Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 

 

Franquelização, ou a saga da moda

A “franquelização” é um fenómeno demasiado arreigado na sociedade política portuguesa, apesar de só se dar a conhecer quando os intervenientes padecem de “naivismo agudo contundente”. Se quiséssemos estabelecer uma analogia com a natureza não consigo arranjar melhor imagem para ela que o Jacaré africano, esquiço, quanto mais velho mais arguto e falso.
Sub-reptício como convém a um bom réptil e atento a tudo o que o rodeia para espreitar as melhores oportunidades, ataca sempre sem qualquer chance para a vítima. Domina o seu meio e nele não é incomodado por ninguém nem por nada (salvo raríssimas excepções).
Pois bem. Identificado e avaliado o “bicho”, ou a moléstia, ou como entenderem chamar, importa, isso sim, saber como fazer para o ou a contrariar. Temos três vias, na primeira, aquela que seria seguida numa sociedade culta e desenvolvida, o animal seria cuidadosamente posto no Jardim Zoológico, entre grades convenientes para que nada lhe sucedesse de mal; na segunda, em sítios menos comprometidos com o respeito animal ou mais interessados em respostas prontas, exemplares e pragmáticas, a solução do zagalote naquele triangulosito bem no cimo da cabeça, seria a solução preferencial; e por último a terceira opção é a portuguesa em que o fenómeno é alimentado pela própria democracia e defendido acerrimamente pelos seus mais altos guardiões.
Mas nesta última opção há um perigo: o de um dia vermos a degradação chegar ao limite inadmissível de até um Primeiro-ministro o defender despudoradamente, perdendo-se no lodaçal em que assim entrará sem mais de lá poder sair. Fazê-lo, seria assumir uma soberba insuportável por qualquer sociedade que preze a sua dignidade e os valores mais elementares da civilização ocidental.
Que os seus (do fenómeno) apaniguados clamem por argumentos de “legalidade” ou de não acusação pela “Justiça”, todos o compreenderemos, pois que a “legalidade” é em grande medida feita por Leis que eles próprios urdiram a seu jeito e conveniência e a “Justiça” nada mais pode fazer que aplicá-las. Mas um Primeiro-ministro, decididamente, não!
Se chegássemos a esse ponto, julgo que pouco ou nada nos restaria que enveredar decididamente pela segunda opção. Se a moléstia é grande, já não é tratável. Ou acabamos com ela ou ela acaba connosco.
É verdade, já me esquecia caros coleitores! Para quando um novo, de excelência e LIMPO Partido?




por João Severino às 10:29
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013

Desafio

 

Colaboração de Jorge Cabral

 

 

DECAPITAÇÕES? GUERRA COLONIAL – URGE CATARSE


> Há dias senti uma profunda indignação ao ouvir num serviço noticioso da RTP de uma forma venenosa e insidiosa trazer-se à liça uma folha triste da nossa História. Os exageros que se cometeram nos primeiros dias da Guerra Colonial, designadamente quando em resposta aos “corajosos actos de guerra” cometidos pelos garbosos nacionalistas, foram igualmente cometidos actos de barbárie por parte de alguns militares das nossas fileiras. A notícia em que se baseia, do “Público” é um exercício despudorado e descontextualizado que só pode merecer o nosso mais profundo repúdio.

 

Aos palhaços que querem desenterrar estas lamentáveis páginas eu quero lembrar que ninguém tem o direito de manchar o que na sua generalidade foi uma guerra onde o respeito humano foi preservado ao seu mais elevado nível. As relações que mantivemos e temos com esses povos são bem testemunho disso e a sua principal razão.
A emoção que caracterizou a resposta ao tremendo e trucidário início da guerra, assentou no que de mais elementar sabemos da condição humana. Soldados impreparados e profundamente emocionados para não dizer mesmo transtornados pela indizível violência praticada pelos então “terroristas”, desventrando bebés de berço e rasgando ventres de mulheres grávidas para trespassarem os fetos pelas suas catanas, passando pelos mais atrozes actos sobre os homens e mulheres independentemente das suas idades, rasgando vulvas até ao ventre, decepando e decapitando indiscriminadamente, algumas vezes, chegando ao ponto de extirpar órgãos, comendo-os, não souberam conter-se, dando também lugar, em pretensa resposta a actos de barbárie numa fase tremenda mas que teve uma existência curtíssima, de meses, senão mesmo de escassas semanas.

 

Por outro lado, tendo sido porventura um dos milicianos que mais tempo cumpriu de “zona operacional” tenho o direito e mesmo a obrigação de esclarecer que essa mancha comportamental não foi de forma alguma a imagem que dela deixámos ao longo de 14 anos, onde os capturados eram muitas vezes tratados com exagerados cuidados, tantas vezes suspeitos, porque bem maiores do que os que dávamos aos nossos soldados.
O que é lamentável é que hoje se desenterre essa realidade, sem um responsável enquadramento no contexto em que se verificou. Informação não é isso e a forma como o sacripanta do jornalista abordou o assunto envergonha todos os portugueses que, postos em situações que ele, porventura nem sequer imagina, mantivemos um comportamento que até a ele, que nada fez por isso, dignifica e honra. Tinha uma razoável ideia pelo pivot em causa, de nome HENRIQUE QUALQUER COISA, mas neste momento já só sou capaz de o colocar ao nível da pungente mediocridade que por aí grassa. Infelizmente tal criatura bebe café pelas mesmas chávenas que eu – espero que m’as não contamine.
A forma acintosa como na peça inquiriu o investigador que desenterrou este facto, não fora a lucidez, responsabilidade, saber e consciência do próprio inquirido, poderia trazer mais uma distorção de entendimento da guerra que travámos e que está tão mal tratada. Indivíduos como este, estão a mais – com tão elevada taxa de desemprego e com tanta gente mais competente nessa condição, porque é que basbaques deste calibre são perpetuados a ocupar lugares que seguramente estão longe de merecer?

 

 

por João Severino às 17:23
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

Desafio

 

 

Cortes nas pensões principescas


Jorge Cabral

 


> A polémica que está na berra sobre a taxação especial sobre as pensões só é assunto porque está a atingir os intocáveis – políticos oportunistas e corruptos, gente que tem ou teve poder para manipular a administração do Estado a se interesse. Todos conhecem muitos dos que se enquadram neste “rapinanço”, mas ninguém teve até agora coragem para reabrir esses processos e dar-lhes o mínimo de dignidade e sensatez. E porquê? Porque da porcaria que a Democracia até hoje gerou, em termos de Partidos, todos, uns mais, outros menps, mas todos têm gente desta que importa não molestar. E porquê? Para mim é só e exclusivamente pelos telhados de vidro.
Processos como os do “bimbo” que se diz Presidente da Répública e do Mira Amaral, só a título de exemplo, deveriam ser reanalizados, explicitados e de novo decididos à luz da decência e da virtude que não choquem com a miséria que por sua causa ora grassa nos seus pares.
Dizem por aí uns pacóvios de indecente consciência: Ah, são só 3000 os que auferem de pensões principescas. Só por dizerem isto deveriam levar duas arrochadas bem assentes pelas costas baixo – são só esses mas recebem mais do que 40000 dos que têm pensões medianas. E não é esta a única razão – um País é tanto mais unido e o seu povo digno quanto menos casos destes houverem. Trata-se de uma correcção que é incontornável para que possamos pensar de novo num projecto global e comum que não esteja sempre a contar com a corrosão de mais alguns oportunistas que por aí espreitam.
Todos sabem que tenho sido muito crítico da acção deste Governo. Mas neste caso não posso deixar de o apoiar mais, em prol da retoma da nossa verticalidade mínima como Nação que se pretende justa e actual. Sanguessugas como essa gente, não fora a maternal protecção da Democracia e mais cedo ou mais tarde sentiriam o sabor da verdadeira admoestação.
Passos Coelho, já que como governante comprovou ter vistas curtas, pelo menos faça de bom “Polixia”, que não lhe faltará trabalho, mas cuidado porque tem que saber explicar bem as coisas para que os eleitores não sejam manipulados por essa “seita” a que acima me refiro, que, como todos bem sabemos, tem fortes e dedicados “tentáculos” em toda a comunicação social, com especial relevâncias para a televisão e jornais. Se não é assim, expliquem-me lá porque é que as estações televisivas SÓ dão tempo de antena a essa cáfila que há anos nos anda a entreter com mediocridades, massacrando-nos diariamente com intervenções ora de uns, ora de outros, mas sempre de gente que há vinte, trinta ou mais anos se anda a aproveitar da pobre gente que agora vem acusar de ter vivido acima das suas posses?! Que grande malandragem!!!  

 

 



por João Severino às 10:05
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 


O SEU A SEU DONO

> Tenho feito acintosas críticas ao comportamento deste Governo. Todos sabem que a ideia que tenho da governação até agora praticada não podia ser pior, portanto, não se trata de qualquer inversão nos conceitos que já veiculei, sobre a incapacidade de Passos Coelho como governante, que me faz hoje escrever estas poucas e literariamente pobres, linhas. Delas, aliás, espero tão só que sejam justas.

Ouvi há pouco uma genial repórter noticiar torpe e mediocremente sobre as “escutas aos meliantes do Monte Branco, onde o 1º Ministro vinha incluído”, por ter sido, segundo a mesma “génia”, nada menos que “apanhado”. Mais, a imbecil, movida pela cega ambição da sua  “caixa de glória”, não se coibiu sequer de associar este caso ao famigerado e nauseabundo caso do José Sócrates no emporcalhado caso "Face Oculta”.

Com efeito a “douta” mas enormemente incompetente profissional da triste comunicação social que temos começando com a venenosa frase: “tal como com José Sócrates…”. Nem sequer se apercebe que está, através de uma pérfida manipulação de quem a vê ou simplesmente ouve a contrariar os seus deveres profissionais mais elementares. Lamentável forma de noticiar! Insidiosa, tendenciosa e manipuladora.

Tentar misturar as duas situações é grosseiro e próprio de quem não tem a mínima noção do que está a fazer. É pena que com tantas “formações universitárias” e demais “up grades” entidades reguladoras e comissões para tudo e mais alguma coisa não haja quem mande para casa algumas destas aventesmas da comunicação social que por aí pululam a trucidar-nos a paciência, mormente quando se vê a léguas que são umas nulidades chocantes.

Neste caso, não está em caso o 1º Ministro, incompetente como tal, ou muito menos o homem sem dimensão para o lugar de governante que ocupa e para o qual voluntariamente concorreu. O que aqui está em causa, e só, é o seu carácter, postura pessoal e comportamento face aos poderes que se são cometidos. E a esse respeito, nada a referir. – Passos Coelho não fez nada de mais do que aquilo que todos nós esperamos que um governante faça, ou seja, afirmar que não tem nada a esconder, declarando expressamente que é seu desejo e vontade que tudo seja divulgado. Ele não é responsável pelos telefonemas indesejados que lhe fazem nem dos comportamentos dos “Ricciardis” que poluem este país. Não é por alguém ser marginal, cafajeste, meliante de 1ª, 2ª ou 3ª que deixa de poder falar ou contactar com quem o não seja.

Mas, certo é que neste caso, nenhum de nós pode deixar de reconhecer que até aqui (repito, neste caso) o comportamento de Passos Coelho não envergonha nenhum português o que, diga-se em abono da mais elementar verdade, não aconteceu quando esteve em causa a divulgação das escutas do seu homólogo que o precedeu. Nessas, o manto de vergonha por termos todos ficado convictos de que Sócrates estava metido na porcaria até ao pescoço não se esquece facilmente. Mais, na saga que se lhe seguiu, foi evidente o grau aviltante de manipulação das entidades e das instituições, que, aliás, deveria ter sido alvo da mais viva indignação por parte de qualquer povo com coluna vertebral. Tudo foi então feito para além dos limites se esconder a verdade e desresponsabilizar alguns criminosos. O elevado nível de malandragem e criminalidade dos meliantes envolvidos era até inversamente proporcional ao nível fraseológico utilizado, até esse, indigno de pessoas que ocupam tais cargos o que a cada um de nós não pôde deixar de envergonhar também. E ainda há quem fale de tal meliante!!!...




por João Severino às 11:00
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 

 

BARDAMERDAS



> São 19 horas do dia 15 de Outubro e já não consigo suportar mais estes canalhas. Consegui manter-me calado até este momento, apesar de todos os esforços dos habituais arautos da desgraça, aliás, diga-se em abono da verdade, agora mais activos e contundentes, porque desta vez lhes foram indistinta e desalmadamente ao bolso, os quais, tendo como sempre tiveram grandes privilégios de exclusividade no acesso aos poderosos media e deles abusaram sem pudor.
Ser governante é pôr as pessoas acima de tudo. É servir os outros e recusar servir-se a si. É agir sob os mais elevados princípios de rigor, esforço, abdicação, mas sobretudo de honestidade e de plena responsabilidade. As governanças de que temos sido vítimas não podiam distanciar-se mais deste rumo. Se uns são meliantes chapados, outros, parece que governam um país sem pessoas.
Enfim, uns e outros mais não podem ser catalogados que desprezíveis bardamerdas que aqui quero - porque simplesmente já não posso evitar fazê-lo - condenar.
Diz Vitor Gaspar, que, se não fizermos este “ajustamento” teríamos que mais tarde suportar a tirania da dívida. Simplesmente curioso! Eu sinto que já estamos a viver essa realidade e em dimensões impensáveis; e como eu, provavelmente 90% da população portuguesa.
Esta política conduzirá à maior onda de miséria e de desgraça desde da última crise do século XIX:
-  A eliminação do nosso tecido económico e das estruturas de criação de riqueza vão pura e simplesmente ser reduzidas à expressão mínima.
- A família vai sofrer a maior agressão de que há memória e a sua desagregação vai assumir dimensões assustadoras, amorais.
- As crianças vão sofrer as consequências do fenómeno de desagregação das suas famílias e tornar-se-ão maioritariamente elementos revoltados, descrentes e incompreensíveis perante os mais nobres princípios de qualquer sociedade digna e respeitável alicerçada em valores contemporâneos.
- A economia paralela tenderá a aumentar e o contrabando será iniciativa compensadora.
- Os capitais, sobretudo os que estivessem destinados a investimentos, tomarão outros destinos, porque o convite ao desinvestimento não podia ser maior.
E pior que tudo,
- O cidadão começará a sentir um amargo nacionalismo, porventura sem qualquer sentido, uma vez que a esperança de entregar às gerações futuras algo melhor do que aquilo que recebeu é já, e só, uma fantasia delirante. Logo, nós, os da geração mais responsável por este estado de coisas, perdemos toda a dignidade. Ora, assim sendo, o que é que nos resta?!
Infelizmente todos sabemos a resposta. E temo que ela não se fará esperar muito, caso esta senda de irracional destruição progrida.
Vitor Gaspar, parece padecer de uma doença que eventualmente não lhe permita sair do contexto da “sebenta” em que massacrou os seus neurónios nos tempos de estudante. Mas não deve ter estudado em compêndios muito abrangentes porque parece que para além das doutas análises e medidas “macro-económicas”, não parece ter a mais pequena sensibilidade nem consciência dos efeitos e dos fenómenos micro-económicos que a todo o momento trucidam a sociedade portuguesa.
Não quero massacrar os leitores com uma crónica muito extensa, muito embora o tema mereça bem um “tratado”, mas não posso deixar de lamentar que Passos Coelho em quem eu, lamentavelmente, votei, não tenha a mais pequena noção do que é GOVERNAR UMA NAÇÃO.  Passos Coelho dá-me a ideia de uma pessoa, que muito embora me pareça honesta (sem prejuízo de qualquer alteração sugerida pela conclusão do caso da Tecniforma), não tem dimensão interna para o lugar (daí parecer estar vendido ao seu ministro das Finanças), nem externa (daí a execução escrupulosamente estúpida do programa exteriormente definido).
Mas pior que isso e para culminar a inexequibilidade de qualquer acção deste des”governo”, não podemos ignorar que Passos Coelho, tão ignorante e impreparado como o Sócrates de má memória, não tem nem nunca teve, tal como o seu antecessor, nenhum projecto nacional consistente, para além de servir grupos de influência instalados nos mais diversos patamares da cáfila partidária viciosa.
É altura da sociedade civil se preparar para tomar as rédeas do nosso destino colectivo e esta “democracia” está viciada e não nos permite qualquer solução exterior ao universo dos partidos, então dancemos conforme a música –porque não há qualquer problema irresolúvel.
Acabemos de vez com esta trampa de gente que nos tem massacrado até à medula e corroído o país a níveis quase irrecuperáveis. E deixemo-nos de pruridos e de compreensividades bisonhas. –Há que julgar os cafajestes em Tribunais sóbrios e imparciais como felizmente ainda temos.




por João Severino às 10:20
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 

 

 

MALDITOS CRÁPULAS

 

> Há alguns dias prometi revelar uma situação pungente e que lamentavelmente é bem a imagem do estado a que os crápulas que nos têm (des)governado conduziram este país e o seu povo.

 

Numa Escola Secundária de uma vila costeira da Estremadura, a poucas dezenas de quilómetros da capital, onde se pavoneiam muitos de nós, muito em especial quando vão a banhos, uma menina de 12 anos olhava insistentemente para os seus colegas que, previamente referenciados com carências, eram alvo da assistência social escolar.

 

Enquanto os colegas comiam, a menina olhava, repetindo esta cena dia após dia, o que chamou a atenção de um professor que, receando que a criança estivesse por questões de natural sensibilidade afectada com o quadro que sistematicamente lhe era fornecido, podendo, inclusivé, gerar algum dano psicológico mais difícil de resolver, abeirou-se dela com cuidado extremo, tentando extrair da aluna alguma indicação ou palavra que o ajudassem a interpretar a situação e lhe desse alguma pista para melhor a abordar. Nada. A menina retraiu-se, emudeceu, baixou os olhos já humedecidos mas não disse nada. Tímida, envergonhada, ou sensibilidade já mordida de dor, foi o que o atento professor pensou tratar-se, mas não ficou descansado e procurou de entre os colegas quem estava em melhor posição para abordar a dita aluna. Foi-lhe indicada uma professora que alguém sabia ter com ela uma boa relação.

 

Sem perder tempo, o professor inquieto procurou a colega e pô-la ao corrente do que havia observado há já longos dias e que o trazia muito preocupado.

 

A professora propôs-se agir e fê-lo prontamente. Havendo uma grande confiança entre a criança e a professora, tendo esta logrado obter da menina a triste verdade – tinha fome e olhava para os colegas que comiam, sem poder desviar deles os olhos.

 

A mãe e o pai haviam caído no desemprego já após o fecho da data normal das inscrições que davam direito à assistência a crianças carenciadas e quando se dirigiram à escola, não sei se bem ou mal, de lá saíram convencidos que já não podiam requerer tal apoio. Passando a viver da ajuda escassa de amigos, vizinhos e alguma família, passaram a viver com enormes carências e não eram raros os dias em que as crianças iam para a escola sem qualquer alimento. Pior, sendo gente simples, que não raro vive com medos por razões de pouco ou mau esclarecimento, pediram aos filhos que não contassem a ninguém as dificuldades amargas que eram vividas dentro de casa, porque se isso fosse sabido elas ser-lhes-iam retiradas porque assim tinha acontecido num caso conhecido na povoação e que servia de exemplo esclarecedor e sem qualquer dúvida quanto às conclusões.

 

Enquanto isto, Sócrates vive que nem um nababo em Paris, “polixia” Loureiro passeia-se entre Cabo Verde e os melhores restaurantes da nossa capital, Gaspar, sonha com novos estratagemas para extorquir mais dinheiro a este povo, Relvas, sem vergonha nem carácter tenta inventar uma “modinha gira” para “assobiar p’ró lado” e Passos Coelho esforça-se por descobrir mais uma medida que o faça incumprir mais uma promessa, isto, para já não falarmos na cáfila que são os ditos “políticos” que temos tido e que maioritariamente povoam (imerecidamente) o hemiciclo de S. Bento.

 

E nós, sociedade civil, o que é que fazemos? Vamos continuar a permitir esta vergonha pungente e que há muito ultrapassou o admissível? Organizemo-nos de vez!

 

 

 

por João Severino às 09:20
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 


IMI – SUICÍDIO INEVITÁVEL

 

 

> A actualização em curso do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) é um exemplo gritante da extrema fragilidade do actual Governo perante os mais fortes. Com efeito, esta medida radica como outras posições passivas bem conhecidas e já mal cheirosas, na sua submissão aos multifacetados interesses dos vários poderes instalados.

 

Desnorteado e frágil, o Executivo não hesita em massacrar quem não tem poder para fazer afirmar os seus direitos, apesar de elementares, em benefício chocante das corporações (salazaristas) e dos conhecidos grupos de chacais que criminosamente se têm apoderado de bens públicos, através de influências perniciosas habilmente “geridas” por redes de influência nascidas no âmago dos Partidos do chamado “círculo do poder”; eu diria até do “quintal do poder”.

 

Neste caso foi o claudicar perante as exigências da “corporação do Poder Local”, encabeçada pela poderosa Federação Nacional dos Municípios, fortemente entranhada por elementos que se enquadram na rede que designei no parágrafo anterior.

 

Porém, julgo que desta vez se perdeu a mais elementar noção de decência, para não falar já do posicionamento a anos-luz de qualquer padrão de bom senso. Ultrapassaram-se todos os limites e caso não seja operado um significativo amaciamento do conjunto das medidas anunciadas e contemplados racionalmente os casos de impossibilidade material de pagamento, não arrisco nada ao adiantar desde já que isto consubstanciará (nas palavras de um bisonho que certa vez me deleitei a ouvir) o “auto-suicídio” deste Governo.

 

Com efeito, nas actuais circunstâncias socio-económicas é, no mínimo, escandalosa a dimensão com que querem aplicar esta actualização de uma só vez. Para já não falarmos na multidão de péssimas avaliações, pelo irrealismo que reflectem, que originam aumentos imorais, irracionais e até mesmo que raiam o criminoso, é imprescidível ter-se em conta que a grande maioria dos proprietários, foram-no à força, por terem sido obrigados a investir na sua habitação, sem o que, nunca teriam conseguido materializar o seu elementar direito a constituir sequer família. Ao fazê-lo, não só contribuíram muito activa e positivamente para a dinamização da economia, como deram exemplo de sacrifício pessoal, abdicando de luxos, grandes ou pequemos, passeios ou cruzeiros, férias em desejáveis destinos, etc., etc., contribuindo, portanto, com sacrifícios próprios variadíssimos, para a riqueza colectiva. Parece que agora querem castigá-los por isso.

 

Mais! Uma enorme percentagem desta gente continua ainda hoje a pagar os seus empréstimos de habitação à banca, só Deus sabe com que sacrifícios, cumprindo spreads usurários, discricionários e unilateral e leoninamente impostos pelo emprestador, para o que, curiosamente, o “supervisor” nunca prestou a mais pequena atenção, nem proferiu a mais incómoda palavra.

 

Mais ainda! Dessas pessoas, muitas haverá que se encontram hoje em enormes dificuldades, por força de despedimentos, ou de situações de subemprego, fazendo já DESUMANOS SACRIFÍCIOS para suprir as responsabilidades mutuárias, custos de condomínios e demais taxas por todos conhecidas. Todos temos consciência que a manutenção de uma casa, nos dias de hoje, envolve custos muito consideráveis e que disso beneficia obviamente a economia. Manter hoje uma casa é já uma significativa contribuição económica que não pode ser ignorada.

 

É, pois, este “Cabaz de Custos” que vai EXPLODIR com esta medida que não me repugna considerar provir de MENTECAPTOS de PAUPÉRRIMA INTELIGÊNCIA.

 

O único benefício que me parece resultar desta medida é a queda inexorável do Governo: Sem apelo nem agravo, se a medida não for fortemente corrigida, o Governo cairá entre finais de Abril e princípios de Junho do próximo ano.

 

“Paz à sua alma”, e que venha rapidamente quem, limpo (sem passivos), sério, honesto e que priveligie o bem público e despreze em face dele quaisquer interesses particulares e muito menos próprios, saiba conduzir este povo que, maioritariamente, bem o merece.

 

 

 

   

por João Severino às 14:43
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Dersafio

 

 

Jorge Cabral

 

 


PALHAÇADA

 

Nunca vi tanto “génio” a botar ciência sobre o estado da coisa e a sua cura. Curioso é que os mesmos não tenham previsto nada quando, afinal, tudo era tão óbvio. Mas eu digo por quê.

 

Porque os tais génios ou, pelo menos, a maioria deles vinha-se alambazando tranquilamente com a situação instalada. Ganhavam à tripa forra e enquanto isso, convinha-lhes o silêncio estratégico. Ou não será isto? A outra hipótese é que sejam mesmo uns cretinos chapados, burros em todas as dimensões e a níveis impensáveis. Não pode ser. Apesar de algumas provas contrárias, julgo que não serão assim tanto. Ou será que tudo isto sucedeu pela acumulação das duas razões em justa e conveniente medida? Talvez.

E agora? Temos que ainda por cima suportá-los nos shows televisivos que se sucedem inelutável e lamentavelmente? Igualmente, talvez.

 

O curioso, mais uma vez, é que discutem a “árvore em vez da floresta”, o fait-divers em lugar do essencial, o embrulho em vez do conteúdo, enfim, parece uma manobra de diversão - face ao momento - tenebrosa e quase maquiavélica. De tudo o que tais fulanos têm dito, pouco ou nada se aproveita. Digo-o eu que apesar de ter feito uma pós-graduação numa área específica da economia, não me reconheço nenhuma capacidade ou conhecimento profundo na matéria. Todavia, desafio qualquer desses senhores a provar o contrário do que digo ou qualquer outra solução para sairmos deste caos em que nos colocaram, sem provocarem dramas inadmissíveis nos nossos semelhantes.

 

Em PRIMEIRO lugar

 - Só podemos sair desta situação através de uma posição política forte e consistentemente defendida a todos os níveis em que seja possível impô-la em plenitude. Essa posição tem que conduzir inevitavelmente a juros ZERO sobre os empréstimos concedidos pelas instâncias internacionais. Com efeito, tais organismos não perseguem nem devem admitir o lucro – isso é contrário aos princípios que estão na base da sua génese e desvirtua-as.

Por outro lado, que se encontre no estado em que o nosso está, jamais poderá libertar os fundos necessários ao pagamento de tal verba, mormente sem sacrificar o seu povo a sacrifícios dignos de uma tenebrosa idade média (e não me venha nenhum filho da puta dizer que estou a exagerar, porque dentro de poucos dias redigirei uma crónica de um pungente facto real de que tive conhecimento, que muito gostaria de enfiar pela garganta de todos os responsáveis pela calamidade instalada e então depois concluirão se tenho ou não razão em afirmá-lo).

 

Por outro lado, um programa que consistentemente recupere o tecido económico do país, tão metodicamente destruído pelos Cavacos e Sócrates e seus bandos, só será possível num prazo mínimo entre 10 a 15 anos. Temos que formar os profissionais necessários a cada uma das áreas económicas em geral e a especializá-los para algumas das suas actividades. Os poucos que tínhamos foram desbaratados desde há 20 anos a esta parte, com sistemática irresponsabilidade, complacência e sobretudo participação dos bandos supra referidos.

 

Em SEGUNDO lugar

 - Há que negociar verbas justificadas por projectos de desenvolvimento nacional, competentemente gizados, com metas e objectivos temporais bem definidos, cujas aplicações deverão ser rigorosamente fiscalizadas pelos organismos financiadores. Ora aqui surge um problema fundamental – é que o “poder instalado”, nem está interessado num plano longo e muito menos numa fiscalização aturada durante tanto tempo. E por quê? É simples! Porque a maioria desta tropa fandanga quer voltar à “grand bouffe” que se instalou nos círculos de poder e seus arredores. Estão ávidos para retomar o saque e tão obcecados por ele que nem se apercebem que o programa que anunciam é pura e simplesmente caricato pelo prazo. Mais uma vez julgo que isto não é só sintoma da estupidez e burrice de tal cáfila.

 

Coelhito, tu não és mais que um pianeco nas mãos desta troupe. Aguenta-te mas aprende de uma vez por todas que foste levado ao poder para defender as pessoas e absolutamente mais nada. O país é isso e só isso. Só governarás aceitavelmente se conduzires a esmagadora maioria do teu povo a mais felicidade, se conseguires galvanizá-lo em torno de um projecto colectivo entendível e ambicioso, através de linhas mestras que OBRIGATORIAMENTE tens que saber gizar - para isso deixaste que te elegessem. Deixa-te de merdices e de justificações torpes – encara o touro de frente e defende os forcados que tens na tua rectaguarda – eles estão prontos para te secundar mas és tu que tens que encarar a fera em primeira instância, preservando o mais possível a sua integridade física, moral e, sobretudo, a sua dignidade e o seu direito a um futuro desejável.

 

Não te deixes guiar por técnicos de meia tigela que nem merceeiros de esquina chegam a ser. A prova disso foi a tua última calinada – devias levar umas palmatuadas valentes por ela. E agora cala-te de vez! Não quero ouvir mais palermices como aquela dos empresários que tinham medo que os seus colaboradores se revoltassem contra eles. Não vez que com isso só fazes figura de parvo? Que empresário é que disse isso a sério? No limite nada o proibiria de devolver o dinheiro aos seus colaboradores e com isso até ganharia pontos perante eles. Portanto, deixa-te de mostrar que estás a anos-luz da realidade e preocupa-te com a dimensão política que de uma vez por todas tens que passar a assumir nos diversos círculos internacionais onde tens que fazer prevalecer, em traços gerais o que acima te digo. Queres manter os “compagnons de route”? Ok, mas põe-nos na ordem! Se for preciso manda-os estudar o que de facto têm que saber para estarem nos lugares que ocupam. Nada de “academismos ensaísticos, balofos e perigosos”.

Acredito ainda na tua seriedade. Assim como eu, muitos dos portugueses o crêem também e é isso que ainda te salva. Mas não abuses, porque, para mim, seria uma pena perdermos a oportunidade de sermos guiados por alguém que não nos roube, mas por outro lado, daqueles já poucos estarão dispostos a suportar mais este calvário insuportável que cega e cretinamente tens perseguido. Prossegui-lo é eliminar qualquer esperança de um presente vivível e muito menos de um futuro que congregue vontades e catalise as pessoas.

Porque penso nos meus filhos e nos dos meus iguais, desejo-te ânimo, inteligência, bom senso e um grande sentido de responsabilidade.

 

P.S. Isto não abdica de JULGAR nos Tribunais competentes os responsáveis, todos os responsáveis, pelo estado em que estamos. Ninguém se compadece com os exemplos do meliante das sucatas, qual palonço chico-esperto, que saindo à pressa da escola aprendiz de feiticeiro tropeçou nos primeiros passos de mágica, nem daquele em que metem de castigo em caso um velhote acabado e doente, para dar cobertura aos verdadeiros cafagestes, como é o caso do “polixia” marginal de renome reconhecido que se passeia garbosamente entre Cabo Verde e os melhores restaurantes desta capital lisboeta, sem que ninguém lhe peça as devidas responsabilidades.     

 

 

 

por João Severino às 09:50
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 



DESPEDIMENTO COLECTIVO DOS POLÍTICOS

> Há uns dias a esta parte temos assistido e suportado um assédio insuportável por parte de alguns “políticos de chinelo” a coberto das manifestações cívicas de 15 de Setembro. Sobretudo a que se verificou em Lisboa, causou-lhes uma inveja imensa e os oportunistas trataram logo de lhe dar uma interpretação em que eles tivessem lugar. Desiludam-se. –Ali estiveram, estão e estarão sempre a mais, mormente enquanto personificarem o que de mais abjecto paira na nossa vida colectiva. Vocês foram e são oportunistas, medíocres, não têm nem nunca tiveram um projecto colectivo de cariz nacional que contemplasse o respeito pleno dos valores respeitadores pela dignidade de todos, incluindo dos mais frágeis, honestidade nos pensamentos e nos actos e responsabilidade pelas acções cometidas. Estas manifestações não foram só contra o Governo, mas sim contra todos vós, portanto calem-se, pelo menos calem-se seus palhaços e pensem a sério no que aconteceu.

Dizem-nos agora com uma desfaçatez espantosa –que foram cometidos alguns erros”, como se estivessem a assumir o direito de voltar à mesma vidinha. Não, de facto não o têm. Mais, a sociedade deve requerer julgamentos legítimos pelo despautério em que chafurdaram e que tanto depauperaram este país e este povo que agora é obrigado a arrastar-se ensanguentado de sacrifícios bem dispensáveis, que vocês, seus bandalhos, tivessem sido menos safardanas, menos ladrões e/ou menos irresponsáveis e incompetentes.

A Democracia não vive sem Partidos, – pelo menos por enquanto, – mas não é admissível que esses cavalheiros, crápulas comprovados tenham lugar cativo. –Há que despedi-los, a bem ou a mal, e no quadro do mais elementar Estado de Direito há que responsabilizá-los em julgamentos límpidos e serenos e por Tribunais legítimos. Não é compreensível que um gerente de uma empresa, mesmo que exclusivamente sua, possa ser incriminado por acções contrárias às boas práticas e que a lesem e admitir que estes bandalhos alienem centenas de milhões de euros em negociatas com amigos, em iniciativas mais que desaconselháveis e em muitos casos em escancarados benefícios próprios e depois nada lhes aconteça. Tribunal com eles! Ainda que antecipadamente haja que varrer dos órgãos judiciais os elementos que escandalosamente lhes têm dado cobertura ao despautério sem limites.

O que aconteceu não pode ficar impune. Esses garimpeiros da política estão há dezenas de anos, muitos deles a receber lautos vencimentos à custa de todos nós, na injusta expectativa de que constituíssem uma primeira linha de defesa do bem e património comum. Mas em vez disso, o que fizeram? Amanharam-se TODOS, ainda que uns mais que outros, não assumindo as mínimas responsabilidades que lhes cabiam; daí o estado a que chegámos.

Atente-se num simples exemplo que me parece paradigmático do índice de incompetência, de irresponsabilidade ou de criminalidade dos nossos políticos:

Todos sabem que no hemiciclo em S. Bento há anos que um génio da economia ali tem tido lugar cativo. Pois bem, nesses mesmos anos o País foi acentuadamente arrastado para a situação presente, de clara “Banca Rota”. Não será estranho que um génio daquele calibre, tamanha autoridade na matéria vertente, não tenha assumido uma posição séria, sistemática, radical, contra tal postura económica, alertando todo o País para a inevitabilidade da desgraça? É que não se tratou de um pormenor ou de uma bizantinice, foi mesmo um cataclismo e um desmando total que era impossível passar despercebido a quem tendo acesso a todas as contas e números e sabendo interpretá-los tecnicamente, nada fez. Isto, também é crime.  




por João Severino às 10:51
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Sábado, 22 de Outubro de 2011

DESAFIO (66)

 

Jorge Cabral

colaborador

 

O Movimento dos Indignados - Fundamentos e Objectivos possíveis

> Todos sabemos a razão que tem levado às ruas centenas de milhares de indivíduos. O sentimento de descontentamento e de revolta  generalizados têm, para a grande maioria deles uma origem comum - a ganância desmedida praticada por alguns.
É imperioso que este quadro se altere radicalmente e o movimento em curso reclama-o. Mas, para além de chavões vagos e sem aplicabilidade, não temos podido observar objectivos concretos e alcançáveis, que garantam a radical eliminação da verdadeira origem do mal que conduziu a este tremendo estado de pobreza de tantos a favor do fabuloso enriquecimento de tão poucos (comparativamente).
O que está errado é sem dúvida a matriz em que tudo isto se desenrolou. Foi ela que possibilitou o aproveitamento mais que condenável de bens e de posições, à custa de processos ínvios, onde a corrupção foi a "rainha das festividades". É que, quando deixamos à iniciativa privada a gestão de bens imensos e que trazem consigo tanto poder é impensável  que quem os comanda, não aja no sentido de majorar os seus interesses e com isso surge a corrupção o lobing e até fenómenos bem mais condenáveis - acreditar que isso não suceda é tão ingénuo na génese como criminoso nos efeitos. 

Na verdade o capitalismo atingiu o apogeu neste quadro de liberalismo carnavalesco na sua versão mais tenebrosa e burlesca. Há, pois, que gerar um conjunto de propostas que, constituídas como objectivos incontornáveis, façam com que as pessoas conscientes das dificuldades, mas também dos seus direitos e capacidades, os persigam sem tréguas - porque só assim poderemos chegar a bom porto. O moviento que globalmente agora vemos surgir bem podia e devia eleger estes propósitos como indiscutíveis.
Os areópagos que todos conhecemos estão minados e controlados pelos interesses de "grande grupos" económicos com o grupo da "pandilha financeira" à cabeça, logo seguida pelo "bando das energias" (quem não se lembra do exemplo da Enrom?), com o sub-grupinho dos hidrocarbonetos à cabeça.  Então o que fazer?
Perdoem-me a imodéstia mas para mim parece-me claríssimo a urgência da mudança. A sociedade tem que se refundar num paradigma muito próximo do das sociedades ocidentais actuais, digamos mesmo, do actual capitalismo, preservando assim a total livre iniciativa, mas, e penso que nisto devemos ser incontornáveis, com áreas nevrálgicas vedadas radicalmente à possibilidade de qualquer aproveitamento individual. E que áreas são essas?


a)  Desde logo, a banca e toda a actividade especulativa que em torno dela fervilha. O dinheiro é dos Estados e a nenhum particular pode ser permitido substituir-se ao Estado, e até dar-se ao luxo de o controlar, como hoje parece acontecer. O "negócio" do dinheiro só aos Estados pode ser permitido.  A actividade bancária só deve ser exercida por Organismos Públicos ou seja, os Bancos devem ser todos nacionalizados. Alguma dúvida??? (As Bolsas poderão permanecer tal como hoje se encontram mas as suas actividades, bem como as dos investidores devem estar muito mais controladas por forma que as acções irregulares senão mesmo criminosas que alguns investidores frequentemente praticam sejam prontamente identificadas e estes indíviduos exemplarmente punidos).


b)  Os recursos naturais ESTRATÉGICOS, cujo conjunto poderá variar de Estado para Estado (por exemplo, para um País a extracção de cobre pode ser estratégica, para outros não) conforme a importancia circunstancial de cada um no espaço em que se insere, devem só ser possíveis à esfera Pública. Muitos dos serviços ali desenvolvidos poderão, mediante processos transparentes ser adjudicados à iniciativa privada, mas a responsabilidade base a eles afecta nunca poderá sair da responsabilidade DIRECTA dos Estados. Todavia há dois recursos naturais que seja qual for a região do Mundo em que se encontrem só poderão estar na posse de Entidades públicas - um são os recursos hídricos, o outro são os recursos energéticos, com a exploração e produção petrolífera à cabeça.


Caros amigos, quando isto acontecer poderão todos estar certos que estão lançados os dados para um Mundo melhor, onde a livre iniciativa será mais pura e menos contaminada com abutres que não conhecem limites à sua sede de poder e de dinheiro.

 

por João Severino às 10:36
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

desafio (65)

 

 

Jorge Cabral

colaborador

 

 

CAFAGESTES

 

Temos ideias tristes de muitos políticos. Ineficiência, falta de projecto nacional, falta de dimensão humana, irresponsabilidade e incompetência gritantes, mediocridade atroz e leviandade chocante, partidarite aguda e oportunismo escancarado, etc., etc., são particularidades com que alguns dos políticos bem conhecidos nos presentearam.
O resultado de tais características está aí: um país arruinado, um povo destroçado e um futuro enegrecido.
Mas há limites, penso eu, desculpem lá se não for verdade, mas no meio deste meu romantismo inveterado e de uma ingenuidade incontida, ainda penso que há limites.…
Todavia, ouvindo o vice-rei da Madeira, já começo a ter algumas dúvidas. É que, das duas uma, ou eu sou um imbecil chapado, ou ele é um criminoso declarado. Este facto entristece-me tanto que quase preferiria que se verificasse a primeira hipótese. Não sofro de partidarite alguma e ainda preservo a liberdade de dizer o que entendo de qualquer dos Partidos e do seu comportamento, embora confesse ter simpatia pela social-democracia e se fosse obrigado a votar, seria nessa linha que o faria, não abdicando de escrutinar previamente quem o representasse. Por esta razão mais lamento o comportamento de tal indivíduo e fico embasbacado quando verifico que um irresponsável de tal craveira se mantém, à custa da democracia, no poder há mais de 25 anos, sem que ninguém o obrigue a ter tento no comportamento. O que este senhor fez foi desbundar, como muito bem entendeu os fundos públicos, decidindo não ter que dar satisfações a ninguém. E só o fez agora porque as "regras" da bagunça estão mesmo a mudar e ele bem sabia que ou o fazia de livre vontade ou seria vergonhosamente confrontado com o que já há anos vinha escondendo - porque é de facto isso - se se trata de verbas assumidas desde 2003, de que é que se trata então? Pura sonegação de há anos a esta parte! Deixemo-nos de mais golpes!
Somos um Estado de Direito e a Constituição prevê estas situações e o seu devido tratamento. É tempo de levarmos estes bandalhos a Tribunal e aí vermos de facto se são ou não culpados e se o forem deverão ser inquestionavelmente responsabilizados. Se um reles gerente de uma empresa a administra mal e abre falência, tantas vezes com razões bem plausíveis, tem consequências graves para enfrentar, como é que é possível que estes palhaços degradem o país e desbaratem o dinheiro público, destruam um país, hipotequem gravemente o futuro, criem problemas a tanta gente que levam tantos de nós a suicidarem-se e no fim ainda têm a pouca vergonha, como o tal vice-rei, de falar de alto como se tivesse agido no cumprimento da lei e no respeito pelos seus concidadãos?
Alberto João e Sócrates não podem sair imunes dos actos tão lesivos de todos nós e deverão ser presentes a TRIBUNAL. Este país tem que recuperar a sua dignidade, não pode continuar a ser uma marionete deste tipo de cafagestes. É tempo de dizer BASTA!!! Isto ainda não é a Somália.

 

por João Severino às 16:37
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

desafio (63)

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Há dias assim!...


 

 

Tempos atrás escrevinhei umas patetices sobre o desânimo e a amargura que o triste espectáculo do último congresso do PS me provocou. Pus até a hipótese da histeria colectiva não se ficar por aí e estarmos a entrar num túnel de grave patologia mental colectiva. Disse-o! Na verdade foi só uma encenação concebida pelas tortuosas mentes dos apaniguados de Sócrates, e melhor corporizada por este, numa inigualável demonstração de pérfida teatralidade, com única intenção de contaminar as mentes mais débeis, de quem, afinal, sempre se valeu para condicionar o Partido à sua vontade e o País à sua impudência.
Com base na "legitimez" que o dito congresso lhe conferiu, poluiu os orgãos directivos do Partido com a sua matilha de todos tão bem conhecida. E é ela que agora constitui não só os orgãos directivos do Partido, como ocupa os lugares que o PS manteve na Assembleia da República. Se no Partido as coisas se podem resolver no próximo congresso, já na Assembleia é diferente. Tais escolhidos por Sócrates e eleitos por arrasto vão ali permanecer durante 4 anos, em prejuízo de tantos valores que o Partido mantém mas que por se terem recusado a lamber as botas do tiranete, foram liminarmente marginalizados.
Disto, resulta simplesmente que o grupo parlamentar do PS, neste momento, salvo raras excepções, é constituído por gente sem qualidade (à imagem do "chefe"), cuja função era tão só continuar com a reza uníssona do "amén" que há tristes e duros 6 anos ali vínhamos confrangedoramente observando.
Lelos, Santos Silvas, Miranda Calhas, Ricardo Rodrigues, mais conhecido por "abafa cassetes"  o sacripanta que agora detinha a pasta da economia, a namorada do "acusado de pedofilia", o boquinhas, etc., etc., já para não falarmos das hostes mais recuadas que continuam prontas a assambarcar caixas de robalos ou cais de contentores, estão todos a postos para continuar a saga da desbunda que tem sido a desavergonhado fartar de vilanagem em que transformaram a vida pública deste exausto povo e seu exaurido país.
E agora?! Como é que nos vamos livrar desta cáfila, já que eles decerto não têm coluna vertebral para colocarem os seus lugares ao dispor do Partido, na sequência da nova orientação política que o novo congresso ditar? A resposta é simples: Não vamos! São como uma praga, pior que a sarna. Não vamos livrar-nos de tal gentalha.
Há gente séria, capaz e bem intencionada no PS. Foram durante estes últimos anos amordaçados e alguns até grosseiramente marginalizados. Conheço alguns e espero que a retoma dos lugares e posições que merecem seja o mais rápida possível para que o Partido possa assumir as posições que lhe competem na importande tarefa de recuperar o país, do estado impensavelmente calamitoso em que a trupe de incompetentes e de criminosos os colocou. Com efeito, no estado catastrófico que os imbeciloides socratistas o deixaram, não chega um governo de gente honesta e capaz. É preciso mais do que isso e o principal partido da oposição, que representa e haverá sempre de representar uma quota importante do nosso tecido eleitoral, tem que desempenhar um papel de elevada consciência política, que conduza este colectivo, o mais depressa possível aos objectivos que garantam um bem estar colectivo, tão imune quanto possível às calamidades a que estes cafagestes despejaram impunemente sobre os seus ombros e que se traduzem em sacrifícios indizíveis de tantos de nós, com os quais é impossível conviver sem uma profunda angústia solidária.
Pela minha parte, apelo a que esta gente seja julgada em Tribunais competentes e imparciais para que a mais ninguém seja possível sequer, sonhar com tamanho desrespeito pela coisa pública e com práticas de  tamanha desconsideração pelas pessoas e pela sua dignidade. Sócrates tratou os portugueses exactamente da forma oposta ao que correspondia a sua mais elementar obrigação de seu governante. Algumas vezes, por aquilo que desavergonhadamente e com chocante desfaçatez afirmava, julgo até que nos considerava a todos atrasados mentais. Sê-lo-ia??? Como "virgem ofendida" veio por fim queixar-se de ter sido alvo de muitas acusações e ofensas pessoais durante a campanha. Ele que fique descansado que ninguém será capaz de chamar-lhe o que ele de facto merece. Não há vocabulário que chegue!

