Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Carmindices

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

CAVACO: INTERVENÇÃO TARDIA DE UM CÚMPLICE 
 
> O requerimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento do Estado para 2013, subscrito por Cavaco Silva, é incisivo. Através de uma fundamentação muito rigorosa e pormenorizada, o Presidente põe em causa as bases fundamentais do tipo de política de austeridade que o Governo quer impor.
 
Mas esta nova faceta de Cavaco é profundamente contraditória com as suas anteriores actuações.
 
Sócrates decretou, para 2011, a retirada de uma percentagem dos salários dos funcionários públicos, atacando o seu rendimento. Já era, como agora afirma Cavaco, uma ablação de rendimentos. Mas Cavaco promulgou tranquilamente o Orçamento de então e nem sequer uma palavra crítica proferiu. O Tribunal considerou, a instâncias de um grupo de deputados, que a medida era temporária e, assim, respeitava a Constituição.
 
No Orçamento de Estado de 2012, Passos Coelho retirou os subsídio de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos reformados. Cavaco pronunciou-se negativamente, manifestando a opinião de que uma sobretaxa geral de IRS seria uma solução mais adequada e justa. Mas, contraditoriamente, não requereu a fiscalização da constitucionalidade do diploma.
 
O Tribunal Constitucional acabou por declarar inconstitucional a medida, mas apenas porque deputados do PS e do BE o pediram.
 
Perante nova retirada de subsídios e uma contribuição de solidariedade sobre certas pensões, para 2013, Cavaco mudou de atitude: pediu a fiscalização, e em termos extremamente aguerridos.
 
Estes ziguezagues do Presidente não o credibilizam.
 
Mostram que não tem uma acção coerente e norteada por um pensamento claro.
 
Actua ao sabor do vento.
 
Pontos que invoca para o OE 2013 eram invocáveis anteriormente.
 
Tendo agora razão, é porque antes não quis fazer valer essa razão e acobardou-se. O que é inadmissível e inescrupuloso.
 
O ponto a que se chegou, de imposição de sacrifícios apenas a algumas camadas da população, teve a cumplicidade de Cavaco. A sua presente actuação, por contraponto, é a prova disso mesmo.
 
Só quando se aproxima a segunda metade do seu último mandato é que Cavaco teve um mínimo de coragem e firmeza. 
 
E, mesmo assim, ninguém lhe ouve uma palavra que seja sobre o facto de as despesas com injecções de capital na banca e com as parcerias público-privadas se manterem estranhamente intocáveis. Apesar de terem contribuído com importante fatia do endividamento público.
 
Cavaco age como alguém que pede socorro  depois de estar horas a fio a observar  o acidentado moribundo e, ainda assim, se recusa a testemunhar sobre o acidente.


* Professor Catedrático Jubilado



por João Severino às 14:24
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012

Carmindices

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

OS ÚLTIMOS A SABER
 
Durão Barroso anunciou hoje que a Comissão Europeia já aprovou as medidas orçamentais que lhe foram apresentadas pelo Governo Português.
 
Desmoralizado e derrotado pelo recuo que teve que fazer quanto ao Orçamento de 2013, nomeadamente a descida da Taxa Social Única, com equivalente aumento das contribuições dos trabalhadores, Passos Coelho ainda não disse aos portugueses o que fará alternativamente.
 
Mas já o foi dizer a Bruxelas.
 
Somos os últimos a saber.
 
As cúpulas da instituição maçónica chamada União Europeia já sabem o nosso destino. Nós não.
 
O governo vai-se putrefazendo: o Tribunal Constitucional considera inconstitucionais as suas medidas evidentemente iníquas; o Presidente convoca reuniões do Conselho de Estado para deitar abaixo as suas propostas de orçamento; o CDS está com um pé dentro e outro fora da coligação; a eminência parda António Borges cai no ridículo cada vez que abre a boca (o que  faz, aliás,sem qualquer autoridade política ou legal).
 
É difícil fazer pior.
 
Passos queria aproveitar a crise para estrangular o funcionalismo público e os reformados. O Tribunal Constitucional não deixou.
 
Furibundo, tinha que arranjar alternativa que mantivesse intocáveis nos seus biliõesos negócios das parcerias público-privadas.
 
A alternativa que arranjou foi tão perniciosa - e desprespeitadora da decisão do Tribunal Constitucional - que foi chamado à pedra pelos outros órgão do poder político e pelos parceiros sociais.
 
Acossado, e mostrando que está à deriva, recuou. Só não se sabe para onde.
 
Mas Durão Barroso já se ufana de que sabe. Antes de todos nós.
 

Mais uma vez o eleitorado é o bombo da festa - e ainda o gozam.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado

 

 

por João Severino às 22:17
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

CARMINDICES

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

MARCELO E OS TENTÁCULOS VIS E MISERÁVEIS DO SOCRATISMO
 
 
> De Paris, gozando rendimentos, Sócrates desfruta a sua reforma política.
 
Aqui, temos de nos amolar com o que ele nos deixou: um País a sobreviver de ajudas externas.
 
Mas Sócrates não se limita a tirar pós-graduações parisienses que ninguém percebe, pois na verdade nem licenciado regularmente é.
 
Os seus tentáculos vão-se mexendo, provando que a intenção é de um exílio meramente temporário.
 
Que o digam aqueles que ele pensa que se atravessam no seu caminho.
 
Sócrates tem do seu lado a mais completa e poderosa rede de apoios, transversais às várias forças políticas.
 
Foi assim em 2004, quando uma conjugação de esforços do PS, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e outros elementos do PSD derrubou o governo de coligação PSD/CDS liderado por Santana Lopes, levando Sócrates ao colo para o poder.
 
Nesses outros elementos do PSD inclui-se, obviamente, Marcelo Rebelo de Sousa, que torturou miseravelmente Santana como nunca ousou fazer aos governos socratinos. Com argumentos tão desonestos como dizer que a lei das rendas era má e, mais tarde, afiançar que foi a única coisa boa do santanismo. Rui Gomes da Silva, legitimamente, defendeu o governo, e Marcelo foi a Belém numa triste rábula, em jeito de queixa a Sampaio.
 
Alguém se lembra que Marcelo tenho feito algo do género entre 2005 e 2011? Terá havido um único comentário de Marcelo contra Sócrates que seja digno de ter ficado na memória do público, como ficou a telenovela que se armou em 2004?
 
Supreendentemente, já no período de exílio francês, Marcelo continua na sua senda de caça a quem possa desagradar a Sócrates.
 
Primeiro foi Cavaco Silva.
 
Quando este, no soporífero e perfeitamente inócuo prefácio a um dos seus "roteiros", acusou Sócrates de deslealdade institucional, Marcelo ignorou a substância da acusação: preferiu fustigar Cavaco por não ter, no devido tempo, tirado as devidas conclusões institucionais da actuação socratina. Virando o bico ao prego, atacou Cavaco e deixou Sócrates incólume.
 
Agora é António José Seguro.
 
O líder do PS, eleito contra a corrente socratina, pretendeu alterar regras e procedimentos internos que fortalecessem a sua posição contra os constantes ataques dos adversários, inspirados a partir de Paris.
 
Marcelo, não tardou: atacou de forma arrasadora Seguro, inclusivamente recorrendo a argumentos falseados.
 
