mas venenosas - e  à conta de quem estamos a passar péssimos momentos.
Querem que comamos um prato que apresentam como caldeirada de enguias, mas que é um ensopado de víboras. Cheio de veneno letal.
Passos Coelho tem de nos provar, ainda hoje, que não cai na esparrela.
PS: este post é uma homenagem ao João Severino que, com uma lucidez impressionante, tem feito no PPTAO uma cobertura notável da campanha. Ainda hoje o mostrou.
* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 20:12
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Quarta-feira, 23 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 
JORGE SAMPAIO OU O ESCARRO MORAL
 
Jorge Sampaio veio pedir entendimentos entre as várias forças políticas porque a situação do País é difícil.
 
Será que, em Novembro de 2004, quando dissolveu a Assembleia da República onde havia uma maioria parlamentar, Sampaio achava que não eram precisos entendimentos?
 
Por que estranho motivo é que, nessa altura, as coisas só se resolveram com uma dissolução e consequente queda do governo?
 

 

Talvez Sampaio ache que os entendimentos só são precisos em fases muito críticas - e em 2004, com o governo PSD/CDS, a situação portuguesa era bem melhor.

 
Mas, então, por que é abriu uma crise política, se ainda não estávamos na lástima a que Sócrates nos conduziu?
 
Será que as crises políticas, na óptica do Dr. Sampaio, só são boas quando a maioria governamental não é da sua preferência política?
 
A postura de Sampaio é reveladora do pânico que se está a apoderar da camarilha socialista.
 
Sócrates, Silva Pereira, Santos Silva, Luís Amado, Mário Soares e, agora, Jorge Sampaio rastejam a implorar que deixem o governo sobreviver.
 
Para quê esta atitude quase abjecta? 
 
O que é feito dos valentes que criaram e apoiaram a crise política e as eleições antecipadas de 2004-2005? Para onde foi toda a empáfia?
 
A explicação só pode ser uma.
 
O PS e Jorge Sampaio estão altamente receosos que a situação a que conduziram Portugal origine um processo de tal dimensão que leve a uma vassourada nos seus tachos e mordomias.
 
Um novo governo pode, aproveitando a frescura de um novo mandato, tomar medidas que afectem uma estrutura de compadrios, interesses e distribuição de benesses.
 
Imagine-se que, escudando-se no estado calamitoso da herança socratina, um novo governo acabava ou reduzia salários em administrações de fundações, empresas e institutos ligados ao Estado.
 
Imagine-se que um novo governo extinguia organismos públicos supérfluos.
 
Imagine-se, ainda, que um novo governo impedia quaisquer novas admissões em todos os sectores da função pública.
 
O que seria da camarilha?
 
O que seria de pessoas como a filha de Jorge Sampaio, que o Ministro socratino Pedro Silva Pereira nomeou sua assessora?
 
 Ponha-se, ainda, a hipótese de o novo governo admitir uma auditoria externa às verdadeiras contas públicas portuguesas. E se houvesse responsabilidades criminais e financeiras pela situação?
 
Percebe-se bem o pânico de Sampaio e dos outros.
 
O homem que provou uma crise política e conduziu Sócrates ao poder quando o desemprego, o défice e a dívida externa eram muito menores, pede, agora, muita calma e  entendimentos.
 
Um verdadeiro escarro moral.
 
 
*Colaborador residente
 
 
PAU COMMENTS
 
De Jorge Cabral a 23 de Março de 2011 às 11:05
 
Caro Professor,

Tenho que começar por lhe agradecer ter-me poupado a fazer o que o senhor aqui fez. Há quase 24 h que ando com a minha "alma" azeda pelo que ontem ouvi do Sr. Dr. Jorge Sampaio. E fê-lo com a qualidade que eu nunca conseguiria atingir, pelo que o meu agradecimento terá que ser duplo.
Na verdade perante o que aconteceu no seu "principado", facto a que o senhor muito bem se refere, Jorge Sampaio perdeu qualquer legitimidade em intervir numa situação como a que agora se nos depara, politicamente.
Jorge Sampaio foi um Presidente medíocre. Tão medíocre que não deixou qualquer memória que não seja o "pecado" de ter soçobrado perante uma das piores manifestações de partidarite que era possível presumirmos como passível de qualquer atitude de um homem decente. Para mim nem isso Jorge Sampaio chega a ser. Licenciado com 10 valores, sem nada que se lhe conheça que não seja o confortável e permanente encosto ao Partido, este cavalheiro foi mais um dos que contribuíram para a situação em que estamos.
Não estou com isto a defender o Santana, cuja medíocridade está também por demais notória, mas a forma indigna e "desconstitucional" como tal Governo foi escorraçado é um manifesto inquestionável das rídiculas qualidades da pessoa de Jorge Sampaio.
Mais, Jorge Sampaio é tão sectário que até levou tais defeitos a escolher quem, dentro do seu partido, seria o seu "serafim". Que o diga Ferro Rodrigues, que foi ostensivamente ostracizado a favor do Sócrates, e com tal clareza e desfaçatez que o pobre homem, só teve que abandonar tudo, para manter a pouca dignidade que o Jorginho lhe deixou. e mais ainda, vejam a prenda que estas maquinações construiram e que se dá pelo nome de José Sócrates - eis o que Jorge Sampaio pariu.
Portanto, Jorge Sampaio que se cale e se reserve ao, ou aos, tacho(s) que a carreira lhe vem garantindo.
Entretanto, haja pachorra para suportar estes cretinos.


 

 

 

por João Severino às 00:02
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

plágio

 

> Escrevi no Pau Para Toda a Obra, em 15 de Fevereiro de 2010:

 
Não vejo no PS uma dinâmica global para forçarem Sócrates a abandonar as funções que exerce. Ele tem sabido manobrar com mestria uma rede de distribuição de vantagens, benefícios, cargos, benesses e manutenção de interesses que serve muita, muita gente.
Sócrates foi deputado e Ministro do Ambiente e isso deu-lhe uma enorme massa de contactos pelo País fora. Conhecer e dominar uma estrutura nacional de contactos é algo de primordial importância na conquista, exercício e conservação do poder.
A isso acresce que o PS, com a sua tradição de cumplicidades e protecções aprendida com a Maçonaria, tem como caldo de cultura o favor e a defesa dos seus. Apunhalar Sócrates iria contra esse código genético e abriria um precedente que ninguém quer que mais tarde se vire contra si.
Por último, sejamos pragmáticos: sendo a estratégia socialista a da conservação do poder para a continuação do seu domínio de pontos-chave da sociedade portuguesa, faria sentido abrir uma crise interna só porque Sócrates fez tudo aquilo que podia para lhes permitir alcançar esse objectivo? Talvez isso lhes possibilitasse uma operação cosmética, mas jamais o PS quererá mais do que isso.
Desde 1995 que o PS domina totalmente o aparelho de Estado, o que em boa medida se manteve em 2002-2005 com o interregno da governação PSD/CDS: para contentar Sampaio, Barroso e Santana Lopes mantiveram ao nível de quadros intermédios muitos que estão ligados ao PS ou, pelo menos, que vão saltando de um lado para o outro. As malhas da rede estão, pois, muito apertadas e sólidas, permitindo que a falta de vergonha de Sócrates triunfe e se imponha à ética e à Justiça.
(http://pauparatodaaobra.blogspot.com/2010/02/pau-comments_9511.html)
 
No dia 14 de Março de 2011, o Arquitecto Saraiva, Director do SOL, escreve:
 

O PROBLEMA é que todos os socialistas - os sérios e os não sérios - sabem que, no dia em que Sócrates se for embora, o PS cairá do poder.

A escolha, hoje, não é entre Sócrates e outro socialista - mas entre Sócrates e o PSD.

Por isso os socialistas estão reféns de Sócrates e não têm outro remédio senão apoiá-lo.

Fecham os olhos às suas mentiras e aos seus excessos.

Assobiam para o lado quando o seu staff faz uma patifaria.

Além disso, todos eles - de Correia de Campos a Armando Vara - vão beneficiando da presença do PS no Governo: hoje é a administração de uma empresa pública ou de um banco, amanhã é um lugar numa fundação, mais tarde é um subsídio ou simplesmente facilidades num negócio.

O GOVERNO construiu um poder tentacular - o tal Polvo, de que o SOL um dia falou - que chega a todo o lado.

Ajuda uns e intimida outros.

As empresas públicas, as empresas privadas, os bancos, as direcções-gerais - toda a máquina do Estado e suas adjacências estão cheias de socratezinhos que servem de polícias e fazem tudo o que for preciso para agradar ao chefe.

Correia de Campos sabe isto tão bem como eu.

Por que faz então de parvo e atira o odioso sobre os jornalistas?

Por ter deixado de ser sério?

Acho sinceramente que não.

Fá-lo porque, quer ele quer os seus camaradas, seguem no barco em que Sócrates é capitão - e, no dia em que este deixar o lugar, vão todos ao fundo.

NÃO SE ESPEREM, portanto, divergências ou clivagens no PS.

De uma forma ou de outra, todos os socialistas são hoje cúmplices de José Sócrates.

No momento da verdade, unir-se-ão para aguentar este primeiro-ministro e atacar os seus supostos inimigos.

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=13990&opiniao=Pol%EDtica%20a%20S%E9rio

 

 
Aquilo que se diz há mais de um ano no PPTAO, é agora aproveitado pelo Senhor Arquitecto.
É este o jornalismo que temos.
Também por isso, e apesar de tudo,  Sócrates resistiu até agora.
 
 
Carmindo Mascarenhas Bordalo
Professor Catedrático Jubilado
 
 

 

por João Severino às 23:10
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Quarta-feira, 16 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado

 

 

SÓCRATES E A SOPA DE ABORTO
 
> Henrique Neto, homem do PS e pessoa conhecida pela sua independência de espírito, tem vindo a defender que o problema do País é Sócrates.
É uma análise de impressionante lucidez.
 
O estado das instituições bateu no fundo, com uma degradação nunca antes vista: o Procurador Geral da República é apanhado a mentir; o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ameaça juízes incómodos; pressionam-se jornalistas a céu aberto e acaba-se com programas de televisão onde a Maçonaria é desmascarada. Qual o ponto comum? Sócrates. Foi por causa do FREEPORT que o Procurador mentiu, foi por causa do FREEPORT que o Presidente do STJ ameaçou o magistrado e foi por causa das críticas ao poder político e à sua ligação com a Maçonaria que o "Plano Inclinado", da SIC, foi tirado do ar.
 
Comparem-se o défice orçamental, a taxa de desemprego e a dívida externa de 2005 com os de 2011. Quem governou entretanto? Sócrates.
Cortam-se salários, abonos de família e subsídios aos doentes. Aumentam-se impostos. Claro que os organismos públicos supérfluos, as lautas remunerações dos nomeados politicamente e a abertura de lugares na função pública continuam. Quem faz tudo isto? Sócrates.
  
Já vamos em 4 Programas de Estabilidade e Crescimento. Todos da responsabilidade de Sócrates. Sempre que são aprovados, Sócrates garante que as medidas são suficientes e que estão a dar um resultadão. Vira-se como um cão contra quem lhe diz o contrário. Mas, poucos dias depois, lá vem ele propor novas medidas, apesar de as anteriores serem suficientes...
 
Não há limites para a desonestidade deste homem.
 
Sócrates é desonesto e isso pode ser provado. Sócrates mente mas insulta quem lhe chama mentiroso.
 
Fui à manifestação de dia 12, apesar da minha idade. Vi um oceano de pessoas, sem organização prévia mas unidas pela dor com o estado a que Sócrates conduziu Portugal.
Pediam contratos de trabalho. Pediam o fim dos falsos recibos verdes e dos estágios-fantoche com que Sócrates contorna a lei.
Não vi ninguém pedir tachos ou roupas caras como as que Sócrates usa.
Não vi pessoas pedirem licenciaturas feitas ao Domingo e com trabalhos enviados por fax. Ninguém pediu isso, isso é privilégio de Sócrates.
Não vi ninguém pedir um lugar de assessor como o que o governo de Sócrates deu à filha de Jorge Sampaio, o responsável por Sócrates ter tido tanta facilidade em destruir o País.
Foram 200.000 pessoas a pedir decência e cumprimento da lei.
 
Que lhes respondeu Sócrates?
Que se preocupa muito com os jovens e, por isso, os seus governos aprovaram o casamento gay e o aborto livre. 
Se calhar, no próximo PEC, Sócrates quer substituir subsídios de alimentação e de desemprego por sopas feitas com restos desses abortos. Era a única maneira de o aborto livre poder ajudar em alguma coisa quem está com a corda pelo pescoço.
Mas, então, coma-as ele. Nunca pensei escrever uma coisa destas, mas uma criatura assim não merece melhor.
 
Ele volta a fazer-se de vítima porque, supostamente, não lhe aprovam mais um PEC.
Caia quem quiser.
 
*Colaborador residente

 

 

 

por João Severino às 16:42
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Sexta-feira, 4 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

PORTUGAL NÃO É A ALEMANHA...

 
> A propósito da visita de Sócrates à Alemanha têm corrido rios de tinta.
Sinal de vassalagem?
Sintoma de que vai estourar bernarda que exige intervenção externa?
Seja como for, é bem significativo do estado a que chegámos.
Mas é curioso e irónico que Sócrates tenha ido à Alemanha neste momento. Pena que lá não tenha aprendido alguma coisa com o caso Guttenberg.
Karl-Theodor zu Guttenberg, até há poucos dias Ministro da Defesa alemão, era (e talvez continue a ser) um dos mais populares políticos do seu país. Jovem, sorridente, riquíssimo, bem falante, oriundo de uma família da velha aristocracia bávara, casado com uma elegante bisneta de Bismarck, Guttenberg, com menos de 40 anos, teve uma ascensão política meteórica. Já se lhe augurava o topo da escadaria do poder.
Já conhecia a personagem, que me parecia um caso a acompanhar: tinha todas as condições para ser Chanceler da Alemanha - portanto, há que tristemente reconhecê-lo, chanceler da Europa.
Mas Guttenberg queria, paralelamente, manter uma carreira académica, que lhe atestasse o prestígio intelectual. Por isso, apresentou um Doktorarbeit (ou noutra terminologia, um PhD) para obter o grau de Doutor.
Todavia, foi denunciado pelo Prof.  Andreas Fischer-Lescano, da Universidade de Bremen, que a tese de Guttenberg continha abundantes plágios, isto é, aproveitamentos da obra de outros autores sem a devida citação da fonte. Comprove-se aqui: http://www.kj.nomos.de/fileadmin/kj/doc/zu_guttenberg.pdf. Mesmo para quem não saiba alemão, facilmente se vê (págs. 114 a 119) que Guttenberg violou as mais elementares regras de honestidade académica, ao limitar-se a copiar, sem indicar a origem, artigos científicos de autoria alheia.
As sondagens mostram que Guttenberg continua popular.
Merkel tentou o mais que pôde que ele não caísse.
O seu Doktorvater (orientador da tese), o prestigiadíssimo Prof. Peter Häberle, da Universidade de Bayreuth, defendeu-o até ao ponto de ser ele próprio a cair no ridículo (já lhe chamam o Professor Ingénuo), vindo a apresentar uma retractação pública.
Ainda assim,  Guttenberg demitiu-se. E a  Universidade de Bayreuth revogou o grau que lhe conferira.
O clamor público da comunidade científica, a indignação de reputados académicos, uma comunicação social acutilante e que procura factos, levaram a este desfecho.
Estou certo que Sócrates se riu a bandeiras despregadas quando soube do desfecho do caso Guttenberg e suspirou de alívio por Portugal não ser a Alemanha.
Aqui tudo se admite: curricula forjados, licenciaturas nulas, invocação de pós-graduações inexistentes, certificados falsos.
Assim, percebe-se por que é o nosso Primeiro-Ministro intimado a ir à Alemanha e não o contrário.
 
*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente
 
 
 

 

por João Severino às 09:23
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

carmindices

 

 

 

KHADAFI, PALHAÇO LOUCO E AMIGO DE SÓCRATES
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
> Em 15 de Abril de 1986, o Presidente norte-americano Ronald Reagan ordenou o bombardeamento aéreo da Líbia, já então governada há 17 anos por Khadafi. Fartos do envolvimento líbio no terrorismo internacional, os EUA, apoiados pelo governo britânico da formidável Sra. Thatcher, davam uma lição àquele a que Reagan, nos seus diários (já publicados em português), chamava "palhaço louco".
O terrorismo patrocinado pela Líbia diminuiu consideravelmente, apesar do atentado de Lockerbie, em 1988. Mas as alminhas do costume condenaram a intervenção.
Já de garras escondidas (não fosse algum sucessor de Reagan voltar a partir-lhe os dentes), Khadafi dedicou-se a manter o seu poder interno, reprimindo duramente o povo líbio e vendendo petróleo.
Claro que, para Sócrates, na sua política externa anti-semita e pró-regimes endinheirados, Khadafi é um amigo. E aproveitou a nova máscara de cordeiro do tirano para andar de braço dado com ele. Leia-se aqui (http://publico.pt/1234473: "Apesar de a Líbia ter representação diplomática em Lisboa há 25 anos, só este mês o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, anunciou para 2006 abertura de uma embaixada portuguesa em Tripoli") e aqui (http://publico.pt/1453999: "O primeiro-ministro fez hoje uma noitada em Tripoli a assistir à cerimónia de aniversário da revolução líbia, depois de ter tido uma reunião política") .
Depois das quedas de Ben Ali e de Hosni Mubarak, Khadafi luta desesperadamente pela sobrevivência política, voltando a massacrar os líbios. Ironicamente, recorre a bombardeamentos aéreos, como tanto criticou a Reagan e Thatcher.
A quem beneficiou a amizade de Sócrates? Aos mais de 600.000 portugueses desempregados?
Aos estudantes universitários que deixam de poder estudar com os cortes nas bolsas?
Aos jovens que caíram nas malhas da precariedade e cujo drama até já se tornou mote de uma música?
Portugal está cada vez pior. Não foram os negócios de Sócrates com o "palhaço louco" que o evitaram. Os petro-dólares líbios certamente encheram o bolso de alguém, mas não do povo português.
*Professor Catedrádito Jubilado
por João Severino às 10:49
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

carmindices


Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado


O RATO QUE RUGIU


 


 

> O grande vencedor das eleições de dia 23 foi, sem dúvida, Cavaco Silva.

