Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Notas soltas (2)


Esta noite António Vitorino esteve mal no seu programa na RTP. Ele e a entrevistadora Judite de Sousa. Surpreenderam pela negativa, o que não é habitual. Vitorino costuma não enveredar por caminhos tortuosos que levem à escorregadela. Mas, a verdade é que foi colocado perante o que se tem passado no interior do PSD e do PCP, designadamente, o "saneamento" de Santana Lopes nas chefias das comissões parlamentares e a possível decisão de Jerónimo de Sousa em expulsar do partido a deputada Luísa Mesquita. Não lhe ficou nada bem em enveredar pela crítica sobre o que se passa na casa dos outros, quando os telhados da sua são de vidro. Por mais de uma vez temos ouvido Manuel Alegre e Ana Gomes testemunhar as contrariedades no interior do PS. Por outro lado, fiquei a saber através do programa, que afinal, não fui só eu que achei a Cimeira UE-Rússia um fiasco. Judite de Sousa salientou a Vitorino que a Comunicação Social internacional, particularmente a espanhola, tinha referido o vazio de decisões no encontro Durão - Putin - Sócrates. Como é bom não se estar sozinho na "difícil" análise daquilo que entra pelos olhos dentro...

Comunicação moderna

Hoje em dia vimos cenários de vida que me parecem preocupantes. Até há pouco tempo os amigos, de qualquer idade, encontravam-se num café, num snack, numa esplanada para trocar impressões sobre o trabalho, as namoradas, os pais, os avós, a política, o liceu, o clube de futebol preferido, as férias, as bebedeiras, as porradas na discoteca na noite anterior, as corridas à frente da bófia, as pinturas, os livros, as exposições, o teatro, os filmes, enfim, um rol infindável de temas, conforme a imaginação de cada grupo de adolescentes, jovens ou adultos.
Ontem vi uma nova forma de comunicação: três amigas entre os 30 e 40 anos combinaram encontrar-se para mais uma sessão de corte-na-casaca ou de afianço de língua. Cada uma foi chegando à esplanada, cumprimentaram-se com um sinal de mão porque já vinham a falar ao telemóvel, sentaram-se, pediram um sumo sempre ao telemóvel, beberam o sumo, falaram cada uma sobre um assunto diferente com os seus interlocutores do outro lado da linha. Uma dissecou sobre o seu divórcio e sobre o tema dispendeu 40 minutos. A segunda abordava o tema preocupante de poder deixar o emprego porque o chefe embirrou com ela, passando cerca de 35 minutos ao telemóvel e a terceira telemoveu-se sobre as últimas compras que fizera no Colombo e Corte Inglês durante 45 minutos. No final, ouviu-se de umas para as outras "Então, tudo bem? Temos de ir, não é?"...

Prá boca (1)


Toda a gente gosta de comer ou sente necessidade de mastigar. E ainda existem os bons garfos que adoram experimentar restaurantes que lhes são recomendados, nem que seja na Conchichina.
Hoje venho recomendar-vos uma tasca. Especial, alentejana. Se for passear ao Alto Alentejo não deixe de ir até Avis. Ali encontra na Rua do Comércio, Santo António de Alcórrego, a TASCA DO MONTINHO. Sente-se à mesa e peça para falar com a Dona Maria José Pexirra, uma das cozinheiras do restaurante, e pergunte-lhe o que é que ela recomenda.
A TASCA DO MONTINHO tem realmente um ambiente familiar, composto por duas pequenas salas, numa delas até pode acompanhar o futebol, caso o seu clube jogue nesse dia. Ali pode provar as melhores Migas de Espargos do nosso país. E ainda pode escolher Migas de tomate com carne de alguidar, as de mioleira e as mais tradicionais passadas na sertã. Pratos de caça, da época, são abundantes, mas a lebre com feijão e a perdiz estufada são de chorar por mais. E ainda há vitela estufada, , feijoada, cozido de grão e ensopado de borrego. O seu horário é das 12.00 às 15.00 e das 19.00 às 22.00 horas, de terça a domingo. Aceita todos os cartões de crédito e tem um preço médio de 17 euros.

