Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Verbas na tropa


Hoje comemorou-se o Dia do Exército com uma cerimónia na cidade de Leiria, à qual presidiu o ministro da Defesa. A este propósito lembrei-me de uma história da minha vida. Em 1969 estive a cumprir serviço militar em Vendas Novas, na Escola Prática de Artilharia. E um belo dia em plena parada do quartel, com a Companhia formada para a revista, ouvimos uma voz com um timbre meio falsete meio óbuz. Era o tenente Pinto Ramalho que gritou: "Pois fiquem sabendo que posso fechar os olhos a muita coisa! E nesta Escola Prática, onde até há militares a mais, de uma coisa não abdico que é os carros militares não estarem bem lavados!"
Passados estes anos o que vejo na televisão? O tenente Ramalho é general e é o Chefe do Estado-Maior do Exército. Na cerimónia não puderam ser apresentados os novos carros blindados - os Pandur - porque, lavados ou não, tinham um defeito de fabrico... e o Exército está com uma falta de 4000 homens nas suas fileiras...
E armas? E jipes? E munições? E fardas? Bem, o ministro disse que tinha por lá um reforçozito de verbas...

Currículo a iniciar o blogue

Há pessoas que apresentam um Curriculum Vitae com dezenas de páginas. Fizeram um curso de um mês, vai para o CV. Proferiram uma palestra, vai para o CV. Estagiaram duas semanas numa estação de rádio regional, vai para o CV. E por aí fora nunca mais terminava com exemplos.
Hoje ao iniciar o meu primeiro blogue, e como sinto que já não estarei cá neste mundo muitos anos por razões que nem vêm ao caso, penso que sou devedor de apenas deixar aqui o principal do que fiz na vida, para que o meu obituário não seja apenas composto por duas linhas.
Iniciei o prazer de fazer notícias, e de as ler, em Timor-Leste. Decorria o ano de 1970 quando para ali fui mobilizado militarmente. Trabalhei no jornal do Exército e na Emissora de Radiodifusão de Timor. Em 1973 ingressei como profissional do telejornal da RTP e nos Serviços de Informação da Rádio Renascença. Na sequência do golpe de Estado de 25 de Novembro de 1975 fui despedido sem justa causa da RTP em Outubro de 1976 com dois bebés nos braços. Fui colaborador do diário A Capital e dos Parodiantes de Lisboa. Emigrei para Macau em 1981. Ali fundei e dirigi a Revista Macau Image; a Revista High Speed Racers; a Revista Macau Desporto; o semanário Vector; o diário Futuro de Macau; fui o primeiro jornalista, não sacerdote católico, a dirigir o semanário O Clarim; fui o primeiro jornalista a dirigir o diário Gazeta Macaense; fui director e proprietário do diário Macau Hoje até 2001, ano em que um advogado local me moveu uma perseguição com processos judiciais que motivou a minha saída do território; fui jornalista, locutor e realizador da Rádio Macau; fui apresentador e editor da TDM (TV de Macau); fui locutor e realizador da Rádio Vila Verde-Macau; fui autor e editor do livro I Raid Terrestre Macau-Lisboa, aventura de 22 mil quilómetros ao longo de 50 dias que atravessou a China, Paquistão, Irão, Turquia, Bulgária, Jugoslávia, Itália, França, Espanha e Portugal no ano de 1988; fui editor do primeiro disco CD em Macau com composições interpretadas por Isabel Tello Mexia, tendo sido igualmente a primeira vez que se misturaram instrumentistas portugueses e chineses; fui assistente de realização no cinema tendo trabalhado com Franklin Shaffnner, Laurence Olivier, Gregory Peck, James Mason, Steven Guttenberg e outros em Inglaterra, Áustria e EUA; fui comentador oficial durante muitos anos do Grande Prémio de Macau, das corridas de automóveis e de motas; fui co-fundador da Associação de Patinagem de Macau; fui praticante e campeão de Macau de Hóquei em Patins; fui um dos mentores do Motocross em Macau; fui um dos mentores do Karting em Macau; fui participante na maior aventura automobilística mundial, o I Raid Terrestre Macau-Lisboa em 1988, após o qual fui condecorado com a Medalha de Mérito Desportivo pelo Governador de Macau, Carlos Melancia, sob a indicação do Presidente da República, Mário Soares; fui piloto de carros no Grande Prémio de Macau tendo subido ao pódio ao obter o 3º lugar em 1983, ano em que Ayrton Senna venceu em F3; fui declamador dos poetas portugueses mais consagrados em centenas de espectáculos ocorridos em Portugal, França, Espanha, Macau, Timor-Leste e Austrália; fui correspondente da BBC, da CNN, da 2VOX-FM (Austrália) e do diário Hongkong Standard; fui membro da Comissão de Apoio ao Povo de Timor-Leste; fui co-fundador do Clube de Jornalistas de Macau. Na Austrália trabalhei na rádio, num restaurante e na construção civil, estudei tendo tirado um curso de jornalismo na Universidade de Sydney e fui correspondente da rádio TSF-Portugal e da Rádio Macau. Sempre fui anarquista, defensor da seriedade e da liberdade, sou casado com uma cidadã nascida em Timor-Leste e tenho dois filhos maravilhosos e um neto lindo, com sangue português, timorense e australiano.