Confrontado com a sua falta de rigor, indigna de um comentador sério e de um académico, Marcelo, qual garoto malcriado que nunca aceita as correcções que lhe fazem, não pediu desculpas e continuou as suas diatribes contra a direcção de Seguro.
 
Santana Lopes, Cavaco Silva, António José Seguro. Três pessoas que, em momentos diferentes, eram incómodas para Sócrates e a quem Marcelo se atirou como gato a bofe.
 
A agenda política de Rebelo de Sousa é clara. Já todos podem entendê-la.  
 
Que dor de alma ver um Catedrático servir tão reles gente.


 

 

por João Severino às 18:34
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

carmindices

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 

OS HORRORIS CAUSA 

> Xanana Gusmão, velho combatente em prol da causa comunista e contra a civilização ocidental, inimigo jurado da presença portuguesa em Timor (sem qualquer acompanhamento da maioria da população, diga-se) e actual praticante de jogo duplo quanto à língua a utilizar em Timor (favorecendo na penumbra o inglês), vai receber o doutoramento honoris causa pela Universidade de Coimbra, proposto pela respectiva Faculdade de Letras.
Assim se vão degradando as distinções académicas, tornando-as em meros penduricalhos políticos. A Universidade de Coimbra, transformada em distribuidora de brindes de acordo com as vontades do poder, espelha bem o estado da academia e da educação em Portugal.
Se o povo timorense tanto sofreu, deve-o a Xanana e seus comparsas, quando tentaram tornar Timor num satélite soviético e mergulharam o território no complexo e sangrento jogo da guerra fria. Uma coisa é certa: piores do que Suharto e seus esbirros, só os mentores do guerrilheiro Xanana, então instalados no Kremlin.
É este o curriculum de Xanana, que tanto deslumbrou a Universidade coimbrã! Foi esta folha de serviços que a fez atribuir uma distinção académica a quem não tem qualquer passado académico!
Como Che Guevara já está morto, arranjaram o que ainda poderia simbolizar as loucuras que tantos continuam a apreciar.
Mas se Xanana pode receber galardões académicos, os melhores alunos portugueses do ensino secundário, para aprenderem que é com marxismo e anti-portugalidade que se é reconhecido, já tiveram a notícia que os 500 euros que lhes foram prometidos vão para outros bolsos!
Nuno Crato (de quem me lembro a chafurdar nas vascas da extrema-esquerda, cujos quadros mentais parece que não abandonou inteiramente) quis dar um sinal de que estudar, trabalhar e cumprir a palavra é tudo conversa. Só por isto, também ele merecia um horroris causa...
Assim vamos. Mérito é ser beneficiado por jogos políticos. Trabalhar e alcançar resultados é recompensado com ... coices.

É o espelho de uma sociedade que depois se admira de andar a sobreviver de esmolas.

 

por João Severino às 17:56
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Sábado, 6 de Agosto de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

Mercado Social de Arrendamento: Socratinismo sem Sócrates?
 
> O governo anunciou que vai promover um "mercado social de arrendamento", aproveitando os muitos imóveis que a banca tem disponíveis por incumprimento dos empréstimos para habitação.
 
Na base disto, estará o arrendamento de “casas desocupadas abaixo do preço de mercado tradicional, com o objectivo de dinamizar o mercado de arrendamento".
 
O mais certo é tudo ficar em águas de bacalhau, como é costume. Mas a proposta é particularmente perigosa.
 
Como todos sabemos, o mercado de arrendamento tem um sector completamente estrangulado, o dos arrendamento de renda congelada. São centenas de milhares de contratos anteriores a 1990 (data da liberalização pelo governo de Cavaco Silva, mas com efeitos só para o futuro) que os senhorios não podem terminar e com rendas que durante décadas não puderam ser aumentadas. Nestes contratos, o Estado obriga os proprietários a serem a Segurança Social de quem, muitas vezes, nem precisa.
 
Por isso, legislar em matéria de arrendamento sem mexer nestes contratos é tapar o sol com uma peneira.
É muito bonito dar aos necessitados o que eles precisam. Mas, se as rendas serão abaixo do preço de mercado, só há três alternativas:
- ou os proprietários das casas são muito bondosos e aceitam ficar com o prejuízo;
- ou os proprietários são coagidos a ficar com o prejuízo;
- ou o Estado cobre a diferença entre a renda social e a renda de mercado.
 
Se os proprietários não tiverem um ataque de generosidade e o governo não os quiser obrigar a ceder os seus imóveis, resta ao Estado financiar o tal mercado social.
 
Mas deve começar por o fazer com aqueles que estão na casa alheia a pagar misérias. Muitas vezes à custa de pessoas que são pobres.
 
Se não se for por aí, temos de concluir que o "mercado social de arrendamento" mais não é do que um frete aos bancos, que depois de terem irresponsavelmente emprestado dinheiro durante anos, já não sabem o que fazer a tantas casas que recebem dos incumpridores. 
 
Se assim acontecer, teremos uma medida ao nível do pior de Sócrates: ao mesmo tempo que se beneficiam os grandes grupos económicos com projectos faraónicos, oneram-se os pequenos proprietários e empresários com impostos e inquilinos perpétuos. E destrói-se o mercado privado de arrendamento, com uma concorrência desleal, financiada pelo Orçamento do Estado.
 
Esperemos que não.
*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente
por João Severino às 10:22
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

carmindices

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

O BLOCO CENTRAL PODE ENTRAR PELA JANELA??
 
 
> No dia 6 de Junho, logo a seguir às eleições legislativas, fiz "votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu".
Se Passos Coelho e o seu governo querem colocar um basta ao socialismo que nos conduziu à pré-bancarrota, têm de enfrentar os vampiros com estaca de madeira.
Durão Barroso, com medo de Sampaio - e, quem sabe, de outras forças - nunca fez a purga necessária. Os altos níveis da administração pública mantiveram uma horda de quadros intermédios que já tinha servido o PS. Importantes leis (como a lei do arrendamento) não avançaram. Quando Santana as quis efectivar, foi corrido.
É por isso que soube com terrível preocupação que  Francisco Ribeiro de Menezes (que foi até Agosto do ano passado chefe de gabinete de Luís Amado) será o chefe de gabinete de Passos Coelho.
As grandes reformas nunca se fizeram com quem salta de lado da barricada.
Rezar a Deus e ao demónio nunca foi prova de qualquer tipo de integridade.
Quem serviu o governo de Sócrates num lugar de directa confiança política, poderá participar numa regeneração do País que Sócrates afundou?
Votei PSD. Não votei PS.

Espero que este episódio não seja sintoma de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, arranjou maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

 

por João Severino às 22:01
link do post | comentar | ver pauladas (4) | favorito
| partilhar
Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

carmindices

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

QUEM SÃO OS INDEPENDENTES DE PASSOS?
 