O que eles dizem (2)

"Numa auto-estrada vamos de carro de forma facilitada até um destino. Numa auto-estrada do mar é a mesma coisa"
Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes

"Desburocratizar as cabeças é fundamental. A Administração Pública não pode continuar a tratar os investidores como bandidos e vigaristas"
Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé

"(Paulo) Bento tem Mundo suficiente para perceber que uma derrota não é o fim do Mundo mas que também não deve ser encarada com a leveza com que se olha para um jogo de computador"
António Tadeia, comentador desportivo

"Uso calças porque gosto pouco de as baixar"
Rosado Fernandes, professor universitário jubilado

"A maionese é uma boa metáfora principalmente quando deslaça"
Ana Sá Lopes, jornalista

Portas marca pontos

Paulo Portas jogou uma cartada de grande vulto. Veio chamar a atenção que a ministra da Educação, mais uma vez, tomou medidas desajustadas no Ensino. Desta vez, Maria de Lurdes Rodrigues promoveu o facilitismo na frequência dos alunos às escolas, assim algo a modos de os alunos faltarem e passarem de ano sem problema, porque no fim do ano não haverá chumbo por via de se ser faltoso. Naturalmente que o CDS saiu da toca e Paulo Portas fez muito bem em sublinhar que a ministra está cada vez mais a deteriorar o sistema. E se a posição de Portas nos merecesse algumas dúvidas, eis que, o insuspeito José Miguel Júdice (unha com carne com Sócrates), veio, esta manhã, aos microfone da Antena 1 desancar na ministra com uma força tal que o D. José ia caindo do cavalo abaixo em plenas obras do Terreiro do Paço. Júdice também concorda com Portas e acha que a ministra está a provocar uma "balda" no Ensino que lá chegará o dia em que os professores estarão nas aulas a falar para o boneco...

As escolhas de Marcelo (2)


O professor Marcelo Rebelo de Sousa apresentou-se ontem na RTP mais comedido, sem no entanto, criticar os "bicéfalos" do PSD, afirmando que Santana Lopes fez saneamento quase selvagem nas comissões parlamentares e que Filipe Menezes anda armado em anjinho. No entanto, o ilustre comentador ao concordar que o resultado das sondagens, que indicam uma queda do PS e de José Sócrates, se deve ao aumento do desemprego, lá foi dizendo que Luís Filipe Menezes representa "um cartão amarelo muito forte, alaranjado" ao Governo. Um resultado que, para o professor, "é o abrir a hipótese a Menezes de não apenas tirar a maioria absoluta, mas de ganhar" nas eleições legislativas de 2009. Ganhar, professor? Mas como é que mudou de ideias tão depressa? Então, o presidente da Câmara de Gaia não é um populista barato com poucas hipóteses de se transformar num homem de Estado? Querem ver que tudo isto ainda acaba com o primeiro-ministro Filipe Menezes a apoiar a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa?

Por mares nunca dantes blogados (3)


A Mercearia das Loucuras

Façamos algumas contas de mercearia, lápis atrás da orelha, e examinemos a qualidade do produto encomendado.
Realizou-se ontem a cerimónia de abertura dos segundos Jogos Asiáticos em recinto coberto. Fogos, artistas convidados, acrobacias, coreografias, viu-se de tudo no Estádio de Macau, na Taipa. Tudo preparado ao pormenor, sem olhar a despesas, para inglês ver. Inglês não, belga. O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) Jacques Rogge foi um dos convidados.
Antes do início da cerimónia houve uma ameaça de bomba. As autoridades investigaram e viram que se tratava de falso alarme. A ameaça surgiu numa página da internet, e fazia referência a duas bombas colocadas no estádio. Depois de localizada a sua origem, foi detida uma mulher de cerca de 30 anos, que se suspeita não ter relação com a ameaça. Confuso, e uma prova de que a segurança foi mesmo reforçada. É contudo estranho que pela primeira vez desde que me lembro, há uma ameaça de bomba em Macau, e logo neste evento.
Quanto aos jogos em si, e à sua importância no panorama desportivo mundial, são uma nulidade. Acho bem que Macau se afirme, que traga eventos, que não há preço que pague a publicidade, e todas as outras justificações para este tipo de despesismo. Mas no que toca à qualidade do evento, ao retorno, aos benefícios que traz ao turismo do território, é melhor nem falar. Acredito mesmo que muita gente, para não dizer a grande maioria, que esteve ontem na Taipa, não vai assistir a um único evento dos jogos. Rogge está em Macau muito provavelmente porque não tem mais nada que fazer, e a importância da sua vinda prende-se com a possibilidade do actual presidente do COI poder integrar a RAEM na grande família olímpica. Mas o que acontece se não o fizer?
As modalidades são outro senão dos jogos. Tirando o futsal, são experimentalismos bacocos que nem se sabe bem como chegaram a ser considerados "desportos". Jogos electrónicos? Um paraplégico ou um obeso podem ser "ases" nesse "desporto". Basta saber jogar empacotados da EA Sports, como o NBA2007 ou o FIFA2007, que qualquer um pode "treinar" em casa. Não me surpreende que Macau tenha sido goleado nos jogos de "futebol em bicicleta", pois nunca vi ninguém jogar à bola com bicicleta, nem em Macau, nem em lugar algum. De resto temos desportos com nomes como "Kurash" ou "Kabbadi", que mais parecem nomes de pratos da deliciosa cozinha indiana, em que brilham os "atletas" daquele sub-continente.
Acho óptimo que Macau se equipe de infra-estruturas desportivas de qualidade, cujos benefícios são já bastante significativos. Há dinheiro para fazer tudo e muito mais, mas não me falem de lucros, retornos, prestígio ou benefícios. Só que nesta mercearia, o patrão que é o povo, gosta de contas bem feitas. Se a piscina custa x, não é de ânimo leve que o merceeiro venha a saber que teve de pagar x ao quadrado. Se determinados jogos custavam y, só se pode considerar escandaloso que acabem por custar y ao cubo. Há dinheiro pois, mas não é para deitar fora.
Chega de fugas para frente, que sempre que acontecem não dá para ver bem o que fugitivo leva na mão. Também já é tempo de algumas pessoas perceberem que para que os comboios cheguem a horas não basta fazer anuência aos senhores que tomam as decisões, sem se questionar porque o fazem ou como o fazem. Em vez disto temos a política do "todos caladinhos, que os senhores sabem muito bem o que fazem". E se por acaso tendes o direito de falar (apoiados por potências estrangeiras que tentam destabilizar Macau?) é porque aqui é uma democracia, infelizmente. Isto são provavelmente influências, directas ou indirectas, de uns certos estagiários que vieram para Macau aprender sobre a liberdade.