Sem qualquer alternativa credível de esquerda e sem outros candidatos à direita, Cavaco conseguiu a eleição à primeira volta, com o decisivo apoio do eleitorado flutuante que decide as eleições e que nos últimos anos também elegeu o PS.
Teve um primeiro mandato lastimável, em que cedeu nos princípios (ou seja, cedeu a Sócrates ...) para conseguir a reeleição. O que é certo é que a alcançou.
Mas foi uma reeleição amarga.
Todo o discurso de vitória na noite de 23 foi eivado de dor e ressentimento, marcado pelos casos BPN e da mansão algarvia. Mário Soares, aliás, não perdeu a oportunidade de apontar o discurso "rancoroso".
Numa noite que devia ser de glória e de alegria, para mais sendo certamente a sua última noite eleitoral, Cavaco mostrou-se crispado e vingativo devido às denúncias de que foi alvo - e a que nunca quis responder minimamente.
O grande responsável por essa noite ter sido de fel e não de mel foi, ironicamente, o candidato que ficou em último lugar, Defensor Moura.
A ele se deve, no debate de Dezembro, o início dos ataques a Cavaco. Coelho e Alegre só depois disso cavalgaram a onda.
Na própria noite eleitoral, Defensor voltou a reclamar os louros de ter sido o destruidor da imagem de Cavaco como homem impoluto.
Como ontem escrevia o sub-director do CORREIO DA MANHÃ, a grande ironia da noite foi a de o vencedor passar o tempo a dizer mal da estratégia de um candidato regional que alcançou somente 1,5% dos votos.
Alegre, Nobre e até o espalhafatoso Coelho foram adversários que nem beliscaram Cavaco. Aquilo que verdadeiramente incomodou o Presidente foram as denúncias que Defensor teve a coragem de iniciar.  Como no filme cómico dos anos 50, com Peter Sellers, foi "O rato que ruge".
A questão que fica é esta: o que podemos esperar de um Presidente da República que se abespinha com os ruídos de um rato, mas que não os desmente cabalmente?
Que margem de manobra e independência terá Cavaco quando ficaram no ar - não respondidas - as acusações de um mero peão?
Se até Defensor Moura pôs Cavaco na retranca, imagine-se como será com Sócrates ou Santos Silva...
*Colaborador residente

por João Severino às 19:45
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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


COMO TEM SIDO DIFÍCIL MODERNIZAR PORTUGAL


O governo pretende permitir a abertura de hipermercados durante todo o Domingo e não apenas da parte da manhã como actualmente.
Num momento em que o País precisa de trabalhar e de criar riqueza, é algo de aplaudir.
É uma medida que gerará mais emprego, facilitará a vida dos consumidores e que até ajuda a necessária flexibilização de horários em outros sectores de actividade.
O comércio tradicional não será beliscado: o seu nicho de mercado está bem delimitado (as pequenas compras de conveniência ou os produtos especializados).
Além disso, os centros comerciais já estão abertos toda a semana, não se vendo motivos para diferenciação.
Os responsáveis da Igreja Católica em Portugal já vieram com a conversa do costume. Os mesmos que, sob os auspícios policarpianos, lavaram as mãos do assunto do aborto e assobiam para o lado com o casamento gay, estão muito preocupados com o lazer e com um eventual concorrência das grandes superfícies às missas dominicais. Que as crianças sejam dissolvidas com ácido ou aspiradas do ventre materno é questão civil, fora dos interesses da Igreja (Policarpo dix it!). Mas que os seus pais as possam levar ao hipermercado durante a tarde de Domingo já é grave e justifica que os padres intervenham!
Há que vencer mentalidades ultrapassadas e que esquecem que também de pão vive o Homem.
Infelizmente esta medida tem cerca de década e meia de atraso. O governo de Cavaco Silva, depois de um vendaval de críticas, teve de retroceder e obrigar os hipers a fechar aos Domingos. O PS fez parte do coro.
Parece que o bom senso vai imperar. Finalmente.


* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:01
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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


AS BARBIES

Quando uma mulher só se preocupa com questões de aparência, passando horas a escolher vestidos, pinturas, sapatos e perfumes, logo vem à cabeça a comparação com a Barbie, uma boneca que supostamente representa uma certa futilidade e vaidade.
O pior é quando o comportamento barbie é seguido por mais do que crianças entretidas a brincar.
Mas ele abunda.
Sócrates tem-se dedicado anos a fio ao trabalho cosmético que disfarce a grave crise nacional, nomeadamente desmentindo as evidências e anunciando sempre inexistentes luzes ao fundo do túnel. Interessa-lhe a aparência, não a realidade.
Portas, ao invés de fazer o que lhe compete, apontando o desgoverno PS e apresentando alternativas sérias, prefere andar a dar nas vistas com propostas sem seriedade como a da mega-coligação. Mais aparência, mais maquilhagem, sempre fugindo ao essencial.
Agora é Passos Coelho com o seu projecto de revisão constitucional. Temos mais uma barbie.
Alguém acha que é com mais um ano de mandato presidencial ou com a possibilidade do Chefe do Estado poder demitir o governo que haverá casas mais baratas,mais empregos, menos corrupção, melhor e mais rápida justiça?
Tudo fachada.
Assim como é fachada a parlapatice da proposta passos-coelhista do fim da previsão constitucional da necessidade da justa causa de despedimento.
Segundo noticia o "Diário de Notícias" (link mais abaixo aqui no PPTAO): « Passos Coelho quer riscar a expressão "justa causa" do artigo da Constituição que impõe limites aos despedimentos. O partido laranja substitui a expressão por "causa atendível" (...) Paulo Teixeira Pinto explicou ao DN que "justa causa" é um conceito "muito apertado" e que "imputa culpa" no trabalhador. O jurista, que presidiu à comissão de trabalho que elaborou o projecto, frisou, porém, que a nova formulação não é uma liberalização dos despedimentos. "Não é admissível rescindir sem motivo", avisou, explicando que as razões atendíveis virão na lei ordinária».
Ora, isto é o que se chama mudar tudo para tudo ficar na mesma.
Segundo especialistas que consultei, de Lisboa e de Coimbra, justa causa e motivo atendível são exactamente a mesma coisa. A própria noção de justa causa presente na Constituição não pressupõe culpa do trabalhador. E tanto assim é que o Tribunal Constitucional tem admitido diversas normas que permitem despedimentos sem culpa.
Não ser possível rescindir sem motivo e as razões atendíveis virem na lei ordinária é o que já hoje se passa!
Portanto, não é na Constituição que Passos Coelho teria que mexer mas sim em aspectos dos regime legal como, por exemplo, o empregador não ser obrigado a reintegrar o trabalhador depois de este ser despedido sem justa causa (como se passa, aliás, em quase todos os países europeus).
Mas isto nada tem a ver com a revisão constitucional que Passos diz querer.
Ou seja, é só para não estar calado.
Outro especialista em cosmética, em aparência e que só quer dar nas vistas nas pantalhas televisivas.
Estamos entregues a barbies.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 17:50
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A MEGA-COLIGAÇÃO: APRENDER COM OS ERROS DA HISTÓRIA


Paulo Portas veio propor uma mega-coligação PS/PSD/CDS como forma de superar a crise em que estamos mergulhados.
Creio que percebo o motivo: uma conjunção de esforços que permita que ninguém atire para cima dos outros as culpas por medidas impopulares.
Por outro lado, sempre se responsabilizaria o PS, atando-o ao governo e não lhe permitindo fugir cobardemente como Guterres fez, deixando o centro-direita a apagar os incêndios que ateou.
Em termos de táctica partidária faz sentido.
Mas parece-me francamente negativo para o País que se entre por um caminho de quase união nacional.
As experiências de coligações entre esquerda e direita têm sido um verdadeiro fracasso.
O governo PS/CDS de 1978 foi um desastre. As naturais contradições internas ao nível das políticas agrícola e social fizeram com que depressa se esfarelasse.
O Bloco Central não tomou quaisquer medidas de fundo, pois o PS nunca aceitou as exigências (ideologicamente fundadas) do PSD. Hernâni Lopes usou o garrote orçamental, como o não pagamento do 13º mês aos trabalhadores do Estado, mas as reformas estruturais foram sempre adiadas.
Se a política ainda tem alguma seriedade e há diferenças substanciais entre forças partidárias, é impossível estabelecerem-se alternativas governativas em que todos caibam, independentemente do que pensam e do que propõem.
É por isso que a proposta de Portas não faz sentido. A História já se encarregou de o mostrar.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente


PAU COMMENTS

Jorge Cabral disse...

Caro Professor,
Eu reconheço-lhe uma especial competência para escolher as palavras convenientes evitando, aliás, come deve ser, as inconvenientes. Eu não tenho esse condão e como tal, o que tenho a dizer só posso fazê-lo da seguinte forma.
No "pantanal" da política, (que a mim me parece mais uma fossa séptica dum hospício de leprosos), Portas está tão estafado e desacreditado como Sócrates. Pena é que em tal passeio de vaidades ninguém se veja lucidamente ao espelho.
Por outro lado, fazê-lo como o fez, só me fez lembrar alguns dos meus imbecis colegas da primária que apesar ostracizados se punham em bicos de pés para tudo o que oportunisticamente lhes conviesse.
Aliás na política já temos um que é useiro e vezeiro em tal formato e todos sabemos o resultado.
É tempo de acabarmos com TODOS os "estafados" que incompetentemente, há mais de 20 anos nos têm andado sistematicamente a arrastar para onde hoje nos encontramos. Seja o que for que venha é melhor que esta cambada de gente desonesta, oportunista, incompetente e imbecil de que estamos realmente fartos.
Abraço bloguista


por João Severino às 09:21
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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PASSOS COELHO E O CDS: A EVIDÊNCIA

Desde há cerca de um ano que, neste espaço do PPTAO, defendo que a área política não socialista deve estabelecer uma plataforma que ofereça uma alternativa à governação socialista.
Por outras palavras, e mais claramente, o PSD e o CDS devem unir esforços no sentido de se coligarem e encontrarem um projecto de governo comum.
Segundo recentes notícias, a actual direcção do PSD parece que também assim pensa.
É uma prova de lucidez: nas legislativas e autárquicas de 2009, a junção dos votos de ambos os partidos ultrapassava os do PS. Tudo aponta para que tal se continue a verificar - e de modo ainda mais acentuado.
Não é impossível, mas não é fácil ao PSD garantir sozinho condições para governar. Maiorias absolutas de um só partido são dificultadas pelo nosso sistema eleitoral: em 35 anos de eleições, apenas por 3 vezes tal foi conseguido. Só isto é um argumento de monta.
Mas não é tudo. Algo se me afigura ainda mais importante do que a mera aritmética dos assentos parlamentares. Trata-se de um projecto de sociedade que é necessário construir.
Desde 2004 que o PSD vive afogado numa crise interna sem precedentes. Para mim, o grande culpado tem um nome: Cavaco Silva.
Cavaco Silva apostou de forma sistemática em usar a sua influência para destruir o PSD como alternativa séria de governo, mergulhando-o numa permanente guerra civil e tirando-lhe o tapete nos momentos cruciais. Os factos falam por si:
- Cavaco era visita assídua de Sampaio em Belém e fez uma crítica devastadora ao governo de Santana Lopes nas vésperas da dissolução da Assembleia da República (o célebre artigo da má moeda), ajudando a criar um ambiente de crise política;
- em vésperas das legislativas de 2005, Cavaco fez constar na comunicação social que apostava numa maioria absoluta do PS, revelando que não acreditava no seu próprio partido;
- o actual Presidente recusou, ainda, que a sua imagem fosse usada em material de campanha do PSD, mostrando que achava o PSD indigno da sua pessoa;
- já depois de eleito, Cavaco elogiou repetidamente o governo de Sócrates e em finais de 2006 foi ao ponto de louvar o seu carácter reformista numa entrevista à sua amiga Maria João Avilez;
- quando Sócrates esteve envolvido em escândalos que em qualquer País civilizado teriam conduzido à sua queda por falta das mínimas condições de exercício de funções públicas, Cavaco assobiou para o lado ou menorizou a gravidade dos factos;
- as legislativas de 2009 foram completamente abafadas pelo caso da alegada vigilância de Belém por S. Bento: o contra-ataque orquestrado pelo PS através do Diário de Notícias conseguiu que Sócrates aparecesse como vítima de uma tramóia de gente ligada a Cavaco e, só já depois das eleições, este veio prestar declarações que, de algum modo, poderiam ter mostrado que o PS, afinal, não era inocente como queria fazer crer. Recorde-se que a própria direcção do PSD criticou Cavaco por não ter feito os devidos esclarecimentos antes das eleições.
- Cavaco acabou por ser cúmplice de uma das grandes cruzadas legislativas da Esquerda no sentido de destruir as referências históricas e éticas nossa sociedade, ao não exercer o seu veto político em relação à lei do casamento homossexual - o que até lhe valeu a crítica severa do habitualmente pacato Cardeal Patriarca.
Isto para não falarmos da estranha e efémera liderança de Luís Filipe Menezes, que acabou por fazer um grande favor a muita gente, pois renegou a anterior posição do PSD e aprovou parlamentarmente o Tratado de Lisboa ao lado de Sócrates (qee também prometera referendo!), como Cavaco sempre quis.
O resultado foi, pois, um PSD dividido, desautorizado, minado por dentro e enfrentando um Governo que contava com o apoio presidencial.
O PSD tem de reencontrar o seu lugar na política e na sociedade portuguesa. E tem de o fazer com o CDS, um partido ideologicamente claro, com propostas concretas e que tem feito as mais certeiras críticas a Sócrates no âmbito do rendimento mínimo, da despesa pública, da política fiscal, da segurança social e da agricultura.
Há cinco anos que os sociais-democratas são um náufrago à deriva, sem que ninguém tenha memória das suas propostas ou das suas ideias. Os portugueses só se lembram das suas crises e vergonhas públicas.
Um projecto político completo e credível é a única forma de se salvarem. Essa transfusão de sangue tem de vir de fora, porque o sangue interno já se esvaiu todo - e Passos Coelho já o percebeu. Por isso diz contar com o CDS.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 19:46
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



QUEM TRABALHA LEVA

> A proposta do CDS no sentido de restringir o acesso ao Rendimento Social de Inserção (ou rendimento mínimo garantido) foi chumbada pela Esquerda parlamentar.
Não é de estranhar.
O grande e último objectivo da Esquerda (mesmo da que, por questões pragmáticas, vai cedendo aos novos tempos) é a destruição da propriedade privada e da iniciativa individual - e com o rendimento mínimo mata os coelhos só com uma cajadada.
Por um lado, obriga quem trabalha a sustentar quem recebe só porque existe, delapidando a bolsa dos cidadãos.
Por outro lado, cria uma horda de dependentes, sem brio, sem valores, sem vontade.
Claro que, ao mesmo tempo, muita gente come à conta: funcionários, comissões, etc.
E, the last but not the least, fixou uma camada de votos fiéis ao PS. Por exemplo, as comunidades ciganas (que eram tradicionalmente próximas, precisamente, do CDS) são agora entusiastas apoiantes dos socialistas.
O rendimento mínimo foi um erro, quer como concepção social do bacalhau a pataco, quer em termos estratégicos: Portugal está muito longe dos níveis de desenvolvimento económico que permitam embarcar numa aventura dessas.
Um País que está à beira da bancarrota e que vai onerar com impostos e cortes extraordinários quem trabalha não pode manter uma prestação social que custa por ano 500 milhões de euros e que é dada só porque o beneficiário respira.
O Tribunal Constitucional tem de rever a sua jurisprudência da proibição do retrocesso social, para a qual até contribuíram Conselheiros indicados pelo PSD. O governo de Durão Barroso tentou que o rendimento mínimo apenas fosse concedido a partir dos 25 anos e os juízes do Constitucional, por maioria (onde se incluiu Paulo Mota Pinto, ex-vice presidente do PSD), declararam a solução inconstitucional. Para o Tribunal Constitucional é obrigatório que qualquer garoto, antes de tentar ter uma vida útil ao seu País, possa logo ficar a ser sustentado pelo Estado.
A proposta do CDS era do mais elementar bom senso. O facto de ter sido chumbada revela as intenções sinistras que presidem à manutenção desta vergonha.
Como querem que se trabalhe para sair da crise se quem prefere ficar encostado tem direito a rendimento mínimo?


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 09:56
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Sábado, 15 de Maio de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UMA INTRIGA CÍNICA

As medidas anunciadas pelo governo do PS para fazer face à crise económico-financeira são agora apresentadas sob o embrulho do patriotismo.
Estranha palavra na boca de gente que durante tantos anos vituperou qualquer alusão à Pátria, à Nação ou à Raça.
Servem-se do valor do patriotismo para que se engula mais facilmente o veneno amargo de que são os únicos responsáveis.
Os aumentos de impostos que agora são anunciados são a consequência directa de 15 anos (desde 1995 até hoje) em que o PS delapidou o erário público.
Em 15 anos apenas 3 não foram da responsabilidade socialista. E aí, quando algo era feito de menos popular, o PS berrava a plenos pulmões que não podia ser.
Especialmente nos últimos 5 anos, com Sócrates à frente do governo, o que foi feito?
Deu-se largas aos acessos à Função Pública, como se pode comprovar pelo histórico da Bolsa de Emprego Público.
Apostou-se em obras públicas faraónicas que nem com os sacrifícios impostos à população são travadas.
Continuou-se a engordar o Estado com lugares e mais lugares em novas fundações, institutos públicos, empresas públicas, etc.
Aumentaram-se salários quando houve diminuição de preços, só porque era ano eleitoral.
Isto para não falar do Rendimento Mínimo Garantido com que os socialistas quiseram prebendar centenas de milhares de pessoas sem ter em conta as reais possibilidades de um País que ainda estava muito longe dos níveis de crescimento económico que o possibilitassem, imitando Estados que estavam para Portugal como o touro para a rã - e recordemos que quando a rã inchou para chegar ao tamanho do touro acabou por estoirar.
O crescimento económico mediocre, o défice histórico, o desemprego crescente e o endividamento não são de agora. São fruto de um PS que nos dirigiu por um caminho de facilitismo, compadrio, emprego no Estado para os amigos, facilidades imediatas e dádivas para quem não tem mérito.
Apelar à união nacional, como se os problemas tivessem aterrado vindos iensperadamente dos céus, é uma intriga cínica típica de quem faz o mal e depois a caramunha.