 

 

 

*Cronista residente

 


por João Severino às 19:19
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Domingo, 10 de Abril de 2011

desafio (60)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Palavras para quê???

 

Porque os portugueses têm memória curta!!! e diria mais… de acordo com o seu comportamento eleitoral, inteligência também não é coisa que abunde.
Não é por votarmos no MRPP, no PCP, no CDS, PSD ou no BE que somos inteligentes, mas diga-se pelo menos em abono da verdade que quando se dá uma maioria a um Partido, melhor dizendo, a um indivíduo que já tinha comprovado ser incapaz de governar este ou qualquer outro país, (provavelmente nem sequer uma mercearia) e que, muito pelo contrário tinha já mostrado não ter quaisquer qualidades nem de competência nem de carácter para ocupar tal lugar, temos que reconhecer, que não abona muito à capacidade de avaliação que como povo fazemos dos individuos que se propõem cunduzir os nossos destinos e zelar pelos nossos interesses como Nação.
E depois, o resultado é o que se vê. E que tão bem, infelizmente, se sente. Para além dos custos e amarguras concretas, tão expressivas e lamentáveis, temos também que considerar devidamente a vergonha colectiva que nos inunda, a sensação que nos fica de incapacidade em zelarmos por nós próprios, o cunho de mendicidade com que nos apresentamos aos olhos de quem paga estes desvarios, as auréolas de mediocridade, de irresponsabilidade e de mentecapticidade que recheiam a nossa imagem que vai para o exterior.

 

Hoje, tem lugar o Congresso do PS. Tenho lá alguns bons amigos mas lamento por todos eles a figura colectiva que estão a transmitir ao país. Que lamentável cena, que profunda e gritante certidão de demência colectiva. Sempre tive algum respeito pelo Partido Socialista e nunca pensei que uma tão frenética prova de indignidade ali pudesse ter lugar. A liberdade de ideias, só é possível no exterior das suas actuais fileiras, ali temos o monólito Sócratista, a franja imbecil do PS, que todos calou. É inadmissível, indigno e inimaginável que no PS, após tão catastrófica e criminosa governação, não haja uma única voz relevante a pedir responsabilidades internas e a pugnar pela continuidade do Partido numa tradição de seriedade, de competência e de verdade. O PS habituou-nos a ser um Partido atento, onde eram permanentes a crítica e a auto-crítica responsáveis a desvios que pusessem em risco a nossa integridade colectiva como País. É pois pungente ver como "este" PS age num momento tão grave da vida nacional para onde o próprio, sistematicamente, nos conduziu através de um acumular de acções irrazoáveis e totalmente desconformes com tudo o que era aconselhável e prudente, e pior, não realizando o que era gritante fazer-se.

 

Já não estamos na idade média, onde se endeusavam idiotas, nem em sistemas forçados ao silêncio e à ausência de ideias próprias. O PS não pode ser o que nos está a mostrar, sem ideias, a matraquear argumentos que só a cretinos convencem, a recusar o peso e a prestação de contas por acções passadas em tempos tão próximos, como a semana passada. Isto, é o desvario total, o chamar-nos a todos mentecaptos, atrasados mentais, manadas de gente por quem não é preciso ter o mínimo de respeito.
Sócrates demonstrou ser um incapaz, um mentiroso compulsivo, um irresponsável praticante, um impertinente anti-democrata e um narciso insuportável! É isto um Primeiro-Ministro? Tenham juízo senhores eleitores! Não estou com isto a conduzir o vosso voto para A ou para B. A mim tanto se me dá desde que não votem em quem eu tenho a certeza que enquanto não der cabo de todos nós e das gerações futuras, pelos vistos, não descansará.
Vejam bem o video que abaixo insiro e depois apaguem as luzes e detenham-se a pensar durante 5 minutos. Bastam 5 minutos. Será que um individuo que tem "a responsabilidade" da condução do futuro de um país [que pessoal e activamente colocou na bancarrota] no momento em que impende comunicar uma decisão tão profundamente contrária a todas as suas convicções, curiosamente tão proclamadas até à exaustão horas antes, com a responsabilidade que tudo isto invoca, pode, não sendo um demente, um chapado idiota, preocupar-se com trejeitos e com fotogenias pessoais. Este fulano é só, para mim, o paradigma da falta de vergonha e da imbecilidade. Invoca ele a credibilidade do país perante o exterior? Mas há alguma coisa que nos possa recuperar a nossa credibilidade depois de cenas como esta???

 

 

Juízo!!!...

 

*Colaborador residente

 


por João Severino às 11:34
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011

desafio 60

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

SANTANA LOPES E OS PONTAPÉS NO BERÇO

 

Senhor Santana,

 

Se fossemos uma monarquia V. Exa. seria o bobo. Mais, se fossemos uma monarquia e o rei fosse o Don Juan já lhe teria dito “callate”. Mas não somos! Somos uma república e o nosso Presidente só soube traduzir este quadro em “moeda falsa”. Mas para bom entendedor…

Se bem me lembro, V. Exa. soube, com suficiente prosápia, mas com alguma infelicidade, criar a imagem dos pontapés no berço, onde V. Exa., metaforicamente falando, estaria tranquilo e deleitado em sonhos de poder e de bajulação das tias deste “rectângulo”.

Na altura reconheci-lhe alguma razão; não porque lhe reconhecesse valor para o lugar que inadvertidamente e sem dignidade ocupou, mas porque a atitude de corrosão e maledicência, perpetrada pelos seus pares me pareceu de grande baixeza.

 

Na verdade, V. Exa. não tinha/tem qualquer competência para o lugar que ocupou, e só alguém sem o mínimo de consistência, responsabilidade, dignidade ou autoridade, se deixa primeiro, conduzir para tal situação, e, posteriormente, varrer insultuosamente como lixo, como o Sampaio lhe fez. Possuidor de uma maioria absoluta, V. Exa. não teve a mínima capacidade para se impor, simplesmente porque não era merecedor do lugar, nem tinha a mínima noção do que fazer com ele, o que parece configurar alguma demência e uma considerável imbecilidade.

Mas o mais grave de tudo é que V.Exa. com o seu diletantismo habitual e uma enorme superficialidade em tudo o que aborda, insiste em continuar numa linha de irresponsabilidade e de inconsistência, contrariamente à atitude que lhe poderia grangear respeito e dignidade.

Lamento ter que lhe fazer um convite sério para que se cale e deixe de nos envergonhar. Simplesmente porque alguém que foi já primeiro-ministro não deve, melhor, não pode proferir as leviandades que V. Exa. tão insultuosamente, para o bom senso, para a inteligência e para a razoabilidade, tão facilmente parece insistir em corporizar.

 

Naquele célebre debate televisivo com José Sócrates é que o senhor teve toda a oportunidade de mostrar quem era, quem é, o que valia e o que vale. E fê-lo! V. Exa. mostrou ignorância nas matérias abordadas.

V. Exa. é o paradigma dos irresponsáveis que se têm apoderado das rédeas dos poderes deste pobre país e conduzido as suas simples e crédulas gentes ao lugar andrajoso, pungente e impensável em que nos encontramos. V. Exa. é bem o estereotipo dos políticos que me provocam profundfa náusea.

Há-os sérios e capazes mas, os do seu estilo tudo farão para se lhes opôr.

Não incomode mais os portugueses.

 

 

*Colaborador residente

 

 

 

 

por João Severino às 11:34
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Domingo, 20 de Março de 2011

desafio (59)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

A mesquinhez e a mediocridade da maioria dos políticos portugueses

 

> Portugal não está como está por razões alheias aos que nos têm conduzido. A eles,  só e inteiramente, cabe  a responsabilidade da situação a que chegámos.
José Sócrates é o apogeu do modelo que acuso, mas na colmeia de profissionais da política, cujas caras todos, infelizmente, bem conhecemos, raros são os que se aproximam do perfil que um político tem que personificar. Isto é, ser abnegado e entregue à causa pública, humilde, honesto e íntegro, magnânimo e sensato, com formação adequada ao que se compromete atingir ou com capacidade para poder escolher equipas ou individualidades que nisso o possam ajudar e não ter qualquer interesse pessoal a satisfazer para além da defesa dos interesses da comunidade e do país. Bom, se fizermos uma análise rigorosa a cada um dos actuais políticos mais conhecidos, porventura não encontraremos um único que os cumpra na integra, nem sequer se esforce para isso.

 

É lamentável e pungente o nível dos pilantras que pululam na área política do nosso país. E na área governativa, ultimamente, nem é bom falar. Ouvindo-os hoje, cheguei até a convencer-me que há por ali muito de demência. Isto, porque falam como se dementes fossemos nós. Mas, como sei que isso não é verdade, só há uma possibilidade, é que, são-no eles!
Tendo hoje prestado atenção a algumas passagens do discurso de Sócrates no Porto, revoltaram-se-me as vísceras e fiquei convicto de que temos sido "governados" por um irresponsável incompetente e, pior que isso, profundamente desrespeitador dos seus concidadãos. O momento é terrível para muitos de nós e isso faz-nos mal a cada um dos que ainda não se estão nas tintas, através da enorme amargura que o seu sofrimento nos imprime. Ouvir o primeiro responsável desta calamitosa situação a invocar autênticos despropósitos a tecer loas à sua impensavelmente desastrosa actuação é algo que ofende quem ainda guarde uma gota de lucidez e de vergonha. Segui-lo, que fique muito claro, é um acto de estúpido clubismo, insensatez cívica e/ou defesa de interesses inconfessáveis.

 

Mas, o congresso do CDS também não nos deu razões para qualquer motivo de orgulho. Paulo Portas, falou como se os portugueses não tivessem memória, ou seja, cá está mais um a ofender-nos, desde logo, por manifesto desrespeito. Ninguém esquece que ainda hoje não está esclarecido o que se passou com a negociata dos submarinos, a qual, num país decente como a Alemanha já justificou algumas detenções. Pois é! Em Portugal ainda esperamos,… e cumpre-nos simplesmente esperar, enquanto os que intervieram nele e por isso foram e são os seus directos responsáveis, continuam a pavonear-se como se nada se tivesse passado.

 

Que não se pense que com isto estou a fazer a apologia do PSD, do PC ou mesmo do BE. Nem pensar em tal coisa! Também não vejo nesses alfobres camarilhas diferentes daquelas a que me refiro acima. O PSD é um permanente saco de gatos e os exemplos que nos deu nas últimas experiências governativas não foram de molde a fazer-se qualquer conceito positivo. O Governo do Cavaco foi o maior esbanjador que conheci e sem qualquer programa reformador que acautelasse o futuro do País com estradas feitas para servir clientelas, sem rei nem roque nem qualquer verdadeiro plano ou projecto que não o geométrico face ao rectangulozinho do nosso espaço nacional. Qualquer garoto as desenhararia desta forma. Os programas de formação do Fundo Social Europeu, foram durante tal período a expressão mais evidente da irresponsabilidade criminosa na aplicação de tais fundos uma completa e eutêntica vergonha sem paralelo na história do esbanjamento. 
Bom, do PC e do BE nem quero sequer falar, porque além do mais trata-se de Partidos que não têm nem nunca terão aspirações governativas, porque, desde logo, não é essa a sua vocação, pelo menos, nos próximos anos.

 

Os nossos políticos não vão além dos seus interesses mesquinhos quer pessoais, quer partidários.  Falam com desfaçatez em "carreiras políticas", em "ir ao pote", etc., etc., manifestando desavergonhadamente aquilo que lhes vai na alma. Na verdade, é só por isso que lá andam para fazer "carreira" e para "ir ao pote". Que vergonha de gente!!!
Bom, e chegados onde hoje nos encontramos o que fazer? No meu entender só há um caminho:
Os Partidos, só porque não os podemos ignorar no modelo democrático que vigora, devem juntar-se numa ampla plataforma, constituindo um governo de cariz apartidário, regido por um programa comumente aprovado previamente e que tenha como único objectivo resolver o problema económico e financeiro que hoje nos tolhe. Tal governo deveria submeter-se a objectivos e a balizas temporais previamente definidos.
Isto, sem qualquer campanha eleitoral e novas eleições. Partiria da iniciativa do primeiro-ministro e assumiria a forma de mera reestruturação governamental, embora se tratasse de algo muito mais abrangente, sério e substancial. Isto teria a vantagem de não provocar um lapso que nos vai trazer graves inconvenientes que não poderemos evitar.
Dir-me-ão, isso não está previsto constitucionalmente. Julgo que não contraria em nada a Constituição e se ela o não prevê será bom que a alterem, porque se trata de algo para servir as pessoas e não para as penalizar ou constranger, designadamente em matéria do bem comum e dos interesses nacionais.
Na ideia que aqui lanço hoje, o primeiro-ministro deveria convidar todos os patidos a nomearem cada um, cinco individualidades de reconhecidíssima competência e total integridade, sublinho e realço, total integridade, sem qualquer mácula, para que com este conjunto de individualidades fosse constituído um "colégio de sábios" (logo, com muito poucas possibilidades de sairem das suas hostes políticas tradicionais) que tivesse como único objectivo definir um programa concreto de desenvolvimento e crescimento nacional para ser realizado no próximo quinquénio, por um governo que fosse dirigido não por um primeiro-ministro mas por um grupo de coordenação ministerial constituído por cada um dos partidos que participassem nesta tarefa. As pastas ministeriais, bem como as Secretarias de Estado  deveriam ser reduzidas ao máximo e distribuidas de comum acordo como primeira tarefa de tal grupo de coordenação.
Só este modelo suporta a (eventual) continuidade de José Sócrates na acção governativa, porque em qualquer dos restantes cenários ele não terá lugar. Nem sequer como oposição. 

 

*Colaborador residente

 

 

por João Severino às 19:08
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

desafio (57)

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

COMUNICAÇÃO SOCIAL = MEDÍOCRE FÁBRICA DE APOCALIPSES

 

 

(Esta crónica pretende ser só um modesto coontributo ao sugerido pelo autor deste blogue, no seu post intitulado “ INFORMAÇÃO APOCALÍPTICA “ e não se dirige aos poucos prafissionais da informação que se restringem a uma atitude meramente profissional, alheia a emoções despropositadas, cingindo-se a relatar impessoalmente, com rigor e clareza os acontecimentos, contribuindo para uma informação da comunidade liberta de contaminações subjectivas e pior, totalmente infundamentadas).

 

Dito isto, debrucemo-nos então um pouco melhor sobre o que parece constituir o modelo, quase mesmo, o paradigma, do comportamento jornalístico actual.

Todos nós , ainda que não queiramos, acabamos por não conseguir evitar o massacre que a comunicação social exerce compulsivamente sobre a sociedade. Como se estivessemos perante a mais tenebrosa ravina da história da humanidade a generalidade dos aparentemente narcísicos profissionais da informação explora, espreme, escarafuncha e arranha tanto quanto pode, tudo o que possa fazer arregalar os olhos da sua plateia.

Qualquer acontecimento, só é notícia se a ela puderem colar adjectivos sonantes e contribuíveis para a sistemática sementeira de alarme, de stress, de depressão e se possível de demência, com que querem premiar todos quantos lhes caiam nas glísseras.

Este comportamento não é tão acintoso no jornalismo de especialidade, mas no da informação noticiosa de carácter genérico é gritante a sede de influir, de remarcar com cunho pessoal o que na realidade nunca lhes competiu fazer. Por vezes até fazem caretas, exibem contracções várias da face,  contraem as pálpebras ou emitem interjeições com total despropósito. Há dias, vi uma jornalista, já com significativa tarimba, que insistentemente fechava os olhos como que se o que estava a transmitir a arrepiasse ou quisesse que quem a ouvia tivesse tal sensação.

É a cultura da desgraça levada ao extremo da epidemia social. Moem-nos a paciência com coisas ditas e reditas, só porque a sua inteligência não descortina mais nada que nos massacre, mas se sorrir outro facto dos que muito apreciam, logo se esquecem do primeiro. Passa da importância da repetição permanente e doentia ao esquecimento, porque o acaso se encarregou de lhes oferecer mais uma desgraça para espremer até ao tutano caso não apareça outro, no seu entender, ainda pior.

Há até um modelo que muito me apraz registar. É que eles, jornalistas, quando o manancial das agências não chega, baseiam-se em fontes elaboradas por colegas seus e comentadas, enfim, de forma tantas vezes caricata por outros que tais, num completo ciclo vicioso e corporativamente fechado. Neste modelo quase não há verdadeiros especialistas nas matérias a descodificá-las e a esclarecer os ouvintes, os espectadores ou os leitores, e diga-se, quando os há e eles se põem a dizer coisas que não alarmam ninguém, logo se apressam a calá-los à guisa da falta de tempo; o que há, isso sim, é a multiplicação amontoada da mesma opinião, mas veículada à vez, por diversas fontes e meios. Parece a maneira antiga de ensinarem a tabuada às crianças.

No caso presente do tremendo acontecimento ocorrido no Japão, esta gentinha tem usado e abusado tanto da boa fé de todos nós que escolhe as mais horríveis palavras para caracterizar uma situação que, embora grave e de consequências lamentáveis, está muito longe do que transmitem. Fazem-no de tal forma que quem os ouvir, caso esteja menos bem informado, facilmente se convencerá que uma qualquer, ou talvez mesmo uma sucessão de  explosões nucleares, com consequências apocalípticas (a palavra é deles) está para suceder a qualquer momento. É que nem estão interessados em saber o que é que este alarme cataclísmico está a gerar em cada um de nós e na sociedade! Ora o que está a ocorrer é bem diferente e só um sistema com um elevado grau de segurança, perante uma ocorrência daquele grau é que poderia responder com tão poucos danos.

Pode haver fuga de material radioactivo que lese seriamente a saúde de alguns, o que não deixa de ser profundamente lamentável, mas talvez muitos mais sejam os que venham a ser lesados ou até vitimados pela falta de electricidade que tais centrais estão agora impedidas de produzir, mas explosão nuclear é impossível que suceda. Mais, muito do desenvolvimento económico daquele país foi devido à sua aposta na energia nuclear, pois sem ela só com carvão e/ou petróleo é que conseguiriam um nível de produção eléctrica equivalente, mas nestes casos, alguém está interessado em saber com que custos materiais, ambientais e humanos? Portanto, sejamos razoáveis e punhamos alguma razoabilidade ao serviço da elucidação do momento e não embarquemos em conclusões politicamente correctas.

Talvez um bom serviço de informação em vez de andarem a catar as palavras “apocalípticas” da intervenção de A ou das declarações de circunstancia de B, pudessem realçar como lhes competia, a atitude nobre e infinitamente responsável de uma centena de tecnicos da central mais afectada (que, note-se, tem cerca de quarenta anos, logo, sistemas de segurança muitíssimo ultrapassados relativamente às de construção mais recente), que, apesar dos riscos, não viram as costas às suas obrigações profissionais na procura e execução de sistemas de arrefecimento alternativos. Estes sim, merecem que os adjectivem com justiça.

 

 

*Colaborador residente

 

por João Severino às 23:24
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informação apocalíptica

 

> Em breve o nosso colaborador Jorge Cabral irá apresentar uma crónica sobre a "explosão" nuclear que pode acontecer no Japão difundida pela comunicação social "apocalíptica".

 

por João Severino às 11:17
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

desafio (56)

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

VAMOS ZURZIR NAS PETROLÍFERAS

 

 

(Esta crónica pretende ser só um modesto complemento ao post escrito por João Severino sob o título “ O ROUBO CONTINUA “, no sentido de acrescentar alguns esclarecimentos à matéria ali versada.)

 

> Julgo que apesar das alusões que já por diversas vezes este blogue fez a respeito deste assunto, ainda não foi possível transmitir com clareza até que ponto, e de que forma, é possível a todos nós, como consumidores, sancionar os mercados e através dessas sanções corrigir os seus comportamentos no sentido dos nossos interesses. Porque, não tenhamos quaisquer ilusões, até este momento o que tem ponderado é exclusivamente a majoração do lucro das empresas, dos grupos empresariais, dos trusts, dos monopólios, etc,. etc.,. Quanto a todos nós,  só contamos pela capacidade que temos de lhes pagar.

Hoje, com as amplas possibilidades de que dispomos para veicular ideas para congregar e coordenar esforços conjuntos, é inadmissível, imperdoável e incompreensível que não utilizemos tais ferramentas no sentido do interesse colectivo, deixando-nos espoliar como masoquistas.

Temos que utilizar as redes sociais em específico ou a Internet em termos mais gerais para informar e orientar os consumidores, no sentido de ponderarem muito seriamente e muitissímo para além do único interesse que o “mercado” lhes confere, ou seja, de serem “pagantes”.

 

Deveria ser constituído quanto antes um núcleo cívico totalmente alheio a partidos ou quaisquer outros interesses que não os da sociedade civil como um todo, que decidisse medidas, avulsa e inesperadamente, as divulgasse através de canais da informação global de forma que a sociedade na sua maioria pudesse aperceber-se deles em tempo útil e corresponder eficazmente às orientações propagadas.

O facto de existirem marcas, é neste caso uma enorme fraqueza dos mercados porque, sem prejudicarmos os consumidores podemos bloquear a ou as que entendermos, sem apelo nem agravo. Há que explorar as debilidades do sistema que nos tem massacrado a seu bel-prazer.

No caso dos combustíveis, não só com o público em geral mas também com o enorme auxílio que a adesão de associações empresariais do sector dos transportes de pessoas e  de mercadorias pode trazer em termos de eficácia, está inteiramente ao nosso alcance instituirmos uma prática fiscalizadora e sancionatória das eventuais práticas maliciosas que as petrolíferas realizem. Isto, com enorme eficácia porque o sistema em que se baseiam, tal como hoje funciona, exige grande programação prévia e qualquer perturbação do mesmo tem efeitos onerosos e muito difíceis de contornar e corrigir.

Tentando elucidar-vos melhor vou limitar-me a dar-vos um exemplo do que mais elementarmente se poderá fazer.

 

Imaginemos que todas as segundas-feiras era divulgado um comunicado do tal núcleo cívico a que acima me refiro. Estabelecida esta rotina, e confirmada a sua extensão o núcleo decidiria em função dos comportamentos das empresas, desaconselhar os abastecimentos numa ou noutra das marcas existentes ou simultaneamente mais do que uma, durante um intervalo de tempo crítico para a actividade económica em causa. Por exemplo, durante 8, 10 ou 15 dias ninguém abasteceria na Galp, ou na Repsol, ou nas duas ao mesmo tempo ou noutras quaisquer. Passado tal período, novas instruções seriam dadas ou até repetidas as primeiras.

Sabendo que as programações dos abastecimentos obedecem a programas rigorosos de tancagem e de transporte que são impossíveis de bloquear instantaneamente, e sabendo que os depósitos das estações de serviço não comportariam os reabastecimentos dos programas que entretanto estavam pré-definidos, seria muito dificil a essas empressas interromperem o roll-over de que o sistema vive sem enorme prejuízos. Donde, fácil será concluir que passariam a ponderar melhor todas as medidas que entendessem pôr em prática.

Apesar das dificuldades, das primeiras vezes as companhias poderão atamancar soluções indesejáveis mas após sistemáticas repetições dos “bloqueios”, tudo claudicará e não haverá forma de mascarar os prejuízos e mesmo a impossibilidade de suportar os efeitos. Os custos subirão em flecha, e toda a máquina que envolver este stato quo, que se baseia numa sagrada estabilidade, poderá falir com situações tão graves como seja a impossibilidade de dispor de tancagem suficiente, ou mesmo que ela existisse, de suportar os seus acrescidos custos.

 

Infelizmente, obrigam-nos a actuar desta forma, pois já temos obrigação de saber que se o não fizermos não haverá ninguém que o faça por nós. Os “governos”, vivem deste regabofe e banqueteiam-se com os impostos chorudos que extraiem dos combustíveis, as “autoridades da concorrência” limitam-se a fazer as figuras tristes que já todos conhecemos e a consciência social é algo que pura e simplesmente não existe neste mundo cão onde os ratios que valem são os dos índices das bolsas e dos biliões de lucros dos relatórios anuais dos “vampiros de hoje”.

E atenção, não me venham com pézinhos de lã dizer que agora isto tudo é fruto da instabilidade internacional. Para isso, eu só chamo a atenção para o facto da instabilidade social só existir em países produtores de petróleo. Então? Em muitos outros não existem as mesmas razões para a indignação e levantamento popular? Mas nada se passa, nem ninguém reclama! Por que será?

Sobre esta matéria haverá seguramente muitos que sabem muito mais que eu, pelo que o convite a que participem aqui fica.

 

*Colaborador residente

 


 

 

 

por João Severino às 09:16
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

desafio (55)

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

O Aumento do preço do Crude e o Apocalipse do actual paradigma económico

 

 

> Há mais de um ano, alertei por diversas vezes para o facto do preço dos combustíveis na venda ao público estar a subir mais do que as suas causas reais permitiam; a par desta constatação chamei igualmente a atenção para o pormenor de que se uma nova e mais que expectável subida do preço do crude viesse a verificar-se não haveria margem para fazer acompanhar os preços dos refinados a público. Isto, porque os consumidores não conseguem pagar além de um determinado valor, mesmo esmagando necessidades elementares, atingindo, então, o ponto em que a indignação é incontível e as revoltas sociais incontornáveis.

Neste momento, entrámos num carrocel da desgraça, para cada um dos que vivem com orçamentos apertados e para os Estados de orçamentos esgotados, muito em especial aqueles que a par disto são maioritariamente importadores de crude ou dos seus refinados. Quanto aos efeitos deste facto em cada um de nós, abstenho-me de vos massacrar mais, mas quanto ao que se reflete nos Estados, não posso deixar de dizer duas palavras. Para que melhor se entenda, vejamos o caso concreto de Portugal:

- O nosso (des)Governo tem baseado a “salvação” das finanças públicas no “roubo” de uma parte dos salários dos seus servidores e no escandaloso valor a que se situa os impostos sobre combustíveis, configurando estes sim, um autêntico ROUBO que agride gravemente a nossa Nação enquanto realidade sócio-económica. Neste último grupo (o dos impostos sobre combustíveis), o abuso foi claramente levado para os extremos (mais do que 50% do que pagamos vai directamente para os cofres do Estado, que na verdade, em nada contribuiu para que aquele produto chegasse aos consumidores). Ou seja, por mero oportunismo e abuso gritante de autoridade, o Estado tem vivido à custa do que afinal constitui a SEIVA da nossa vida económica, personificando um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento, quando não constituiu mesmo um factor decisivo de tantas mortes de agentes económicos sérios e fundamentais ao nosso colectivo.

Pois bem, chegados a esta encruzilhada colocam-se duas opções; ou o Estado recua nos impostos cobrados, permitindo à sociedade ultrapassar esta grave turbulência, mas pondo totalmente em causa o seu plano de equilíbrio das finanças públicas, ou permite que as leis do ”livre mercado” continuem a “funcionar”, o que conduzirá à maior onda de perturbação social jamais vivida, o que, acrescente-se, irá também resultar em catástrofe das finanças públicas, mas diga-se que se formos conduzidos a esse quadro, esse será o mal menor.

Espantoso é que os doutos comentadores, cheios de ponposos títulos em “ciências ocultas”, que amiúde, sublinho amiúde, isto é, A TODA A HORA, temos que engolir, não tenham nunca alertado sobre o buraco negro para que estavamos a ser levados. Será que não é sabido por todos que, com duas únicas excepções, a totalidade dos países produtores de petróleo são, social e politicamente muito instáveis, sendo todos eles, uns de uma forma, outros de outra, possuidores de características que nos exigem a consciência de realidades enormemente voláteis com reflexos imediatos e nefastos na produção petrolífera? Então, onde é que está a surpresa???

O que é que têm andado a fazer os responsáveis mundiais para que tudo isto nunca tivesse chegado a este ponto? Na verdade, têm todos andado a “DANÇAR A RONDA NO PINHAL DO REI”. Desde o Sócrates até ao Obama são todos uns imbecis que nem sequer têm consciência da realidade para que têm conduzido aqueles que lhes conferiram responsabilidades que NUNCA tiveram nem hão-de ter capadidade para assumir, mas a sede de poder e de protagonismo é tremenda e obnubila tudo e todos.

Resta-me esperar que o que aí vier, coloque um ponto final neste paradigma de irresponsabilidade e inépcia a que temos assistido por parte dos políticos. Eles são nossos representantes, mas nunca demonstraram colocar acima de tudo a preservação da dignidade humana, a equidade social e a valorização do homem na sua verdadeira dimensão social, que por força do constrangimento da dimensão económica, nunca poude assumir.

Afinal, hoje, tenho mais razões para ter esperança no futuro. Só lamento que para isso se tenha que arriscar tanto e para tantos de nós, descer tão baixo.

 

*Cronista residente

 

por João Severino às 15:26
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

desafio (54)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Egipto – Mais uma intervenção vergonhosa dos EUA

 

 

Por vontade mascarada dos senhores do petróleo temos sido empurrados para guerras desonrosas, a coberto de calúnias mais que ignominiosas. Com efeito, a alegação das “armas de destruição maciça”, do tonto do Sadam, o tratamento do Estado Iraniano como que do Império de Satan se trate, não são mais do que estratégias bacocas para manipular as nossas consciências de forma que nos calemos perante a tomada de assalto de posições consideradas estratégicas ou de riquezas concretas, quase sempre na área da energia ou mais precisamente das reservas de crude. Só assim têm conseguido massacrar povos e cometer atrocidades inadmissíveis sem que alguém lhes barre declarada e ostencivamente o caminho, ou sequer os condene.

Tais intentos por parte dos criminosos que desde a tomada de poder por parte de Ronald Reagan se têm apossado e contaminado, múltiplos níveis do poder em Washington, são neste momento já irrecusáveis aos olhos de qualquer simples mortal por muito desatento que esteja.

Veja-se, apesar da era do crápula-demente George Bush já ter aparentemente acabado, o facto é que muito embora a casa Branca esteja agora ocupada por alguém claramente opositor às suas políticas criminosas, há tentáculos de outrora que permanecem em lugares-chave das áreas fundamentais à continuação do programa antes encetado. Só assim se compreende que Robert Gates, cão-de-fila de Bush (seu Director da CIA e posteriormente designado Secretário de Estado da Defesa), permaneça com Obama no mesmo lugar. E se agora falo neste abutre é porque há muito que este “subterrâneo” tem um papel tenebroso e edectivo em matéria de política activa dos EUA para os Países Árabes. É no mínimo curioso que estejamos a viver exactamente agora um período tão intranquilo e conturbado que se estenderá a uma parte significativa do Mundo Árabe.

A desgraça que nos caiu em cima, com tão lamentável e pungente saldo para os povos que tal cáfila invadiu, é hoje um dos factos mais controversos, criminosos e mesmo humilhantes do Ocidente. Muitos de nós gostaríamos de ver alguns dos seus principais responsáveis julgados no Tribunal Internacional para Crimes de Guerra, mas infelizmente os criminosos não se dão bem com Instituições desse tipo e como tal, como seria espectável, não os reconhecem para assim esperarem ficar de fora da sua alçada.

O Egipto hoje inicia uma nova era. Nada será como antes, mas lamento temer que venha a ser muito pior. O povo árabe está “queimado” com as infantilidades, aventureirismos e crimes do ocidente. Isto, desde o tempo das inúmeras Cruzadas, que, parecem permanecer até hoje, muito embora com outra roupagem.

A  probabilidade do Egipto virar no sentido de um regime submetido ao Islão é quase total. Penso que considerar a hipótese da instalação de uma democracia ocidental naquela sociedade é não mais do que mera alucinação e sintoma de grande imaturidade.

Não estou a defender o regime anterior, mas assusta-me que alguém como o Presidente dos Estados Unidos, precise de um facto aleatório (como o foi a divulgação de infâmias por parte da Wikileaks) que gerou uma avassaladora onda popular de indignação, para interferir da forma como o fez no caso do Egipto. Todos nós esperaríamos que, se entendia fazê-lo, dado que as razões eram desde há muito conhecidas, o razoável era que já tivesse há muito desenvolvido todos os esforços nesse sentido e não o contrário, porque afinal, quem mantinha aquele regime, até à revolta popular, eram exactamente os EUA, que pagavam a preço de ouro aquele “stato quo”, isto com mais de MIL E QUINHENTOD MILHÕES de dólares por ano.

Estamos fartos de ser uns joguetes destes senhores que se consideram donos do mundo, fazendo o que lhes dá na real gana e quando isso lhes apetece, sem o mínimo respeito pelas vidas que ceifam.

Sou e sempre fui ANTI-COMUNISTA, mas jamais pactuarei com uma política da cafagestes que só têm em vista os interesses mesquinhos da cáfila dos lobies que os controlam.

Não me admiraria que um dos intentos de tal cáfila neste momento se situe no estalar da verdadeira guerra (de que há muito tempo se fala) em todo o Próximo e Médio Oriente, a começar, claro está, entre Israel e o próprio Egipto. Isto encher-lhes-ia ainda mais os bolsos e na verdade é só isso que interessa a tais homunculos.

 

*Cronista residente

 

por João Severino às 11:38
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

desafio (53)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

 

O ROUBO DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

 

 

> Já não é a primeira nem a segunda vez que escrevo sobre esta matéria e julgo que não será a última, até que nos embrulhemos todos à cacetada por força do mal-estar que este assunto gera na sociedade.

Quando o crude estava a 150 dólares cada barril, a gasolina estava a cerca de 1,5 euros por litro. Hoje, o crude está a 90 dólares e o mesmo refinado está acima dos 1,5 euros por litro.

Antes de mais, quero que fique bem claro que se não fossem as intervenções e os efeitos perniciosoas da especulação financeira que não se cansa de multiplicar dinheiro sem NADA prodruzir, o preço do crude jamais ultrapassaria neste momento os 50 / 55 dólares por barril. E este facto só encontra alguma justificação nos maiores custos de perfuração resultantes da média das explorações estar a verificar-se a maiores profundidades porque em sinal contrário, a evolução da tecnologia também nos permite, hoje, maiores rendimentos de trabalho e menores custos unitários/acção o que, se formos rigorosos nos garantirá um preço bem abaixo dos 50 / 55 dólares que acima indico. Mas esqueçamos isto e admitamos, ainda assim, este valor. Ele dá-nos uma ideia pálida da dimensão do roubo que nesta fase de produção é perpetado.

Agora vamos às duas operações que têm justificado a escalada de preços com que nos têm bombardeado, a saber, o transporte e a refinação:

- Quanto aos transportes é muito fácil de perceber que os custos só podem decrescer face ao extraordinário aumento das capacidades de transporte dos meios, quer marítimos quer terrestres. Neste âmbito, se há aumentos, estes apenas se devem precisamente aos custos dos combustíveis que os meios de transporte consomem. Trata-se, pois, de “uma pescadinha de rabo na boca”, ou seja, os preços finais sobem porque os transportes subiram e estes subiram porque os combustíveis que consomem encareceram. È pois uma subida orquestrada.

- Agora debrucemo-nos um pouco na refinação, factor de custo que parece continuar a constituir a trave mestra do ROUBO escancarado que as petrolíferas gananciosamente insistem em manter e aumentar.

A refinação nos primórdios da história do petróleo era maioritariamente independente. Aos poucos, as petrolíferas foram assumindo o controle destas unidades industriais e construindo unidades cada vez maiores e mais avançadas (logo, com custos unitários de refinação cada vez menores). Hoje, raríssimas são as refinarias dignas de tal nome que sejam verdadeiramente independentes. Mesmo aquelas que as petrolíferas insistem em afirmar que são independentes (para desesperadamente pretenderem dar ao índice de Platts a credibilidade que de facto ninguém lhe pode reconhecer) são na verdade intervencionadas por modos ínvios por "testas de ferro" que mais não são que “jagunços” das petrolíferas e seus mandantes. Assim, vão mantendo uma aparência que só os taralhocos acreditam.

De facto, os índices de Platts, quais indicadores que pretendem regular os preços no mercado dos produtos que produzem, dos quais os mais importantes são os combustíveis que usamos (fuel, gasóleos e gasolinas), antes bem mais credíveis, actualmente mais não são que instrumentos concertados do roubo generalizado que tristemente sentimos, sobretudo, em todo o dito mundo desenvolvido, leia-se, que ainda pode pagar.

Não sei se me fiz entender sobre a teia nauseabunda que as petrolíferas, com a ajuda tenebrosa dos “financeiros” têm tecido na sociedade que cada dia mais luta para manter padrões de dignidade que começam a escassear.

Mas não nos esqueçamos que isto só acontece porque estamos entregues a uma cáfila de governantes, de lés a lés, que o permitem [e muitos até se banqueteiam nesta paródia de chulos e criminosos].

Desde o Obama até ao nosso “querido” Sócrates só temos gente sem estatura para fazer frente a estes raivosos por ganância e lucro a qualquer custo. As democracias são teoricamente o melhor sistema político, sem dúvida. Mas, na prática são sistematicamente aprisionadas por grupos medíocres, quase sempre constituidos em Partidos Políticos que se apoderam dos sistemas e os manipulam a seu bel-prazer.

Se olharmos em redor é-nos fácil perceber até que ponto a Humanidade está a ser ludibriada. Parem um pouco e pensem num estadista em exercício que de facto vos enche as medidas, vos dá tranquilidade de só governar a bem do seu povo e com sentido de futuro. Sim, está bem, esse eu sei que sim, mas já não é governante e quando o foi, foi-o por engano e porque estavam todos distraídos a julgar que como sempre, mais uma vez seria o eterno candidato. De resto, Sócrates (ah,ah,ah); o Zapatero (alegro ma non tropo), Sarkozi (que dizer?); Berlusconi (cujo nome até me custa a pronunciar, por asco); Merkel (a pombinha dos financeiros); o mafioso Putin (já que o Presidente é só uma “barriga de aluguer”); isto para não falarmos dos africanos, dos do Extremo-Oriente, dos da América latina, dos dos países paridos pela antiga União Soviética e do próprio Obama, cuja fasquia estava decididamente muito acima das suas reais capacidades.

Estes são, na verdade, os grandes responsáveis pelos preços que estes grandes trusts e monopólios praticam como lhes vai na gana.

 

*Colaborador residente

por João Severino às 20:50
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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

OS SERVOS DA GLEBA




 
Jorge Cabral*

Perdoe-me o Dr Tiago Guerreiro por lhe roubar a “metáfora”, mas julgo que corresponde maravilhosamente áquilo que todos nós sentimos.
Hoje, dia em que a máscara caiu, temos que nos erguer perante a prova acabada da grosseira e rasteira incapacidade da escória que nos tem governado. É tempo de prestarem contas da desbunda que têm perpretado, das rondas que têm dançado no pinhal do Rei, da forma grotesca e mais que abusiva com que se têm apoderado da nossa complacência e mais que injustificada boa fé.
A sociedade civil tem que se impor a esta escória de uma vez por todas. É gente sem eira nem beira que se tem apoderado de uma forma insultuosda da coisa pública e dessa forma esconjurado e explorado este bom POVO que calado e complacentemente tudo parece admitir.
Seus PALERMAS!!! Não vêm que estão a ser majoretes ridiculas de um teatro de incompetentes, mentirosos, inúteis, oportunistas, imbecis, profundamente desonestos e cujas únicas consequências dos seus actos se consubstanciam em factura que vocês e só vocês (os mesmos de sempre) terão que pagar??? É claro que estou a falar dos políticos deste país. Da maioria, cujas excepções pela raridade já não justificam sequer qualquer ressalva. Os bons, se é que existem, fujam da escória… juntem-se a nós! Nesse grupo só se conspurcarão.
Saltam de Secratarias de Estado, para Ministérios, destes, passando por Empresas Públicas cirurgica e estrategicamente arranjadas e preservadas escrupulosamente para os acoitar, até voos mais altos, pois alguns aspiram e chegam, COMO TÊM CHEGADO, a Primeiros Ministro e mesmo a Presidentes. Que merda de regime e de sistema que tal escória PROMOVE?!
Não estou a defender nada de meu (sou talvez o único português que RECUSOU uma reformas de 1500 euros sem nada ter) e sei que desta posição nada poderei esperar que não seja desprezo e perseguição, mas nunca abdicarei de defender o que considero correcto e sei que aquilo a que o MEU PAÍS tem estado sujeito é tudo menos correcto e aquilo a que os meus concidadãos têm estado submetidos é o contrário do que defendo – responsabilidade plena, competência inquestionável, honestidade inequívoca, transparência evidente, EQUIDADE óbvia, RIGOR pleno, JUSTIÇA elementar.
Não vou maçar-vos com o que devia estar neste momento a ser feito em frontal oposição ao que esta merda de governo veio anunciar, mas digo-vos que estou disposto a tudo, mesmo a tudo, para acabar com esta farsa, com esta desbunda, com estes gentios que se apoderaram do poder, sem terem a minima noção do que lhes competia fazer. O estado em que hoje nos encontramos não merece nenhuma outra atitude da sociedade civil que não seja um LEVANTAMENTO A NÌVEL NACIONAL. É a isso que aqui me cumpre apelar.
Esta é a conclusão. Saberei escalpelizar todos os detalhes que quiserem, mas o tempo urge. Dentro em pouco, se nos descuidamos, já nem País teremos.
Fui o único português que fez um INSPECTOR da PIDE correr na frente da minha espingarda. Nunca seráo estes homúnculos que me vergarão.
Só quero e auguro o bem de todos, menos dos oportunistas, dos que têm falta de escrúpulos e de carácter.
* Colaborador
por João Severino às 10:31
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Domingo, 20 de Junho de 2010

DESAFIO (48)


Jorge Cabral*

JOSÉ SARAMAGO E O BASBAQUE

Acabo de chegar de uma curta vigília a José Saramago. Nunca tive intenção de o fazer porque apesar de me considerar no grupo dos dez mil portugueses que mais lêem, não gosto da literatura que produziu, nem sequer, simplesmente, do seu estilo, leia-se, forma de escrever. Também não perfilho nem nunca perfilhei nenhum dos princípios políticos enquanto paradigmas de um sistema preconizado pelo partido de que julgo ter feito parte em certa altura.

Fi-lo por remissão de faltas alheias e adiante voltarei a este assunto para o concretizar.

José Saramago foi dos nossos contemporâneos, talvez quem mais tenha dignificado Portugal ultimamente, sobretudo no espaço exterior às nossas fronteiras. Encheu muitos portugueses de orgulho enquanto a maioria dos que tinham o dever de o fazer os enchia de frustrações e de vergonha. Deu-lhes alento e mostrou-lhes que a confiança em si próprios não deveria ser palavra vã.

Como homem, foi um exemplo em muitas vertentes. Honestidade, frontalidade, autenticidade, verdade e coerência quanto baste. Foram só alguns dos atributos entre muitos outros, que rechearam o seu carácter.

Não sei se com, ou sem intenção premeditada, mas é indesmentível que José Saramago foi, na história recente deste País um grande homem que nesta medida trouxe benefícios imensos a Portugal e aqueceu os “corações” de muitas centenas de milhar de portugueses, constituindo uma boa referência, incontornável até para o enriquecimento do nosso património e consolidação do nosso futuro colectivo.

Poderia fazer esta singelíssima homenagem sem sequer aludir ao reconhecimento internacional que culminou com a atribuição Nobel, mas não quero fazê-lo porque este facto é a expressão e o testemunho inquestionável de que se trata de um vulto de dimensão mundial, muito significativo e que nos obriga a uma elementar diferenciação.

Não o fazermos indignifica-nos e mostra a verdade mesquinha que nos caracteriza. Como povo, devemos muito a José Saramago, gostemos dele, ou não e neste momento o mais elementar dever compele-nos a manifestar perante a sua memória a nossa profunda gratidão pelo cidadão que foi.

Por esta razão, entendo que lhe devamos todos, neste momento prestar uma homenagem que seja a expressão justa, apesar de simbólica, do nosso reconhecimento e gratidão a qual, deveria em primeiro lugar ser prestada pelo nosso Presidente, enquanto representante deste colectivo nacional.

Como tal, sempre esperei que nessa qualidade, assumisse, como é seu dever, tal posição. Não o fazendo, nunca ficaria de bem com a minha consciência se o não fizesse. A minha singelíssima homenagem foi só minha, insignificante, meramente pessoal, mas quis dizer-lhe em breves instantes e num monólogo instrospectivo quanto lhe estou grato pelo que fez.

Em consciência, fi-lo porque me senti a tal obrigado apesar de, com vergonha e indignação óbvias. Vergonha por ter colaborado na eleição de tão “provinciano” individuo, indignação, por constatar, desta triste forma, que apesar de mais de 30 anos de democracia ainda não atingimos o limiar mínimo de educação, nem ao nível do Presidenta da República, que fará nos outros patamares sociais.

Não vou aqui referir nada mais sobre este lastimável episódio. Já digeri muitas “raivas” que me consumiram nas últimas horas e estou certo que Cavaco colherá a breve prazo as consequências de tão vil e reles postura.

*Cronista residente

por João Severino às 14:48
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*



AVASSALADOR

Tal como ao filósofo da corte (Pacheco Pereira) também algo se me depara “AVASSALADOR”.

Mas apesar disso e tal como ao referido “filósofo de serviço”, tudo persiste sem alteração e segue imperturbável.

Acompanhei com crescente espanto e por fim já com indignação, a entrevista de dois dos mais “credenciados” jornalistas da TELEVISÃO PÚBLICA, ao Primeiro-Ministro.

A falta de qualidade dos entrevistadores é pungente e eu quero acreditar que seja só por falta de preparação do trabalho. Seja como for, um tão medíocre trabalho seria, a menos que previamente combinado por razões de conveniências inconfessáveis, motivo para despedimento com justa causa. Gente com aqueles escandalosos níveis de remunerações NÃO PODEM escarnecer de todos nós daquela maneira.

Até em termos de elementar postura, com permanentes sorrisos idiotas e totalmente desfasados da seriedade e dureza deste momento, tais “profissionais”, mostraram incompetência sem limites.

Tratar de assuntos daquela natureza, com quem se tratava, depois do anúncio de um quadro de dificuldades para todos que causará seguramente dor e sacrifício que a tais sujeitos nem lhes passa pela cabeça, com a leviandade permanente, a leveza de quem está num concurso de qualquer dos “gordos” que na mesma televisão detém o respectivo monopólio, é algo que confrange e insulta todos e cada um de nós.

A incompetência neste país e nos serviços públicos e colaterais está a tomar proporções de “não retorno”.

É verdade, já me esquecia de dar os parabéns ao Primeiro-Ministro. Não o suportando e ele sabe bem disso, não posso deixar de reconhecer que esteve bem. Pena é que já seja Primeiro-Ministro há cinco anos e que não consigamos, por muito esforço que façamos, desligar o difícil estado em que nos encontramos, da sua própria governação. É claro que ele não é o único responsável. O garotelho que se auto-exportou para Bruxelas, o outro que também fugiu para se refugiar nos refugiados, o Sr. Silva e seus respectivos séquitos, são os responsáveis pela calamidade que urge pagar. Pelo menos, é saudável que se “dêem nomes aos bois” para que tudo não se resuma a ficar simplesmente “AVASSALADOR”.


*Cronista residente

por João Severino às 23:10
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*


Mexer por mexer, antes nos “MEXIAS” .1

Há dias escrevi algo sob este título. Hoje, após o conhecimento do escandaloso pacote de roubos que o (des)Governo deste delapidado País, anunciou pela calada, em plena visita do Papa e obviamente aproveitando-se da respectiva euforia dos media em torno da mesma.

Sabia o Primeiro Ministro, espertalhão como é nestas manigâncias, que os fraquitos media com que contamos, entretidos com o “concurso” de ruídos que geraram em torno desta visita, pouca ou nenhuma importância dariam a este assunto. E assim foi.

Mas Sua Santidade o Papa, e não Sua Eminência como o ignorante José Sócrates, na qualidade de 1º Ministro, a todos envergonhando, lhe chamou, hoje vai-se embora e então acordaremos todos para este pesadelo.

A proposta do Governo é injusta, desumana e joga na pacatez, para não dizer mesmo na habitual mansidão de um povo que se deixa espezinhar e exaurir a limites impensáveis.

O que se tem feito às camadas economicamente mais débeis deste país é um insulto que raia os limites dos insultos impensáveis, sobretudo quando o comparamos com o regabofe que certas cliques têm posto em prática, escancaradamente e sem qualquer limite ou vergonha, apoderando-se de tudo o que podem em benefício exclusivamente próprio.

O pacote agora anunciado é a prova da mediocridade e desumanidade destes cavalheiros. Irem roubar 1% a quem ganha 500 euros é crime. Gostaria de saber quem é que hoje consegue viver com 500 euros e como.

No sistema que preconizei, o que quis salvaguardar foi a dignidade de todos, indo recorrer a meios alheios, mas pagando-os e remunerando-os, mas, acima de tudo, recorrendo a quem os tem de sobra, cuja participação jamais poria em causa aspectos elementares das suas necessidades. O sistema do Governo não olha a nada disto, muito pelo contrário é cego e actua como um bulldozer num ninho de formigas.

Para que haja uma pequena noção da diferença vou-vos só mostrar um breve exemplo:

Voltemos ao caso de um qualquer “MEXIA”, sabendo, muito embora que este será um caso extremo. Falou-se numa remuneração global bruta de mais de 3 milhões de euros. Pois bem. Num caso destes nós preconizámos uma participação de 40%, ficando o dito contribuinte ainda com 1 milhão e oitocentos mil euros, valor que está acima de qualquer suspeita quanto o tal contribuinte fizer a vida esbanjadora que entender, isto é, a contribuição não poria seguramente em causa nada do que entendesse fazer, a menos que se tratasse de qualquer sindroma compulsivo.

Pois bem, esta contribuição é equivalente, no plano do Governo, à contribuição de 20000 (vinte mil famílias) famintas e com carências de toda a ordem, a quem o Governo ainda tem a pouca vergonha de ir rapinar mais uns cobres. Isto merece comentários???

E quanto ao IVA? Que será feito da tal competitividade de que tanto se fala para aumentarmos as nossas exportações? E o que é que mais se irá agravar nas zonas raianas já tão depauperadas pela diferença entre os IVAs de Portugal e Espanha?

E quanto ao IRC? Tenho algumas dúvidas que a maioria das nossas empresas o suporte, sem graves consequências a médio prazo, sobretudo em matérias de reequipamento e preparação do futuro. Depois acusam os empresários de não se actualizarem, etc., etc..

Infelizmente, nada de bom é possível esperar deste estado de coisas. A menos que sejamos Bancos. Esses, os abutres financeiros, que sugam povos inteiros em prol de índices que cozinham a seu bel-prazer. Esses continuam com razão para sorrir.

*Cronista residente

por João Severino às 19:57
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Domingo, 2 de Maio de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*


Mexer por mexer, antes nos “MEXIAS”


Está na ordem do dia o comentário sobre onde vamos buscar o que falta para endireitar estas depauperadas “finanças nacionais” tão gananciosamente delapidadas pelos “novos políticos” desde há um par de décadas a esta parte.

Pela forma como vejo encaminhar este assunto, fica-me a ideia que estão a querer ir buscar dinheiro de uma forma chocante onde ele já falta. Querer ir tirar o 13º mês a quem precisa dele para minorar o deficit acumulado de um ordenado marcadamente insuficiente, é atroz. Em muitos casos no nosso país, com ordenados de cerca de 500 euros, o 13º mês e o subsídio de férias são recursos fundamentais à manutenção de um dia a dia de miséria onde cada cêntimo pesa. E mesmo em vencimentos superiores a 1000 euros, desde que haja filhos, tais fundos têm quase sempre o mesmo destino; tapar buracos que a estreiteza de um ordenado magro não consegue de forma alguma evitar.

Por isso, quem anda a propagar tais medidas, deverá atentar que já chega de estupidez, de mediocridade, de incompetência, de desfaçatez e de falta de muitas outras coisas que agora não me apetece enumerar.

A solução interna, se é que a há, reside em ir afectar fundos onde eles ainda sobram. Talvez até esta medida amenize até algumas das injustiças corporizadas em muitas atribuições de reformas indevidas e abusivas, bem como em atribuições de prémios e pagamentos ínvios e muitas vezes de génese inconfessável.

Chega de máscara tão descarada. Preconizo que sejamos, todos os que pudermos, a contribuir para a resolução deste problema. Seria estabelecido um rendimento bruto aquém do qual não haveria lugar a qualquer dedução, por exemplo 750 euros de rendimento bruto per capit, ou seja, uma família com dois filhos a seu cargo só comparticiparia se o seu rendimento bruto fosse superior a 3000 euros, mas um cidadão que não tivesse ninguém a seu cargo e usufruísse de um vencimento de 850 euros já comparticiparia embora, neste caso com um valor simbólico.

Promover-se-ia uma retenção escalonada conforme os vencimentos e as reformas, que constituísse um fundo de emergência, parcialmente remunerado.

Cada comparticipação seria titulada por um “título de dívida do Estado” e a sua remuneração bruta seria igual à taxa de inflação que, entretanto, se verificasse afectada de un índice consoante o montante e outros factores. A forma como os juros seriam pagos, se os juros venceriam ou não juros enquanto não fossem liquidados bem como outros pormenores podem ser muito facilmente definidos numa plataforma de bom senso que é, sobretudo, o que tem faltado. Desta maneira, a par de um rigor sério e inteligente na vertente da “despesa”, poderíamos evitar os grandes dissabores que nos esperam e mostrar ao exterior que ainda sabemos encontrar soluções sem andar de mão estendida como tem sido o nosso triste e vergonhoso apanágio. Isto resolveria o problema actual do País, dando algum sentido a aspectos de que temos andado arredados, como seja a equidade, a justiça social, as boas práticas e os bons costumes. A sociedade sairia valorizada no seu todo e a credibilidade do País poderia recuperar das ruas da amargura por onde tem andado e a estúpida ganância, para quem soubesse ler, levaria uma bofetada de luva branca..

Por outro lado, dar-se-ia uma solução que a ninguém prejudicaria, ao grave problema das escandalosas e indevidas reformas que oportunísticamente foram abundantemente distribuídas. Sossegar-se-ia a sociedade a respeito deste assunto, sem a resolução do qual nenhum programa de reformas que envolva sacrifícios dos que “habitualmente” são martirizados, terá qualquer hipótese de sucesso sem que a paz social seja gravemente prejudicada.

Por outro lado ainda, a médio prazo não se ficaria a dever um cêntimo a ninguém, a menos que o País acabasse por desaparecer, - o que, no cenário actual, nem sequer seria o pior. Mais ainda, comparticipações como estas, apesar de parecerem “violentas” nos escalões mais elevados, o facto é que não põem em causa nada do que os seus detentores entendam fazer para viver uma vida de “luxo babilónico” e nos escalões intermédios não põe seguramente em causa nada do que regula a manutenção das necessidades normais.

Nos escalões inferiores, as comparticipações são irrisórias mas importa que se mantenham por uma questão de afirmação e de dignidade, factores tão arredados deste povo.

Abaixo dos 750 euros de rendimento bruto por cabeça, considero que qualquer valor pode pôr em causa a satisfação de aspectos elementares, mormente quando há crianças em jogo, pelo que, sendo nelas que é fundamental apostarmos, sem prejuízo de inúmeros melhoramentos que seja possível realizar no conceito expresso pela tabela que adianto, por ora, ela ficaria mais ou menos com o seguinte formato:

















Considero ainda que uma medida desta natureza promoveria uma melhor e mais interessada participação democrática de todos nós, já que mais não seja porque passaremos a estar muito mais interessados com o que é feito com o nosso dinheiro. Através de um conjunto de mecânicas poder-se-ia estabelecer uma forma do cidadão participar verdadeiramente na democracia, através de intervenções várias, seguramente interessadas, procedimentos estes que deveriam naturalmente estar previstos num regulamento orientador para evitar e penalizar abusos óbvios. Isto poderia conter um dos embriões de uma democracia autêntica e participada, de que tanto se fala mas que afinal está tão arredada da realidade que nos é oferecida.

Talvez que, por esta via, os governantes passem a ter uma maior responsabilidade na utilização do dinheiro público e passem a esbanjá-lo menos do que até aqui.

*Cronista residente


PAU COMMENTS

Anónimo disse...

O que o autor desta proposta esquece-se é que os escalões inferiores de que fala, e que não iriam pagar nada ou quase nada (como sugere), são infelizmente a grande maioria neste país, e representam a grande fatia da base tributária actual.

Acabando com as suas contribuições iria reduzir a receita do estado significativamente. Sim, porque esses tais ricos de que tanto fala, representam uma pequena minoria que por muito que pagasse (os que ficavam, porque se calhar a maior parte deles saíria do país) não seria capaz de sustentar este buraco sem fundo.

Se esta proposta fosse acompanhada por cortes na despesa do Estado, como nos cuidados de saúde, educação, apoios sociais, subsídios de desemprego, infra-estruturas, etc etc, então talvez fosse possivel equilibrar isto.

Mas se pretente que os portugueses continuem a usufruir destes "serviços" básicos, não estou a ver como é que não tivessem de contribuir nada para os ter.

De onde vinha o dinheiro então?


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Anónimo Jorge Cabral disse...

Resposta ao comentário de “Anónimo”.

Caro Leitor,

Sabe quem eu sou, mas eu não sei quem você é. Nisto não há nada de mal e não quero que pense que estou a condenar o seu “anonimato”, mas não posso deixar de lhe dizer o seguinte:

1. O argumento que invoca tem sido a “barricada” atrás da qual os abutres que têm usado e abusado deste pobre povo, explorando-o até ao estado de mitigação absoluta em que se encontra e que tem arrastado, com essa miséria, para o estado de total depauperação em que o país, no seu todo se encontra.
2. E fazem-no porque estando em lugar que lhes permite manipular a opinião pública, divulgam a sua “ideia”, por forma que pareça uma verdade inquestionánel. Na realidade é uma vercgonhosa e criminosa MENTIRA.
3. O país, sobretudo ao longo destes últimos 20 anos, tem sido sugado por um conjunto de oportunistas que a seu bel-prazer se têm apoderado, em exclusivo benefício próprio, da maior parte da riqueza nacional, a qual, neste momento já mal chega para os suportar e é, por isso, que investem agora no roubo escandaloso àqueles que já nem para comer têm. Deixemo-nos de hipocrisias e encaremos de frente o problema, com a escassa dignidade que ainda tivermos.
4. Tais “priveligiados” o que têm defendido é exactamente o que o meu amigo anuncia no seu comentário, ou seja “somos poucos; pouco melhoraremos a vossa situação; é melhor resolverem o problema sem contarem connosco”. Ora isto, é pura falácia e contraria os mais elementares princípios de mobilização da sociedade e até de elementar justiça social, para além de, obviamente, ser tudo menos racional.
5. Não recuso que o escalão-limite seja alterado, mas isso só depois de se verificar rigorosamente da sua absoluta necessidade.,
6. É tempo de pormos a claro a verdadeira dimensão desta realidade!
7. Quando diz que se trata de uma pequena parcela, diga-me lá meu caro leitor, sabe quantos? Sabe exactamente quanto é que a aplicação de um programa destes geraria? sabe alguma coisa útil para que se determinem elementos consistentes em que possamos pensar? Se souber por favor diga-os, com verdade e rigor e verá que este programa seria suficiente para tirar o país do estado em qe se encontra sem ajuda exterior.
8. Quanto ao argumento-papão de que os quadros superiores fugiriam, só tenho que lhe dizer o seguinte:
1. – Gente dessa já deveria ter-se ido embora há muito. São meros mercenários do dinheiro e não é em gente dessa que país algum poderá radicar saudavelmente.
2. – Foram seguramente muitos desses a quem se refere que nos arrastaram para o estado em que hoje nos encontramos. Interessa preservá-los???
3. – Muitos há, bem mais competentes que não ascendem porque os lugares estão cheios de “inteligentes” como aqueles que ultimamente nos têm agredido com os tristíssimos episódios relatadas pelas Comissões Parlamentares em curso.

Por isso, caro leitor, só apelo um pouquinho, nada de mais, ao seu patriotismo.

Quanto aos cuidados de saúde, de educação e de justiça, como sabe, seguramente muito melhor que eu, nada tem a ver uma coisa com a outra e no mínimo é intelectualmente desonesto invocar este “papão” para desacreditar este plano. Acho tão-só que foi uma desatenção da sua parte.

por João Severino às 00:01
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Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*



MEXIA À LUZ DA ÉTICA, DAS BOAS PRÁTICAS, DO ELEMENTAR BOM-SENSO,

DO RESPEITO PELO PRÓXIMO E PELO SEU PAÍS COMO UM TODO, AFIGURA-SE-ME

UMA BESTA

Porque:

A sua desfaçatez é estrondosa!

A sua mediocridade tonitruante!

A sua incompetência, incomparável!

A sua falta de vergonha, chocante!

O seu chico-espertismo, nojento!

O seu oportunismo, aviltante!

Tal senhor, como responsável primeiro por uma empresa que:

1. Está na base do desenvolvimento económico desta sociedade,

2. Contribui fundamentalmente para o bem-estar dos seus cidadãos,

3. E que usufrui dela, sociedade, através de benesses espantosas que o Estado lhe conferiu e confere.

Deveria, inquestionavelmente e só, ter como objectivos:

  1. Promover o fornecimento de energia em condições técnicas adequadas, o que diga-se, não faz,
  2. Garantir os mais baixos preços por forma a conferir a essa mesma sociedade condições de competitividade no quadro da santa globalidade que pelos vistos lhe é tão cara em matéria de remunerações.

Sendo certo que tudo isto são práticas possíveis sem que se defraudem os santos accionistas.

Mas o senhor assim não entende:

Entendeu fazer crescer a empresa numa bolha de oportunidade que mais não é que um logro a médio prazo, posto que a “política de preços” para as energias renováveis está a criar um deficit na factura energética que já hoje é escaldante e que eu gostaria de saber como e quem é que vai pagá-la.

Mais, os inconvenientes ambientais de tal epidemia não foram ainda considerados porque a ressaca da bebedeira dos aumentos dos combustíveis ainda não passou, mas quando toda esta poeira assentar veremos então os estragos, embora, como quase sempre, talvez já seja tarde para quase tudo.

Quanto ao preço a que a sua empresa, autêntico oligopólio (à nossa dimensão) fornece a energia a esta paupérrima sociedade e à sua, cada vez mais deficitária fileira industrial, só me apetece vomitar, isso mesmo, vomitar para cima de si. Isso conferir-lhe-ia muito mais o aspecto do que na realidade é.

E quanto à qualidade da energia que fornece?! O que é que nos diz ??? a qualidade é tão baixa que há vastas áreas da indústria que não podem investir em equipamentos de ponta para melhor concorrerem , porque tais equipamentos simplesmente passam a vida a desligarem-se dadas as oscilações da corrente eléctrica que a sua empresa lhes fornece, com irremediáveis efeitos na produtividade e sérios riscos de avarias caríssimas.

Isto só é fruto de grave, gravíssima incompetência e de uma chocante impreparação para o cargo que ocupa.

Para mim, senhor Mexia, talvez tivesse que me conceder dois minutos para pensar se lhe daria o ordenado mínimo e seguramente muito mais para arranjar um lugar em que não pudesse prejudicar-nos tanto.

Digo-lhe mais, numa empresa como essa, qualquer atrasado mental agarrado “ao calhas” ali na avenida do Brasil, faria melhor do que está a fazer. Vá gerir uma mercearia de bairro, uma metalúrgica de pequeno porte, uma indústria em concorrência local aberta e verá um grau de dificuldade com que nem sequer ainda sonhou.


*Cronista residente
por João Severino às 11:29
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Terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*



TODOS PELA LIBERDADE???


Todos QUEM??? Para QUÊ???

Desculpar-me-ão que faça estas perguntas, mas já fui enganado uma vês e como diz o ditado “À primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer”.

Desde logo porquê o QUEM. É que eu já tenho idade para ter sido enganado uma vez e ainda não tenho idade para me esquecer disso. Habitualmente quem tem “lata” para se vir arvorar, na primeira linha dos arautos, em defensor da sempre tão aviltada “liberdade”, é gente que não nos tem transmitido os melhores exemplos, pelo que é tempo de fazermos uma triagem prévia e a tempo de evitar oportunismos de graves consequências como os que a nossa memória infelizmente nos garante.

Não vou agora aqui referir o interminável rol de aproveitamentos pessoais de tais abutres, nem carpir sobre os despojos que deixaram, mas tal cambada nunca mais me engana. Trata-se de gente sem pudor, que acumula benefícios, esgravata “vantagens”, espezinha quem se lhes opõe, adultera e avilta o interesse público, usa e abusa do Poder influenciando sempre no sentido do seu interesse particular. É gente que quando está no poder manipula negociatas e pressiona decisões que prejudicam o interesse público, puxando para a sua “sardinha” colecções de reformas, vencimentos ofensivos, senão mesmo “pornográficos”, oferecendo vantagens a “amigos”, pagando “favores” com decisões nocivas para o País, etc., etc..

Por isso, meus caros, eu quero saber em primeiro lugar QUEM é que me chama para ir defender essa “senhora” que nos últimos anos mais não tem feito que o papel de qualquer reles rameira em qualquer bordel de terceira, isto, a julgar pelos cavalheiros que tenho visto entrar, já que os que batem à sua porta e daí não passam me parecem bem diferentes.

E por último, queiram ter também a fineza de me explicar para QUÊ. Isto, porque os seus colegas, os tais de quem ainda nos não esquecemos, no dia em que ela lhes foi “oferecida” olharam uns para os outros e só lhes ocorreu perguntarem-se, “e agora?”. Agora, então agora faz-se como um amigo meu que mal sabia guiar, é pé na tábua e fé em Deus. Foi exactamente o que fizeram e o resultado está aí à vista de quem se recusar a ser cego.

Por isso, meus senhores, neste momento em que existe um sacripanta que pôs isto tudo de pantanas, não contem comigo para o canonizar. O que estão a fazer apesar de qualquer “boa intenção” que vos esteja subjacente, é exactamente o que a esse senhor interessa, ou seja, oferecer-lhe a razão para “sair pela porta grande” e ainda por cima poder armar-se em vítima. E todos nós já sabemos bem como é que este povinho trata as vítimas.

Por outro lado, o Poder confina-se aos Partidos. Que Partido é que neste momento está em condições de o exercer com autoridade, capacidade e confiança? Tenham, pois, juizinho!!!

Se derem oportunidade ao Sócrates para abandonar o poder e ir para eleições ele agarrá-la-à com quatro braços e a seguir ganhará as eleições com maioria absoluta. Para que conste, fica aqui o aviso.


*Cronista residente

por João Severino às 11:11
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

DESAFIO


Jorge Cabral*



LADRÕES!!!


A quem me refiro?! Às petrolíferas e aos “poderes instituídos”. Aos variadíssimos governos e a todos os seus elementos, numa escala onde a responsabilidade é inversamente proporcional aos pesos relativos dos respectivos países. Assim sendo, independentemente da simpatia pessoal que por ele nutro, não posso honestamente deixar de considerar Obama no topo da escala. É que, tal como diz um conhecido ditado popular: “tão ladrão é quem rouba como quem fica à porta”.

O petróleo (leia-se, crude) tem sido negociado a preços relativamente baixos. A título de mero exemplo e só para fundamentar o que afirmo, posso declarar-vos que hoje os preços estão a oscilar entre os 77 e os 78 $USD por barril, respectivamente para quem vende e para quem compra (isto, em bolsa).

Ora, se assim é, cumpre-nos perguntar? Não será já demasiada a gatunagem que por aí prolifera? É que os consumidores estão a comprar a gasolina de 98 oct a um preço que é 5 a 7% inferior ao máximo pago, na fase em que o crude era negociado a 149 $USD dólares ou seja, quando o preço foi 100% superior ao de hoje.

É claro que os instrumentos de cega ganância de que as petrolíferas dispõem para manipular tudo isto, tratam de justificar O ROUBO e parece quererem fazer de todos nós atrasados mentais, mas não é assim. Todos sabemos a dimensão do crime de que estamos a ser alvo e nessa medida não podemos deixar de responsabilizar os governos que, mandatados para zelarem pelo interesse geral e pelo bem comum, têm pactuado, ora pela via do silêncio, ora sendo claramente permissivos.

Já em artigos anteriores expliquei que o “Cavalo de Tróia” das petrolíferas nesta matéria é exclusivamente o tão badalado Índice de Platts, muito em especial no que se refere aos preços dos refinados. A respeito dos valores “aconselhados” pelo Índice de Platts para os refinados, também já expliquei que não há nenhuma razão para qualquer subida, com excepção para pontuais efeitos de acções de especuladores.

Mas, também como já em tempos expliquei, este indicador não merece nenhuma credibilidade e é manipulado totalmente pelas petrolíferas que detêm a maioria das refinarias. Quem assim não pense, informe-me por favor de qual ou quais foram os factores de produção que subiram entretanto (de Novembro de 2008 até hoje) no conjunto das acções comportadas pela refinação? É que só me ocorrem os que desceram!... Então, como é que se justifica que uma tonelada de refinados hoje, fique MUITO mais cara do que ficava em finais de 2008? Simplesmente, ninguém justifica. É assim porque é assim que interessa a quem manda nesses sectores, ou seja, ÀS PETROLÍFERAS, principalmente às mais importantes, porque as outras, até por interesse próprio, limitam-se a ir atrás.

Ou seja, estamos num quadro em que o ladrão faz a lei, compra os polícias e paga as notícias que venham anunciar o contrário do que aconteceu.

A desbunda é total e chocante! As consequências sociais e económicas desta praga vão ser profundas e difíceis de sanar e os governos agem como se nada se esteja a passar.

Isto deixa-me chamar aos governos, sobretudo aos dos países mais importantes, igualmente LADRÕES!

Mas o governo de Sócrates não pode furtar-se à mesma acusação, pois se individualmente somos algo de quase irrelevante, o facto é que nada tem sido feito a nível da União Europeia para que este estado de coisas se altere.


*Cronista residente

por João Severino às 17:06
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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


FELIZ NATAL A TODA A PORTUGALIDADE

> Quem me conhece sabe que sempre estarei ao lado de quem é fraco, pobre ou doente. Todos sabem também que prezo a liberdade e tudo quanto define uma verdadeira sociedade justa e democrata – não confundir com o nojo de sociedade que temos aqui deixado e mesmo ajudado a crescer ao sabor de gananciosos, mentecaptos, imbecis arvorados em génios e políticos da mais reles espécie.

Portanto, o que digo não deve confundir-se com qualquer saudosismo que nunca tive, apesar de ter correspondido da melhor maneira que pude a todos os apelos que o País outrora me fez e considerar, por isso mesmo, ter cumprido com as minhas obrigações fundamentais para com esta Nação, muito ao invés das fugas cobardes de muitos, mascaradas com argumentos balofos e demasiado ínvios para que, quem esteve no terreno e construiu com a sua presença e através de acções concretas os fortes laços que hoje unem os povos ontem “desavindos”, os possa aceitar ou até mesmo só, compreender.

Os exílios dourados, pelo menos comparativamente com aquilo a que nos era reservado, falam por si e dispensam quaisquer retóricas muito menos as estafadas.

Eu fui talvez o oficial miliciano que mais tempo de “zona operacional” cumpriu e não tive que matar ninguém, tendo tido , ao invés, a oportunidade de ajudar muitas populações, inclusive, após 25/4/74 evitado autênticos genocídios e execuções discricionárias, e até ajudado a matar a fome e ou a facilitar aspectos que lhes dificultavam a vida a muitos. Não tenhamos ilusões foram acções deste tipo, realizadas por centenas de milhar bem melhores que eu, que edificaram e consolidaram as relações de sã irmandade que une o nosso povo aos das recentes nações de língua portuguesa e nunca os “papagaios das baboseiras” dos “chavões fáceis” mas sem conteúdo na realidade da vida de cada um.

Em mais um Natal, daqui de longe, o nosso pensamento ainda chega a muitos dos que nessas regiões deixámos e que hoje já não podem contar com o nosso auxílio. Gente boa, que vive no meio das mais impensáveis carências e sem nenhuma esperança. Para eles um fraterno e estreito abraço, com verdadeiros desejos de um Natal com mais esperança, em paz e que nos seus países, a solidariedade, o respeito humano e a responsabilidade social dos governantes, deixem de ser palavras vãs.

*Cronista residente

por João Severino às 17:15
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



“JOSÉ SÓCRATES, DIZ-ME COM QUEM ANDAS, DIR-TE-EI QUEM ÉS”


> A sabedoria dos ditados populares resulta de séculos de experiência acumulada. É um saber empírico mas assenta nas conclusões que a observação directa dos factos sociais em geral e do comportamento individual em particular, ditam. Apesar da sua singeleza e por vezes até de algum primarismo, eles resultam afinal, da interpretação de observações concretas, tal como o faz a própria ciência e tal como esta, também admitem excepções.

Por isso José Sócrates não consigo deixar de te exprimir esta humilde mas sincera carta aberta, que espero e anseio que não seja a primeira de uma série que com sinceridade, não desejo ter que escrever.

Caro Zé,

Por ora, é uma carta muito curta. Pretende tão-só alertar-te para o facto de nem todos estarem “adormecidos” e poder alguém de um momento para o outro gritar: “O REI VAI NU!!!”, e muitos outros poderem juntar-se-lhe em turbe incontrolada e a gritaria poder vir a tornar-se-te insuportável. Por outro lado, e como o tempo já vai escasseando, quero também provocar-te um nadinha de “brain storming”, para que por ti mesmo, saibas, talvez ainda atempadamente, encontrar um caminho digno, que a todos nos preserve de termos que suportar o achincalhamento de alguém, que, só por ser nosso Primeiro-Ministro nos merece sentimentos que conflituam com qualquer eventual situação dessa natureza.

Apregoam os meios de comunicação, mesmo alguns dos mais amigos do teu governo, que tantas e tão boas provas disso têm dado, que assiduamente telefonas a rapaziada pouco recomendável, abordando assuntos impróprios de alguém a quem se concedeu a honra, mas também a responsabilidade de ser Primeiro-Ministro. Eu sei que não havia cursos para isso na Independente, mas há limites! Lamento não poder dizer-te agora, “porreiro, pá”, mas como teu concidadão e, sobretudo, como particular de um colectivo nacional que se sente magoado contigo, sou obrigado a não esconder a amargura que a forma como te tens comportado, me atinge.

As suspeitas já só se medem por Capítulos e Secções. Cada caso reúne em si um sem número de situações ínvias, gagues, exemplos tristes e insinuações assustadoras, pelos vistos, só para nós, teus concidadãos, que já só aspiramos a ter um Primeiro-Ministro por quem não recaiam dúvidas que não nos envergonhem mais.

Não conseguiste até hoje, salvar-nos das incertezas do que te acusaram e como diz o povo também num dos seus ditos “NÃO HÁ FUMO SEM FOGO”. Estas dúvidas acumuladas e quase permanentes, têm-nos atirado para uma espiral de tristeza e melancolia, como já há muitas dezenas de anos não se via neste país. A economia de que tanto falas sem que, pelos vistos faças dela a mínima noção, é sobretudo resultado disso – da mobilização das forças colectivas e das vontades individuais. Sem isso, não te iludas com ratios convenientes porque os teus “amigos”, estrategicamente colocados onde melhor te convém, sabem que o “PAPEL AGUENTA TUDO” e a sua capacidade contorcionistica não se exime em hoje justificar um elemento e amanhã comprovar o seu oposto, com igual “douta e indiscutível fundamentação”. É que, sabes, já não é só o REI QUE VAI NU. Uma grande parte do seu séquito, de tão ofuscada, também já assim está.

Os humanos lapsos que te são imputados, todos já assimilámos resultarem de campanhas malévolas e de trucidários mal intencionados. Mas envergonham-nos enquanto pairarem como a ameaça de um cutelo sobre a cabeça do nosso querido Primeiro-Ministro e a esta tortura tu podes poupar-nos!

Não sei se já te apercebeste mas há muita gente capaz no PS. Vem um pouco para a vida real e esgrime a tua verdade com honradez e sê orgulhoso pelo lado positivo. Deixa que o Partido através dos seus órgãos próprios indique alguém para te substituir enquanto estiveres a tratar deste assunto já tão importante para o País, como a própria acção de governar, porque quer o orgulho nacional, quer o de cada um de nós, estão deploráveis e isso para o País é das piores coisas que lhe pode acontecer. Sabes? Para além de alguns “gordinhos” e de outros tantos “godinhos” não se vêem grandes sorrisos por aí.

A situação social do País é tão má como triste o seu Povo e digo-te uma última verdade: se não sabes dar alegria a esta gente, pira-te porque apesar do que os sucessivos governantes incompetentes têm malevolamente feito difundir a respeito das potencialidades deste País e do seu Povo, digo-te que se vocês governantes, contigo à cabeça, não fossem tão medíocres e incapazes, este País podia ser o dos que garantisse o melhor índice de bem-estar e de felicidade colectivas, só que eu bem sei que estes aspectos nunca estiveram na vossa “agenda”.


*Cronista residente

por João Severino às 15:58
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


“A ÚLTIMA ESPERANÇA”


> Assistimos presentemente a mais um exemplo degradante da perversão do exercício do “poder”. A coberto do Estado de Direito, cometem-se vergonhosas ignomínias contrariando sem pudor os seus fundamentos, mesmo os mais nobres e inquestionáveis. Com efeito, a Lei, como seu elemento primeiro, deverá sempre respeitar os valores fundamentais da sociedade e nunca poder ser instrumento do seu atropelo. Assim não acontece.

O actual Código Penal, cuidadosa e responsavelmente elaborado por um dos criminalistas mais notáveis de sempre, reconhecido como uma autoridade a nível mundial na matéria, dito pelos seus pares, logo, por quem sabe, foi, logo que possível, subvertido conveniente e estrategicamente, por quem não dispõe nem de competência, nem de credibilidade equivalente ao autor. Estamos naturalmente a referir-nos à Lei 48/2007, feita, segundo consta, pelo ministro Rui Pereira, aprovada por um Conselho de Ministros de um governo com maioria absoluta e promulgada por um Presidente da República que, de tanta “cooperação institucional”, já satura.

Com uma “orquestra” destas ficamos pois nas mãos de quem? Do “Fado”! ou seja, do nosso destino que há muito se vem mostrando demasiado sombrio para que possamos continuar a aceitá-lo como que, se de uma condenação se tratasse. Parece que assim é, mas talvez haja uma ténue esperança que assim não seja…

Assim, embora tenha uma imensa admiração pelas opiniões do meu ilustre colega bloguista, professor catedrático Carmindo Mascarenhas Bordalo, segundo penso de Direito, muitíssimo conhecedor não só desta matéria específica mas dos meandros por onde se decide muita da “vida” deste país e embora tome sempre em devida consideração as suas opiniões, tenho alguma esperança que desta vez ele ainda possa vir a concluir (e julgo saber que ele também ficará feliz por isso) que numa determinada “Crónica” afinal não tinha toda a razão. Trata-se do actual PGR, o Dr. Pinto Monteiro, ser o “Vértice do Problema” ou… quem sabe… talvez uma das “Bases da Solução”. Pelo meu lado, faço figas pela segunda hipótese.

Trata-se pois, de podermos ou não, voltar a acreditar nas instituições nacionais, as mais importantes, diga-se, para que a transparência neste país seja um ponto de honra, aliás, fundamental à mobilização social que se impõe para que possamos colectivamente sair (bem) do “fossa séptica” nacional em que estamos.

Todos sabemos que o PGR, Dr.Pinto Monteiro, não morre de amores pelo actual Meritíssimo (será???) actual presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Noronha do Nascimento, personalidade, de quem não gosto, não porque possa ou saiba fundamentar tecnicamente tal animosidade, mas porque julgo ter aprendido a conhecer as pessoas através de certos tiques e tal indivíduo, pela forma como fala, como olha, como reage, configura, no conceito de homem que subconscientemente formatei, alguém em quem não se pode confiar, mais ou menos como “aquele” de quem Saramago diz das boas. E diga-se, que apesar de saber que ele é “avermelhado”, essa não será nunca nem é razão ponderável, dados os imensos comunistas que fazem o imenso favor de serem meus amigos, apesar de eu nunca ter alimentado nenhuma simpatia por tal sistema político.

Nesta vergonha da “nulidade das escutas”, para evitarmos mais uma machadada na nossa dignidade enquanto particulares deste estranho colectivo, apesar de presumir que o Dr. Pinto Monteiro possa fazer muito pouco, ainda guardo uma leve réstia de esperança que ele saiba, com base no imenso conhecimento que sem dúvida todos lhe reconhecem, fundamentar uma decisão contrária que nos permita recuperar alguma da dignidade que, factos como este nos têm sistematicamente e injustamente roubado.

Eu até poderei ser capaz de conviver com um primeiro-ministro potencialmente aldrabão e criminoso, o que não posso é aceitar que ele fique impune, e continue a sua cavalgada irresponsável sem que as instituições o façam assumir as consequências dos seus actos. Pior, quando se apregoam as virtudes de um Estado de Direito é inconcebível que seja exactamente através dos seus elementos fundamentais, as “Leis” que se avilte, subverta e amesquinhe os Princípios, os Valores e os Ideais da Sociedade Livre e Moderna que apregoamos ser.

*Cronista residente

por João Severino às 18:45
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



“FANTÁSTICO PEQUENO GRANDE HOMEM”

> A África é hoje palco de mais um enorme drama a que o “mundo civilizado” assiste quase impávido. Com efeito a hipocrisia que tem norteado as múltiplas intervenções dos poderes dos países do lado de cá, tem sido confrangedora e mesmo revoltante. A ideia que nos fica é que estão empenhados na proliferação dos males embora se escondam permanentemente atrás de embrenhadas fórmulas de apoio humanitário que nunca se efectivam ou quando o fazem, é-o ineficazmente e dando a nítida ideia de que é só “para inglês ver”.

A actual pandemia da SIDA naquele continente, é disso caso paradigmático, mas não é meu propósito abordar agora as vicissitudes e vergonhas que têm inundado os anúncios e as intervenções dos países abastados, na resolução desta catástrofe humanitária, mas uma coisa não quero desde já afirmar: TAIS ACÇÕES CONFIGURAM UM MODELO REBUSCADO MAS CLARO, DE LIMPEZA ÉTNICA, e tenho esperança que brevemente algum dos poderosos, forçosamente “marginal” e seguramente corajoso saiba nos areópagos internacionais certos, colocar a nu toda a verdade deste crime.

O que quero aqui abordar é uma pequena faceta das dramáticas consequências humanas dum destes flagelos.

Como resultado imediato da SIDA poucas são as famílias a quem ela não tenha já “levado” um ou mais dos seus elementos e são imensas as que, mesmo só a nível do seu núcleo, já não estão integras, sem algum ou alguns dos seus filhos, sem pai, sem mãe e mesmo sem ambos. Este é infelizmente o quadro que melhor nos dá uma imagem verdadeira da actual situação social africana. E tende a piorar muito.

Por esta razão, muitas são as crianças, com 13, 14 anos e menos que são obrigadas a assumir o papel de chefes de família, cuidando dos irmãos mais novos, porque os pais lhes foram prematuramente “roubados”.

O caso que relatarei seguidamente reporta-se a Moçambique. Num país onde os recursos naturais já não são abundantes como outrora, onde a agricultura está arruinada e é quase improdutiva, onde a pesca em águas interiores é praticamente inexistente e os meios para a fazer não existem, onde as instituições, fora dos grandes centros populacionais não funcionam, tais heróis, dão-nos, no seu “normal” dia a dia, permanentes provas de estoicismo e de uma enorme dimensão humana. Passando vulgarmente fome para acudirem primeiro às necessidades dos mais novos, prosseguem sem queixume no tenebroso sacrifício que são as suas vidas quotidianas.

São miúdos e miúdas que mostram o que de melhor temos enquanto elementos desta espécie. Facetas de que já nos distanciámos e que muitos de nós já nem sequer sabem que existem, nestas sociedades de plástico em que vivemos, cá deste lado.

Uma destas crianças, o Nielson, hoje com 16 anos, com a sua prole de dois irmãos mais novos, exclusivamente a seu cargo já há mais de dois anos, ainda não há muito tempo, contando a um repórter o que era a sua vida, desde a construção da própria humilde casa onde viviam, com recurso a materiais primários tão chocantemente rudimentares, até aos parcos utensílios com que tentavam suprir as suas necessidades, bem abaixo do limiar do elementar, sendo então questionado sobre o que é que precisava, com um sorriso admirável mas ao mesmo tempo assustador, respondeu que não precisava de nada, que tinha tudo quanto desejava para continuar a arcar com tal desproporcionada responsabilidade. Porque para ele, face ao terrível monstro que lhe havia “ceifado” os pais, parecia bastar-lhe continuar a ter saúde. Sabia que a sua determinação de continuar nunca seria abalada e tinha força e competência já demonstradas para prosseguir naquela hercúlea tarefa; quanto ao resto pouco peso teria portanto, na sua óptica.

É esta dimensão, a mais nobre que podemos encontrar dentro de nós, que escasseia nas sociedades ditas desenvolvidas. Conquistadas pela inveja, pela opulência, pela ostentação e pela ganância sem limites, alimentam-nos no que de pior também temos nos nossos íntimos e o resultado é algo de que nem por sombra podemos comparar com a digníssima e nobilíssima dimensões desta criança frágil mas que contém dentro de si um grande homem que não pode deixar incólume a emoção de todos quantos ainda prezem a Humanidade.

*Cronista residente

por João Severino às 16:46
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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


“PORTUGAL É UM CIRCO SEM FERAS, ONDE OS ANIMAIS SÃO ASQUEROSOS, OS ARTISTAS PÉSSIMOS E O PÚBLICO NÃO TEM DIREITOS PORQUE NÃO PAGA BILHETE – LIMITA-SE A CUSCAR



“FACE OCULTA” !!! Os polícias já são poetas? Nada disso, a letra foi encomendada, talvez a um concorrente ranhoso do tal amigo do Rui Veloso, daquele que lhe escreve algumas das suas boas “letras”. Bom, simples “circunvention”, empresarialmente falando, ou plágio se quisermos ver pelo lado da criação artística, nada demais. Então onde é que está o mal? É muito simples. É que não se aplica ao caso concreto a que se reporta!

Com efeito, o que é que está oculto? Há muitos anos que todos nós sabemos, vemos, constatamos, que os políticos em geral “se amanham”, gerando as mais chocantes provas que só à nossa Justiça parecem insuficientes. Mesmo quem não tem nesta matéria qualquer interesse é confrontado com situações que de “oculto” nada têm. Desde a saga do financiamento dos partidos políticos, até ao aproveitamento pessoal que disso faziam muitos deles, todos sabemos histórias manhosas de outros tantos senhores – algumas, dos mesmos que, com aparente autoridade afirmam perante as câmaras que nada têm a esconder e que estão de consciência tranquila. Como se nós tivéssemos disso alguma dúvida – é claro que estão de consciência tranquila. Não é a tranquilidade da consciência que está em causa mas sim a própria consciência. Tê-la-ão? De que tipo? Por outro lado, “FACE”? Desde quando é que tal gente tem “FACE”? Melhor seria “MÁSCARA”. Mas enfim! À polícia pede-se que investigue – ficaremos contentes se o fizer como deve.