"No Governo ou vai estar o Partido Socialista ou vai estar o PSD, não vamos estar os dois".
Passos Coelho foi peremptório nesta afirmação.
Passos deu a sua palavra a Portugal de que não levará os socialistas (e não especificamente Sócrates) para o governo.
PSD e CDS alcançaram ontem uma confortável maioria absoluta: cerca de 50% dos votos e, pelo menos, 129 deputados (em 230).
É uma ampla base social e política. 
Sócrates nunca a teve - e, mesmo assim, governou sozinho durante seis anos.
Atendendo ao outro compromisso de Passos - o de levar o CDS para o governo - poderíamos concluir que o PS está irremediavelmente arredado do poder.
Mas...
Quer no último dia de campanha, quer no discuro de vitória, o presidente do PSD afirmou que, além de se coligar com o CDS, colocará personalidades independentes no executivo.
A questão reside aqui: quem são esses independentes?
Cavaco levou para o governo independentes ligados à direita (como Roberto Carneiro e Bagão Félix) ou sem qualquer peso político (caso do polémico Carlos Borrego). Não alteraram a correlação de forças interna ou as linhas definidas pelo PSD.
Guterres contou com muitos independentes no seu primeiro governo. Mas tratava-se de pessoas que haviam participado nos "Estados Gerais" do PS, colaborando na elaboração da alternativa socialista de 1995.
Portanto, até hoje, as vagas de independentes que integraram governos ou eram ideologicamente próximas do partido do poder, ou não tinham relevância política, limitando-se a uma participação governativa de carácter técnico.
Ora, os independentes de Passos Coelho não fazem parte de uma plataforma de fundo como a dos "Estados Gerais" - e, isto, porque o PSD não apresentou nada do género.
Serão figuras do centro-direita, embora não militantes do PSD ou do CDS? Parece-me improvável, pois, nesse caso, não mereceriam tanto ênfase nos discursos de Passos.
Restam, pois, duas alternativas:
- ou serão personalidades sem filiação política definida, mas que se destacam pela sua competência técnica em determinadas áreas (por exemplo, Medina Carreira como Ministro das Finanças);
- ou serão figuras que estabelecerão pontes com o PS.
Se for o último caso, Passos terá de ter muito cuidado.
Está a pisar gelo muito fino.
Prometeu não levar o PS para o poder.
Não pode, sob pena de desonestidade, trazer o PS para o governo, a coberto de pretensas independências de quem tem afinidades notórias com os socialistas.
Não pode deixar entrar pela janela o que garantiu que saía pela porta.
Não se pode comportar como o alcoólico que bebe vinho de olhos fechados, porque prometeu não olhar mais para a bebida.
Estranhamente, Passos não se contenta com a confortável maioria de que dispõe com o CDS. Voltou a dizer que quer independentes, colocando-os ao mesmo nível do parceiro de coligação.
Se o CDS não chega, mas o PS também não serve, resta, ao que parece, uma base política comum ao PSD e aos socialistas.
E ela é fornecida pela Maçonaria, organização que é transversal ao PSD, ao PS e ao CDS e que poderá oferecer esse tipo de "independentes".
Esperemos para ver.
Com os votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.
*Professor Caredrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 08:54
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

carmindices

 

Carmindo Mascasrenhas Bordalo*

 

 

SÓCRATES E O PS - AS VÍBORAS DISFARÇADAS DE ENGUIA
 
> Nos últimos tempos, os dirigentes do PS, vendo que poderão ser escorraçados do poder que tanto proveito lhes deu, desfazem-se em apelos a uma coligação governamental de que venham a fazer parte.
Carlos Melancia, António Costa, Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Pinho e, agora, o próprio Sócrates.
É um truque de mau gosto.
Como o nosso João Severino já disse, Passos Coelho tem de rejeitar expressamente essa hipótese grotesca.
O PS levou Portugal à bancarrota, de que apenas nos salvámos com um empréstimo concedido pela Europa e pelo FMI (e que  os socialistas atrasaram suicidamente).
Com o PS, a degradação da qualidade política atingiu graus nunca vistos, com a impunidade e as mentiras constantes de Sócrates.
Se Passos Coelho quer, efectivamente, salvar Portugal, tem de afastar o PS.
Sócrates e o PS são duas  víboras que provocaram o maior descalabro social, económico e financeiro dos últimos 35 anos.
A eles devemos os recordes de desemprego, endividamento, défice orçamental e falta de liberdade na comunicação social.
Para a educação, deram-nos as Novas Oportunidades (o liceu oferecido como brinde dos ovos da Páscoa).
Para as contas públicas, deram-nos um buraco orçamental único na nossa história.
Para a política social, deram-nos aa duplicação do desemprego.
Como recompensa pelo trabalho, cortaram salários
Como futuro do País, serviram o aborto e o casamento gay.
Como exemplo de conduta pública, apresentaram-nos o Freeport e a Face Oculta.
Esta gente tem de ser travada.
O PS não deve ser mantido no governo.
Os resultados foram catastróficos.
Sócrates e o PS disfarçam-se agora de enguia: um ser que escorrega, que muda de posição agora que está aflito, mas que é inofensivo e, até, comestível.
Na realidade, são víboras, também viscosas e rastejantes, mas venenosas - e  à conta de quem estamos a passar péssimos momentos.
Querem que comamos um prato que apresentam como caldeirada de enguias, mas que é um ensopado de víboras. Cheio de veneno letal.
Passos Coelho tem de nos provar, ainda hoje, que não cai na esparrela.
PS: este post é uma homenagem ao João Severino que, com uma lucidez impressionante, tem feito no PPTAO uma cobertura notável da campanha. Ainda hoje o mostrou.
* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 20:12
link do post | comentar | ver pauladas (2) | favorito
| partilhar
Quarta-feira, 23 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 
JORGE SAMPAIO OU O ESCARRO MORAL
 
Jorge Sampaio veio pedir entendimentos entre as várias forças políticas porque a situação do País é difícil.
 
Será que, em Novembro de 2004, quando dissolveu a Assembleia da República onde havia uma maioria parlamentar, Sampaio achava que não eram precisos entendimentos?
 
Por que estranho motivo é que, nessa altura, as coisas só se resolveram com uma dissolução e consequente queda do governo?
 

 

Talvez Sampaio ache que os entendimentos só são precisos em fases muito críticas - e em 2004, com o governo PSD/CDS, a situação portuguesa era bem melhor.

 
Mas, então, por que é abriu uma crise política, se ainda não estávamos na lástima a que Sócrates nos conduziu?
 
Será que as crises políticas, na óptica do Dr. Sampaio, só são boas quando a maioria governamental não é da sua preferência política?
 
A postura de Sampaio é reveladora do pânico que se está a apoderar da camarilha socialista.
 
Sócrates, Silva Pereira, Santos Silva, Luís Amado, Mário Soares e, agora, Jorge Sampaio rastejam a implorar que deixem o governo sobreviver.
 
Para quê esta atitude quase abjecta? 
 
O que é feito dos valentes que criaram e apoiaram a crise política e as eleições antecipadas de 2004-2005? Para onde foi toda a empáfia?
 
A explicação só pode ser uma.
 
O PS e Jorge Sampaio estão altamente receosos que a situação a que conduziram Portugal origine um processo de tal dimensão que leve a uma vassourada nos seus tachos e mordomias.
 
Um novo governo pode, aproveitando a frescura de um novo mandato, tomar medidas que afectem uma estrutura de compadrios, interesses e distribuição de benesses.
 