*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 22:32
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Domingo, 25 de Abril de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PROFESSOR MARCELLO CAETANO: TRINTA E SEIS ANOS DE UMA IGNOMÍNIA


Há 36 anos foi cometida uma ignomínia que atingiu aquele que foi um dos portugueses que se dedicaram à causa pública com maior empenho, denodo e honradez, o Professor Marcello José das Neves Alves Caetano.
Os trabalhadores rurais e domésticos a quem foi estendida a previdência sabem daquilo que falo. Assim como os professores que passaram a ter férias pagas, os milhares que tiveram ajuda na compra de habitação própria, os que podiam ser reembolsados das suas despesas de saúde sem serem funcionário públicos, os que obtiveram emprego nos milhares de empresas que apareceram com o inédito crescimento económico.
No dia 25 de Abril de 1974, um homem que nunca colocou ao bolso um grão de pó que não fosse seu, que, tendo nascido pobre, subiu a pulso graças ao seu trabalho e inteligência e que construíra uma obra académica de renome internacional, foi tratado como um criminoso, banido do seu País sob os urros de uma multidão acicatada por gente medíocre.
Exilado, e com uma coragem exemplar, refez a sua vida com a dignidade própria de quem tem arreigado o valor do trabalho. Vencendo as adversidades - que é quando se mostra a têmpera das pessoas de mérito - voltou a exercer o seu magistério com o brilho que se lhe reconhece. Longe da família, dos amigos e da terra ingrata mas que era a sua, espoliado da aposentação que lhe era devida não pela carreira política mas como Professor da Faculdade de Direito de Lisboa, Marcello Caetano deu a todos uma lição de vida.
Nunca quis fazer as figuras que outros fizeram. Não patrocinou manifestações em capitais estrangeiras contra o governo do seu País, nem entrou em conspirações para se evidenciar aos olhos de potências estrangeiras. O seu padrão era a rectidão de comportamentos e não Mário Soares.
Quando foi para o exílio não tinha consigo um tostão que fosse e a sua única conta bancária era uma verdadeira anedota. Quando, poucos anos depois, os quatro filhos a dividiram entre si, cada um ficou com o valor equivalente a uma viagem de curta duração ao Brasil. O maior especialista em Direito Administrativo e que governara uma nação vivia apenas do que o trabalho lhe dava.
Expulso Marcello, como todos sabemos, Portugal ficou muito melhor: nas províncias ultramarinas foi encontrada a felicidade e a paz; o desemprego desapareceu; passámos a ter um crescimento económico anual equivalente à Coreia dos seus melhores dias; a bolsa de valores tornou-se um referencial mundial; o escudo tornou-se a mais forte moeda; a educação, expurgado o ensino técnico, ficou uma categoria.
Assim devem pensar os mesmos que no Largo do Carmo estoiravam os pulmões de tanto berrar contra Marcello. Mal sabiam que só em 1991 este triste rectângulo voltaria a atingir a mesma percentagem do PIB da média europeia que tinha em 1974...
Ao fechar os olhos, em 26 de Outubro de 1980, Marcello Caetano carregou consigo para a tumba muitos desgostos e humilhações. Mas levou também uma consciência limpa que aqueles em que o leitor está a pensar já não devem ter desde tenra infância.
Os festejos abrilinos não devem permitir que se esqueça que o triunfo que se lhes abriu há 36 anos (com que resultados?) pisou quem merecia ter sido poupado e reconhecido.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 22:29
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Sexta-feira, 5 de Março de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


40%

> Segundo o PÚBLICO de hoje, e de acordo com a amostra utilizada na sondagem, a grande maioria dos portugueses acha que Sócrates mentiu intoleravelmente no caso TVI/PT.
Ainda assim, 40% dar-lhe-iam o seu voto se houvesse hoje eleições.
Claro que as sondagens podem ser falseadas. No Pau Para Toda a Obra esse fenómeno foi desmascarado nas últimas eleições europeias, num serviço público sem preço prestado pelo João Severino.
Mas admitamos que a sondagem é verdadeira - pois ainda há meses o PS ganhou as legislativas com 36,5% e, no entretanto, o PSD está com uma liderança provisória.
Como se explica que o PS, liderado por alguém que os portugueses consideram que mentiu intoleravelmente e cujo carácter está longe de ser recomendável, esteja tão solidamente na liderança das preferências políticas?
Em primeiro lugar, há que ter em conta que o PS é um partido estruturante deste regime e, em condições normais, tem garantido um quarto do eleitorado (mais ou menos o que conseguiu nas eleições para o Parlamento Europeu, com uma conjuntura económica adversa e a desastrosa prestação de Vital Moreira). Há um eleitorado tradicional ou ideológico que jamais se afastará do PS.
Mas e os restantes?
Há que explicar os 15% que faltam para totalizar 40% dos votos - algo correspondente a uma destacada maioria relativa.
Bom, quanto a esses, estou convencido que boa parte da resposta se encontra nas bases de dados da Segurança Social, no Diário da República e na BEP - Bolsa de Emprego Público.
Há neste momento perto de quatrocentas mil pessoas a viver com o rendimento mínimo, o cartão de visita das políticas sociais do PS. Em certas zonas economicamente deprimidas (como o Alentejo e os Açores) o rendimento mínimo é a grande base de sustento de muitos, isto para não falar das periferias das grandes cidades.
Uma legião de dependentes, da qual muitos podiam trabalhar ou trabalhar mais, prefere a buchita do rendimento mínimo, que devem a Sócrates e sequazes.
Por outro lado, Sócrates abriu as torneiras dos empregos do Estado.
Com os governos PSD/CDS eram raras as admissões na função pública. Alguns organismos autónomos iam quebrando a regra, mas no cômputo geral eram poucas as ofertas.
Com Sócrates abrem vagas em catadupa. Basta consultar a BEP. Veja-se a evolução.
Isto para não falar em estágios e situações similares.
Como é óbvio, muitos estão à espera que abra o lugar pelo qual tanto anseiam para si ou para os seus. Não vão certamente votar contra quem os abre.
Portugal é um País atrasado no contexto europeu. Há dez anos que praticamente não tem crescimento económico.
A buchita do rendimento mínimo e os empregos no Estado são o melhor que se arranja porque a economia está de rastos.
Sócrates sabe-o e gere a situação. Congela salários e prejudica quem trabalha, mas vai engrossando o nível de dependentes.
É evidente que isto piora a situação.
O mesmo aconteceu com a Lei das Rendas: Sócrates, ao invés de resolver a situação de acordo as regras de racionalidade económica e jurídica, preferiu manter tudo como estava. Umas centenas de milhares de pessoas vão ficando pela casa alheia a pagar uma ridicularia, enquanto outros têm de se endividar até à medula para terem tecto e os centros das cidades vão apodrecendo.
Com Sócrates o conforto imediato, ainda que medíocre, está garantido.
É certo que com o passar do tempo a situação se agrava. Mas enquanto o pau vai e vem, folgam as costas...

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 19:35
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Segunda-feira, 1 de Março de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PÉROLAS A PORCOS

> Neste País pobre de gente honrada e que se destaque pelo mérito, pejado de falsos curricula e de títulos postiços, ainda nos damos ao luxo de esquecer e ignorar quem conseguiu sobressair pelo seu valor.
No passado dia 26 de Fevereiro, faleceu o Senhor Prof. Inocêncio Galvão Telles (1917-2010), Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, insigne jurisconsulto, cultor das letras jurídicas, Ministro da Educação Nacional entre 1962 e 1968 e defensor do Estado português no Tribunal Internacional de Justiça num processo relativo à questão da soberania sobre os enclaves de Dadrá e Nagar-Aveli, em que foi dada razão a Portugal contra a União Indiana.
A sua vastíssima obra científica, o seu patriotismo, o serviço público a que se dedicou exemplarmente (http://www.sg.min-edu.pt/expo03/min_01_galvao_teles/expo2.htm), mereciam certamente que, na hora do seu desaparecimento, a comunicação social portuguesa não o ignorasse.
Assim não aconteceu.
Preferindo tratar da mediocridade que hoje pulula, os nossos media passaram ao lado da morte do Prof. Galvão Telles. No apanhado das " notícias" do Google, pesquisando pelo seu nome, nem uma referência aparece.
O Ministro que introduziu a "telescola" e aumentou a escolaridade obrigatória sem degradar o ensino, o Advogado que fez vingar as razões do seu País nos areópagos internacionais, o Mestre que ensinou gerações de homens de leis, é totalmente esquecido por aqueles que hoje não param de falar no Izmailov.
São os tristes tempos em que vivemos.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:15
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*




SÓCRATES: A CAUSA DAS COISAS


> Henrique Monteiro, director do EXPRESSO, testemunhou que José Sócrates o pressionou para não ser publicada uma notícia desfavorável sobre a sua licenciatura.
Do que me recordo, a única notícia importante transmitida pelo EXPRESSO sobre a pseudo-licenciatura de Sócrates foi a de que o diploma do 1º Ministro atestava que o grau fora obtido ao Domingo - algo evidentemente falso e que mais adensava as graves e já conhecidas ilegalidades na concessão da licenciatura.
Essa foi, até ao processo "Face Oculta", a mais bombástica notícia a arrasar a credibilidade de Sócrates, mostrando que o seu curriculum vitae é um embuste.
A imagem de homem rigoroso e sobranceiro, que cultivava desde a ascensão à liderança do PS, caiu para sempre.
O apologista dos sacrifícios e do rigor para os outros não aplicava a si próprio a mesma exigência, vivendo uma vida pública de fachada. Ao contrário do que apregoava, não era engenheiro, não era pós-graduado em engenharia sanitária: nem um diploma válido de licenciatura tinha!
Segundo informação de que disponho, Sócrates ponderou demitir-se face à vergonha. E só não o fez porque os interesses que o promoveram ao poder acharam que era melhor que tal não acontecesse.
Atendendo ao facto de que também a tentativa de neutralização da TVI teve origem nas notícias que o envolviam no caso Freeport, conclui-se que Sócrates tem como estratégia de manutenção no poder a coacção da comunicação social para que a verdade sobre si não se saiba.
Para poder ter uma vida pública, Sócrates esconde a sua verdadeira vida (que, atenção, não se confunde com vida íntima). Tem de camuflar o seu passado, as suas habilitações, as suas conversas, até os seus amigos.
Licenciatura, Cova da Beira, Freeport, Face Oculta. É isto que Sócrates tem como curriculum. É isto que o leva a viver uma vida dipla dupla que quer esconder. E não olha a meios para o fazer.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 23:31
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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ EM PERIGO


>
Não é só o que tem sido revelado no processo Face Oculta que demonstra que o governo socratino está a desenvolver uma actividade continuada de cerceamento da liberdade de expressão em Portugal.
Há mais. Bem mais.
Existe uma corrente ao nível da comunicação social e até dos blogs que se tem dedicado a lançar cortinas de fumo, na tentativa de que passe incólume a claríssima dimensão dos tentáculos do polvo socialista.
O ataque cerrado ao Comissário Almunia porque este disse a verdade sobre o nosso triste desempenho económico é sinal de que Sócrates e seus sequazes estão numa redoma de falta de lucidez e, "orgulhosamente sós", dão espadeiradas no ar contra o inimigo externo que querem apresentar ao povo.
Os argumentos falaciosos de que os despachos judiciários e as conversas de Sócrates e dos seus apaniguados (e só as destes foram reveladas até agora!) são assuntos privados e não podiam ser revelados têm o mesmo objectivo: intoxicar a opinião pública com falsos elementos pseudo-jurídicos.
Um País onde se mente desta forma a rodos tem de viver sob um sistema tentacular de amizades, favores e pressões.
Os factos não lhes convêm: arranjam-se teorias sem fundamento e apela-se a despropositados sentimentos de unidade nacional.
O coro de crítica que choveu sobre Paulo Rangel mostra o espírito de matilha do socratinismo, semelhante ao lema da ditadura militar brasileira: "Brasil, ame-o ou deixe-o!".
Mas onde está a esquerda socialista que tanto gostava de criticar no estrangeiro o governo de Salazar?
Onde estão os apoiantes dos dirigentes políticos oposicionistas que em Londres, em 1973, queimaram bandeiras nacionais e apuparam o então Presidente do Conselho Marcello Caetano?
Nessa altura era bom criticar o governo lá fora e agora é mau?
Almunia disse verdades. Veja-se a miséria da economia portuguesa nas páginas da insuspeita imprensa britânica: "Barclays Capital says the net external liabilities of Greece are 87pc of GDP, or €208bn (£182bn). Spain is worse at 91pc (€950bn), and Portugal worse yet at 108pc (€177bn); Ireland is 68pc (€123bn), Italy is 23pc, (€347bn). Add East Europe's bubble and foreign debts top €2trillion" ( http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/7182739/Greek-Ouzo-crisis-escalates-into-global-margin-call-as-confidence-ebbs.html)
Rangel disse verdades. A tomada de posição da Associação de Juízes é a prova de que há fundamentos sérios para se concluir que o Estado de Direito em Portugal não está saudável.
Rangel não faz fretes. Enfrentou galhardamente as tácticas estalinistas e de agitprop de Vital Moreira e do PS. Está a pagar por isso.
A liberdade de expressão em Portugal está em perigo. O socratinismo até já usa os argumentos salazaristas da traição à Pátria para calar quem não é conveniente e lhe denuncia os desmandos.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 23:25
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

CARMINDICES



Carmindo Mascarenhas Bordalo*


THE ODD COUPLE


> A imundice revelada pelas escutas não é nova.
Sócrates até já foi apanhado a mentir para a esconder.
Mas a verdade é que temos de suportar a criatura.
Há uns anos largos, a RTP transmitiu uma série cómica intitulada "Sozinhos em Casa", baseada na sitcom americana "The Odd Couple": dois divorciados que moravam juntos, um muito asseado e certinho (Félix) e um incrível desmazelado (Óscar).
Andavam sempre em conflitos e situações absurdas, mas no fundo entendiam-se e tinham um enorme afecto mútuo.
Troque-se Félix por Aníbal e Óscar por José. E substitua-se afecto por conveniência. Assim, já percebemos por que é que temos de aturar estas misérias.
O certinho aceita tudo ao desmazelado porque, na sua aritmética calculista, não tem outro remédio.
Os restos de sandes de atum que Félix encontrava nos sítios mais improváveis são as escutas que estão agora nas bocas do mundo. Por muito nojo que lhe provoquem, Aníbal tem de as suportar.
Ainda há 5 anos Portugal tinha uma imprensa que criticava livre e impiedosamente os governantes. Um ministro queixou-se em público dos tratos de polé que um comentador dava ao executivo e já se clamava que havia atentado à liberdade de expressão.
Se isso é verdade, pela mesmo lógica vivemos hoje no mais completo regime totalitário, como comprova a vergonha que hoje está escarrapachada nas páginas do SOL.
Se Santana Lopes era má moeda, isto já nem moeda falsificada é: trata-se de escórias.
Aníbal que vá aguentando o desmazelo de José. O problema é que nos obriga a fazer o mesmo.
PS: Para descontrair, cá vai o original, inócuo e divertido, ao contrário da versão Belém/São Bento: http://www.youtube.com/watch?v=2be6jGwLoJ0.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 18:23
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A CALHANDRICE NÃO DESMENTIDA


>
Fonte do Ministério dos Assuntos Parlamentares diz, a respeito do caso da censura a Mário Crespo, que "o Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices".

Não disse que eram falsos os factos relatados na crónica censurada pelo JN.
Um calhandro é um bacio onde se despejam outros bacios. E um calhandreiro é ou quem despeja o bacio, ou um bisbilhoteiro.
Em lado nenhum da expressão calhandrice há, pois, o significado de mentira. Quem despeja potes de dejectos ou um bisbilhoteiro não são, por definição, mentirosos.
A fonte do Ministério de Jorge Lacão não desmentiu a narração de Mário Crespo, que segundo o EXPRESSO é corroborada pelos testemunhos do jornalista Nuno Santos e da apresentadora Bárbara Guimarães, esposa do destacado socialista Manuel Maria Carrilho.
Mas, efectivamente, o caso é todo ele uma calhandrice.
O que Sócrates tem feito para abafar qualquer crítica é digno de estar contido em calhandros. Para não infectar o ar envolvente.
Percebe-se bem que as fontes do governo não comentem o conteúdo de calhandros em que chafurdam os seus dirigentes.
E Cavaco assobia para o lado.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 22:47
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES, CAVACO E CONSTÂNCIO OU OS ATENTADOS À HIGIENE MENTAL

> Não é novidade que a conduta política e cívica de José Sócrates representam uma lástima ética sem precedentes. Mas parece que ainda não atingiu o limite.
Causa náuseas ver a desfaçatez com que promete e não cumpre, com que oculta a realidade e como manipula a sociedade portuguesa, ajudado pelos próceres do aparelho socialista e da confraria maçónica.
O orçamento do Estado para 2010 revela o mais alto défice em largas décadas.
Onde estava a consolidação financeira de que o Primeiro-Ministro tanto falava?
O homem que enchia a boca de rigor orçamental e de crítica ao elevado défice que supostamente herdou prebenda-nos com um buraco nas contas públicas de 9,3% do PIB.
E, atente-se, usando receitas extraordinárias!
O mesmo Sócrates que tanto tinha criticado Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix por utilizarem receitas irrepetíveis para conseguirem manter o défice abaixo dos 3% do PIB, como era exigido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, apresenta agora um défice três vezes mais alto - apesar de, como revela hoje a comunicação social, recorrer também a receitas extraordinárias.
Mais: são receitas extraordinárias conseguidas de modo no mínimo duvidoso, pois são geradas pela venda de património a um grupo empresarial que pertence ao Estado! Informações complementares aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/44626-estado-vende-ao-estado-conseguir-receitas-extraordinarias. Uma habilidade contabilística que só aos incautos passa despercebida.
É isto a boa moeda pela qual Cavaco tanto ansiava?
Se é, bem pode limpar às mãos à parede - ou ao dinheiro que recebeu da sociedade detentora do BPN.
O mesmo Cavaco que durante anos vomitava discursos moralistas em prol da saúde e da transparência das finanças públicas, atacando os "políticos" por nada fazerem para controlar "o Monstro", assiste impávido a este descalabro socratino.
Tamanhas desfaçatez e incoerência da parte dos dois mais altos responsáveis pela coisa pública são um atentado à higiene mental.
Tudo, claro, com o beneplácito de Vítor Constâncio, que abichando um ordenado mais alto do que o do presidente da Reserva Federal Americana, prestou-se ao serviço de em 2005 calcular um défice mais alto do que o certificado pelo Eurostat, de modo a permitir a Sócrates um pretexto para a subida do IVA.
O regime vai-se esfarelando, guiado por pessoas que, de facto, não são estadistas mas apenas pensam na forma de não largar o tacho.

Post-Scriptum
: quando escrevia este apontamento, tive conhecimento do caso da censura a Mário Crespo, alguém que diz verdades e que, curiosamente, tem sido atacado, quer por Cavaco, quer por Sócrates. A mediocridade persegue a independência de espírito.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 16:24
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



OS PEDINTES


> Leio com a maior perplexidade que o Ministro das Finanças "pede a agências de rating" para evitarem conclusões precipitadas" - http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1420018
Receoso de que a classificação económico-financeira de Portugal ainda consiga piorar, Teixeira dos Santos vem, de mão estendida, pedir que poupem a medíocre actuação do governo e não lhe dêem muito má nota.
Faz-me lembrar aqueles alunos que, depois de nada estudarem e de fazerem exames miseráveis, sem nunca terem procurado antes o professor, vinham pedir-me benevolência pelos seus lindos olhos ou, na prova oral, desatavam a chorar inventando mortes de familiares, incêndios das suas casas ou desastres de última hora.
O governo de José Sócrates envergonha Portugal.
Um governo que se preze não anda a pedinchar clemência ou a tentar convencer outros a serem bonzinhos para com ele.
Sócrates encontrou um País com uma dívida pública muito inferior, um défice de menos de 3% (certificado pelo Eurostat, apesar das manobras enganadoras de Vítor Constâncio), um desemprego de menos 4% (e que ele já dizia ser inaceitável), com mais crescimento económico e com menor percentagem de despesa pública.
A desculpa esfarrapada da crise internacional não convence.
Sócrates andou 5 anos com conversa fiada: programas de reforma da administração pública que não são nada, ataques gratuitos a classes profissionais sem acabar com os privilégios injustos, investimentos públicos sem sustentação financeira, ajudas a empresas "government-friendly", injecções de capital em bancos mafiosos.
A crise já existia e ele nada fez. E continua a nada fazer.
Congelou os ordenados dos funcionários públicos mas a dívida pública continua a aumentar. Somos um País estrangulado e sem crescimento económico.
Como remédio, o governo estende a mão e, numa postura de "tenham dó do ceguinho", vem pedir encarecidamente que não o chumbem.
Como diria a saudosa Irene Isidro (ainda antes de Amália), "Tudo isto existe, tudo isto é triste..". Terá de ser fado?


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 15:55
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*




VIVÓ TACHO!

> Um assessor de Durão Barroso na Comissão Europeia veio defender ontem, no Diário Económico, a profissionalização da política (http://economico.sapo.pt/noticias/politicos-profissionais_79617.html).
Para ele, é inevitável numa democracia madura que os políticos o sejam a título profissional, fazendo da política carreira.
Um professor universitário com provas dadas não pode querer entrar na política depois do (necessariamente algum ...) tempo necessário para consolidar o seu nome como tal.
O mesmo se aplicará, certamente, a economistas, advogados, docentes do ensino básico e secundário, empresários, investigadores científicos...
A lógica do assessor João Marques de Almeida é implacável: quem sabe ganhar a vida através do seu saber e da sua competência num dado ramo não será bom político. A política seria monopólio de uma classe própria, a isso dedicada exclusivamente.
Mas pergunta-se: será essa uma perspectiva séria e, já agora, "democrática"?
Preferir os bafejados pelos mandarinatos e capelas de amigos instaladas na política, dependentes dos humores, preferências e conjunturas das estruturas partidárias em detrimento de quem tem uma vida para além desse circuito, será um caminho para uma melhoria da classe política?
Um político poderá ter um mínimo de consciência e de independência de espírito se é o mesmo círculo vicioso em que se move que lhe mata a fome?
Para demonstrar a sua tese, o assessor barrosista dá o exemplo de Salazar, que se teria fingido de anti-político mas não teria feito mais nada a não ser política.
O raciocínio cai por terra: Salazar, até aos 39 anos, conciliou sempre a intervenção política com a sua unanimente reconhecida carreira de docente universitário.
Muitas das críticas que lhe têm sido feitas até recaem sobre a fase em que ele, após a 2ª Guerra Mundial, não regressou à sua vida profissional. Portanto, o Salazar que vivia apenas da política e não o que também era lente em Coimbra.
Os meninos das jotas que não saem dos corredores da política algumas vezes foram os condutores de um País? Creio bem que não.
Peter Walker (actual Barão Walker of Worcester), político conservador britânico (da ala esquerda dos tories) dizia ao futuro deputado Anthony Beaumont-Dark (membro da facção mais à direita): "make enough money to be independent before you become an MP". Ambos sempre pensaram pela sua cabeça.
E, nem de propósito, ainda este Sábado, Santana Lopes alertava para a necessidade de o seu partido se libertar de lógicas aparelhísticas e acrescentava: "não é verdade que ninguém deveria ser deputado sem ter já, pelo menos, cinco anos de actividade profissional? Eu fui deputado muito novo e vários outros também… Mas os tempos eram outros, de combates políticos intensos em época pós-revolucionária. Hoje em dia não faz qualquer sentido".
Infelizmente, em Portugal os partidos têm medo de gente com qualidade e independência que possa dizer que não. Bons são os que são comprados com uns tachitos (por exemplo, de assessor), pois deles necessitam para serem alguém.
Já o Padre António Vieira falava dos amenistas, os que dizem ámen a tudo...


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:27
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



OS BENEFÍCIOS DO FIM DO PODER SOCRATINO ABSOLUTO

> Começa a dar fruto o fim da maioria absoluta de que o PS de Sócrates beneficiou entre 2005 e 2009.
A suspensão da vigência do Código Contributivo e o novo regime das taxas moderadoras já eram sinal de que os desmandos estavam a ser invertidos.
Mas ontem, numa área que me é particularmente cara, pois a ela dediquei o melhor do meu tempo, também houve progressos após a "longa noite" do falso engenheiro.
A Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, já liberta do "quero, posso e mando" socialistas, aprovou diversas alterações ao Estatuto da Carreira Docente Universitária que fora publicado em Setembro último.
Foram reforçados direitos dos docentes universitários que Mariano Gago ostensivamente ignorara ou enfraquecera:
- Os assistentes e assistentes-estagiários viram aumentados os prazos transitórios de direito de contratação automática após obtenção de doutoramento, que haviam sido diminuídos contra expectativas e direitos já adquiridos.
- No final do período experimental dos contratos, deixa de ser necessária decisão de continuação do contrato: o vínculo mantém-se, excepto se a maioria dos membros do órgão competente se pronunciar em contrário.
- Quem já estava em "regime experimental" no anterior Estatuto pode optar pelas regras deste.
São notícias que enobrecem a Assembleia da República.
É valorizada uma carreira profissional altamente exigente e da qual o futuro do País muito depende e que um governo liderado por um falsificador de curricula tudo tinha feito para enxovalhar. Talvez por recalcamento pelo seu insucesso pessoal e falta de nível intelectual.
Pela primeira vez em muitos anos, a degradação da condição dos docentes do ensino superior sofre alguma travagem.
Só por isto, em nome da Cultura e da Academia, valeu a pena tirar a maioria absoluta a esta gente.


*Professor Catedrádito Jubilado, cronista residente
por João Severino às 13:53
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


CONGELAR SALÁRIOS: MAS, E DEPOIS?

> Finalmente, Passos Coelho diz algo que se aproveite.
Depois de tanta conversa fiada e sem conteúdo, lá se dignou a apresentar uma medida concreta. Quer congelar os salários da Função Pública.
Pode ser que tenha razão. Por vezes os remédios são amargos, mas têm de ser tomados. As finanças públicas estão, de facto, uma lástima.
O seu apoiante António Nogueira Leite já defendera o mesmo: http://albergueespanhol.blogs.sapo.pt/21098.html
Nogueira Leite é das figuras mais sinistras que opina em Portugal. Supostamente um homem de pensamento liberal, aceitou ser Secretário de Estado do ex-PCP Pina Moura num governo de Guterres. Guterres, o Primeiro-Ministro que, beneficiando de um quadro macro-económico altamente favorável, cometeu o "crime" de não fazer qualquer reforma e não cortar a despesa pública quando na zona Euro todos o faziam.
Nogueira Leite não é, pois, o melhor exemplo de coerência ou de serviço ao País.
Mas, sendo fraco o mensageiro, resta a mensagem.
É uma mensagem corajosa. Contudo, será suficiente?
O problema português, mais do que financeiro, é económico.
O nosso crescimento económico na última década é o pior em 100 anos e num sentido permanentemente divergente face à Europa. Estamos a atrasar-nos.
Infelizmente, não se ouve da boca de Passos ou de Nogueira Leite um único ataque concreto a quem não seja trabalhador.
Aos parasitas que auferem lautos rendimentos de tachos nas administrações de empresas públicas, institutos públicos e outros organismos da administração estadual indirecta.
Aos que recebem rendimento mínimo sem outra justificação senão a de que existem.
Aos que vivem de subsídios.
Podem congelar à vontade os ordenados da função pública. Sem crescimento do PIB não vale de muito.
Se não se mexer na educação (onde só se gasta dinheiro sem formar seriamente e de raiz as pessoas), no arrendamento, na justiça e na segurança social não há corte salarial que nos valha.
Portugal está condenado se continuar só com estes remendos temporários de congela aqui, descongela acolá. Há 35 anos que andamos nessa brincadeira e o falhanço é rotundo.
Precisamos de voltar a ter escolas que ensinem a sério, com rigor e exigência. Que ensinem o que é preciso, com um ensino técnico a sério. Acabar com novas oportunidades, exames ad hoc e patetices no género que só enganam.
Precisamos de uma Justiça independente, que puna os prevaricadores e que não esteja manietada pelos políticos. Precisamos de Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público sem maçons camuflados e com verdadeira independência dos políticos. Têm de ser criadas condições para isso.
Quem investe num País de tristes, cujas qualificações são uma farsa?
Quem quer criar empresas num sítio onde é bombardeado por constantes crimes e abusos de autoridade e os tribunais não o defendem?
Quem consegue arranjar trabalhadores se uma corte de parasitas prefere ficar a viver de subsídios e esmolas?
Como se consegue mobilidade de mão-de-obra se não há mercado livre de casas para arrendar?
Estes são problemas importantes e que estão muito para além de congelamentos de salários. Os salários podem ser congelados, descongelados, fritos, cozidos ou grelhados, mas a porcaria abrilina está aí e não muda se não for varrida. Os gonçalvismos, pintasilguices, soarismos, guterrices e socratinices foram-se acumulando e emperram o nosso desenvolvimento enquanto País. São eles que têm de ser proscritos.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:52
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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



ERGAMOS AS MÃOS!

> Ergamos aos mãos em direcção ao Céu!
Agradeçamos plenos de confiança!
A Pátria redimiu-se!
Ao fim de quase 900 anos de História, finalmente a Nação Portuguesa tornou-se um País desenvolvido.
Uma era de prosperidade e de abastança iniciou-se neste dia 8 de Janeiro de 2010, gravando a letras de ouro o nome dos que que tiveram a coragem de, com imenso sacrifício e saber, afastar Portugal das trevas e do obscurantismo.
Pessoas do mesmo sexo vão poder passar a casar entre si. Noivo e noivo, noiva e noiva.
A sodomia inscrita em assentos das Conservatórias do Registo Civil. Que evolução! Que bom!
Os desempregados, os sub-empregados, os doentes, os explorados a recibo verde, as mulheres atiradas para a prostituição, os drogados, os espoliados do Ultramar, os ex-combatentes com perturbações físicas e mentais, não merecem mais consideração do que aqueles que querem formalizar em papel oficial do Estado português a sua homossexualidade. Estes, sim, são aqueles que merecem a prioridade das prioridades.
Somos hoje uma Nação invejada por biliões de pessoas por todo o Mundo. O desemprego e o endividamento galopantes serão hoje sustidos, ou pelo menos esquecidos por todos. Já temos a hipótese do casamento gay - e isso é que interessa.
Vamos festejar até cair para o lado!
Como diz a confrade Câncio, o próximo passo é a adopção pelos novos e venturosos casais. Nesse dia chegaremos ao Olimpo, imaculados de corpo e de espírito, provando à Natureza e a Deus a Sua burrice.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 22:03
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A ONANISMOCRACIA

>
O regime em que temos de viver, que muitos dizem que é jovem apesar de já estar em vigor há 35 anos, sempre gostou de se proclamar democrático.
Esquecendo a máxima de que elogio em boca própria é vitupério, a III República há mais de três décadas que nos bombardeia com auto-enaltecimentos: é livre, é justa, é solidária, é bem sucedida. Já que mais ninguém a gaba, atira os foguetes e apanha as canas.
Vive-se, pois, num estado de permanente narcisismo e que, face à crise económico-social que nos assola desde 2000, já se identifica com uma autêntica patologia onanista.
O que é, a não ser onanismo, a constante tentativa de os responsáveis políticos e seus apaniguados esconderem os problemas e a sua falta de solução?
Portugal está, neste momento, com um endividamento público equivalente ao total da produção nacional e sem crescimento do PIB.
O que não é de supreender.
A educação é uma miséria e desde que as loucuras abrilinas acabaram com o ensino técnico, que se perdeu a mão-de-obra capaz de levar para a frente um desenvolvimento industrial sustentado. Haverá alguém que queira investir num País sem soldadores, serralheiros, mecânicos e torneiros mas pejado de centenas de milhares de tontinhos que aprendem - e mal - umas generalidades sobre epistemologia, poesia trovadoresca e plantas angiospérmicas?
Haverá quem queira pôr o seu dinheiro num País em que campeia a corrupção e o crime perante a impotência da Justiça, que até está impedida de investigar o Primeiro-Ministro mesmo que o apanhe em flagrante a planear atentados?
Esta carga fiscal é competitiva?
Poderemos alguma vez ter flexibilidade e mobilidade de mão-de-obra enquanto o mercado de arrendamento estiver paralisado e os centros das cidades tolhidos por contratos perpétuos com rendas miseráveis?
Tudo isto é um espectáculo confrangedor e que devia envergonhar os responsáveis políticos dos últimos anos.
Mas não. Entregam-se à fantasia onanista, qual marido casado com uma velha obesa e desdentada mas que passa horas no WC a imaginar-se com a Merche Romero.
Para eles está tudo bem e podemos gastar dinheiro em rendimentos mínimos para madraços, computadores para a rapaziada que nem contas sabe fazer, abrir auto-estradas a esmo e construir linhas de alta velocidade que a Áustria, a Dinamarca e a Suécia não têm.
Na Justiça e na Economia o regime fracassou, todos sentimos isso na pele diariamente (especialmente os 10% de desempregados), mas vêm os do costume dizer que não.
Como Magalhães e Silva (sócio de Vera Jardim e Jorge Sampaio, dois dos expoentes deste magnífico e eficiente regime), que afirma que agora é tudo muito complicado e antes não era: http://www.oje.pt/opiniao/a-direito/justica-e-pib.
Onanisticamente afirma que no "Antigo Regime" (refere-se ao Estado Novo e não ao período do absolutismo régio - esse sim denominado "Antigo Regime" - mas, enfim, adiante que esta gente não dá para mais...) a vida era muito simples e que, por isso, a Justiça era melhor.
Que pobreza de argumento. Como se a sociedade nessa altura também não fosse mais complicada do que fora 35 anos antes...
O problema está em que a onanismocracia vive à mercê de lóbis a quem convém que os tribunais não funcionem. De outra forma não recebiam as suas comissões, luvas e adjudicações e não poderiam espezinhar os consumidores.
Assim continuam os guardas do templo, perante a queda das colunas, a imaginar que o edifício é sólido. Pelo meio, enquanto as coisas caem, enchem os bolsos. A Ordem é rica e os frades são poucos!

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:22
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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


PORTUGAL 2009


Chega ao fim 2009 e, para Portugal, acaba pior do que começou.
Mais desemprego
Menos crescimento económico.
Mais falências.
Menor credibilidade das instituições.
António Barreto, oposicionista ao Estado Novo/Estado Social, ministro de um governo PS liderado por Mário Soares, admitiu que a Justiça funciona pior do que antes do golpe abrilino.
Os escândalos que envolveram o nome do Primeiro-Ministro e de outros socialistas ilustres para isso contribuem.
O PS é intocável por força da falta de independência dos tribunais e das amizades maçónicas. Todo o edifício judicial está à sua mercê, por força de pressões e de alterações legislativas que mudam tudo o que possa levar à barra dos tribunais os poderosos. Como nunca se viu em Portugal.
A liderança do País está na mão de gente que há não muitos anos não servia nem para limpar chão. Diplomas forjados, mentiras, ocultação de provas, ocupação maciça de tachos e sinecuras são o espectáculo degradante de quem comanda os mundos da política, da justiça e da finança.
2009 pode ser denominado "o clube das escutas mortas": está lá tudo, mas não valem de nada. Os implicados não deixam. Há sempre uma salvífica Lei nº 48/2007.
O regime gerado pelo 25 de Abril está podre e num beco sem saída. Há uma década que diverge da média europeia. Em 1999, o nosso PIB per capita correspondia a 80% da média da União Europeia. Agora corresponde a cerca de 70%.
Um rotundo fracasso que, apesar de ter raízes profundas, o guterrismo (6 anos e meio) impulsionou e o socratinismo (4 anos e meio) aprofundou. Pelo meio, uma governação PSD/CDS que não chegou a 3 anos, tendo sido cortada a meio da forma que se sabe. Pregou e praticou a austeridade, mas pouco mais fez.
Os remédios que os actuais governantes apresentam são o cartão único, o computador para os garotos, as Novas Oportunidades, o casamento homossexual, o TGV, a enésima autoestrada.
Assim se compreende que o regime se auto-elogie constantemente e o governo não pare de se enaltecer - já que, evidentemente, ninguém mais o faz.
Pobre País...
A todos um 2010 com muita Saúde e Paz.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

ADITAMENTO

Já depois de escrever este texto e de o enviar ao nosso Director João Severino, saiu em Diário da República a lista dos membros nomeados para o Conselho Superior da Magistratura, órgão de cúpula dos juízes.
É uma terrível confirmação do estado negro da que chegou a Justiça em Portugal.

São nomeados seus membros, entre outros:
- Rui Patrício, o advogado do arguido Penedos no processo Face Oculta e que continuou a patrociná-lo e a manter o cargo, com possibilidade de punir disciplinarmente os juízes que condenam os seus clientes;
- José Faria Costa, conhecido e encarniçado maçon, que prestou juramento de ajuda aos confrades.

Assim vamos.

http://dre.pt/pdf1sdip/2009/12/25000/0876108761.pdf
por João Severino às 15:13
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



JOSÉ SÓCRATES, O ANTI-SEMITA BOLIVARIANO


> Portugal sofre todos os dias na pele o que é ter José Sócrates como Primeiro-Ministro.
Desemprego galopante, diminuição do PIB, aumento do défice orçamental, obras faraónicas, iniciativas de fachada como as Novas Oportunidades, o cartão único e o Magalhães.
Para ajudar à festa, é a licenciatura falsificada, são os projectos assinados fraudulentamente, é o controlo da comunicação social, são as mentiras ao parlamento e as mudanças da lei em proveito próprio (como a alteração ao regime das escutas telefónicas).
Mas até em termos externos Sócrates envergonha o País de dia para dia.
Começou com a aliança estratégica com Hugo Chavez, um projecto de tirano que, através da sua revolução bolivariana, apenas pretende eternizar-se no poder. Vantagens para Portugal, nem vê-las. Nem os "Magalhães" nos compraram...
Depois, o inenarrável apoio à candidatura de Farouk Hosny, Ministro da Cultura do Egipto, ao lugar de director-geral da UNESCO. Trata-se, como é do conhecimento público, de um homem que sistematicamente tem manifestado posições de ódio a Israel e que promove a censura no seu País. Até o embaixador português na organização, o socialista Manuel Maria Carrilho, se recusou a votar em tão repugnante personagem, o que obrigou o governo português a substituí-lo na votação por um emissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros a quem não tremesse a mão ao apoiar o anti-semita.
Felizmente, o bom senso acabou por prevalecer e a candidatura de Hosny foi derrotada. Claro que a sua reacção, bem ao jeito da velha propaganda czarista, soviética e nazi, foi a que se esperava: a vitória da búlgara Irina Bokova seria fruto de uma conspiração sionista!
Era este o candidato socratino. Foi este imundo que o governo de Portugal apoiou.
Mas a veia anti-semita do adulterador de currículos não se quedou por este deprimente episódio.
Portugal, ao lado de uma plêiade de ditaduras terceiro-mundistas e ao arrepio da maioria das democracias ocidentais, votou favoravelmente o relatório Goldstone (elaborado no âmbito da ONU), onde se zurziu impiedosamento o Estado de Israel pela sua actuação na Faixa de Gaza em 2008-2009. Os terroristas árabes podem massacrar diariamente aquela que é a única democracia do Médio Oriente e um Estado constituído à luz do Direito Internacional. Para Sócrates e outros que tais, Israel tem de aguentar calado as bordoadas.
Devido a esta espiral anti-semita, um juiz inglês emitiu um mandado de captura contra a líder da oposição israelita pela sua actuação enquanto Ministra dos Negócios Estrangeiros. Ao criminoso Arafat deu-se o Nobel da Paz, permitindo-se-lhe que se passeasse por todo o lado de pistola à cintura...
Sócrates, além de mentiroso e incompetente, é notoriamente anti-semita.
E, como existe uma tradição judaico-cristã que, ao lado da herança greco-latina, constitui a base da nossa civilização, importa não esquecer que tudo está contextualizado num ódio comum que Sócrates nutre por esse legado.
Assim se explicam as suas obsessões pelo aborto e pelo casamento de homossexuais.
Que vergonha ver o meu País nas mãos de gente desta.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:33
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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A SANTOLA OCA

Há largos meses ouvi Medina Carreira na televisão a queixar-se de que os políticos portugueses são hoje, na sua esmagadora maioria, santolas só com casca, sem qualquer recheio. Apenas forma e nada de conteúdo.
Creio que o problema tende a agravar-se.
Não nutro especial admiração por Medina Carreira (que fez parte de um governo que, na minha opinião, foi altamente nocivo para Portugal) mas o seu diagnóstico foi acertado e, mais ainda, visionário.
Os governantes actuais têm casca, não têm conteúdo e, pior ainda, aqueles que agora se perfilam para a primeira linha da oposição política não são melhores.
Li uma entrevista de Pedro Passos Coelho ao Jornal de Notícias. Aí apareceu o retrato de uma santola enorme, vistosa mas oca.
Passos apela enfaticamente à necessidade de crescimento económico mas não diz como consegui-lo. É melhor do que Sócrates, para quem a diminuição do PIB é um feito de categoria, mas ainda assim é manifestamente pouco.
Quer, ainda, atrair capitais nacionais e estrangeiros, garantindo pujança ao sector exportador. Como? É uma incógnita. Não desvenda se é pela via fiscal, se pela alteração de legislação, se pelo combate à corrupção e que medidas nestes sectores é que tomaria.
Passos defende o apoio às "micro economias que o País tem, por exemplo, novas tecnologias, energias limpas e indústrias criativas e culturais, que têm um potencial de crescimento". Aqui o recheio é uma amálgama de porcaria, qual intestino da santola, porque Passos e o seu mentor (e superior hierárquico) Ângelo Correia têm interesses económicos na matéria através do grupo Fomentinvest. Mas, ignorando esta demonstração de ganância pessoal e de ocultação de interesses disfarçados de preocupação política, o que propõe Passos para ajudar as "micro economias"? Baixar Impostos? Liberalizar despedimentos? Isentá-las de contribuições para a Segurança Social? Nada é dito.
Fala em diminuir a despesa. Exceptuando talvez Louça, não vejo ninguém defender publicamente o seu aumento. Mas não diz o que fará para a diminuir. Reduzir despesas sociais? Congelar salários? Cortar no investimento público? Acabar com subsídios às empresas?
Chavões, chavões e mais chavões. Nem uma medida concreta. Conversa fiada sem conteúdo.
Claro, há a referência ao Primeiro-Ministro e à sua situação insustentável. Mas, até aqui, Passos mostra ser uma santola vazia. Pior ainda, com uma casca que se encherá daquilo que quiserem os interesses que estão por trás de si. Afirma Passos que Sócrates não tem sido esclarecedor e que " Não tendo havido nenhum comportamento incorrecto ou ilegal, seria útil prestar esclarecimentos sob o compromisso de honra".
Esta posição é um verdadeiro escândalo, própria de quem quer encobrir Sócrates. Sócrates foi esclarecedor quanto basta, ao admitir claramente que sabia do negócio PT/TVI (embora apenas a título particular, ao estilo "sou só Primeiro-Ministro nas horas vagas"). E, se assim é, mentiu ao Parlamento. Algo que qualquer um conclui e é tão grave que só mostra a má fé de Passos e a sua tentativa de branquear o que é uma monstruosidade política sem limites.
Qualquer pessoa que pretendesse efectivamente ser um futuro líder da oposição ao falso engenheiro diria imediatamente que Sócrates foi apanhado a mentir e que o fez porque a TVI era uma voz incómoda que urgia calar. E denunciava a artimanha reles e primária de alegar que o conhecimento desmentido afinal existira, mas não era oficial: mas se o Primeiro-Ministro soubesse a título meramente pessoal (por exemplo, à mesa de uma festa de família) que se preparava um atentado terrorista ao nosso País, devia ficar calado e até desmentir esse conhecimento? Será só Primeiro-Ministro quando lhe convém?
Um filão destes seria imediatamente aproveitado por quem quisesse a verdade e a transparência. Só uma santola vazia (nomeadamente de princípios) precisa de mais esclarecimentos. Tudo fogo de vista.
O regime abrilino está a conduzir Portugal à ruína económica e moral. À volta do cadáver zanzam santolas ocas, cuja casca vazia apenas serve de mealheiro a gordas notas.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 18:45
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

SÁ CARNEIRO: UM EXEMPLO QUE MORREU

Por Carmindo Mascarenhas Bordalo*


> O 29º aniversário do falecimento de Sá Carneiro só pode ser visto pelos portugueses com a mais profunda nostalgia.
Nostalgia pela vida, obra e exemplo de Francisco Sá Carneiro.
Sá Carneiro não foi um homem isento de defeitos ou de contradições. Ninguém o é.
Mas a análise da sua vida pública nunca pôde ser devidamente elaborada devido às constantes referências à sua relação com Snu Abecassis, que desfiguram qualquer estudo sério. E quantos dos que o tentaram enlamear por se ter envolvido amorosamente com uma mulher adulta são pederastas ou pedófilos... Até a DGS lhes conhecia esses gostos, mas as autoridades de então nunca quiseram entrar por tais caminhos.
Sá Carneiro quis liberalizar o Estado Novo (ou Estado Social, como se veio a rebaptizar nos seus tempos finais) no sentido de uma democracia europeia ocidental, na peugada de Melo e Castro e Pinto Leite. Quando achou que tal não era possível, coerentemente e demonstrando desapego aos cargos, afastou-se.
Graças a isso, e com todas as figuras preeminentes da "não-esquerda" politicamente decapitadas com o 25 de Abril, pôde liderar a área política não marxista depois de 1974.
Fê-lo sem nunca esquecer os valores da democracia, da dignidade humana e do personalismo ético.
Defendeu logo nos primeiros dias da revolução uma via próxima da do SPD alemão, que a ter sido seguida não teria levado Portugal ao descalabro gonçalvista.
Nunca temeu confrontos. Quer dentro, quer fora do PPD, mais tarde PPD/PSD.
Quando os fautores das "Opções Inadiáveis" apoiaram o cesarismo eanista e abandonaram o PSD, partindo o grupo parlamentar em dois, Sá Carneiro mostrou-lhes que não tinha medo da Maçonaria ou de generais com carinha de mau.
Soube chegar a Primeiro-Ministro liderando um raro exemplo de ampla coligação pré-eleitoral que, durante a sua vida, foi totalmente estável.
No Governo, mostrou isenção, sentido de Estado e vontade de fazer obra. Só não fez mais porque o Conselho da Revolução não deixou, pois até poder tinha de vetar diplomas do poder livremente eleito.
Foi quem mais se insurgiu contra a espúria presença dos militares na vida política, sendo seu o início do esforço que os levaria de novo a recolher aos quartéis com a revisão constitucional de 1982.
Foi sempre um modelo de honradez e de honestidade, como é por todos reconhecido.
Haverá hoje alguém que, na vida pública portuguesa, ocupe os lugares que Sá Carneiro ocupou e que lhe siga os passos?
Teremos hoje um Primeiro-Ministro com a coragem de tomar medidas de fundo como a que Sá Carneiro teve ao tentar as reprivatizações em tempo de euforia estatizante? Ou que mantenha a sua postura de dignidade, verdade e transparência? Ou que seja capaz de apontar, com visão de futuro, o rumo a tomar, como Sá Carneiro fez com as opções civilista, europeia e liberal?
Teremos hoje um líder do PSD (ou candidato a líder) capaz de enfrentar um Presidente da República que prejudica o seu partido?
Teremos, até, algum político, capaz de abandonar os seus cargos como Sá Carneiro fez com a liderança do PSD e teria feito com a chefia do governo caso não tivesse morrido?
Sim, é bom não esquecer que Sá Carneiro não continuaria no governo perante a vitória de Eanes. E, segundo Freitas do Amaral (no 2º volume das suas memórias, pág. 276), estava até disposto a abandonar o PSD e fundar outro partido caso essa sua decisão não fosse acatada. Quando o fundador sobrevivente do PSD, Pinto Balsemão, fala em hipótese de suicídio colectivo do PSD, era bom que muitos pensassem nisto.
Nessa maldita hora do jantar de 4 de Dezembro de 1980 desapareceu um homem. Infelizmente, o seu exemplo, ao contrário do que então se disse, desapareceu também.
Vinte e nove anos depois, no seu lugar está um adulterador de currículos que mente constantemente e que, apanhado a mentir, faz-se de ofendido.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 14:40
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Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



O PRÉ-CANDIDATO

> Quando, a pouco mais de um ano de eleições presidenciais, um ex-candidato presidencial, ex-líder partidário e ex-Vice-Primeiro-Ministro, tece considerações sobre a actuação do Presidente da República em funções, chama a atenção para a sua quebra de popularidade e até arrazoa sobre formas de exercer o mandato presidencial, muito dificilmente não há uma vontade de se perfilar na corrida a Belém.
A entrevista de Freitas do Amaral ao Diário de Notícias de 29/11 é prudente mas faz pairar um cheirinho a pré-candidatura.
Respigo alguns excertos:
Considero que o Presidente, que eu apoio e acho que tem sido um bom governante, não foi feliz na maneira como reagiu - quer antes quer depois - a esse problema (sobre a polémica da vigilância ao Presidente).
Presidente sofreu uma quebra na popularidade maior do que é normal com o episódio. O que significa que a maioria da opinião pública achou que não andou bem.
O que posso desejar é que o Presidente da República, vendo que vários aspectos da vida colectiva portuguesa estão deteriorar-se muito e a entrar numa espécie de beco sem saída, deve dizer ao País e sem medo: "Estamos a enfrentar problemas muito difíceis e as minhas ideias - não tendo eu a responsabilidade de governar mas de alertar - são as seguintes…"
Considero que o Presidente da República, sempre que tem falado com base em textos jurídicos que manifestamente não podem ser só da sua mão, não tem sido bem aconselhado.
Por isso, proponho um conjunto de 15 medidas contra a corrupção que existe em Portugal.Destaca alguma entre as 15? A de o Presidente da República falar ao País .
Portanto, segundo Freitas, Cavaco agiu contra a maioria da opinião pública no caso da suposta vigilância de que os seus serviços teriam sido vítimas, não faz as mensagens e os apelos que deve (nomeadamente contra a corrupção) e, além disso, está juridicamente mal assessorado.
Ainda que com o estilo extremanente cordato que o caracteriza, Freitas fez uma crítica demolidora a Cavaco Silva.
Se Cavaco agiu mal no caso da vigilância é porque lançou suspeitas indevidas sobre pessoas do PS, o que é gravíssimo.
Se o Presidente se remeteu ao silêncio quando era preciso que falasse é porque é um Presidente inoperante, visto que não tem mais nenhum poder de actuação a não ser esse.
Se Cavaco não está bem assessorado em matérias de Direito (que constituem boa parte das suas competências), e não sendo ele próprio jurista, rapidamente se conclui que os seus poderes têm sido incompetentemente exercidos.
E nem a cobertura de adoçante do elogio, dizendo que apoia Cavaco e que o acha bom governante, disfarça a análise implacável: o apoio (que nem foi visível...) a Cavaco enquanto governante pouco sentido faz, pois ele já não tem essa qualidade há 14 anos...
Um político experiente e sagaz como Freitas do Amaral nunca se estenderia desta forma na análise à actuação do Presidente se com isso não pretendesse marcar uma posição: a de que é possível fazer melhor do que Cavaco.
Não fazendo trapalhadas como a da vigilância, que merecem o repúdio da opinião pública.
Emitindo mensagens ao País sobre temas prementes e apresentando propostas concretas.
Estando juridicamente bem assessorado.
Freitas já foi Ministro de Sócrates e é um político que ideologicamente tem largas áreas de coincidência com o PS actual. Tem um percurso profissional notável. É um intelectual respeitado e é conhecido dos portugueses.
Perante um Cavaco Silva desgastado face ao PS com o caso da alegada vigilância e que muitos no centro-direita vêem como um traidor pelo apoio que deu aos socialistas em momentos cruciais, é de colocar uma questão: não seria uma manobra de mestre da parte de Sócrates apresentar o católico social Freitas a Belém?
É que, com o apoio do PS, Freitas possivelmente conseguiria os votos do centro-esquerda e, dadas a sua moderação e a qualidade de independente vindo da velha ala democrata-cristã do CDS, poderia ir buscar votos a outras áreas.
Por tudo isto, parece-me que não é descabido pensar que a entrevista de Freitas pode ter sido o "pontapé de saída" para uma candidatura presidencial concertada com Sócrates.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:23
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



O DESPLANTE


Rui Patrício, o membro do Conselho Superior da Magistratura (CSM) que patrocina o arguido José Penedos no processo Face Oculta, perante as acertadas críticas que têm sido feitas ao facto de continuar no CSM (provenientes da Associação Sindical dos Juízes e até, ainda que indirectamente, de destacados juristas como Figueiredo Dias), veio responder que, afinal, procede muito bem.
Claro que procede. Mas é para o seu bolso.
Quem viu Rui Patrício a sair do DIAP de Aveiro, com uma expressão desfigurada de rancor pela actuação judicial e proferindo as mais graves observações contra esta, não tem qualquer dúvida sobre as suas intenções ao manter-se no lugar para que foi nomeado e de o acumular com a defesa de Penedos.
Rui Patrício é a prova viva de que as regras de quem gere a carreiras dos juízes têm de ser radicalmente modificadas. A bem do Estado de Direito e da independência judicial.
Patrício acaba por dizer que apenas se lembraram agora de que as regras eram más e que é tudo contra ele.
Bem, mais vale tarde do que nunca. E Patrício deveria reconhecê-lo. Devia reconhecer que a sua posição é insustentável.
No meio de tudo isto, só vejo uma solução. E ela está nas mãos da Ordem dos Advogados.
A Ordem dos Advogados Portugueses deveria suspender Rui Patrício das funções de advogado, pois toda a sua actuação põe em causa o brio e o prestígio da advocacia.
Um advogado a sério não joga dos dois lados da mesa. Defende o cliente ou, se eticamente não o pode fazer, prescinde de patrocinar o cliente.
Rui Patrício discute publicamente uma causa judicial, como fez à porta da DIAP de Aveiro, num espectáculo degradante e proibido pelo Estatuto da Ordem dos Advogados. Viola o dever geral de compostura e o comportamento público exemplar que qualquer advogado deve manter, ao persistir em manter-se no CSM. Vejam-se os arts. 83º e 88º do Estatuto da Ordem dos Advogados.
Se Marinho Pinto é aquele combatente impoluto pela rectidão que quer fazer crer que é, deverá fazer o que está ao seu alcance para impedir que Rui Patrício continue a destruir a credibilidade da Justiça Portuguesa em geral e da advocacia e do CSM em particular. Só assim poderá provar que não é o advogado público dos socialistas metidos em sarilhos com os tribunais.
Patrício diz que a ética não se proclama mas pratica-se. Ele não faz nem uma coisa nem outra: proclama a falta de vergonha que o caracteriza e pratica a impudência.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 19:01
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



É PRECISO UM NOVO CONSELHO SUPERIOR
DA MAGISTRATURA

> Leio hoje no PÚBLICO uma entrevista ao Professor Jorge de Figueiredo Dias, eminente especialista em Direito Penal e Direito Processual Penal (http://publico.pt/1411128).
Como é evidente, o ilustre Catedrático Jubilado de Coimbra não se pronuncia sobre qualquer caso judical em concreto. Mas não deixa de tecer inportantes considerações sobre o nosso ordenamento jurídico-penal.
Entre elas, regista-se uma: a premente necessidade de assegurar a independência dos juízes.
Figueiredo Dias sabe melhor do que ninguém que esse é um pressuposto essencial do Estado de Direito.
Sem juízes independentes não há garantia de defesa dos direitos e liberdades dos cidadãos face ao poder político e administrativo. Só sendo independentes, os juízes podem aplicar a Constituição e as leis de forma imparcial, doa a quem doer.
E porque os juízes só devem obediência à lei (art. 203º da Constituição Política), deviam estar sujeitos a um auto-governo quanto às suas carreiras. O órgão para isso competente é o Conselho Superior da Magistratura (embora agora a lei já não fale de auto-governo), do qual podem fazer parte personalidades que não são juízes, por nomeação do Presidente da República e por eleição da Assembleia da República.
É certo que gozam das garantias dos juízes mas ... não são juízes.
E é aqui que Figueiredo Dias, com total lucidez e coragem, levanta a questão: "As personalidades que fazem parte do CSM não ganham, com isso, o estatuto de juízes. Se são advogados, continuam a ser advogados, se são professores continuam a ser professores... Para mim, a pessoa que subisse ao CSM que, no meu ponto de vista, deveria ser um dos órgãos mais fundamentais de toda a estrutura do Estado, passava a ter o estatuto de juiz e, portanto, de personalidade independente. Que se advoga, tem de deixar de advogar, se é Ministério Público, têm de deixar de sê-lo, etc.".
Os membros do Conselho Superior da Magistratura deveriam estar sujeitos às regras de insenção, independência e conduta cívica a que estão sujeitos os juízes.
Não se admite que os administrados tenham de ter uma conduta mais rigorosa do que os administradores.


Conheço um membro do CSM que é absolutamente indigno do lugar que ocupa, e apenas o tem devido às suas ligações político-maçónicas. A seu tempo, e se necessário for, direi quem é. Apenas adianto que há muito tempo que acumula tachos, apesar do seu passado mais sujo do que um esgoto.