Este recente número (de circo, claro está), é mais um jogo floral da “partidarice” que tem parasitado este país e que tende a refinar métodos e propósitos. Qual pagamento na mesma moeda, o PSD vem agora espremer o PS para quitar a situação que este lhe criou com o caso BPN. Posto o “animal” no torniquete, agora é só questão de apertar um pouco mais ou aliviar consoante ele estrebuche ou aceda às vontades do carrasco de serviço.

Que não alimentemos quaisquer ilusões quanto ao desfecho de mais este triste espectáculo – neste momento já se processam “negociações” inconfessáveis nos meandros das polícias e da justiça, onde as “tendências” de um e de outro lado medem forças, avaliam os adversários, contra propõem, pedem, subornam, chantagiam, enfim, cometem um sem número de atrocidades por forma a enredarem-se todos de tal maneira que tudo se arrastará indefinidamente até à saturação dos espectadores e esquecimento geral. E que não se magoem os Polícias!...

Ah saudosa Justiça americana onde poderosos que falhem e assim se prove vão sem demora para lugares onde seja complicado continuarem a apresentar os seus números de circo e a enganar espectadores. Os exemplos são muitos mas não adianta referi-los porque os nossos artistas não querem sequer que alguém lhos recorde. Os exemplos de fora que copiam afanosa e imediatamente, são só os que puderem gerar negociatas, os sérios, aqueles que poderiam pontuar positivamente para o bem colectivo e trazer dignidade a este aglomerado de maltrapilhos com larápios de “cachuchos” à mistura, que cada dia mais se distancia da definição de País digno de tal nome, não, “isso não interessa nada”, como diria aquela péssima “artista” que também a todos sobejamente massacrou, mas que agora, felizmente, nos tem dado algum descanso.

José Penedos, Armando Vara, Godinho das sucatas, Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Jardim Gonçalves e seu séquito, para não falar, dos das facturas falsas, dos da Casa Pia, etc., etc., são só pontas de icebergues que de nada valerão se não forem entendidas como isso mesmo, tomando delas posse de imediato (leia-se, arrecadando-as), nelas instalando bandeiras (leia-se vigiando-as), mas pondo em marcha e de imediato tudo quanto for preciso para identificar, classificar, tratar e arquivar toda a restante “massa” que está submersa.

*Cronista residente

por João Severino às 12:30
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DESAFIO


Jorge Cabral*


GRIPE AH! AH! AH!

> A filhota de uma amiga minha está com a gripe (de A a Z, uma delas será). E tal como nos matraquilham há meses, a mãe, já sobejamente amestrada, mas também compreensivelmente preocupada, apressou-se a ligar para o número com que já todos sonhamos (em pesadelos) e explicou pormenorizadamente o que se passava. De lá, da tal Linha Saúde 24, imediatamente lhe leram a sentença: “é gripe A! siga imediatamente para o Hospital”. A boa da minha amiga lá pegou na criança e seguiu para o Hospital de sua residência que no caso vertente era o de Cascais.

Ali chegadas, satisfizeram as formalidades burocráticas que todos abominamos, explicando o que ali a trazia e os passos já trilhados. Mandaram-nas esperar, na sala onde já se encontravam muitas outras pessoas (adultos e crianças) e outras tantas se lhes juntaram posteriormente. Não houve qualquer recomendação para tomar cuidados especiais, nem sequer lhes tendo sido fornecida uma máscara para evitarem a contaminação dos demais.

O atendimento médico pareceu-me, pela forma como me foi contado, tão anedótico que decidi nem sequer aqui o relatar. Talvez os “gato fedorento” decidam agora que os políticos já estão esmiuçados uns e esmigalhados, ou, se deus quiser em vias disso, outros, talvez eles agora tenham que deitar mão deste filão de quadros caricatos do nosso dia a dia colectivo. Mas como eu não tenho jeito para a comédia e muito menos com assuntos sérios e preocupantes, adiante.

Saiu a minha amiga do dito Hospital com guia de remessa para casa, onde vive com mais um filho e outra pessoa. Recomendações e medidas para que tais almas não fossem contaminadas, nem vê-las; aconselhamentos quanto aos aspectos mais elementares do seu comportamento nos dias mais próximos, quanto a evitar andar por aí a disseminar os vírus, nada; isolamento, quarentena do núcleo familiar, nickles batatóides. Verificou-se até a situação ridícula da minha amiga ter que se dirigir ao seu centro de saúde para obter a indispensável autorização para faltar ao trabalho e dar com um enorme cartaz colado à porta que dizia “SE DESCONFIAR QUE ESTÁ COM GRIPE A, NÃO ENTRE”. Ah! Ah! Ah! … como diria um antigo colega meu – “estes pândegos nem as cogitam!!!”

E portanto, com um comportamento destes a nível dos serviços que têm ou tinham a responsabilidade de fazer o quase inverso, eu fico a perceber porque é que estão a ocorrer mortes a um ritmo inesperado. Esta bandalheira entrou no comprimento de onda português, onde existem óptimos profissionais mas onde também podem coexistir outros, mascarados e diluídos na multidão dos seus colegas que, como técnicos são incompetentes, como pessoas são irresponsáveis e como cidadãos comportam-se como autênticos criminosos.

Espero que a epidemia não evolua como se anuncia, porque se assim for, estou convicto que em Portugal será uma catástrofe, que, neste momento já o é para os familiares dos que já faleceram, dos quais lembramos com ainda maior dor as crianças. Para eles me dirijo pedindo-lhes desculpa por até aqui ter sido mais um parvo que deixou que este país crescesse como é, com virtudes, mas com tantos defeitos que já há muito devíamos ter irradicado.

*Cronista residente

por João Severino às 10:13
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


“ EDUCAÇÃO CÍVICA, POR ONDE ANDAS???”


> Ao romper de mais um dia de trabalho fui agraciado com algo que me encheu de orgulho dos meus concidadãos. Algo que me ajudou a enfrentar mais um dia de notícias tristes, de perspectivas sombrias, de abusos de muitos dos agentes públicos, etc.,etc..

Na Avenida de Roma, em Lisboa, mesmo em frente do Centro Comercial Roma existe uma paragem de autocarros com a respectiva reentrância para que estes encostem sem prejudicar o trânsito, o que, diga-se, quase nunca fazem, estacionando a mais de dois metros do passeio, obstruindo inquestionavelmente a faixa de rodagem da direita e com isso, prejudicando sempre o fluxo do tráfego, para o qual se estão literalmente nas tintas.

Acontece que um senhor bem vestido, de meia-idade, acompanhado de uma senhora igualmente muito “bem apresentada”, enfim um modelo de casal cinquentão, pararam o seu moderníssimo jeep, reluzente e bem cuidado, no topo da tal paragem.

Desse facto, aproveitou-se o motorista de um autocarro da Carris, que ali passando e tendo que parar na tal paragem, embicou direito ao jeep e em lugar de o evitar, o que poderia fazer facilmente, fez exactamente o contrário por forma a poder alegar que essa viatura não lhe permitia repor o autocarro na faixa de rodagem para prosseguir caminho.

Face a tal comportamento o senhor aproximou-se do autocarro e terá dito qualquer coisa ao motorista e este a ele, conversa que não ouvi. O que ouvi logo a seguir e que muito lamento foi a tal senhora, a tal, muito brunida por fora, aos berros no meio da estrada dos quais consegui extrair, por culpa exclusiva dos meus ouvidos, o seguinte: “Deixa esse filho da puta, o que me faltava era agora ter que discutir, foda-se!” E disse! Foi sintética, pragmática e elucidou-nos que do lado de dentro não dispunha absolutamente de nada do que ostentava por fora.

Desculpem-me a liberdade de expressar literalmente o que ouvi, mas para mim era importante que o fizesse face ao que abordarei de seguida.

Ando também nos cinquenta e tal como o casal a que acima me reporto e registo sistematicamente as críticas que os da minha geração fazem acerca da alegada má educação dos jovens de hoje. Mas se de facto o são, a quem o devem em primeiro lugar? A quem lhes transmite os exemplos que, natural e espontaneamente copiam! E esses quem são? em primeiro lugar os familiares, depois os professores e por último mas não com menor importância, a própria sociedade através do comportamento-tipo do cidadão comum. Ou seja, que moral temos nós para criticar e condenar os nossos jovens quando, numa situação tão insignificante como a que aqui descrevi se gera uma cena daquele calibre e de tamanha grosseria?

É que tudo isto é tão lastimável!... Naquela ocorrência, nenhum dos adultos agiu como devia: - um porque parou o carro sem o mínimo de respeito ou consideração fosse por quem fosse; - o outro porque não demonstrou qualquer complacência, tudo fazendo para “pôr o dedo na ferida” e gerar um conflito gratuito e sem sentido; e por último a digníssima “dama” vem fechar com chave de ouro, de tal forma que rameira alguma faria melhor. Todavia, todos eles transpiravam razão e a culpa era toda alheia. Que caca de gente!!!

Para quando utilizarmos os espelhos para vermos os nossos verdadeiros defeitos e tratá-los com exigência e cabalmente? Para quando fazermos da civilidade uma prática que nos orgulhe e ajude a enfrentar o dia-a-dia com mais ânimo e mais orgulho na sociedade que constituímos?

*Cronista residente

por João Severino às 17:41
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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

NESTE DIA ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO

Caro João

Hoje, dia em que este blog comemora o seu aniversário, é, malogradamente, o primeiro dia em que temos a obrigação de nos consciencializarmos que o nosso jornalismo está mais degradado, menos credível e ao nível do seu homólogo do Mali, só para que se saiba um exemplo concreto. E porquê? Não é só porque o “poder” tudo faz para controlar a comunicação social, mas também porque a maioria dos seus profissionais não presta. Acomodam-se, bajulam e fazem mil e um contorcionismos para manterem os tachos, se possível, com todo o penacho.
E aí está o resultado, nu e cru. Uma entidade insuspeita, com critérios que aplica com equidade a todos, coloca-nos ao nível do Mali e de um outro País africano do mesmo calibre.
Esta, só por si, infelizmente deveria ser razão suficiente para que se regozijasse do êxito que este seu blog tem sido alvo. Digamos que um blog pessoal que conquista sistematicamente leitores e que neste momento garante mais de cinco centenas deles, diariamente, é obra relevante.
Sei que tudo isto só tem sido possível com muito trabalho da sua parte e sem quaisquer apoios monetários. Mas isto não é tudo. Na verdade o seu blog cresce porque todos lhe reconhecemos qualidades profissionais elevadas e um padrão de enorme fiabilidade em tudo o que afirma, porque todos sabemos que para si é a verdade que prevalece.
Esta é a grande diferença entre este seu trabalho e a maioria do jornalismo deste País.
Também julgo saber quanto lhe custa suportar as ameaças e insultos, as grosserias e outras enormidades que alguns “vendilhões do Estado” lhe têm dirigido. Saiba que o fazem porque lhes faz mossa o que aqui se veicula; tais ossos do ofício são sempre proporcionais à intensidade e valor do trabalho que produz e que bule com os interesses ínvios desses pilantras que nem sequer coragem têm para dar a cara. Aguente firme.
A sua generosidade tem sido imensa na produção deste espaço de informação, cultura e humor e eu não consigo pedir-lhe frontalmente que continue, cada vez com mais afinco, mantendo a esperança que algum patrocínio apareça para o ajudar, mas quero dizer-lhe que como muitos milhares de outros, iguais a mim, lamentarei profundamente o dia em que decida encerrar este blog.
Por tudo isto quero daqui enviar-lhe um grande abraço de Parabéns e desejar que continue a saber encontrar dia a dia, a força e a inteligência que aqui tem aplicado e que para todos nós tem sido tão grato constatar.
Jorge Cabral
por João Severino às 17:20
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



QUE PENA, IRMOS VOTAR…

Domingo, votaremos numa eleição de que deveria resultar uma nova Assembleia da República. Mas assim não é. Que pena!!!...

Na verdade contar-se-ão pelos dedos as caras novas que nascerão desta votação. Portanto, votamos para quê? Para apregoarmos aos sete ventos que isto é um País com uma prática democrática inquestionável? Para calar os descontentes? Para legitimar os incapazes? Para inviabilizar qualquer acção que quebre esta calamidade que é a eternização de Partidos infestados de criminosos e de má gente; sacos azuis, negócios da “fruta”, contas chorudas em nome de taxistas, “baús” com pastas comprometedoras em casas de banho, contas bancárias sem justificação e de todos os tamanhos cores e feitios, atitudes próprias de bandalhos e cafagestes, influências, favores e decisões pagas a peso de ouro e pela porta do cavalo, gente sem coluna vertebral que quando lhe acenam com melhores poleiros logo viram as costas aos compromissos assumidos para com os eleitores e para com o País, gente ostensiva e enojantemente mentirosa, gente que promete e faz o contrário, gente que não conhece a humildade que tem que ser, momento a momento, o servir a causa pública, logo assumindo formas de comportamento insuportáveis quando se sente com o “poder” nas mãos, enfim, gente sem dimensão nem qualidade. É para eternizar estes merdas, que votamos. Que ninguém tenha quaisquer ilusões disto.

Mais há mais penas a lastimar. Infelizmente, digo eu. Eles, seguramente dirão o contrário.

- É pena que não haja oposições que ganhem, porque sempre que estas tomaram o poder, foi porque quem o detinha perdeu.

- É pena que não haja eleitores com memória. Especialmente, os militares, os polícias, os profissionais da Justiça, os Professores, os Médicos e os Enfermeiros, os Lavradores, os Pescadores, os pequenos e médios empresários e as classes mais desfavorecidas em geral.

- É pena que só os banqueiros e os que mandam na energia e nas petrolíferas se lembrem que é altura de pagar a factura e que os outros, os que não têm memória, nem papel para a fazer têm.

- É pena que os novos Partidos não possam ter quaisquer pretensões de serem sequer conhecidos.

- É pena que aos Partidos pequenos não seja na prática dada voz audível.

- É pena que a Lei eleitoral esteja talhada à medida deste stato quo.

- É pena que os eleitores tenham estômagos para os quais não há “sapos” que cheguem.

- É pena que a vergonha não abunde nos políticos, obrigando-os a conter-se na satisfação dos seus interesses insaciáveis.

- É pena termos um Presidente que nem falar sabe e que quando faz alguma coisa ficamos com a sensação que melhor seria que ficasse quieto.

- É pena termos um Primeiro-Ministro tão ignóbil.

- Uma líder da oposição que não é coisa nenhuma, nem quer ser.

- É pena não podermos ter grande esperança num futuro com estes “artolas”, já que, artolas sem aspas somos nós, mas isto, também é pena.

Estou pois convicto que destas eleições resultará a mesma força de poder que hoje vigora, com ou sem maioria absoluta, pouco se alterará e quanto ao Sr. Presidente também já foram feitas as jogadas do seu futuro. Nada nem ninguém me convence que este indivíduo, não tivesse gerado o lamentável granel com que andamos há dias a ser martirizados, com a intenção de garantir a eleição para o seu 2º mandato. Senão vejamos:

    1 - Ele anda ou não há mais de 3 anos a fazer iniludíveis favores a José Sócrates? Alguém tem dúvidas que com Mário Soares ou com Alegre já estavam as relações em brasa”?

    2 – Se agora ganhasse o PSD e mesmo que este tivesse que fazer algum acordo com o PP para constituir Governo, era ou não mais que provável que na próxima eleição presidencial o eleitorado optasse por um Presidente da ala esquerda.

    3 – E se esse candidato fosse o Alegre quem é que tem duvida que seria o eleito.

    Ou seja,

    4 – Com sérios riscos do PSD vir a obter mais votos que o PS nestas eleições, o Sr.Silva não teve outra chance que não fosse criar este triste e lastimável episódio e geri-lo da forma que pior denegrisse a área política a que pertence.

    5 – E aí estão os resultados – sabemos que a Drª Ferreira Leite é fraca, burra (eu sabia que era teimosa mas desconhecia que fosse tão burra, todavia depois de estar atento a alguns dos seus últimos “lapsos” não posso tirar outra conclusão) e que, como animal político é impossível ser-se pior, mas, sejamos honestos, com uma “ajuda” destas ninguém aguentaria.

    6 – Com um governo de esquerda, das duas uma: ou continua com a “coexistência pacífica”, a que eu chamaria “coexistência estratégica” e na altura certa o amigo Sócrates pagará o favor, ou, se não o fizer ainda lhe resta a esperança de ser reeleito por pertencer (será que pertence?) a área política diferente do partido que detém o poder.

    Oxalá eu não tivesse razão. Mas se tiver, confesso que tenho pena!

    *Cronista residente

por João Severino às 20:53
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



GUERRA CIVIL


> Quem meditar sobre a matéria que está subjacente à manchete do 'DN' de hoje experimentará uma enorme angústia pelo descrédito em que toda a nossa vida pública caiu. A frustração que é vivermos há mais de 30 anos em Democracia e sermos confrontados com factos que estão bem abaixo dos pidescos e similares, é, seguramente motivo para nos questionarmos seriamente sobre o nosso papel em toda esta farsa.

Já pouco importa o que sucedeu. Embrenharmo-nos nos pormenores é admitirmos fazer parte de toda esta bandalhice. Quando se vem a público com factos destes e os visados não têm ombridade para imediatamente se afastarem dos seus lugares e exigirem por todos os meios a clarificação de tudo, julgo que nada mais há a dizer.

Quer no seu todo, quer em cada um dos passos descritos na peça a que acima nos referimos tudo é inadmissível, insuportável e para muitos de nós inimaginável. Mas para estes políticos e demais corvos que pululam em torno da política, não há limites.

Quanto a nós, últimos responsáveis por este estado de coisas, segundo os ditames da própria Democracia, o que é que devemos fazer? Votar bem, claro! A resposta é evidente e fácil, quando cingida às regras em vigor. Mas será que neste quadro é possível votar bem? Julgo que não. Senão vejamos:

1 - O sistema democrático está viciado porque privilegia o “stato quo”. Com efeito, segundo as regras instituídas é quase impossível fazer vingar qualquer novo partido político.

2 – A maioria dos eleitores vota por mero clubismo e o nível e a qualidade da politização dos eleitores é cada vez menor o que também favorece a imobilidade.

3 – Nenhum dos partidos existentes e afirmados na senda política, assume alterar este estado de coisas porque, seja qual for, receia que uma nova força política lhe roube votos.

4 – A sociedade cada vez mais se afasta da política, quer por desesperança quer porque se sente agastada com os sucessivos maus exemplos que os políticos não se cansam de nos oferecer.

É portanto operar uma regeneração da política através da substituição da escumalha que dela se tem aproveitado, por homens sérios e que sejam movidos exclusivamente pelo bem-fazer às comunidades em que se inserem (caso dos poderes autárquicos) e/ou ao País.

Devemos e temos que o fazer urgentemente. Como?

Não tenho nenhuma “varinha de condão”, se não já o teria seguramente feito, mas tenho a consciência de desejar que não obriguem a sociedade a tomar a via da violência para o fazer.

Todos nós achamos que as guerras civis, e já tantas e tão terríveis houve na história de quase todos os países, são factos a todos os títulos lamentáveis e manifestações da estupidez humana, mas o facto é que elas sempre existiram, com os mantos de justificações mais ou menos perceptíveis. E hoje, apesar da maioria com um novo formato, continuam a existir e a ceifar vidas inocentes, como qualquer guerra civil que se preze.

Pois bem, caros políticos, é isto que querem? Conduzir este País a um beco em que nada mais reste que voltarmos às arruadas? Às bombas?

Este povo é “corno e cobarde”. Sabêmo-lo bem! Alguns confundem isso com serenidade, mas todos sabemos que isso não é verdade. Só que até o mais tímido cão morderá se for encurralado num beco sem esperança de saída e é exactamente esta a figura que melhor define a situação para que estamos a ser levados.

Os políticos, salvo raríssimas excepções, ou são uns basbaques, autênticos verbos de encher que só existem para mera contabilização de votos, ou são gente mal intencionada, que age em proveito próprio, sem princípios que lhe imponham limites. A desbunda e o deboche a que chegou o comportamento dos políticos é já um ultraje para todos nós. Mentem, roubam, ultrajam e desde o Presidente da República até ao último deputado ninguém faz o que deve, pior, fazem tudo isto com um desplante e uma ausência de vergonha que confrange.

Uma Democracia que permita toda esta alienação é PÍFIA.

*Cronista residente



por João Severino às 23:39
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*

> Há oito longos, estranhos e frustrantes anos, olhávamo-nos incrédulos uns para os outros e perguntávamos: “ E AGORA???”

Olhos esbugalhados na televisão, rostos assustados, como que se estivessem a presenciar não a descida de Jesus à Terra, como tantos por aí apregoam, mas o seu oposto.

A catástrofe que então presenciámos escondia em si uma calamidade muito maior. Mas nós ficámo-nos pelas “torres”, pelas imagens atrozes das quedas voluntárias, pelos sons que ainda hoje muitos conseguem descobrir nas suas memórias auditivas, dos surdos dos embates dos corpos no solo.

Não devia ser preciso tanto! Dizemo-nos humanos, racionais, devíamos conseguir fazer-nos ouvir de formas diferentes. Não devia ser preciso escrever tanta estupidez para nos fazermos entender!

Digo eu e dirão muitos melhores que eu. Mas …não??? …Não mesmo???

Então digam-me lá, depois de tão claro grito de indignação (que eu, pessoalmente nunca admitirei justificar), o que é que foi feito? Quem é que entendeu e o quê?

O que vimos depois desse horroroso marco foi um conjunto calamitoso de respostas por parte dos responsáveis das ditas Democracias. Asneiras quanto baste! Poder discricionário, crimes iguais contra a Humanidade, como o próprio 11 de Setembro, iguaizinhos até aos que o Saddam tinha perpetrado, só que estes souberam a tempo chamar-lhe “erros”!