Imagine-se que, escudando-se no estado calamitoso da herança socratina, um novo governo acabava ou reduzia salários em administrações de fundações, empresas e institutos ligados ao Estado.
 
Imagine-se que um novo governo extinguia organismos públicos supérfluos.
 
Imagine-se, ainda, que um novo governo impedia quaisquer novas admissões em todos os sectores da função pública.
 
O que seria da camarilha?
 
O que seria de pessoas como a filha de Jorge Sampaio, que o Ministro socratino Pedro Silva Pereira nomeou sua assessora?
 
 Ponha-se, ainda, a hipótese de o novo governo admitir uma auditoria externa às verdadeiras contas públicas portuguesas. E se houvesse responsabilidades criminais e financeiras pela situação?
 
Percebe-se bem o pânico de Sampaio e dos outros.
 
O homem que provou uma crise política e conduziu Sócrates ao poder quando o desemprego, o défice e a dívida externa eram muito menores, pede, agora, muita calma e  entendimentos.
 
Um verdadeiro escarro moral.
 
 
*Colaborador residente
 
 
PAU COMMENTS
 
De Jorge Cabral a 23 de Março de 2011 às 11:05
 
Caro Professor,

Tenho que começar por lhe agradecer ter-me poupado a fazer o que o senhor aqui fez. Há quase 24 h que ando com a minha "alma" azeda pelo que ontem ouvi do Sr. Dr. Jorge Sampaio. E fê-lo com a qualidade que eu nunca conseguiria atingir, pelo que o meu agradecimento terá que ser duplo.
Na verdade perante o que aconteceu no seu "principado", facto a que o senhor muito bem se refere, Jorge Sampaio perdeu qualquer legitimidade em intervir numa situação como a que agora se nos depara, politicamente.
Jorge Sampaio foi um Presidente medíocre. Tão medíocre que não deixou qualquer memória que não seja o "pecado" de ter soçobrado perante uma das piores manifestações de partidarite que era possível presumirmos como passível de qualquer atitude de um homem decente. Para mim nem isso Jorge Sampaio chega a ser. Licenciado com 10 valores, sem nada que se lhe conheça que não seja o confortável e permanente encosto ao Partido, este cavalheiro foi mais um dos que contribuíram para a situação em que estamos.
Não estou com isto a defender o Santana, cuja medíocridade está também por demais notória, mas a forma indigna e "desconstitucional" como tal Governo foi escorraçado é um manifesto inquestionável das rídiculas qualidades da pessoa de Jorge Sampaio.
Mais, Jorge Sampaio é tão sectário que até levou tais defeitos a escolher quem, dentro do seu partido, seria o seu "serafim". Que o diga Ferro Rodrigues, que foi ostensivamente ostracizado a favor do Sócrates, e com tal clareza e desfaçatez que o pobre homem, só teve que abandonar tudo, para manter a pouca dignidade que o Jorginho lhe deixou. e mais ainda, vejam a prenda que estas maquinações construiram e que se dá pelo nome de José Sócrates - eis o que Jorge Sampaio pariu.
Portanto, Jorge Sampaio que se cale e se reserve ao, ou aos, tacho(s) que a carreira lhe vem garantindo.
Entretanto, haja pachorra para suportar estes cretinos.


 

 

 

por João Severino às 00:02
link do post | comentar | ver pauladas (5) | favorito
| partilhar
Quinta-feira, 17 de Março de 2011

plágio

 

> Escrevi no Pau Para Toda a Obra, em 15 de Fevereiro de 2010:

 
Não vejo no PS uma dinâmica global para forçarem Sócrates a abandonar as funções que exerce. Ele tem sabido manobrar com mestria uma rede de distribuição de vantagens, benefícios, cargos, benesses e manutenção de interesses que serve muita, muita gente.
Sócrates foi deputado e Ministro do Ambiente e isso deu-lhe uma enorme massa de contactos pelo País fora. Conhecer e dominar uma estrutura nacional de contactos é algo de primordial importância na conquista, exercício e conservação do poder.
A isso acresce que o PS, com a sua tradição de cumplicidades e protecções aprendida com a Maçonaria, tem como caldo de cultura o favor e a defesa dos seus. Apunhalar Sócrates iria contra esse código genético e abriria um precedente que ninguém quer que mais tarde se vire contra si.
Por último, sejamos pragmáticos: sendo a estratégia socialista a da conservação do poder para a continuação do seu domínio de pontos-chave da sociedade portuguesa, faria sentido abrir uma crise interna só porque Sócrates fez tudo aquilo que podia para lhes permitir alcançar esse objectivo? Talvez isso lhes possibilitasse uma operação cosmética, mas jamais o PS quererá mais do que isso.
Desde 1995 que o PS domina totalmente o aparelho de Estado, o que em boa medida se manteve em 2002-2005 com o interregno da governação PSD/CDS: para contentar Sampaio, Barroso e Santana Lopes mantiveram ao nível de quadros intermédios muitos que estão ligados ao PS ou, pelo menos, que vão saltando de um lado para o outro. As malhas da rede estão, pois, muito apertadas e sólidas, permitindo que a falta de vergonha de Sócrates triunfe e se imponha à ética e à Justiça.
(http://pauparatodaaobra.blogspot.com/2010/02/pau-comments_9511.html)
 
No dia 14 de Março de 2011, o Arquitecto Saraiva, Director do SOL, escreve:
 

O PROBLEMA é que todos os socialistas - os sérios e os não sérios - sabem que, no dia em que Sócrates se for embora, o PS cairá do poder.

A escolha, hoje, não é entre Sócrates e outro socialista - mas entre Sócrates e o PSD.

Por isso os socialistas estão reféns de Sócrates e não têm outro remédio senão apoiá-lo.

Fecham os olhos às suas mentiras e aos seus excessos.

Assobiam para o lado quando o seu staff faz uma patifaria.

Além disso, todos eles - de Correia de Campos a Armando Vara - vão beneficiando da presença do PS no Governo: hoje é a administração de uma empresa pública ou de um banco, amanhã é um lugar numa fundação, mais tarde é um subsídio ou simplesmente facilidades num negócio.

O GOVERNO construiu um poder tentacular - o tal Polvo, de que o SOL um dia falou - que chega a todo o lado.

Ajuda uns e intimida outros.

As empresas públicas, as empresas privadas, os bancos, as direcções-gerais - toda a máquina do Estado e suas adjacências estão cheias de socratezinhos que servem de polícias e fazem tudo o que for preciso para agradar ao chefe.

Correia de Campos sabe isto tão bem como eu.

Por que faz então de parvo e atira o odioso sobre os jornalistas?

Por ter deixado de ser sério?

Acho sinceramente que não.

Fá-lo porque, quer ele quer os seus camaradas, seguem no barco em que Sócrates é capitão - e, no dia em que este deixar o lugar, vão todos ao fundo.

NÃO SE ESPEREM, portanto, divergências ou clivagens no PS.

De uma forma ou de outra, todos os socialistas são hoje cúmplices de José Sócrates.

No momento da verdade, unir-se-ão para aguentar este primeiro-ministro e atacar os seus supostos inimigos.