Se querem que façam parte do CSM figuras que não são magistrados judiciais, pelo menos que eles tenham de se comportar com a independência e rectidão exigida a estes.
É que neste momento, um lugar no CSM para quem não é juiz é mais um tacho, sem diferenças substanciais da pertença a um conselho de administração de um instituto público ou de uma empresa municipal.
Sabemos que o regime abrilino (corrigido pelo contra-golpe de 25 de Novembro, que hoje celebra 34 anos) tem uma verdadeira obsessão pela criação de tachos e sinecuras, distribuídos em regra por uma horda de desclassificados que nem para limpar chão muitas vezes servem. Mas o CSM, dada a sua importância, não pode estar nesse (baixo) patamar.
Conheço um membro do CSM que é absolutamente indigno do lugar que ocupa, e apenas o tem devido às suas ligações político-maçónicas. A seu tempo, e se necessário for, direi quem é. Apenas adianto que há muito tempo que acumula tachos, apesar do seu passado mais sujo do que um esgoto.
E, por isso, é necessário ir ainda mais longe do que propõe Figueiredo Dias.
É preciso que a selecção dos membros do CSM passe a ter critérios muito apertados e seja sujeito a um escrutínio público e parlamentar mais apertado.
As leis já são más e feitas para safar os poderosos.
Se os juízes não têm garantias para as aplicar o melhor possível, é de fugir.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente


Post-scriptum

Nem de propósito.
No telejornal da SIC vê-se como advogado do arguido José Penedos no processo Face Oculta o Dr. Rui Patrício, que é membro ... do Conselho Superior da Magistratura!
Mas será isto admissível? É isto um País a sério?
Como se disse no blogue PORTA DA LOJA em 17 de Novembro (http://portadaloja.blogspot.com/2009/11/os-guardiaes-de-segredos.html), que juiz pode decidir tranquilamente um processo se quem o pode punir disciplinarmente é o advogado do arguido?


C.M.B.


por João Severino às 14:19
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


********* AS PÉROLAS DE PINTO E DE NORONHA **********


> Gente fina é mesmo outra coisa.
Bastou Sócrates ser apanhado nas malhas da Justiça para tudo ser diferente.
Até o PGR e o Presidente do Supremo saíram do remanso dos seus gabinetes e vêm a terreiro prestar contas. E que ricas contas...
Pinto Monteiro gagueja, entaramela a língua, diz que por ele tudo era divulgado. Embora tenha ordenado o adiamento das diligências, para não atrapalhar nas eleições o PS que o nomeou e onde campeia tanto maçónico... O escândalo está aqui: " Fontes do MP contactadas pelo CM dão conta de que Pinto Monteiro terá mostrado a sua preocupação, e nesse mesmo encontro foi decidido que a acção da Polícia Judiciária de Aveiro só deveria acontecer depois das eleições. O PGR temia ser acusado de pressão política e evitava assim uma polémica que podia fragilizar José Sócrates e contribuir para que não fosse reeleito" (http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=0BCC0358-673A-4C59-97EB-D2493A5D4A51&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181).
Relembre-se , contudo, que o Ministério Público (que Pinto Monteiro dirige) está sujeito a critérios de objectividade e não a considerações de oportunidade, muito menos de oportunidade política: "Compete ao Ministério Público, no processo penal, colaborar com o tribunal na descoberta da verdade e na realização do direito, obedecendo em todas as intervenções processuais a critérios de estrita objectividade". Isto é o que consta do nº 1 do art. 53º do Código de Processo Penal. Sem margem para dúvidas. E sem margem para instruções de retardamentos em prol da reeleição de um político.
Por sua vez, Noronha diz que é o tribunal que define a sua própria competência (http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Noronha-do-Nascimento-foi-recebido-por-Cavaco-Silva.rtp&headline=20&visual=9&article=295958&tm=9, a partir dos 2 minutos e 20 segundos da gravação)!! Não interessa que o art. 10º do Código de Processo Penal diga que é a lei que o faz: "A competência material e funcional dos tribunais em matéria penal é regulada pelas disposições deste Código e,subsidiariamente, pelas leis de organização judiciária". Noronha acha que manda mais do que a lei. Quem não gostar que recorra, afirma o iluminado Conselheiro.
E, ao que relata a comunicação social, Noronha também mandou destruir as escutas que apanharam Sócrates, ainda que o nº 11 do artigo art. 188º do Código de Processo Penal estabeleça que "As pessoas cujas conversações ou comunicações tiverem sido escutadas e transcritas podem examinar os respectivos suportes técnicos até ao encerramento da audiência de julgamento", e que o nº 12 acrescente que "Os suportes técnicos referentes a conversações ou comunicações que não forem transcritas para servirem como meio de prova são guardados em envelope lacrado, à ordem do tribunal, e destruídos após o trânsito em julgado da decisão que puser termo ao processo".
São mais autocratas do que o Doutor Salazar. Para eles não há leis. Só há Sócrates.
Que inveja tenho dos Estados Unidos, onde o juiz Sirica e, depois, o Supreme Court condenaram Nixon a entregar as cassetes e sucessivos procuradores gerais preferiram a demissão a pactuar com os desmandos do presidente.
Aqui, no regime político da Europa ocidental que mais se auto-elogia e proclama democrático, são estas cenas deploráveis que imperam.
Um PGR que manda atrasar processos para beneficiar o Primeiro-Ministro.
Um Presidente do Supremo que faz tábua rasa da lei quando o caso envolve o mesmo Primeiro-Ministro.
É bom que se tenha a consciência de que o regime saído de 25/4/1974 está afundado no lodo e do lodaçal saltam estas pérolas. Que nos salpicam a todos.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 11:38
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UMA TEORIA QUE VALE TANTO COMO AS OUTRAS

>
Hoje, peço a quem tiver a paciência de me ler que me permita um pequeno exercício de reflexão especulativa. Mas não resisto a fazê-lo.
Muito se tem perguntado nos últimos dias por Cavaco Silva. O País sofre uma grave crise institucional, com o Primeiro-Ministro apanhado a mentir à Assembleia da República e com a divulgação de que magistrados entendem que ele praticou actos de relevância criminal contra o Estado de Direito.
A eventual nulidade das escutas não deveria ser óbice para Cavaco actuar. Ele demitiu Ministros por causa de episódios que não tinham qualquer relevância jurídica (caso de Carlos Borrego, que alegadamente contara uma piada de mau de gosto). Chegou mesmo, antes da cerimónia oficial, a não dar posse a Henrique Diz como Secretário de Estado porque este se esquecera de informar que formalmente ainda era militante do PS - o que, em termos legais, não era minimamente censurável.
Por que é que, então, Cavaco se mantém na sua posição esfíngica e, até, de invisibilidade?
É que aqui entro numa conjectura.
Que fique bem claro: são deduções que, para mim, se inferem do que se passou. Nada mais do que isso. Não tenho a veleidade de pretender algo mais.
Parto de um facto objectivo: em Junho deste ano, Manuela Ferreira Leite afirmou categoricamente que Sócrates mentiu quando afirmou que desconhecia o negócio entre a PT e a TVI. "Não falou verdade quando disse claramente à comunicação social que não sabia de nada, não é possível não saber de nada um Governo que tem uma golden share (...) Sabe de certeza absoluta e disse que não sabia", foram as palavras da presidente do PSD amplamente citadas na comunicação social.
Nenhum líder da oposição pode, de ânimo leve, acusar o chefe do governo de mentir ao parlamento. É algo demasiado grave. Para mais, vindo de uma pessoa como Ferreira Leite, que sempre recusou fazer acusações pessoais a Sócrates.
Ferreira Leite não teceu considerações críticas ou juízos de opinião. Ao invés, afirmou um facto. E só o fez porque sabia que esse facto ocorrera.
Tal leva-me a crer que, para afirmar peremptoriamente que Sócrates mentira, Manuela Ferreira Leite tinha informações da existência de provas de que Sócrates, ao contrário do que afirmava, conhecia o negócio PT/TVI.
Dito de forma mais clara: Ferreira Leite sabia que existiam gravações em que Sócrates falava desse assunto.
Só assim se explica a certeza absoluta com que a líder da oposição - figura cinzenta, cautelosa e de poucas ondas - imputou ao Primeiro-Ministro de Portugal determinados factos objectivos.
Mas, pergunta-se: se Ferreira Leite sabia de tudo, por que motivo não foram revelados ao País tão graves acontecimentos antes das eleições?
É certo que o líder da oposição (e qualquer líder do PSD), mesmo nos momentos mais críticos e de menor popularidade, é sempre uma pessoa com considerável poder. Tem acesso a informações que a esmagadora maioria das pessoas não tem.
Mas a verdade é que mal passou o período das legislativas, e com Sócrates reeleito, a coisa soube-se.
Não foi, pois, para preservar o segredo de justiça que a notícia foi guardada. Se fosse para isso, ainda hoje não se saberia de nada.
A conclusão que me parece mais evidente é esta: outras figuras, com ainda mais influência do que Ferreira Leite, também sabiam de tudo mas não o quiseram usar antes das eleições e não permitiram que o véu fosse mais levantado.
Não quiseram que Sócrates levasse em cheio um golpe demasiado forte. Assim como não quiseram usar o Freeport, a licenciatura nula, os projectos da Cova da Beira.
Como aqui no "Jornal do Pau" já escreveu o comentador Humberto (https://www.blogger.com/comment.g?blogID=73211611006973363&postID=7807181367188992989), alguém não queria um PSD demasiado forte e vitorioso.
Ora, quem há muito é conhecido como mentor de Manuela Ferreira Leite e de há vários anos para cá tem-se dedicado a dar tiros nos pés do PSD?
Quem, sendo um líder histórico do PSD, nem quis que a sua foto fosse associada ao seu partido em vésperas de eleições em que viria a ser candidato?
Quem tudo tem ignorado quanto aos dislates e escândalos de Sócrates?
Se analisarmos friamente, e perante a actual postura de silêncio presidencial, não é difícil chegar a conclusões.
Cavaco e muita gente do PSD não querem que Sócrates deixe, para já, de ser Primeiro-Ministro. A reeleição presidencial, na sua óptica, será mais fácil assim e talvez depois os tempos sejam melhores para governar.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:07
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

CARMINDICES



Carmindo Mascarenhas Bordalo*


O IMPERATIVO DE REPUDIAR SÓCRATES
De forma absolutamente sem precedentes, ao perder a maioria absoluta, Sócrates abriu um leilão, apregoando: quem quer fazer acordos de governo comigo?
Como é óbvio, ninguém licitou.
Que seriedade há numa proposta que se dirige por igual a forças políticas tão díspares entre si? Era jogada rasteira e, como é lógico, todos a perceberam. O que o pregoeiro queria era fazer-se de vítima e poder argumentar que não o ajudavam a encontrar soluções. Mas fê-lo de forma tão patética que ninguém caiu na esparrela e, sem lhe darem troco à negociata, não lhe chumbaram o programa de governo. O menino ficou sem o chupa-chupa mas não se pode queixar de que lho tiraram.
Agora, por ventriloquismo, volta à carga.
Carlos César, Presidente do Governo Regional dos Açores (a luminária que, com apoio socratino, queria que a constituição fosse alterada por lei ordinária), vem apelar a que o governo encontre "um parceiro responsável na Assembleia da República para aprovar o orçamento e outros diplomas fundamentais" -http://publico.pt/1409934.
Mas quem quer essa união de facto com quem mente perante órgãos de soberania?
Quem quer um conúbio com gente dessa laia?
Se o PSD e o CDS estiverem no seu juízo perfeito, jamais entrarão em acordos estáveis com uma maioria que, além de socialista, é liderada por um homem sem o menor carácter e que está envolvido nas maiores sujidades.
Já não é uma questão de estratégia política.
Repudiar Sócrates é um imperativo de sã consciência.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 15:41
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Domingo, 15 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



EM PORTUGAL OS POLÍTICOS GOSTAM DE CRIME


>
As reformas das leis penais e processuais penais de 2007 revelam isto, dêem a volta que quiserem: os políticos portugueses gostam de crime.
Porquê?
Muito simples: porque é dele que vivem.
Alcançam a sua satisfação sexual através dele. Alcançam os seus rendimentos mais chorudos através dele. É com ele que conseguem empregos e beneses para si, seus familiares e amigos.
As magistraturas judicial e do Ministério Público, bem como as leis, eram a barreira entre eles e um festim faraónico de criminalidade.
Quando Souto Moura, um católico e uma pessoa de elevada formação moral, Adelino Salvado e outros conseguiram pôr a máquina judicial a funcionar foram logo apanhados políticos. Alguns de calças na mão.
Desde então, os políticos, com especial incidência para os do PS, tudo têm feito para destruir quem lhes barrava o acesso a uma orgia de crime.
Os seus lacaios na comunicação social e na blogosfera começaram a denegrir todos os que ousassem tocar em políticos.
As escutas telefónicas, que são um dos meios mais importantes de obtenção de prova e de detecção de crime, foram imediatamente apresentadas como meios ilegítimos só porque apanharam gente de língua porca a banquetear-se numa orgia de troca de favores, combinações espúrias e tentativas de obstruir a justiça.
As escutas não lhes permitem os seus habituais malabarismos e mentiras. Tudo fica registado.
As magistraturas e as leis (em especial as que disciplinam as escutas) passaram a ser o alvo a abater.
Assim foi feito.
Para Procurador-Geral da República foi alguém conhecido por ser o submarino inflitrado dos políticos no seio da magistratura, um controlado pela malta do avental. Não percebe patavina de direito penal mas tem um irmão que é amigo pessoal do Primeiro-Ministro. Este até se dá ao luxo de lhe dar ordens sobre processos concretos, como quando publicamente lhe exigiu saber o que se passava no processo Face Oculta.
A lei foi alterada para dificultar a prisão preventiva e as escutas. As escutas deixaram de poder incidir sobre quem não é suspeito (o que dificulta a investigação de encobridores e de amigalhaços) e certas figuras passaram, na prática, a não poder ser escutadas - ou a só o poderem ser em casos restritos.
José Sócrates foi apanhado nas escutas - mas já o beneficiam à conta do novo regime legal.
Querem melhor prova de que quem aprova e promulga as leis - os políticos - querem e gostam de crime?
Se não gostassem para que é que fazem leis destas?
Claro que ainda há a responsabilidade política. Sempre houve em Portugal, independentemente de questões jurídicas. Mas com um sujeito como Sócrates, apajado por Cavaco, tudo isso se esfumou e dissipou. O mundo é dele.
Se o crime fosse uma substância injectável, ainda o metiam na veia...

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:32
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES 2004 VS SÓCRATES 2009


>
José Sócrates é já famoso pelos seus lapsos de memória.
Esqueceu-se de que tinha sido Primeiro-Ministro durante a mais longa legislatura do regime e vá de fazer promessas eleitorais como se nunca tivesse estado no poder. Esqueceu-se de todos os pormenores da sua licenciatura. Esqueceu-se de que prometeu não aumentar os impostos. Esqueceu-se de que tinha sido sócio de Vara. No fundo, um grave caso de amnésia, quiçá de algo mais.
Mas Sócrates parece que também se esqueceu das posições que tomava quando estava na oposição.
Em 2004, surgiram na comunicação social gravações de conversas em que intervinha o Desembargador Adelino Salvado, então Director Nacional da Polícia Judiciária. Estão disponíveis aqui: http://ascassetes.tripod.com/.
O assunto era o processo da Casa Pia, incluindo referências ao nome de Ferro Rodrigues.
Perante a divulgação - nunca autorizada - dessas gravações, Adelino Salvado apresentou a sua demissão e o Governo de Santana Lopes, cujo responsável pela Justiça era Aguiar-Branco, aceitou a demissão: http://tsf.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=769335.
Sublinhe-se que as gravações foram divulgadas sem a autorização do "Correio da Manhã" (jornal que as recolheu) e, portanto, a sua exposição pública foi ilegal.
Perante isto, que fez o então dirigente da oposição (e que foi o principal beneficiário da queda mal explicada de Ferro Rodrigues)?
Será que Sócrates começou por, prudentemente, pedir esclarecimentos sobre se as gravações das declarações de Adelino Salvado "existiram e se foram legais" como fez hoje quanto às escutas em que foi apanhado?
Não!
Sócrates, sem querer saber do facto de as gravações terem sido divulgadas ilicitamente, sem o consentimento do "Correio da Manhã", imediatamente veio defender que as autoridades deviam investigar até ao fim, acabando mesmo por clamar que «É muito importante que a democracia portuguesa saiba o que se passou, isto não pode ficar assim, isto tem de ir mais além, isto não basta» - http://diario.iol.pt/noticia.html?id=374833&div_id=4071.
Em 2004, Sócrates queria uma investigação cabal com base em material ilicitamente divulgado. As normas e procedimentos não interessavam face à verdade material.
Curiosamente, quando se trata das gravações das suas conversas de 2009, só lhe interessam as normas e os procedimentos que pensa que o podem salvar do facto de ter sido apanhado a mentir ao Parlamento.
A partir deste momento, e até segundo os padrões que aplicava aos outros em 2004, a permanência de Sócrates na vida política tornou-se (ainda mais) insustentável.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 21:53
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES PREVENIDO VALE POR 48.../2007!