Quero prestar homenagem aos meus companheiros de profissão Norberto Lopes, Vasco Hogan Teves, José Manuel Marques, Fernando Pessa, José Mensurado, Cáceres Monteiro, Rui Romano, Rodrigo Emílio, Luís Fraga, José Rebordão Esteves Pinto, Herculano Carreira, António Ribeiro Soares, Francisco Ribeiro Soares, Jaime Saint-Maurice, Armando de Carvalho, Pedro Mariano, Cordeiro do Vale, Bessa Tavares, João Coito, João Fernandes, Alves Fernandes, Alves dos Santos, Horácio Caio, António Duarte, Handel de Oliveira, Adriano Cerqueira, Mário Zambujal, Fernando Dacosta, Afonso Praça, José Gabriel Viegas, Afonso Rato, Maria Elisa, Raul Durão, Fernando Balsinha, Manuela de Melo, Pedro Correia, Joaquim Letria, Augusto Vilela, Maria Antónia Palla, Maria João Avillez, José Pedro Castanheira, Nuno Rocha, Carlos Pinto Coelho, Luís Alberto Ferreira, José Rodrigues dos Santos, Augusto Cabrita, Carlos Morais José, João Varela, João Paulo Borges, César Camacho, João Carvalho, Fernando de Sousa, Carlos Fino, António Esteves Martins, Margarida Ângela, José Videira, António Capinha, Judite de Sousa, Luís Andrade de Sá, Jorge Silva, Pedro Dá Mesquita, Severo Portela, Paulo Azevedo, João Barradas, Adelino Gomes, João Paulo Guerra, Helena Falé, Luísa Fernanda, Nuno Rogeiro, Joaquim Furtado, Joaquim Vieira, Beltrão Coelho, Cecília Jorge, João Canedo, Fátima Cid, Hélder Fernando, Alfredo Vaz, Filipe Luís, Jorge Schnitzer, Miguel Sousa Tavares, Luís Pinhão, José Alberto de Sousa, Rui Ochôa, Eduardo Gageiro, Domingos Piedade, Mário Gonzaga Ribeiro, José Miguel Barros, Manuel Neto, Cesário Borga, Avelino Rodrigues, Mário Cardoso, Pedro Sousa Pereira, Cecília Malheiro, Fernando Quinas, Carlos Blanco, Hélder de Sousa, Luís Filipe Costa, João Facha, João Moreira de Almeida, Fernando Assis Pacheco, Baptista-Bastos, Carlos Albino, Francisca Aurélio, Teresa Quintela, Josué da Silva, João Corregedor, Alfredo Maia, Abílio Abrantes, João Paulo Diniz, Carlos Barbosa de Oliveira, Paulo Aido, Carlos Carvalho, Pedro Sousa Pereira, João Botas, Fernando Cascais, Veiga Pereira, Ribeiro Cardoso, José Figueira, Carlos Borges, Vasco Centeno Barata e tantos outros que irei colocando aqui sempre que a memória não me falhe.

Pág. 13/13