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=13990&opiniao=Pol%EDtica%20a%20S%E9rio

 

 
Aquilo que se diz há mais de um ano no PPTAO, é agora aproveitado pelo Senhor Arquitecto.
É este o jornalismo que temos.
Também por isso, e apesar de tudo,  Sócrates resistiu até agora.
 
 
Carmindo Mascarenhas Bordalo
Professor Catedrático Jubilado
 
 

 

por João Severino às 23:10
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Quarta-feira, 16 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado

 

 

SÓCRATES E A SOPA DE ABORTO
 
> Henrique Neto, homem do PS e pessoa conhecida pela sua independência de espírito, tem vindo a defender que o problema do País é Sócrates.
É uma análise de impressionante lucidez.
 
O estado das instituições bateu no fundo, com uma degradação nunca antes vista: o Procurador Geral da República é apanhado a mentir; o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça ameaça juízes incómodos; pressionam-se jornalistas a céu aberto e acaba-se com programas de televisão onde a Maçonaria é desmascarada. Qual o ponto comum? Sócrates. Foi por causa do FREEPORT que o Procurador mentiu, foi por causa do FREEPORT que o Presidente do STJ ameaçou o magistrado e foi por causa das críticas ao poder político e à sua ligação com a Maçonaria que o "Plano Inclinado", da SIC, foi tirado do ar.
 
Comparem-se o défice orçamental, a taxa de desemprego e a dívida externa de 2005 com os de 2011. Quem governou entretanto? Sócrates.
Cortam-se salários, abonos de família e subsídios aos doentes. Aumentam-se impostos. Claro que os organismos públicos supérfluos, as lautas remunerações dos nomeados politicamente e a abertura de lugares na função pública continuam. Quem faz tudo isto? Sócrates.
  
Já vamos em 4 Programas de Estabilidade e Crescimento. Todos da responsabilidade de Sócrates. Sempre que são aprovados, Sócrates garante que as medidas são suficientes e que estão a dar um resultadão. Vira-se como um cão contra quem lhe diz o contrário. Mas, poucos dias depois, lá vem ele propor novas medidas, apesar de as anteriores serem suficientes...
 
Não há limites para a desonestidade deste homem.
 
Sócrates é desonesto e isso pode ser provado. Sócrates mente mas insulta quem lhe chama mentiroso.
 
Fui à manifestação de dia 12, apesar da minha idade. Vi um oceano de pessoas, sem organização prévia mas unidas pela dor com o estado a que Sócrates conduziu Portugal.
Pediam contratos de trabalho. Pediam o fim dos falsos recibos verdes e dos estágios-fantoche com que Sócrates contorna a lei.
Não vi ninguém pedir tachos ou roupas caras como as que Sócrates usa.
Não vi pessoas pedirem licenciaturas feitas ao Domingo e com trabalhos enviados por fax. Ninguém pediu isso, isso é privilégio de Sócrates.
Não vi ninguém pedir um lugar de assessor como o que o governo de Sócrates deu à filha de Jorge Sampaio, o responsável por Sócrates ter tido tanta facilidade em destruir o País.
Foram 200.000 pessoas a pedir decência e cumprimento da lei.
 
Que lhes respondeu Sócrates?
Que se preocupa muito com os jovens e, por isso, os seus governos aprovaram o casamento gay e o aborto livre. 
Se calhar, no próximo PEC, Sócrates quer substituir subsídios de alimentação e de desemprego por sopas feitas com restos desses abortos. Era a única maneira de o aborto livre poder ajudar em alguma coisa quem está com a corda pelo pescoço.
Mas, então, coma-as ele. Nunca pensei escrever uma coisa destas, mas uma criatura assim não merece melhor.
 
Ele volta a fazer-se de vítima porque, supostamente, não lhe aprovam mais um PEC.
Caia quem quiser.
 
*Colaborador residente

 

 

 

por João Severino às 16:42
link do post | comentar | ver pauladas (2) | favorito
| partilhar
Sexta-feira, 4 de Março de 2011

carmindices

 

 

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

PORTUGAL NÃO É A ALEMANHA...

 
> A propósito da visita de Sócrates à Alemanha têm corrido rios de tinta.
Sinal de vassalagem?
Sintoma de que vai estourar bernarda que exige intervenção externa?
Seja como for, é bem significativo do estado a que chegámos.
Mas é curioso e irónico que Sócrates tenha ido à Alemanha neste momento. Pena que lá não tenha aprendido alguma coisa com o caso Guttenberg.
Karl-Theodor zu Guttenberg, até há poucos dias Ministro da Defesa alemão, era (e talvez continue a ser) um dos mais populares políticos do seu país. Jovem, sorridente, riquíssimo, bem falante, oriundo de uma família da velha aristocracia bávara, casado com uma elegante bisneta de Bismarck, Guttenberg, com menos de 40 anos, teve uma ascensão política meteórica. Já se lhe augurava o topo da escadaria do poder.
Já conhecia a personagem, que me parecia um caso a acompanhar: tinha todas as condições para ser Chanceler da Alemanha - portanto, há que tristemente reconhecê-lo, chanceler da Europa.
Mas Guttenberg queria, paralelamente, manter uma carreira académica, que lhe atestasse o prestígio intelectual. Por isso, apresentou um Doktorarbeit (ou noutra terminologia, um PhD) para obter o grau de Doutor.
Todavia, foi denunciado pelo Prof.  Andreas Fischer-Lescano, da Universidade de Bremen, que a tese de Guttenberg continha abundantes plágios, isto é, aproveitamentos da obra de outros autores sem a devida citação da fonte. Comprove-se aqui: http://www.kj.nomos.de/fileadmin/kj/doc/zu_guttenberg.pdf. Mesmo para quem não saiba alemão, facilmente se vê (págs. 114 a 119) que Guttenberg violou as mais elementares regras de honestidade académica, ao limitar-se a copiar, sem indicar a origem, artigos científicos de autoria alheia.
As sondagens mostram que Guttenberg continua popular.
Merkel tentou o mais que pôde que ele não caísse.
O seu Doktorvater (orientador da tese), o prestigiadíssimo Prof. Peter Häberle, da Universidade de Bayreuth, defendeu-o até ao ponto de ser ele próprio a cair no ridículo (já lhe chamam o Professor Ingénuo), vindo a apresentar uma retractação pública.
Ainda assim,  Guttenberg demitiu-se. E a  Universidade de Bayreuth revogou o grau que lhe conferira.
O clamor público da comunidade científica, a indignação de reputados académicos, uma comunicação social acutilante e que procura factos, levaram a este desfecho.
Estou certo que Sócrates se riu a bandeiras despregadas quando soube do desfecho do caso Guttenberg e suspirou de alívio por Portugal não ser a Alemanha.
Aqui tudo se admite: curricula forjados, licenciaturas nulas, invocação de pós-graduações inexistentes, certificados falsos.
Assim, percebe-se por que é o nosso Primeiro-Ministro intimado a ir à Alemanha e não o contrário.
 
*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente
 
 
 

 

por João Severino às 09:23
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

carmindices

 

 

 

KHADAFI, PALHAÇO LOUCO E AMIGO DE SÓCRATES
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
> Em 15 de Abril de 1986, o Presidente norte-americano Ronald Reagan ordenou o bombardeamento aéreo da Líbia, já então governada há 17 anos por Khadafi. Fartos do envolvimento líbio no terrorismo internacional, os EUA, apoiados pelo governo britânico da formidável Sra. Thatcher, davam uma lição àquele a que Reagan, nos seus diários (já publicados em português), chamava "palhaço louco".
O terrorismo patrocinado pela Líbia diminuiu consideravelmente, apesar do atentado de Lockerbie, em 1988. Mas as alminhas do costume condenaram a intervenção.
Já de garras escondidas (não fosse algum sucessor de Reagan voltar a partir-lhe os dentes), Khadafi dedicou-se a manter o seu poder interno, reprimindo duramente o povo líbio e vendendo petróleo.
Claro que, para Sócrates, na sua política externa anti-semita e pró-regimes endinheirados, Khadafi é um amigo. E aproveitou a nova máscara de cordeiro do tirano para andar de braço dado com ele. Leia-se aqui (http://publico.pt/1234473: "Apesar de a Líbia ter representação diplomática em Lisboa há 25 anos, só este mês o ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, anunciou para 2006 abertura de uma embaixada portuguesa em Tripoli") e aqui (http://publico.pt/1453999: "O primeiro-ministro fez hoje uma noitada em Tripoli a assistir à cerimónia de aniversário da revolução líbia, depois de ter tido uma reunião política") .
Depois das quedas de Ben Ali e de Hosni Mubarak, Khadafi luta desesperadamente pela sobrevivência política, voltando a massacrar os líbios. Ironicamente, recorre a bombardeamentos aéreos, como tanto criticou a Reagan e Thatcher.
A quem beneficiou a amizade de Sócrates? Aos mais de 600.000 portugueses desempregados?
Aos estudantes universitários que deixam de poder estudar com os cortes nas bolsas?
Aos jovens que caíram nas malhas da precariedade e cujo drama até já se tornou mote de uma música?
Portugal está cada vez pior. Não foram os negócios de Sócrates com o "palhaço louco" que o evitaram. Os petro-dólares líbios certamente encheram o bolso de alguém, mas não do povo português.
*Professor Catedrádito Jubilado
por João Severino às 10:49
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

carmindices


Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado


O RATO QUE RUGIU


 


 

> O grande vencedor das eleições de dia 23 foi, sem dúvida, Cavaco Silva.

Sem qualquer alternativa credível de esquerda e sem outros candidatos à direita, Cavaco conseguiu a eleição à primeira volta, com o decisivo apoio do eleitorado flutuante que decide as eleições e que nos últimos anos também elegeu o PS.
Teve um primeiro mandato lastimável, em que cedeu nos princípios (ou seja, cedeu a Sócrates ...) para conseguir a reeleição. O que é certo é que a alcançou.
Mas foi uma reeleição amarga.
Todo o discurso de vitória na noite de 23 foi eivado de dor e ressentimento, marcado pelos casos BPN e da mansão algarvia. Mário Soares, aliás, não perdeu a oportunidade de apontar o discurso "rancoroso".
Numa noite que devia ser de glória e de alegria, para mais sendo certamente a sua última noite eleitoral, Cavaco mostrou-se crispado e vingativo devido às denúncias de que foi alvo - e a que nunca quis responder minimamente.
O grande responsável por essa noite ter sido de fel e não de mel foi, ironicamente, o candidato que ficou em último lugar, Defensor Moura.
A ele se deve, no debate de Dezembro, o início dos ataques a Cavaco. Coelho e Alegre só depois disso cavalgaram a onda.
Na própria noite eleitoral, Defensor voltou a reclamar os louros de ter sido o destruidor da imagem de Cavaco como homem impoluto.
Como ontem escrevia o sub-director do CORREIO DA MANHÃ, a grande ironia da noite foi a de o vencedor passar o tempo a dizer mal da estratégia de um candidato regional que alcançou somente 1,5% dos votos.
Alegre, Nobre e até o espalhafatoso Coelho foram adversários que nem beliscaram Cavaco. Aquilo que verdadeiramente incomodou o Presidente foram as denúncias que Defensor teve a coragem de iniciar.  Como no filme cómico dos anos 50, com Peter Sellers, foi "O rato que ruge".
A questão que fica é esta: o que podemos esperar de um Presidente da República que se abespinha com os ruídos de um rato, mas que não os desmente cabalmente?
Que margem de manobra e independência terá Cavaco quando ficaram no ar - não respondidas - as acusações de um mero peão?
Se até Defensor Moura pôs Cavaco na retranca, imagine-se como será com Sócrates ou Santos Silva...
*Colaborador residente

por João Severino às 19:45
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


COMO TEM SIDO DIFÍCIL MODERNIZAR PORTUGAL


O governo pretende permitir a abertura de hipermercados durante todo o Domingo e não apenas da parte da manhã como actualmente.
Num momento em que o País precisa de trabalhar e de criar riqueza, é algo de aplaudir.
É uma medida que gerará mais emprego, facilitará a vida dos consumidores e que até ajuda a necessária flexibilização de horários em outros sectores de actividade.
O comércio tradicional não será beliscado: o seu nicho de mercado está bem delimitado (as pequenas compras de conveniência ou os produtos especializados).
Além disso, os centros comerciais já estão abertos toda a semana, não se vendo motivos para diferenciação.
Os responsáveis da Igreja Católica em Portugal já vieram com a conversa do costume. Os mesmos que, sob os auspícios policarpianos, lavaram as mãos do assunto do aborto e assobiam para o lado com o casamento gay, estão muito preocupados com o lazer e com um eventual concorrência das grandes superfícies às missas dominicais. Que as crianças sejam dissolvidas com ácido ou aspiradas do ventre materno é questão civil, fora dos interesses da Igreja (Policarpo dix it!). Mas que os seus pais as possam levar ao hipermercado durante a tarde de Domingo já é grave e justifica que os padres intervenham!
Há que vencer mentalidades ultrapassadas e que esquecem que também de pão vive o Homem.
Infelizmente esta medida tem cerca de década e meia de atraso. O governo de Cavaco Silva, depois de um vendaval de críticas, teve de retroceder e obrigar os hipers a fechar aos Domingos. O PS fez parte do coro.
Parece que o bom senso vai imperar. Finalmente.


* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 10:01
link do post | comentar | ver pauladas (3) | favorito
| partilhar
Terça-feira, 20 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*