>
Notável!
Segundo as notícias de ontem, foi declarada a nulidade das escutas das conversas telefónicas entre Sócrates e Vara.
Certamente que os dois escutados repetirão para todos os portugueses o teor da sua conversa, pois tão inocente conversa de amigos até será um exemplo de dignidade e boas maneiras.
Não sei de nada do processo Face Oculta - até porque sou uma pessoa que não gosta de ouvir conversas dos outros, nomeadamente conversas de dois amigos.
Mas sei que, pelo pouco que conheço da lei processual portuguesa, se a escuta ao Primeiro-Ministro é feita sem autorização do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça é contrária à lei e, portanto, nula.
Reza assim o art. 11º do Código de Processo Penal:
Artigo 11.º
Competência do Supremo Tribunal de Justiça
(...)
2 — Compete ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em matéria penal:
(...)
b) Autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o
Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro e determinar a
respectiva destruição, nos termos dos artigos 187.º a 190.º;(...)
Ora, a nulidade é a sanção das escutas feitas em contravenção à lei: art. 190º do Código de Processo Penal.
Visto isto, interessa saber uma coisa.
Quem é que criou um regime de excepção desta natureza e que exige a investigadores criminais, que actuam na pressão do momento e não sabem aquilo que vão encontrar, a autorização da 4ª figura do Estado para poderam actuar contra os criminosos?
Se o telefone de Vara estava sob escuta como é que os investigadores iam saber que ele ia falar com Sócrates?
Teriam de adivinhar e, com base nesses poderes adivinhatórios, pedir a Noronha do Nascimento que autorizasse a escuta da conversa em que Sócrates interviria?
É que, sendo assim, não há melhor cúmplice para actividades criminosas do que quem ocupar a chefia do Governo (ou a Presidência da República ou da Assembleia da República): as conversas com ele, se não esperadas/antecipadas pelas autoridades, não podem ser autorizadas. A normal autorização de um juiz nunca será suficiente pois era preciso ter sido pedida ao Presidente do STJ.
E volta a pergunta: quem criou um regime tão absurdo, tão patético e que permite tão descarada fuga à Justiça?
Fui investigar.
O Código de Processo Penal foi aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro.
Na sua base esteve o trabalho de uma comissão presidida pelo Professor Jorge de Figueiredo Dias, Professor Catedrático (já jubilado) de Direito Penal da Universidade de Coimbra e um dos mais reputados penalistas do mundo. Basta dizer que foi dirigente das mais importantes associações de Direito Penal ao nível internacional e é membro do conselho de de redacção de algumas das mais prestigiadas revistas dessa especialidade em Portugal e no estrangeiro. Se há português que na sua área é reconhecido internacionalmente, é Figueiredo Dias.
Perante estas conclusões, dei comigo a pensar: terá o Prof. Figueiredo Dias feito uma borrada deste tamanho?
Mais uma vez, investiguei.
E descobri que, como é óbvio, o Prof. Figueiredo Dias jamais teve tal nódoa: o art. 11º do Código de Processo Penal não continha a actual redacção.
Como é que isto aconteceu?
De novo, investiguei - fui analisar as várias alterações que o Código de Processo Penal foi sofrendo nos 21 anos que já leva de vigência.
Até que cheguei à 18ª versão do Código, introduzida pela célebre reforma de 2007, a que teve à sua frente o actual Ministro da Administração Interna, Rui Pereira.
Trata-se da Lei n.º 48/2007, de 29 de Agosto, cujo art. 1º alterou, entre muitos outros, o referido art. 11º, tornando impossíveis, na prática, as escutas de conversas em que participe o Primeiro-Ministro.
O socratinismo no seu melhor.
Depois do susto da Casa Pia, os políticos souberam precaver-se.
Sócrates prevenido não vale por dois. Vale por 48.../2007!!



*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 00:50
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

CARMINDICES

Carmindo Mascarenhas Bordalo*


ASSIM SE ESCREVE EM BOM VARÊS

> Muito já se escreveu sobre as qualificações de Armando Vara, o self made socialista que conseguiu chegar à honrosa posição de arguido no processo Face Oculta.
Mas o que se desconhecia era o enorme talento de Vara para as letras.
Mostrando dominar o idioma de Camões como poucos, Vara cala definitivamente os seus críticos.
Afinal, valeu mesmo a pena o ISCTE dar-lhe uma pós-graduação antes da licenciatura. Vara merece.
Transcrevo o último parágrafo da carta de "suspenção" e "renuncia" do novo Imperador da Língua Portuguesa:
"Por isso, decidi solicitar ao Conselho a que V. Exª preside a suspensão do meu mandato como membro do Conselho de Administração Executivo, com efeitos a partir desta data. Suspenção e não renuncia porque tal poderia ser entendida com assumpção de culpa" - http://downloadsexpresso.aeiou.pt/expressoonline/PDF/EXP_ArmandoVara051109.pdf.
"Suspenção" e não suspensão (embora antes, à cautela, esteja escrito correctamente: assim sempre cria a dúvida)!
"Renuncia" e não renúncia!
"Assumpção" e não assunção!
Que luxo, tanta categoria numa só frase! Quilates de sapiência numa mera carta de "renuncia" que nos ensina a escrever em varês.
Vara não perde uma ocasião de nos mostrar quem é - e, já agora, quem somos nós . Erros ortográficos, palavras desconhecidas dos Dicionários Lello e Morais. Um verdadeiro discípulo da Universidade Independente e do ISCTE.
O governante socratino no seu esplendor.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 11:56
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PINTO MONTEIRO: O VÉRTICE DO PROBLEMA

> A Justiça portuguesa passa por um dos seus piores períodos em termos de credibilidade.
A demora na tramitação nos processos e uma sensação de que muitas vezes só quem é pobre sofre consequências foram minando a sua imagem.
Mas a isso juntou-se, com o processo da Casa Pia, uma campanha sistemática nos órgãos de comunicação social para denegrir a Justiça e os seus agentes, especialmente os juízes e o Ministério Público.
Aproveitando uma conjuntura política de menor interferência política no funcionamento dos tribunais e de passageiro afastamento de alguma influências maçónicas, ao que não foi alheio o mandato de Souto Moura como Procurador-Geral da República, a Justiça começou a investigar de forma mais rigorosa assuntos que podiam beliscar gente poderosa. Além do processo da Casa Pia, surgiu o "Apito Dourado", revelando a coragem de atacar aquilo que há muitos anos se dizia publicamente: havia corrupção nas altas esferas do desporto.
Mas, como é evidente, quem se mete com os poderosos ... leva!
Logo se levantou um movimento de crítica aos operadores judiciários e às leis vigentes. Eram os mesmos de antes, mas agora eram maus porque pessoas do PS tinham sido incomodadas por eles. Enquanto era o Zé da esquina a sofrer, os Código Penal e de Processo Penal eram excelentes e até eram atacados por excesso de brandura (como fez Guterres em 1995). Mas se o arguido for Paulo Pedroso, a brandura já não é assim tanta.
Tal burburinho se levantou que o governo Sócrates cavalgou essa onda de demagogia e alterou, de forma criticada por melhores especialistas, aqueles diplomas. Além disso, os magistrados que cairam na asneira de enfrentar quem não deviam foram enlameados em público (como Souto Moura, que sempre fora considerado um brilhante jurista e até fora escolhido por um governo PS) e ainda sofrem pesadas consequências (como acontece com o juiz Rui Teixeira).
Mas o culminar do ataque surgiu em 2006.
Para o lugar de Procurador-Geral da República (e, portanto, máximo responsável pelo Ministério Público, a quem cabe a acção penal) foi escolhido pelo socratinismo, e aceite pelo cavaquismo, Fernando Pinto Monteiro.
Pinto Monteiro era Conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça, não tendo qualquer experiência de direito ou de processo penal há mais de 30 anos. Só por aqui, uma escolha mais do que discutível.
Além disso, tratou-se de colocar um juiz à frente da magistratura autónoma do Ministério Público, depois de 22 anos de PGR's oriundos do próprio Ministério Público, num sinal de desprezo por aquela autonomia.
Chegado à Procuradoria, Pinto Monteiro impôs o nome de Mário Dias Gomes para seu Vice, uma figura que há largos anos estava afastada do Ministério Público enquanto ocupava lugares da órbita política. O Conselho Superior do Ministério Público ainda tentou reagir, chumbando-o numa primeira votação, mas a deselegante insistência de Pinto Monteiro e convenientes faltas à 2ª votação acabaram por entronizar Dias Gomes.
Um início pouco auspicioso.
Mas o pior estava para vir.
No caso da licenciatura de Sócrates, Pinto Monteiro mete os pés pelas mãos com declarações contraditórias: primeiro nada existia para abrir inquérito, depois, embora sem grandes novidades em matéria de facto, já havia matéria para investigação.
Tudo terminou com Cândida Almeida arquivando o processo e fazendo vista grossa a elementos que, no mínimo, fariam com que o Ministério Público pedisse judicialmente a declaração de nulidade do grau domingueiro e conferido sem plano de estudos aprovado por órgão científico!
Cândida Almeida, a apoiante de Mário Soares e que abraça em público Almeida Santos em confraternizações, foi quem Pinto Monteiro nomeou para investigar a licenciatura socretina, com tantos procuradores à disposição. Palavras para quê?
Aliás, só a própria intervenção de Pinto Monteiro nesse processo da Universidade Independente é de si inadmissível. É que, conforme foi noticiado no PÚBLICO em Outubro de 2007, um sobrinho de Pinto Monteiro foi beneficiado na atribuição de uma nota na Universidade de Coimbra por uma pessoa (o Prof. João Álvaro Dias) que era assessor do Reitor da Universidade Independente, director do curso de Direito desta universidade e um dos responsáveis pela gestão interna do dossiê Sócrates. Algo só de si grave, pois mostra cumplicidades estranhas, mas que mais grave é se se tiver em conta que a Universidade de Coimbra nunca denunciou essa irregularidade - o que fazia com que a classificação irregular do sobrinho do PGR estivesse escondida e gente ligada à Universidade Independente poderia divulgar o facto. Ou seja, uma permanente espada sobre a cabeça de um familiar do PGR.
É assim que funciona Fernando Pinto Monteiro.
Isto para não falar da grande amizade que une o seu irmão, o maçónico António Pinto Monteiro (Professor da Universidade de Coimbra), a José Sócrates.
E para não falar do seu ataque aos blogs, pois não os consegue controlar como queria ("Os blogs é uma vergonha", afirmou o PGR no Parlamento, mostrando o seu amor pela correcção linguística).
Inexperiência no funcionamento do Ministério Público e do direito e processo penal português, Maçonaria, irmãos amigos de Sócrates, sobrinhos beneficiados por gente do Reitor Arouca da Universidade Independente, procuradoras socialistas. Com ingredientes destes - e não é da missa a metade - o que é que se pode esperar de Pinto Monteiro? Grandes resultados?!


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:51
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


A ARMADILHA DO CASAMENTO HOMOSSEXUAL: SÓ CAI QUEM QUER


> A discussão em torno do casamento homossexual - a que o PS socratino tanto relevo dá - nada mais é do que uma falsa questão.
Enquanto se discutem tais badalhoquices, não se liga ao fundamental.
A oposição não deve, pois, cair nessa armadilha.
Na verdade, se a Esquerda folclórica entrar por aí, legalizando a figura, as forças políticas que a isso se opuserem têm bom remédio: esperar pelo momento em que voltem a ter uma maioria parlamentar para alterarem a lei.
Se os socratinos, os trotskistas e os comunistas aprovarem o casamento homossexual, com a mesma legitimidade poderá mais tarde outra maioria reverter essa situação.
Na Califórnia, uma decisão do Supremo Tribunal desse Estado estendeu a figura do casamento às uniões de pessoas do mesmo sexo, mas uma alteração à constituição californiana referendada há um ano levou a que só casamentos heterossexuais fossem permitidos. Entretanto, o Supremo Tribunal da Califórnia decidiu que essa alteração era válida, pelo que já não se podem celebrar casamentos homossexuais.
Portanto, é perfeitamente normal que, sendo o casamento gay aprovado por quem gosta dele, venha depois a ser banido por quem com ele não concorda. Até há precedentes.
É só haver coragem e, na hora certa, actuar. Se há quem esteja tão preocupado com o assunto, mantenha a coerência e, se preciso for, altere as coisas quando puder.
É bom que o lóbi maricas, os seus aliados da Maçonaria (em que homens andam todos contentes com vestes a imitar criadas de servir) e os que querem destruir a sociedade cristã ocidental aprendam que a última palavra não tem forçosamente de ser a sua. Repito, é só haver coragem e coerência.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 08:21
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UMA CAMISA DE DEZ MIL VARAS

Armando Vara foi constituído arguido no processo "Face Oculta". Alegadamente, terá estado envolvido em recebimentos ilícitos de dinheiro.
O processo pode chamar-se "Face Oculta" mas o passado de Armando Vara é tudo menos oculto. E isso não impediu que ele esteja onde está.
Armando Vara é um dos muitos que neste regime, apesar de tudo o que se sabe sobre si, vão ocupando os mais altos lugares.
O facto de em 1999, como Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Administração Interna no Governo Guterres, ter estado directamente envolvido na criação ilegal da Fundação para a Prevenção e Segurança (FPS), que geriu ilicitamente dinheiros públicos e tinha à sua frente adjuntos de Vara no governo, parece ser uma página de somenos importância. Apesar do que disse o Tribunal de Contas, que se cita com a devida vénia (veja-se http://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2002/28-2002.pdf):
"A FPS não foi dotada de um património inicial e autónomo, elemento fundamental à sua instituição e à obtenção do respectivo reconhecimento, cuja verificação caberia, nos termos da lei, ao MAI. O que se verificou foi, sobretudo, a transferência de verbas efectuadas pelos serviços sob tutela do MAI para a FPS com vista à prossecução de acções concretas bem especificadas (...) No processo de concessão do reconhecimento da FPS não foi acautelada pelo MAI – à luz do processo administrativo correspondente - a demonstração da suficiência dos bens destinados à prossecução do escopo fundacional a qual era, de resto, inviável dada a inexistência, afinal, da dotação inicial..." (p. 11 do relatório de auditoria).
No Anexo II do relatório apresenta-se Armando Vara como um dos responsáveis por transferências ilegais de um montante de quase 200.000 contos a favor dessa Fundação ilegalmente constituída e que foi utilizado fugindo às regras do Direito Administrativo.
Era necessária mais alguma coisa para que Vara fosse proscrito da vida pública portuguesa? Pois bem, ainda foi prebendado com uma nomeação para a administração da Caixa Geral de Depósitos e com um lugar na direcção do PS socratino.
E daí transitou para a administração do Millenium BCP (Vice-Presidente!) quando a Maçonaria conseguiu apoderar-se deste banco.
Mas a culpa é de Vara ou de quem lho admite?
É que o que ele fez é público .
O próprio curriculum de Vara, apresentado no Millenium BCP, tem inconsistências que até numa candidatura ao lugar de caixa de um banco não se admitiriam. Aí se diz que Armando António Martins Vara, além de licenciado pela Universidade Independente (sim, sim, a tal) em 2005, tem um pós-graduação em gestão empresarial, pelo ISCTE, em 2004. Ou seja, antes de ser licenciado já era pós-graduado! - http://www.millenniumbcp.pt/pubs/pt/grupobcp/quemsomos/orgaossociais//article.jhtml?articleID=217516
Se calhar, no ISCTE (alfobre de governantes socialistas e onde Sócrates obteve uma pós-graduação sem ser validamente licenciado), isso é normal. Num estabelecimento de ensino superior que mereça esse título não é.
A operação Face Oculta obrigou o polvo, para já, a deixar cair Vara.
O problema é que Portugal está pejado de Varas. Que vão trepando e, mesmo quando são descobertos, continuam a deixá-los trepar.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:37
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



O BULLDOZER RANGEL: TIVEMOS HOMEM! PASSAREMOS A TER PARTIDO?


> Ontem, Quinta-Feira, Paulo Rangel foi entrevistado na RTP1.

Afirmou que não quer ser presidente do PSD: mal começou as suas funções como deputado europeu e, por isso, não seria correcto da sua parte abandoná-las já.
É uma posição de evidente lastro ético - e que outros não tiveram na Assembleia da República.
Mas acrescentou que acha que a pessoa ideal para o cargo é Marcelo Rebelo de Sousa.
Quase simultaneamente, José Luís Arnaut (um dos homens do grupo barrosista) e Alexandre Relvas (um porta-voz oficioso de Cavaco Silva) fizeram o mesmo. Isto revelou que o velho PSD - aquele que nas horas de aperto tem instinto de sobrevivência - está vivo.
Não tanto por ter sido Marcelo o preferido de toda essa gente. Marcelo é uma pessoa indubitavelmente inteligente mas que está preso demais a Cavaco Silva (de quem sempre teve um enorme medo e, por isso, nunca o contestou, ao contrário do que fez impiedosamente a Balsemão, Mota Pinto e Santana Lopes). Além disso, teve uma saída muito infeliz do PSD em 1999, a breves meses de legislativas, com ataques descabelados a Paulo Portas, com quem tinha lançado a "Alternativa Democrática". A coligação acabou por se desfazer porque Marcelo escorregou na casca de banana que lhe foi lançada pelo PS com o caso Moderna e, ao contrário de Barroso mais tarde, não a ignorou. Isto coloca ainda a questão de saber como é que Marcelo poderá ter margem de manobra para qualquer entendimento futuro com o CDS (que comprensívelmente se agarra como uma lapa ao seu carismático líder).
O que efectivamente revela que o instinto de sobrevivência do PSD está de volta é o facto de haver um movimento anti-Passos Coelho.
Claro que o único que pôs o dedo na ferida de forma categórica foi Rangel: Pedro Passos Coelho não tem qualquer consistência política. Apareceu com um discurso ultra-liberal e agora, levantando o véu angélico (sim, sim, de angelologia), defende o Bloco Central. Todos sabemos quem está por trás dele, quem ele representa e quem ganharia com a sua vitória. O PSD passaria a ser mais uma máscara do PS.
Percebendo que Passos Coelho é o caminho para a extinção do PSD como partido autónomo, o PSD está a blindar-se contra ele. E faz bem.

Rangel - sempre ele - foi a voz do bom senso e da inteligência. Tivemos homem. Esperemos que tenhamos Partido.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 18:56
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES ESTÁ MUITO DOENTE


>
Nos últimos tempos, corre de boca em boca e pela Internet (e já tive o cuidado de guardar os elementos comprovativos) que Cavaco Silva estará doente.
É mais um dos pagamentos que tem recebido das gentes do PS pelo que lhes tem aturado e tolerado sem uma palavra de queixume. Portanto, é bem feita.
Todavia, parece-me que, felizmente (pois a ninguém se deseja o mal), não passam de mentiras. Cavaco aparenta estar de boa saúde.
Já o mesmo não se pode dizer do Primeiro-Ministro José Sócrates - que mais uma vez, no decreto de nomeação, foi apresentado no Diário da República como sendo engenheiro, o que é mentira.
Sócrates revela todos os sintomas de padecer de qualquer mal que lhe tolda gravemente a memória. Os resultados estão à vista, como se verá de seguida.
Desde logo, Sócrates esqueceu-se de que foi Primeiro-Ministro entre Março de 2005 e Outubro de 2009: fartou-se de prometer benefícios sociais na campanha eleitoral quando já os poderia ter dado, portando-se como se nunca tivesse governado; e prometeu no programa eleitoral do PS mudar a defeituosa lei do arrendamento, olvidando que foi o seu governo que a fez em 2006.
Por outro lado, Sócrates sofre de graves alucinações quanto ao seu curriculum vitae: nos seus delírios, o chefe do executivo imagina que é engenheiro civil (o que nunca poderia ter sido, já que nunca esteve inscrito na respectiva Ordem nem esta lhe admitiria entrada imediata dado o sítio onde arranjou a "licenciatura"), que é pós-graduado em engenharia sanitária e que tem um certificado de licenciatura válido (embora existam dois - !! - e ambos notoriamente falsos); mas, se compõe o currriculum com o que não se passou (o que obriga os assessores a alterarem-lho várias vezes), nele não coloca o facto de que andou anos a fio no curso de Direito da Universidade Lusíada (talvez porque nem uma cadeira conseguiu fazer).
Além disso, Sócrates até quanto às suas filiações partidárias tem graves lapsos de memória: afirmou que só teve uma família política na sua vida mas, afinal, antes de ser do PS foi militante do PSD.
Só isto já demonstra que, afinal, é Sócrates quem, sendo uma pessoa ainda relativamente jovem, deve estar muito doente. Mas já há largos anos que manifesta sinais do seu indesmentível (e, claro, humanamente lamentável) problema de saúde.
É que está a ser noticiado que Armando Vara, também ele ex-governante socialista e que com Sócrates partilha a Universidade Independente como alma mater, foi constituído arguido no processo "Face Oculta".
E isto lembrou-me que Sócrates já em 2004 teve um grave ataque de amnésia:

«Apesar do esforço de organização e método, Sócrates evitou passos em falso, como o negócio em que entrou com o amigo Vara numa empresa de distribuição de combustíveis. Em 1990 os dois deputados do PS tornaram-se sócios da Sovenco - Sociedade de Venda de Combustíveis, com outros três parceiros, um dos quais, anos depois, havia de dar pano para mangas nos jornais Virgílio de Sousa, condenado a prisão por um processo de corrupção no centro de exames de condução de Tábua. A aventura empresarial de Sócrates foi curta (menos de um ano) e literalmente para esquecer: no ano passado, quando a revista Focus desenterrou esse episódio, o socialista jurou que estava a ouvir falar dessa empresa "pela primeira vez". Só após algum esforço de memória se lembrou que tinha sido sócio» (http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=606938).