Quanto à “ordem económica e social”, cuja desbunda esteve nas “razões” mais profundas do 11 de Setembro, tudo na mesma, senão pior. Os seus abutres de sempre cedo se apressaram a “marcar lugar” para o banquete e é vê-los com os despojos a escorrerem-lhe pelos cantos da boca, de panças a rebentar mas dedo invariavelmente no ar para que o “garçon” lhes traga mais, e mais, e muito mais – se possível, tudo.

A recessão que estamos a viver à escala global, nasceu no 11 de Setembro. Quantas recessões precisamos mais para entender que é urgente mudar?

Quantas calamidades estarão ainda para acontecer até que entendamos que a vida, tem que ser vivida de uma forma onde o nosso semelhante signifique mais que um mero competidor?

Há os que se escudam no fanatismo das religiões, mas eu creio que elas nada poderiam fazer se não encontrassem este ambiente humano que lhes é favorável à prática do ódio.

O estado de frustração, de total descontentamento e de profunda angústia leva algumas pessoas a concluírem que não têm outra forma de ser ouvidas, respeitadas nos seus mais elementares direitos, dignificadas e até só, reconhecidas como Seres Humanos. Ainda hoje temos muitas situações destas. NÃO SE APRENDEU NADA!!!

Esta não é seguramente a forma de honrarmos os sacrifícios atrozes que muitas das vítimas, não se limitando a perder a vida, tiveram que suportar até ao seu último suspiro.

Tenho uma enorme vergonha que um semelhante meu consiga planear tão desumano e cobarde acto, mas tenho uma profunda raiva em ter constatado que somos governados por gente cretina, desqualificada ao máximo e que voluntária ou involuntariamente fazem parte de uma tenebrosa rede de poder que age a mando de interesses mesquinhos e em seu exclusivo benefício.


*Cronista residente

por João Severino às 10:39
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


>
Os hidrocarbonetos só foram utilizados como fonte de energia generalizada, por mero erro histórico. Penso que na história conhecida da Humanidade, não foi o único, mas até agora, foi o maior. Não vale, pois, de nada falarmos deste paradigma ou tentar justificá-lo, seja de que maneira for. Foi um tremendo erro, e, ponto final.

Foi e ainda está a ser uma enorme desgraça para todos, com as excepções conhecidas.

Ninguém precisa portanto de justificar seja o que for para defender as energias provenientes de outras origens. E há, felizmente, bastantes. Uns, gostarão mais de umas, outros, de outras, o que, diga-se, considero muito desejável por razões múltiplas e óbvias.

Eu sou defensor do Hidrogénio como fonte de energia generalizada, até porque, só ele se enquadra no modelo de desenvolvimento que preconizo para o futuro da Humanidade, como o desejo e pelo qual pugnarei enquanto viver. Mas isto não anula quaisquer das outras formas de energia. Acho que são todas necessárias e complementares. Por força das características de cada uma, haverá sempre utilizações específicas em que uma(s) será(ão) mais adequadas que outras. Isto para mim é mais que “pacífico”. Mas, o que está em causa é saber qual delas responde melhor às múltiplas necessidades da humanidade em termos genéricos e no particular de cada uma das utilizações previstas.

Eu considero que quanto à finalidade haverá que considerar dois grupos distintos: o dos sistemas fixos e o das unidades móveis.

No caso dos sistemas fixos eu até “dou de barato” a primazia à energia eléctrica. Atenção: Desde que esta tenha origem em sistemas não poluentes!

Já quanto à alimentação de unidades móveis, com toda a franqueza, não vejo como é que é possível defender-se a electricidade, ou melhor, qualquer outra forma de energia versus hidrogénio, com a excepção de utilizações muitíssimo peculiares.

Esqueçamos a produção do hidrogénio através de formas lesivas do ambiente, concentremo-nos na electrólise. O caminho que há a percorrer, entretanto, é imenso e qualquer dispersão de valores é fazer o jogo dos nossos adversários.

Não é preciso atingirmos já o “céu”. Demos passos pequenos, mas concretos! Só que para que isso nos seja autorizado é imperativo combatermos este stato quo de pilantras, ladrões, vampiros económicos e tiranos. São eles os nossos verdadeiros adversários.

A economia é condicionada pelos poderes financeiros que por sua vez dominam o mundo dos petróleos e ambos controlam a seu bel-prazer todas as decisões políticas dos governos que nós, papalvos, julgamos que são nossos, eleitos por nós, nossos representantes, etc.,etc.,etc.,… ahahah! Dirão eles.

De nada interessará estarmos aqui a discutir a têmpera do aço que devemos utilizar nas cabeças dos motores a hidrogénio, se nem sequer me deixam incorporar um pouquinho de hidrogénio na mistura gasosa do meu carro, tal qual está, para que eu possa consumir metade do combustível deles, que hoje consumo. E esta é que é a realidade, meu caro Nelson Cruz. Indivíduos sérios, como o senhor e tantos outros que felizmente existem, nada poderão fazer se não conseguirmos que a opinião geral imponha uma alteração radical desta “ordem energética”.

A Humanidade tem que se consciencializar que existem diversas soluções para que estes desequilíbrios chocantes entre ricos e pobres sejam menores e razoáveis. Eles terão sempre que existir em certa medida, mas mantê-los no estado em que estão (e até com tendência para se agravarem) é aviltante e retira-nos qualquer laivo de dignidade como participantes nesta trágico-comédia vida da Humanidade, deste grão cósmico a que chamam Terra.

*Cronista residente
por João Severino às 09:54
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


CARO HUMBERTO

> Cumpre-me informar a título prévio que pedi para que esta resposta ao comentário ao meu “Desafio” intitulado “UM SINCERO VIVA! AO NOVO COMENTARISTA”, feito pelo nosso caro leitor “Humberto”, (para o qual, aproveito para chamar a atenção de todos, recomendando vivamente a sua leitura) fosse publicada sob forma de crónica, na esperança de que assim possa chegar a um maior número de destinatários e trazer mais leitores a este tema, polémico mas actual e urgente. Só assim contribuiremos para uma sensibilização global de uma matéria tão importante para a vida de cada um de nós, mas imprescindível para o bem-estar dos nossos descendentes e para o futuro sustentado deste Planeta.

Sob pena de tornar este post maçudo e demasiado extenso, não poderei responder como gostaria a todas as questões colocadas, dado que cada uma delas envolveria algumas boas páginas, mas vou fazer um esforço para sintetizar ao máximo o que considero não poder deixar de dizer, não sem que em primeiro lugar, volte a dar-lhe as boas-vindas, agora, por maioria de razão, face à participação construtiva que nos concedeu. Volto também a dizer que a meu ver seria esplêndido poder contar com a sua participação, mesmo que fosse só subordinadamente ao tema da utilização da energia eléctrica nos sistemas móveis, mas isto, é claro só dependerá de si e do autor deste blogue, nunca de mim, limito-me a expressar aqui a minha sincera opinião.

1 – O temor sobre os riscos da utilização do hidrogénio como energia principal dos nossos sistemas dinâmicos. Embora reconheça este facto, não posso dar-lhe importância significativa. Os medos constroem-se ou destroem-se ao bel-prazer dos poderes instituídos e das suas conveniências do momento. Os receios que existem a respeito do uso e manuseio do hidrogénio só em parte têm razão de ser, isto é, existem e deverão sempre existir para que as normas de segurança sejam sempre respeitadas e sejam cumpridas as boas práticas da sua utilização. Quanto a eventuais desastres, havê-los-á seguramente mas ainda há poucos dias vi um carro reduzir em segundos os seus ocupantes a tições, devido a ter explodido – entenda-se, o depósito de gasolina, por mero embate, que, diga-se, nem me pareceu nada de especial e não consta que levasse um só grama de hidrogénio. Quem se não lembra da destruição do Hildenberg. Foi um pavor! alimentado por quem? Não tenho resposta mas alguém saberá dizê-lo. O desastre matou 35 pessoas, das quais 28 porque no desespero de se atirarem ao solo e 8 foram queimadas pelos combustíveis fósseis em chamas. Estamos a falar de uma concentração de 200 mil metros cúbicos de hidrogénio e não da quantidade que será necessária para o abastecimento de uma viatura para uma autonomia de 350 a 400 Km. Mais, se o acidente que se verificou com este Zeppelin fosse com vapores de gasolina e não com hidrogénio alguém tem dúvidas que nenhum dos 97 ocupantes de então sobreviveria?

Por outro lado o acidente só se deu por erro grosseiro, posto que nem sequer os matérias usados na construção do balão obedeciam aos requisitos técnicos elementares para o efeito recomendados. Veja-se a que conclusão chegou uma investigação recente conduzida pelo Dr. Addison Bain ex-cientista da NASA que trabalha há muito com hidrogénio: este cientista analisando pedaços do material utilizado na cobertura do dirigível, constatou que era de um material extremamente inflamável, nitro celulose. Enfim, erro de palmatória do tipo dos que hoje só se cometem por absurdo.

Hoje, com tecnologias já muito avançadas, no campo dos materiais compósitos e outros, bem como na construção de sistemas ultra sofisticados de controlo de todos os parâmetros a respeitar, é possível dispor-se de unidades fiáveis e de sistemas de acondicionamento eficientes para podermos utilizar o hidrogénio como nossa fonte de energia principal para sistemas dinâmicos, com ou sem a complementaridade de unidades criogénicas, para as quais também não me ocorre dificuldade de monta.

Aliás, já hoje andamos par a par, no transito de todos os dias com unidades de transporte de hidrogénio, nomeadamente líquido e ninguém se sente menos seguro que eu saiba ainda não vi ninguém a fugir desses camiões que transportam no seu seio algumas toneladas líquidas do produto – com risco de acidente? Claramente que sim. Mas também o há com os transportadores de refinados e são aos milhares todos os dias a cruzar as estradas.

2 – Quanto à produção do hidrogénio e do velho chavão do custo, lamento ter que afirmar que são tudo “balelas”. No dia em que os poderes políticos não estejam constrangidos pelas garras das petrolíferas e pelo “cheiro” dos impostos que cobram com base nos combustíveis actuais, tudo se alterará da “noite para o dia”. A electrólise é cara? É se eu utilizar energia dos chulos da REN para alimentar os sistemas, mas nada disso é recomendado. O que digo é que, através de sistemas de baixa rentabilidade, mas ininterruptos de produção de energia eléctrica, com base em energia eólica de baixa potência, energias hídricas (ondas, marés e cursos de água), energia solar, energia geotérmica (onde a houver a baixo custo) e outras energias, todas elas pobres, com base em sistemas de baixo rendimento mas ininterruptos e sem se provocar lesões no ambiente, é possível gerar-se em cada País o suficiente para produzir o hidrogénio de que precisa para alimentar os seus sistemas exigentes e sofisticados, coisa que nenhuma daquelas energias o faz satisfatoriamente.

Recusar esta possibilidade energética é continuar a condenar a humanidade à mingua que mata centenas de crianças por dia à fome e que divide o planeta entre “apaziguados do mais ou menos bem-estar” e os apaniguados do Bin Laden. Há que ser-se pragmático e não estar à espera de séculos para se recusar o paradigma económico em que as nossas sociedades mandantes assentam. Na Idade Média, justificava-se que as coisas demorassem – as notícias iam a cavalo e muitas vezes nem chegavam ao destino. Hoje, agir como então, é simplesmente CRIME.

*Cronista residente

por João Severino às 10:45
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



"A AUTORIDADE PARA A CONCORRÊNCIA É PÍFIA!!!" - Bravo !!!


> Talvez valha a pena continuar a “desafiar”. Por vezes sentimos que não estamos sós!

Num dos canais de maior audiência, António Costa e Silva, uma referência nacional no campo dos petróleos e no mercado de refinados, indiscutível autoridade na matéria, presidente da Partex e professor no IST, vem corroborar com a opinião que há meses temos veiculado aqui quanto à actuação da dita (por ela e por “eles”) Autoridade para a Concorrência.

- A Autoridade para a Concorrência é pífia;

- A Autoridade para a Concorrência no Mercado dos combustíveis não existe;

- A Autoridade para a Concorrência faz estudos para justificar os preços;

- A Autoridade da concorrência só actua a muito custo a reboque dos jornalistas.

- A Autoridade para a Concorrência é mais uma Autoridade para a não Concorrência;

São só algumas das afirmações que o Engº Costa e Silva (que nunca andou na Independente a fazer cursos à socapa ao domingo) fez.

Com efeito o Engº Costa e Silva interpretou com rigor e sintetismo aquilo a que esta “Autoridade” se remeteu desde que foi empossada. Quem não se lembra de um “estudo” de mais de nove meses, “para justificar o paralelismo” dos preços das gasolineiras?! Admitirmos este infame ultraje é algo que já disse e repito, repugna e confrange, atentando contra qualquer réstia de dignidade que um povo possa ainda guardar. Na verdade, se tivéssemos coluna vertebral já deveríamos andar por aí “à chapada” há muito tempo.

Sinto que não preciso de dizer hoje mais nada. Estas afirmações, vindas de quem vêem bastam por si mesmas para que cada um de nós reflicta sobre o estado a que tudo isto chegou. E embora considere que deveria mesmo ficar-me por aqui, não consigo resistir à tentação de também chamar a atenção para o outro lado desta realidade, o tenebroso, o das mentes pífias (no dizer do meu ilustre amigo): é que, também ontem o actual presidente da Galp já veio anunciar que o mercado vai “funcionar”, isto é, os preços vão subir.

A este respeito só me cumpre afirmar que o crime por parte destes cafagestes continua. E que é à prática continuada desse crime que eles chamam “funcionamento do mercado”. Na verdade já lhes foi dado tempo para se reorganizarem, os seus parceiros parasitas-especuladores estão igualmente já nos seus postos e a caminho do auge. O Obama não chega para tudo e nesta área até talvez claudique, infelizmente. Como tal, é natural que se sintam de novo a chegar à crista da onda.

Resta-nos apoiar com toda a força que tivermos os “Antónios Costa e Silvas” que ainda se podem fazer ouvir, mas que, se não sentirem um grande suporte, podem seguramente sucumbir às pressões imensas que sobre eles se abatem.

*Cronista residente

por João Severino às 11:30
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*



UM SINCERO VIVA! AO NOVO COMENTARISTA

> Embora não me compita fazê-lo, espero que o autor deste blogue não me leve a mal por dar as boas vindas ao ilustre leitor que se dignou comentar o post “PATETA”, cujo título, desde já o declaro, me parece inadequado e desnecessariamente ofensivo. Por outro lado, sinto que me compete não me remeter ao silêncio, face à responsabilidade que me cabe sobre muito do que neste blogue já foi dito a respeito do aproveitamento da energia do hidrogénio, mas, diga-se também e desde já que, em absoluto, recuso ser ou vir a ser especialista nesta matéria e o facto de tal ser reportado na resposta do Blogger ao comentário, só pode ser imputável à sua imensa generosidade, que, sendo quase sempre uma virtude, aqui, de facto, não o é.

Tendo feito o meu percurso académico na área da exploração e da produção petrolífera, cedo me apercebi dos malefícios para este Planeta em geral e para a Humanidade em particular, por se ter enveredado preferencialmente pela utilização desta fonte de energia, designadamente para a alimentação dos sistemas móveis. Logo percebi também, de quão fugaz seria o período da sua utilização, das consequências na rotura dos equilíbrios de todas as forças geológicas de profundidade, dos danos globais no ambiente de superfície e muitas outras consequências nefastas que não cabem numa abordagem com a superficialidade desta. A tomada de consciência de tal panóplia de desgraças, riscos e inconformidades com o que se poderia esperar de uma paradigma energético sensato e sustentável, fez-me pensar nas alternativas possíveis. É esta a razão pela qual há cerca de trinta anos penso nestas matérias e elejo o hidrogénio como a energia preferencial para a alimentação de sistemas móveis.

Não estou, nunca estive e julgo que nunca estarei, pelo menos por princípio, contra qualquer forma de energia que minimize a utilização de qualquer derivado do crude como fonte de energia preferencial, mas também não claudico perante a tentação de considerar “limpa” qualquer fonte de energia, pela simples razão de estar na moda. Todas elas têm características próprias que lhes conferem melhores ou piores aptidões para cada um dos fins a que a humanidade as destina, para satisfação das suas diversíssimas necessidades energéticas. Cada uma delas exige, cuidados, tecnologias e aptidões-base muito específicas que ninguém pode ignorar, nem tão pouco escamotear as dificuldades da sua implantação e as consequências da sua utilização massiva.
Dito isto, gostaria só que soubéssemos constituir um bloco coeso e sério que trouxesse à opinião pública geral uma informação que conduzisse à consciencialização atempada da emergência em mudarmos o nosso paradigma energético e alguns dos hábitos de desleixo que lhe estão associados – não nos esqueçamos que até há bem pouco tempo, consumir era a palavra de ordem e o consumismo foi, durante mais de 60 anos a base do modelo económico que agora está moribundo, apesar de haver quem desesperadamente quer reanimá-lo.

Para isso, é preciso que nos unamos e saibamos que só há dois lados: num estamos os defensores das energias eólicas, solares, geotérmicas, hidráulicas, das marés, das ondas, das biomassas, do hidrogénio e até da nuclear, e do outro, não tenhamos ilusões, estão as petrolíferas e todos os seus tentáculos de poder e de influência política que constrangem e dominam a sociedade a seu bel-prazer, espalhando fome aos quatro ventos, ao mesmo tempo que esbanjam escandalosamente, junto dos seus apaniguados.

Podemos discutir e criticar fundamentadamente qualquer forma de energia emergente, mas fazê-lo radicalmente numa emissão televisiva, será sempre um péssimo contributo para a alteração deste paradigma e resolução desejável deste problema. Mais, quando tal posição é assumida por alguém com responsabilidades científicas, parece-me, no mínimo escandaloso. Como tal, se é verdade, que o tal senhor professor, o fez, sem explicações elementares, abusando do tempo de antena que a sociedade lhe concedeu, tenho que registar aqui o mais veemente repúdio. Até porque, será exactamente isso, que farão quaisquer agentes infiltrados das petrolíferas se lhes dermos oportunidades para isso – dividir para reinar.

Já agora, caro colega comentador, também lhe digo que não conheço qualquer limitação tecnológica à produção massiva de hidrogénio, e face ao actual estado de desenvolvimento da tecnologia dos materiais compósitos, julgo que não há lugar ao temor que até há alguns anos era razoável colocar-se quanto à segurança da utilização do hidrogénio. Todavia, sou dos que recusa a utilização da energia do hidrogénio através de células. Considero que a sua utilização em combustão é muito mais eficaz e eficiente, para além de nos garantir a reconversão do parque actual circulante, com enorme facilidade, o que, já agora, lhe recordo que face à energia eléctrica é praticamente impossível (pelo custo) pensar-se em qualquer tipo de reconversão do parque existente.

Para terminar, gostaria muito que o nosso generoso anfitrião dirigisse um convite ao ilustre comentador a que aqui me reporto, para colaborar neste blog a respeito da sua forma preferencial de energia, em particular, ou de todas as alternativas ao petróleo, em geral.

*Cronista residente
por João Severino às 16:49
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

DESAFIO


Jorge Cabral*


OS PULHAS SOBREVIVEM À CUSTA DA NOSSA MOLEZA

> Agora está na moda criticar quem critica a título de que aquela postura radica num negativismo gratuito, que, dizem os últimos, está em contradição com o País real. Pois bem. Pela minha parte discordo liminarmente de que um apontar lúcido e pronto do que está mal seja negativo. Na verdade, só esta postura poderá garantir uma evolução na linha da resolução dos aspectos perniciosos de que a nossa sociedade padece e de que o País é refém.

Recuso frontalmente que o País esteja bem e ainda mais que ele esteja a caminhar nesse sentido. Os vícios das pessoas e dos sistemas instalados, a irresponsabilidade dos mandantes (chamar-lhes governantes é exagero), a tortuosidade dos serviços públicos, a falta de educação geral que fácil e lamentavelmente se percebe, os consumos exageradíssimos da máquina da saúde face aos resultados obtidos, a mais que discutível Segurança Social que só funciona para arranjismos inconfessáveis, o estado calamitoso em que se encontra a Justiça, a quase total ausência de segurança, que só não se nota mais porque somos pacatos. Tudo isto e muito mais, são razões sobejantes para que qualquer de nós levante a bandeira da insatisfação.

Mas eu vou mais longe, eu considero que neste momento há razões bastantes para que nos indignemos e levemos por diante o que nos move, ou seja, simplesmente perseguir o objectivo de um País mais civilizado. Onde o bem comum seja um desígnio inquestionável, onde os idosos sejam apoiados, onde estejamos tranquilos com a qualidade da educação dos nossos filhos, onde a Justiça faça justiça, onde os cuidados de saúde sejam adequados às necessidades e os seus custos razoáveis, etc.,etc.. Tenhamos consciência do que nos rodeia – nada disto acontece.

Independentemente dos “encaixados” neste status quo apregoarem aos sete ventos que quem fala assim não é mais do que o “velho do Restelo” da actualidade, não temos qualquer pejo em afirmar que essa gente di-lo, porque é esse o único argumento que têm para contradizer os factos, mas é pobre e falso. Agarram-se desesperadamente aos tachos que criminosamente conseguiram e tudo lhes serve, para por caminhos ínvios, os manterem.

Contudo, o País real é bem distinto dessa cáfila de manhosos. É feito por gente que sabe o valor do dinheiro e que por isso nunca percebe como é que ele pode ser esbanjado como o tem sido, através de processos e de decisões investidos de toda a legalidade e que “transpiram” responsabilidade, mas que na verdade são o resultado da falta gritante de qualidade intrínseca de quem os promove. Tratando-se muitas vezes de gente impreparada e deseducada, como tal, sem consciência de aspectos basilares que deveriam presidir sempre à sua postura, promovem gritantes atropelos que consubstanciam graves casos de abuso de poder.

Nos últimos anos, quer a administração local quer o governo, têm gasto somas incomensuráveis em obras e iniciativas, respectivamente discutíveis e inócuas. Poderíamos aqui dar um rosário de exemplos mas tal massacre nada acrescenta ao que de todos é sabido.

Este triste e lamentável quadro só é possível porque os 95% ,que de uma forma ou de outra, somos vítimas deste profundo mal-estar e suas causas, consideramos que é melhor mantermo-nos nele, do que atirarmos a toalha ao chão de uma vez por todas, mas isso só acontece porque somos um Povo Mole.

*Cronista residente

por João Severino às 13:58
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pptao

Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

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Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

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