AS BARBIES

Quando uma mulher só se preocupa com questões de aparência, passando horas a escolher vestidos, pinturas, sapatos e perfumes, logo vem à cabeça a comparação com a Barbie, uma boneca que supostamente representa uma certa futilidade e vaidade.
O pior é quando o comportamento barbie é seguido por mais do que crianças entretidas a brincar.
Mas ele abunda.
Sócrates tem-se dedicado anos a fio ao trabalho cosmético que disfarce a grave crise nacional, nomeadamente desmentindo as evidências e anunciando sempre inexistentes luzes ao fundo do túnel. Interessa-lhe a aparência, não a realidade.
Portas, ao invés de fazer o que lhe compete, apontando o desgoverno PS e apresentando alternativas sérias, prefere andar a dar nas vistas com propostas sem seriedade como a da mega-coligação. Mais aparência, mais maquilhagem, sempre fugindo ao essencial.
Agora é Passos Coelho com o seu projecto de revisão constitucional. Temos mais uma barbie.
Alguém acha que é com mais um ano de mandato presidencial ou com a possibilidade do Chefe do Estado poder demitir o governo que haverá casas mais baratas,mais empregos, menos corrupção, melhor e mais rápida justiça?
Tudo fachada.
Assim como é fachada a parlapatice da proposta passos-coelhista do fim da previsão constitucional da necessidade da justa causa de despedimento.
Segundo noticia o "Diário de Notícias" (link mais abaixo aqui no PPTAO): « Passos Coelho quer riscar a expressão "justa causa" do artigo da Constituição que impõe limites aos despedimentos. O partido laranja substitui a expressão por "causa atendível" (...) Paulo Teixeira Pinto explicou ao DN que "justa causa" é um conceito "muito apertado" e que "imputa culpa" no trabalhador. O jurista, que presidiu à comissão de trabalho que elaborou o projecto, frisou, porém, que a nova formulação não é uma liberalização dos despedimentos. "Não é admissível rescindir sem motivo", avisou, explicando que as razões atendíveis virão na lei ordinária».
Ora, isto é o que se chama mudar tudo para tudo ficar na mesma.
Segundo especialistas que consultei, de Lisboa e de Coimbra, justa causa e motivo atendível são exactamente a mesma coisa. A própria noção de justa causa presente na Constituição não pressupõe culpa do trabalhador. E tanto assim é que o Tribunal Constitucional tem admitido diversas normas que permitem despedimentos sem culpa.
Não ser possível rescindir sem motivo e as razões atendíveis virem na lei ordinária é o que já hoje se passa!
Portanto, não é na Constituição que Passos Coelho teria que mexer mas sim em aspectos dos regime legal como, por exemplo, o empregador não ser obrigado a reintegrar o trabalhador depois de este ser despedido sem justa causa (como se passa, aliás, em quase todos os países europeus).
Mas isto nada tem a ver com a revisão constitucional que Passos diz querer.
Ou seja, é só para não estar calado.
Outro especialista em cosmética, em aparência e que só quer dar nas vistas nas pantalhas televisivas.
Estamos entregues a barbies.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 17:50
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



A MEGA-COLIGAÇÃO: APRENDER COM OS ERROS DA HISTÓRIA


Paulo Portas veio propor uma mega-coligação PS/PSD/CDS como forma de superar a crise em que estamos mergulhados.
Creio que percebo o motivo: uma conjunção de esforços que permita que ninguém atire para cima dos outros as culpas por medidas impopulares.
Por outro lado, sempre se responsabilizaria o PS, atando-o ao governo e não lhe permitindo fugir cobardemente como Guterres fez, deixando o centro-direita a apagar os incêndios que ateou.
Em termos de táctica partidária faz sentido.
Mas parece-me francamente negativo para o País que se entre por um caminho de quase união nacional.
As experiências de coligações entre esquerda e direita têm sido um verdadeiro fracasso.
O governo PS/CDS de 1978 foi um desastre. As naturais contradições internas ao nível das políticas agrícola e social fizeram com que depressa se esfarelasse.
O Bloco Central não tomou quaisquer medidas de fundo, pois o PS nunca aceitou as exigências (ideologicamente fundadas) do PSD. Hernâni Lopes usou o garrote orçamental, como o não pagamento do 13º mês aos trabalhadores do Estado, mas as reformas estruturais foram sempre adiadas.
Se a política ainda tem alguma seriedade e há diferenças substanciais entre forças partidárias, é impossível estabelecerem-se alternativas governativas em que todos caibam, independentemente do que pensam e do que propõem.
É por isso que a proposta de Portas não faz sentido. A História já se encarregou de o mostrar.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente


PAU COMMENTS

Jorge Cabral disse...

Caro Professor,
Eu reconheço-lhe uma especial competência para escolher as palavras convenientes evitando, aliás, come deve ser, as inconvenientes. Eu não tenho esse condão e como tal, o que tenho a dizer só posso fazê-lo da seguinte forma.
No "pantanal" da política, (que a mim me parece mais uma fossa séptica dum hospício de leprosos), Portas está tão estafado e desacreditado como Sócrates. Pena é que em tal passeio de vaidades ninguém se veja lucidamente ao espelho.
Por outro lado, fazê-lo como o fez, só me fez lembrar alguns dos meus imbecis colegas da primária que apesar ostracizados se punham em bicos de pés para tudo o que oportunisticamente lhes conviesse.
Aliás na política já temos um que é useiro e vezeiro em tal formato e todos sabemos o resultado.
É tempo de acabarmos com TODOS os "estafados" que incompetentemente, há mais de 20 anos nos têm andado sistematicamente a arrastar para onde hoje nos encontramos. Seja o que for que venha é melhor que esta cambada de gente desonesta, oportunista, incompetente e imbecil de que estamos realmente fartos.
Abraço bloguista


por João Severino às 09:21
link do post | comentar | ver pauladas (1) | favorito
| partilhar
Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PASSOS COELHO E O CDS: A EVIDÊNCIA