Sócrates também não se recordava de que fora sócio de Armando Vara. O mal vem, pois, de longe.

Fecho este artigo com votos sinceros de que o Primeiro-Ministro recupere depressa.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 09:29
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



OS F - 16: SÓ SE LEMBRAM DE SANTA BÁRBARA QUANDO TROVEJA


>
A notícia do DN vem claramente a reboque do que o Jornal do Pau já tinha apontado.
Uma vergonha.
Plano de modernização dos F-16?
Com uma modernização destas, quando todos os aparelhos forem revistos já os primeiros estão totalmente obsoletos.
Parabéns pela investigação e, acima de tudo, pela coragem do Director João Severino. Só o Jornal do Pau tem olhos na cara?
Assim se vê que o Jornal do Pau é lido e ... bem lido!
A Defesa Nacional é tratada como assunto menor. Os governos Sócrates têm tido uma prestação miserável a esse nível, como com a questão dos submarinos.
Atente-se que o sistema MLU (MID-LIFE UPDATE) serve para modernizar e prolongar a vida activa de equipamentos já existentes: http://antigo.mdn.gov.pt/Destaque/historico/varias_noticias/2003/F16.htm
O programa MLU começou a ser concretizado em Portugal em ... 2003! Seis anos depois, ainda está uma vintena de aviões por modernizar.
Será isto admissível? Deveremos continuar com aviões obsoletos ou a adquirir material para o qual não temos condições de manutenção? Valerá de alguma coisa ter Força Aérea assim?
Isto lembra-me um episódio.
Em 1979, Margaret Thatcher, ao chegar ao poder, nomeou para o lugar de "Parliamentary Under-Secretary of State for Defense" (cargo habitualmente denominado como "Ministro da Marinha") o deputado Keith Speed, um homem com experiência naval.
Perante os cortes draconianos que o governo pretedia fazer no sector, Speed insugiu-se. Acabou por ser demitido em 1981.
No ano seguinte, a Argentina invadiu as Falkland e a Grã-Bretanha viu que, afinal, precisava de Marinha e é melhor prevenir do que remediar. O desprezo com que os avisos de Speed tinham sido recebidos foi engolido em seco e foi John Notts, o Ministro dos cortes, quem acabou por ficar em mais lençóis.
Para quê F-16 se não lhes fazem as modernizações devidas? Eles foram adquiridos com essa intenção!
Só espero que nunca tenhamos de nos arrepender de não nos lembramos de Santa Bárbara quando há bom tempo.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 00:12
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*




O VELHO E O MAR ... DE APPARATCHIKS



O Presidente da República deu posse ao XVIII Governo Constitucional.

Custou-me ver Cavaco Silva.

O homem que sempre defendeu governos com pouca politiquice, compostos por pessoas de reconhecida capacidade técnica e prestigiadas em profissões ligadas à área da governação, tem de suportar o governo minoritário de Sócrates.

O novo executivo, que repete muitas caras ainda que mudando algumas de pasta, é um exemplo de recauchutagem recorrendo a material caseiro.

Pouco se foi buscar à sociedade civil para inflar sangue novo e abertura a novos paradigmas. Sócrates deu-se mal com isso quando recorreu a Campos e Cunha (que, com enorme seriedade, abandonou rapidamente o governo) ou mesmo a Freitas do Amaral. Por isso, prefere fechar-se no círculo rosa dos obedientes.

Helena André é uma pessoa da engrenagem da UGT, uma central sindical dominada pelo PS e que para fazer fretes a este partido já chegou a recusar acordos de concertação social altamente favoráveis aos trabalhadores (o que aconteceu em 1993 e 1994).

Gabriela Canavilhas (que não merece troça por ser pianista, como alguns sectários já fizeram) tem como principal experiência política e administrativa a direcção-regional da cultura dos Açores, fruto de nomeação do PS-Açores.

Dulce Pássaro pertence há longos anos ao grupo de confiança pessoal de Sócrates que o rodeou no Ministério do Ambiente.

Isabel Alçada é uma falsa independente que até em iniciativas partidárias socialistas já participou e muito daquilo que tem feito na vida pública extra-literatura infantil é sob nomeação política de confiança socialista.

Jorge Lacão é a prova viva de que em Portugal ser político é uma profissão de per si.

Alberto Martins, o novo Ministro da Justiça, é uma anedota ambulante. Fez toda uma vida à conta do facto de ter dito qualquer coisa ao Almirante Thomaz (e, como é sabido no meio académico, ter apalpado o rabo ao pobre senhor). Mais tarde arrojar-se-ia aos pés de Thomaz, pedindo-lhe benevolência, ajudado por professores coimbrões - alguns dos quais seriam saneados com a revolução sem que Alberto Martins movesse um dedo para os ajudar. Leiam-se dois relatos da edificante história:

1º) Greve aos exames – Em 2 de Junho1969 começa uma greve a exames, apenas desmobilizada em Setembro. Cerca de meia centena de líderes estudantis são compulsivamente integrados no serviço militar e a própria população da cidade olha com simpatia para o fenómeno de revolta. Mesmo a chegada do novo ministro da educação, o coimbrão Veiga Simão, que escolhe um reitor afecto à esquerda, Gouveia Monteiro, dito representante da Universidade junto do governo, não acalma o processo, apenas formalmente encerrado quando, em 11 de Abril1970, numa patética cerimónia, uma comissão de estudantes, presidida pelo mesmo Alberto Martins, com Barros Moura, Celso Cruzeiro e Osvaldo e Castro, se desloca a Lisboa para pedir compreensão e benevolência ao venerando Chefe de Estado, na presença do ministro da justiça, Mário Júlio de Almeida Costa, com discursos do Reitor, numa manobra de apaziguamento, onde intervieram professores como Teixeira Ribeiro, Sebastião Cruz e Paulo Quintela. Thomaz, em discurso, concede formalmente a benevolência: a minha dificuldade reside somente na impossibilidade de compreensão para o que não é possível compreender. Os estudantes serão amnistiados e perdoados. Sebastião Cruz há-de ser um dos professores saneados pelo PREC, sem contar com a benevolência de colegas e dos líderes estudantis de esquerda que apoiara (o que se pode encontrar no site de José Adelino Maltez).

2º) A crise terminou finalmente a 11 de Abril de 1970, quando uma comissão de estudantes presidida pelo mesmo Alberto Martins foi a Lisboa pedir a “compreensão e benevolência” do Chefe de Estado, com o apoio do novo Reitor, que fez um discurso apaziguador, e de professores como Paulo Quintela, Teixeira Ribeiro e Sebastião Cruz. (http://artes-vivas-index3.blogspot.com/2009/07/crise-saiu-rua-em-coimbra.html).

Estamos, pois, em face de um governo pouco alicerçado fora do PS.

Como é evidente, percebe-se que, em boa medida, só encarniçados apparatchiks aceitariam fazer parte de um governo liderado por quem indiscriminadamente entabulou conversações prévias com comunistas, bloquistas, sociais-democratas e populares, numa espécie de leilão.

Foi a isto que Cavaco deu posse, tão obcecado que anda com a sua reeleição. Para ele má moeda era um governo onde participavam gestores de reconhecido mérito, advogados com provas dadas, académicos reputadíssimos. Boa moeda são os apparatichks do PS.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 19:34
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Sábado, 24 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SAMPAIO E A ESTABILIDADE POLÍTICA: A ANEDOTA DO ANO

>
Jorge Sampaio veio defender o valor da estabilidade política e a protecção dos governos minoritários. E, para o prosseguir, propõe a consagração constitucional da figura da moção de censura construtiva, isto é, quem aprova uma moção de censura ao governo tem de apresentar uma solução governativa alternativa.
Se o leitor está de mãos na barriga a rebolar de tanto rir, é normal.
É porque ainda se lembra de quem Sampaio é e do que é capaz.
Sampaio a defender a estabilidade política e a durabilidade dos executivos minoritários é tão natural como ser fundado em Israel um partido nazi ou José Sócrates propor que os graus académicos conferidos pela Universidade Independente sejam anulados.
Por que razão não defende Sampaio, por exemplo, o fim do poder discricionário de dissolução do parlamento pelo Presidente da República?
É que foi essa prerrogativa - que Sampaio usou contra o XVI Governo Constitucional sem alegar qualquer motivo - que permitiu derrubar um governo ... maioritário.
O ilustre ex-militante do MES, e aderente ao PS quando viu que a extrema-esquerda era teta que já secara, está agora muito preocupado com a sobrevivência política de governos minoritários - do PS, claro!
Só quando o PS tem governos minoritários é que Sampaio se lembra da estabilidade.
Mas já os Governos do PSD e do CDS, ainda que com apoio parlamentar maioritário, podem ser "rebentados" a meio do mandato se isso convier à Esquerda.
Sampaio foi igual a si próprio.
Tendo sido quem pavimentou a Sócrates o caminho para esta desgraça que aí temos, devia fechar-se em casa, envergonhado.
Mas não. Defendendo com unhas e dentes os que deram chorudo emprego à sua filha Vera no Ministério da Presidência, sai-se com esta pérola.
O único responsável pela queda de um governo maioritário quer agora proteger governos de minoria. A anedota do ano...


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 15:19
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


À ESPERA ... DE SÓCRATES E DE PASSOS ???


>
O País está à espera. Com a pior situação económica desde 1975 (quando batemos no fundo, graças ao gonçalvismo), Portugal dá-se ao luxo de estar à espera, pacatamente.
José Sócrates fez-nos esperar pela constituição do novo governo. No Reino Unido, mal são conhecidos os resultados eleitorais, Sua Majestade empossa o Primeiro-Ministro e inicia funções o novo governo. Aqui, até por imperativos da nossa magnífica constituição (que quer concorrer com a lista telefónica, com tanta coisa que lá tem), passam-se semanas e semanas.
Mas é um governo que, por ser minoritário, tem de se entender com a oposição no parlamento - parlamento que, por força do triste sistema eleitoral que temos, já é composto por diversos deputados que não foram eleitos e mais ainda o será quando começarem as nomeações para outros poisos.
Contudo, também a oposição nos deixa à espera.
O PSD vive na permanente indefinição: deve escolher líder agora ou depois? E que líder?
O único que até agora já disse que quer ser líder é ... Pedro Passos Coelho.
Será por ele que temos de esperar?
Por um apaniguado dos interesses empresariais de Ângelo Correia (que até já o veio apoiar ...)?
Por uma pessoa que só se licenciou depois de já bem entrado na vida política?
Por alguém que, quando o PSD ganhou as europeias, fazia um discurso prenhe de esperança (http://www.construirideias.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=179:ganhar-a-adesao-do-pais&catid=64:opiniao&Itemid=114) e agora diz que o mesmo partido da "verdade" tem de mudar de vida?
É dele que estamos à espera?
Veja-se isto: http://www.fomentinvest.com/. O Bloco Central de interesses em todo o seu esplendor. Basta analisar a composição dos órgãos sociais: além de Ângelo e de Passos Coelho, não faltam Ilídio Pinho (o mandatário de Soares) e o seu genro (Fernando Ricardo Alves Moreira Gonçalves ), bem como a tropa da Caixa Geral de Depósitos, esse verdadeiro repositório de políticos reformados e ávidos de bem-estar vindos das mais diversas proveniências.
E, claro, tudo regado com o paleio da energias renováveis, que tanto dinheiro têm dado a ganhar com o socratismo mas que não passam mesmo de conversa. Além das ventoinhas, há resultados para a independência energética nacional?
À espera continuamos. E mais valia continuarmos. O que se avizinha não é nada bom...
Pobre País.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 20:49
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

NESTE DIA ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO

NOS DOIS ANOS DO JORNAL DO PAU
É com alegria que congratulo o grande jornalista e, acima de tudo, grande Homem, João Severino pelos dois anos do blogue Pau Para Toda a Obra - agora sob a veste funcional de Jornal do Pau.
A blogoesferera é dos últimos redutos da liberdade de expressão, nestes tempos negros em que até agências internacionais independentes reconhecem que Portugal piora a olhos vistos nesse âmbito.
Mas, claro, há de tudo: blogues fúteis, ordinários, falsos, escritos por quem olha para o umbigo, comprados por partidos políticos ... enfim, um cortejo de misérias. Conheço um que até é escrito durante as bebedeiras do administrador.
É por isso que sempre achei que o blogue do meu querido Amigo João Severino é dos melhores que conheço, quiçá o melhor se excluirmos alguns que se dedicam a assuntos muito específicos e que, por isso, têm de ser analisados separadamente.
A informação, o lazer, a cultura, o bom humor, os artigos de fundo - todos têm lugar no Jornal do Pau.
Ao contrário de muitos blogues, este não é instrumento para que o administrador se pavoneie.
Quantas vezes, para se ter uma ideia geral do que vai por esse mundo, é mais fácil consultar o Jornal do Pau do que ir a outros sites informativos, dada a selecção de notícias e de links?
Quantas vezes, em dias menos felizes, nos é arrancada uma gargalhada com as páginas de humor apresentadas?
É que não há aqui a auto-promoção de ninguém mas a vontade genuína de informar e servir os leitores.
Por isso, não exagero quando digo que o Jornal do Pau cumpre uma missão de serviço público.
Um blogue que, ao mesmo tempo, é um "digesto" de informação mas apresenta notícias próprias (tantas vezes incómodas para os poderosos), não descurando crónicas de colaboradores e a vida cultural e artística. Creio que não se poderia pedir mais a um único homem.
Muito fica ainda por dizer. Poderia relembrar que o João Severino não tem o lugar que merecia no jornalismo português porque é honesto e não faz fretes. Como se provou recentement no jornal "O Diabo".
Mas, por ser dia de festa, prefiro terminar com uns sinceros parabéns: pelo aniversário (que estejamos cá todos por muitos e bons) e pelos resultados.
Carmindo Mascarenhas Bordalo
(Professor Catedrático Jubilado)
por João Severino às 17:07
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES: A CAROCHINHA SEM JOÃO RATÃO


> Tal como Cavaco Silva sonhou (o que eu aqui já há muito tempo disse), o próximo governo será um executivo minoritário do PS.
Mas a sua constituição já representa um dos mais acabados exemplos de non sense político que foi apresentado aos portugueses.
Sócrates confessou que, perante partidos tão diferentes como o PSD, o CDS, o Bloco e o Partido Comunista, tentou chegar a soluções de governo.
Que coerência tem alguém para quem tanto faz governar em colaboração com trotskistas ou com conservadores?
Uma coisa é - como a oposição sensatamente quis - a aprovação individual de medidas concretas. Outra, totalmente diferente, é a tentativa de formar um acordo de governação.
Ora, uma acordo de governação implica uma base consistente e permanente de entendimento, uma plataforma programática.
Sócrates estava disposto, pois, a um entendimento permanente com qualquer um, desde que lhe assegurasse votos no parlamento.
É a recusa total de princípios e o amor ao poder pelo poder.
Nunca me lembro de o partido que venceu as legislativas com maioria relativa se ter comportado com esta ligeireza.
O PS em 1976/78 recusou sempre alianças com o PCP (chegando, inclusivamente, um acordo de governo com o CDS durante alguns meses), e em 1983 continuou a fazê-lo, aliando-se ao PSD.
Em 1985, o PSD apenas ponderou uma coligação com o CDS de Lucas Pires, mas como juntos não atingiam maioria absoluta, nem sequer se concretizou o projecto, acabando Cavaco Silva por governar sozinho.
Em 1995 e 1999, o PS de Guterres, detentor de maiorias relativas muito próximas da maioria absoluta, dispôs-se logo a governar sozinho, o que fez durante quase 6 anos e meio.
Em 2002, o PSD de Durão Barroso, face a uma maioria de centro-direita que conseguia com o CDS, logo estabeleceu com Paulo Portas a Convergência Democrática , que suportou os XV e XVI Governos Constitucionais.
Em nenhum caso Soares, Cavaco, Guterres ou Barroso apareceram de campainha em punho, chamando indiscriminadamente quem se lhes quisesse juntar.
Sócrates fez lembrar a Carochinha, à janela, a perguntar quem queria casar com ela. Só que aqui não apareceu nenhum João Ratão, tão indesejável era a noiva.
Perante este comportamente errático, quem é que, fora de uma lógica de aparelho e carreirismo, se presta a participar num governo com tal génese? Esperemos para ver.

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 09:59
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UM PARTIDO ... AOS PEDAÇOS

> O PSD continua a dar sinais de que é um destroço à deriva.
É Passos Coelho a pôr-se em bicos de pés, sem qualquer ideia de fundo e notoriamente pronto a concubinatos com o PS.
É a direcção num estado moribundo a meter os pés pelas mãos, como se viu com o episódio de Aguiar Branco para a liderança do grupo parlamentar.
É Pacheco Pereira a apoiar cinicamente o PS.
É ninguém a ter coragem de arredar as influências de Cavaco Silva e demarcar-se das suas constantes traições.
É Morais Sarmento, que em nenhum partido sério passaria de militante de base, a lançar palpites vagos.
Propostas concretas, como aquelas que o CDS já começou a fazer (por exemplo, quanto ao Rendimento Social de Inserção), zero!
Através de um post aqui do JORNAL DO PAU fui ao blogue "Psicolaranja" (que até já conhecia).
Há lá mais debate sério do que no próprio PSD. Mais propostas e mais reflexão.
Achei notável este post do jovem Guilherme Diaz-Bérrio: http://psicolaranja.blogs.sapo.pt/485459.html. Põe o dedo na ferida: "estamos com um problema, não de lideranças mas de estrutura do partido"; "os portugueses (..) recusam, por muito mal que esteja o país, (...) votar num partido de puros pragmáticos, que fazem política mas não reflectem política, sem ideologia minimamente definida".
Esse é o problema do PSD. Lutas de pessoas e não de ideias. Incompreensão (ou indiferença) pelos anseios dos cidadãos, enquanto se vergam a caprichos de um ex-líder e não definem um programa radical de medidas para o bem-estar de todos nós.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 23:30
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pptao

Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

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Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

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