Bagão Felix critica Governo e Banco de Portugal

"Este Governo está a introduzir uma forma de social capitalismo nas empresas", afirma Bagão Félix um dos nomes que integra a lista ao Conselho de Administração apresentada por Miguel Cadilhe, ontem à noite.
O ex-ministro das Finanças confessa que não é natural nem saudável, o Governo imiscuir-se na vida das empresas privadas. "Independentemente da pessoa e capacidade de Santos Ferreira não faz sentido, sendo mesmo incoerente, que de um dia para o outro o presidente de uma instituição bancária, que ainda por cima é estatal, passe para outro banco, o maior banco privado, por sugestão de qualquer governo ou ministro".
Aliás, embora não esteja na lei, "quando um quadro da banca sai de uma instituição em que trabalha e vai para outro banco assume normalmente um período de nojo. É uma questão de ética, mais do que uma questão legal". O que na opinião de Bagão "deveria ser seguido pelos mais altos dirigentes das instituições".
Bagão Félix, afirmou ao Expresso que aceitou o desafio de Miguel Cadilhe porque independentemente da lista ganhar ou perder em Assembleia Geral de accionistas, também por considerar que este "é um caso estranho", em particular no que toca à posição do Banco de Portugal. E adianta: "A entidade de supervisão deveria interrogar-se sobre as suas próprias debilidades em vez de lançar dúvidas sobre todos os administradores do BCP desde 1999".
Bagão Félix afirma que "é escabrosa a presunção generalizada de que são alvos os administradores do banco. As pessoas têm a sua dignidade e o Governador do Banco de Portugal deveria perceber que há limites para tudo. Ou há inibições ou não há".
Segundo Bagão Félix "a entidade de supervisão deve tratar das suas falhas e actuar em conformidade com as mesmas em vez de lançar reptos generalizados".