Desde há cerca de um ano que, neste espaço do PPTAO, defendo que a área política não socialista deve estabelecer uma plataforma que ofereça uma alternativa à governação socialista.
Por outras palavras, e mais claramente, o PSD e o CDS devem unir esforços no sentido de se coligarem e encontrarem um projecto de governo comum.
Segundo recentes notícias, a actual direcção do PSD parece que também assim pensa.
É uma prova de lucidez: nas legislativas e autárquicas de 2009, a junção dos votos de ambos os partidos ultrapassava os do PS. Tudo aponta para que tal se continue a verificar - e de modo ainda mais acentuado.
Não é impossível, mas não é fácil ao PSD garantir sozinho condições para governar. Maiorias absolutas de um só partido são dificultadas pelo nosso sistema eleitoral: em 35 anos de eleições, apenas por 3 vezes tal foi conseguido. Só isto é um argumento de monta.
Mas não é tudo. Algo se me afigura ainda mais importante do que a mera aritmética dos assentos parlamentares. Trata-se de um projecto de sociedade que é necessário construir.
Desde 2004 que o PSD vive afogado numa crise interna sem precedentes. Para mim, o grande culpado tem um nome: Cavaco Silva.
Cavaco Silva apostou de forma sistemática em usar a sua influência para destruir o PSD como alternativa séria de governo, mergulhando-o numa permanente guerra civil e tirando-lhe o tapete nos momentos cruciais. Os factos falam por si:
- Cavaco era visita assídua de Sampaio em Belém e fez uma crítica devastadora ao governo de Santana Lopes nas vésperas da dissolução da Assembleia da República (o célebre artigo da má moeda), ajudando a criar um ambiente de crise política;
- em vésperas das legislativas de 2005, Cavaco fez constar na comunicação social que apostava numa maioria absoluta do PS, revelando que não acreditava no seu próprio partido;
- o actual Presidente recusou, ainda, que a sua imagem fosse usada em material de campanha do PSD, mostrando que achava o PSD indigno da sua pessoa;
- já depois de eleito, Cavaco elogiou repetidamente o governo de Sócrates e em finais de 2006 foi ao ponto de louvar o seu carácter reformista numa entrevista à sua amiga Maria João Avilez;
- quando Sócrates esteve envolvido em escândalos que em qualquer País civilizado teriam conduzido à sua queda por falta das mínimas condições de exercício de funções públicas, Cavaco assobiou para o lado ou menorizou a gravidade dos factos;
- as legislativas de 2009 foram completamente abafadas pelo caso da alegada vigilância de Belém por S. Bento: o contra-ataque orquestrado pelo PS através do Diário de Notícias conseguiu que Sócrates aparecesse como vítima de uma tramóia de gente ligada a Cavaco e, só já depois das eleições, este veio prestar declarações que, de algum modo, poderiam ter mostrado que o PS, afinal, não era inocente como queria fazer crer. Recorde-se que a própria direcção do PSD criticou Cavaco por não ter feito os devidos esclarecimentos antes das eleições.
- Cavaco acabou por ser cúmplice de uma das grandes cruzadas legislativas da Esquerda no sentido de destruir as referências históricas e éticas nossa sociedade, ao não exercer o seu veto político em relação à lei do casamento homossexual - o que até lhe valeu a crítica severa do habitualmente pacato Cardeal Patriarca.
Isto para não falarmos da estranha e efémera liderança de Luís Filipe Menezes, que acabou por fazer um grande favor a muita gente, pois renegou a anterior posição do PSD e aprovou parlamentarmente o Tratado de Lisboa ao lado de Sócrates (qee também prometera referendo!), como Cavaco sempre quis.
O resultado foi, pois, um PSD dividido, desautorizado, minado por dentro e enfrentando um Governo que contava com o apoio presidencial.
O PSD tem de reencontrar o seu lugar na política e na sociedade portuguesa. E tem de o fazer com o CDS, um partido ideologicamente claro, com propostas concretas e que tem feito as mais certeiras críticas a Sócrates no âmbito do rendimento mínimo, da despesa pública, da política fiscal, da segurança social e da agricultura.
Há cinco anos que os sociais-democratas são um náufrago à deriva, sem que ninguém tenha memória das suas propostas ou das suas ideias. Os portugueses só se lembram das suas crises e vergonhas públicas.
Um projecto político completo e credível é a única forma de se salvarem. Essa transfusão de sangue tem de vir de fora, porque o sangue interno já se esvaiu todo - e Passos Coelho já o percebeu. Por isso diz contar com o CDS.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 19:46
link do post | comentar | ver pauladas (2) | favorito
| partilhar
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



QUEM TRABALHA LEVA

> A proposta do CDS no sentido de restringir o acesso ao Rendimento Social de Inserção (ou rendimento mínimo garantido) foi chumbada pela Esquerda parlamentar.
Não é de estranhar.
O grande e último objectivo da Esquerda (mesmo da que, por questões pragmáticas, vai cedendo aos novos tempos) é a destruição da propriedade privada e da iniciativa individual - e com o rendimento mínimo mata os coelhos só com uma cajadada.
Por um lado, obriga quem trabalha a sustentar quem recebe só porque existe, delapidando a bolsa dos cidadãos.
Por outro lado, cria uma horda de dependentes, sem brio, sem valores, sem vontade.
Claro que, ao mesmo tempo, muita gente come à conta: funcionários, comissões, etc.
E, the last but not the least, fixou uma camada de votos fiéis ao PS. Por exemplo, as comunidades ciganas (que eram tradicionalmente próximas, precisamente, do CDS) são agora entusiastas apoiantes dos socialistas.
O rendimento mínimo foi um erro, quer como concepção social do bacalhau a pataco, quer em termos estratégicos: Portugal está muito longe dos níveis de desenvolvimento económico que permitam embarcar numa aventura dessas.
Um País que está à beira da bancarrota e que vai onerar com impostos e cortes extraordinários quem trabalha não pode manter uma prestação social que custa por ano 500 milhões de euros e que é dada só porque o beneficiário respira.
O Tribunal Constitucional tem de rever a sua jurisprudência da proibição do retrocesso social, para a qual até contribuíram Conselheiros indicados pelo PSD. O governo de Durão Barroso tentou que o rendimento mínimo apenas fosse concedido a partir dos 25 anos e os juízes do Constitucional, por maioria (onde se incluiu Paulo Mota Pinto, ex-vice presidente do PSD), declararam a solução inconstitucional. Para o Tribunal Constitucional é obrigatório que qualquer garoto, antes de tentar ter uma vida útil ao seu País, possa logo ficar a ser sustentado pelo Estado.
A proposta do CDS era do mais elementar bom senso. O facto de ter sido chumbada revela as intenções sinistras que presidem à manutenção desta vergonha.
Como querem que se trabalhe para sair da crise se quem prefere ficar encostado tem direito a rendimento mínimo?


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

por João Severino às 09:56
link do post | comentar | favorito
| partilhar
Sábado, 15 de Maio de 2010

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



UMA INTRIGA CÍNICA

As medidas anunciadas pelo governo do PS para fazer face à crise económico-financeira são agora apresentadas sob o embrulho do patriotismo.
Estranha palavra na boca de gente que durante tantos anos vituperou qualquer alusão à Pátria, à Nação ou à Raça.
Servem-se do valor do patriotismo para que se engula mais facilmente o veneno amargo de que são os únicos responsáveis.
Os aumentos de impostos que agora são anunciados são a consequência directa de 15 anos (desde 1995 até hoje) em que o PS delapidou o erário público.
Em 15 anos apenas 3 não foram da responsabilidade socialista. E aí, quando algo era feito de menos popular, o PS berrava a plenos pulmões que não podia ser.
Especialmente nos últimos 5 anos, com Sócrates à frente do governo, o que foi feito?
Deu-se largas aos acessos à Função Pública, como se pode comprovar pelo histórico da Bolsa de Emprego Público.
Apostou-se em obras públicas faraónicas que nem com os sacrifícios impostos à população são travadas.
Continuou-se a engordar o Estado com lugares e mais lugares em novas fundações, institutos públicos, empresas públicas, etc.
Aumentaram-se salários quando houve diminuição de preços, só porque era ano eleitoral.
Isto para não falar do Rendimento Mínimo Garantido com que os socialistas quiseram prebendar centenas de milhares de pessoas sem ter em conta as reais possibilidades de um País que ainda estava muito longe dos níveis de crescimento económico que o possibilitassem, imitando Estados que estavam para Portugal como o touro para a rã - e recordemos que quando a rã inchou para chegar ao tamanho do touro acabou por estoirar.
O crescimento económico mediocre, o défice histórico, o desemprego crescente e o endividamento não são de agora. São fruto de um PS que nos dirigiu por um caminho de facilitismo, compadrio, emprego no Estado para os amigos, facilidades imediatas e dádivas para quem não tem mérito.
Apelar à união nacional, como se os problemas tivessem aterrado vindos iensperadamente dos céus, é uma intriga cínica típica de quem faz o mal e depois a caramunha.



*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
por João Severino às 22:32
link do post | comentar | ver pauladas (2) | favorito
| partilhar

pptao

Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

arte

João Eduardo Severino

Create Your Badge

a frase

"A vida é muito curta para termos inimigos"
Ayrton Senna

Fevereiro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28

favoritos

Quatro anos depois

pessoalmente

arquivos

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

cv

Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

subscrever feeds

tags

todas as tags