In Leocardo (Recomendo)

Blogando com prazer (4)


Certezas temos algumas. Que um criminoso é como a masturbação, tem de se pôr a mão no gajo. Que a transparência é como a temperatura, só é tolerada até certo grau. Que as nossas fêmeas são as mais belas de todo o Universo.

Álvaro Damiaças, in Nos Cromos do Cosnos (Recomendo)

Rica imagem

Muitos factos que se deparam no nosso quotidiano são absurdos por estupidez natural. Não querem saber que o Governo Sócrates encomendou um estudo para indagar da imagem do sector público? Total absurdo. Alguma vez seria necessário um estudo para se saber a nossa opinião sobre o modo como somos tratados nas repartições públicas? Será que o Governo nunca soube o que se passa nos balcões dos hospitais públicos, das repartições de Finanças, na Direcção-Geral de Viação, da ADSE, da Segurança Social, das esquadras da PSP e da GNR, dos Centros de Emprego, etc? Será possível? Pelos vistos, não. E por isso é que o inquérito levado a efeito pela Universidade Católica concluiu que três em cada quatro portugueses consideram que a administração pública funciona "pior" ou "muito pior" do que o sector privado. O referido inquérito traça um retrato pouco favorável dos serviços do Estado, com "funcionários a mais" e a "trabalhar mal".
O que deixei escrito serve bem de intróito pra repudiar vivamente a intenção de este Governo inserir no próximo Orçamento de Estado mais de 190 milhões de euros para serem gastos em novos estudos, inquéritos e consultorias. Inquéritos e estudos? Façam-nos a quem passa na rua. Poupem-nos a gastos supérfluos...

Cristina vencedora


Os noticiários internacionais abriram esta manhã com a vitória de uma mulher para presidir aos destinos da Argentina. Boa! Cristina Kirchner venceu as eleições presidenciais com mais de 43 por cento dos votos. É uma advogada que prefere a rotura do que as falinhas mansas. Que sabe perfeitamente que a Argentina bateu no fundo em 2001 e que o povo passou muito mal. Que nada aprendeu com o seu marido, antes pelo contrário, quer fazer melhor porque sabe mais de política social. E em entrevista à revista Time colocou os pontos nos iis relativamente aos Estados Unidos, dizendo, "quem escolhe os amigos da Argentina são os argentinos"...
Mais uma mulher bonita, (é sempre meio caminho andado para a vitória, excepção no caso de Ségolene Royal) que sucede no cargo presidencial ao marido, depois de termos visto Eva Péron, possivelmente Hillary Clinton (já lhe chamam Mrs President) e agora a "Senhora Kapa". Parece que o ditado cumpre-se a rigor: por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher.