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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Notas soltas (3)


Não entendo lá muito bem a existência do programa com António Vitorino na RTP nos termos actuais. O programa é apresentado de um modo que nos dá a sensação de que Judite de Sousa tem de ir apanhar o comboio. A que propósito é que "As escolhas de Marcelo" tem um tempo de duração e o "Notas Soltas" de Vitorino tem um tempo muito menor? Se se trata de um contraditório ideológico entre teses PSD contra as do PS, penso que a duração devia ser idêntica.
Esta noite a pressa em abordar vários temas deixou-nos com a sensação de nada conseguirmos reter no ouvido. Vitorino começou por antever o que será amanhã o primeiro debate na Assembleia da República entre os SS, salvo seja, Santana e Sócrates. Afirmou estar convencido que actual direcção do PSD é menos europeísta que a anterior e que ainda não vislumbrou onde é que "este" PSD pensa reduzir a despesa corrente.
Como segundo tema Judite de Sousa pediu a opinião do analista político socialista sobre o estudo da CIP para o novo aeroporto, ao que lhe foi respondido que o LNEC terá de ser sério na análise das propostas e que o Governo deverá clarificar muito bem os critérios da escolha. No entanto, Vitorino, diga-se, em absoluta oposição a Mário Lino, lá foi dizendo que a opção Alcochete tem duas vantagens claras: o prazo de construção e o período de utilização.
De seguida, acentuar que outro dos temas disse respeito ao Estatuto do Aluno e aqui Vitorino voltou a marcar pontos pela sua independência relativamente aos seus camaradas socialistas que apoiam as teses de certos ministros. Vitorino mostrou não ser adepto do Estatuto do Aluno que foi aprovado. O comentador entende que deve existir mais disciplina nas escolas.
Por fim, falou-se do primeiro julgamento de um acto terrorista em território europeu (Madrid) e sobre o qual António Vitorino enalteceu o tribunal espanhol e o facto de os autores materiais terem sido condenados e os suspeitos autores morais terem saído em liberdade por manifesta falta de provas. Assim, tudo muito à pressa, à pressa, à pressa... acabou o programa de análise política. Qual análise? Qual Política?

Grave acidente com autocarro

Há cerca de uma hora um autocarro presumivelmente, segundo as nossas fontes, pertencente à Câmara Municipal de Castelo Branco, despistou-se na auto-estrada A23, ou possivelmento nos acessos à mesma via, junto de Fratel, causando um pandemónio no local com oito passageiros mortos (não confirmado) e muitos feridos. O autocarro, segundo as mesmas fontes, transportava idosos que tinham participado numa excursão e teria embatido com outro veículo ligeiro e caíu numa ravina. No local já se encontram três helicópteros de assistência médica e várias corporações de bombeiros.

Figo partiu o peróneo


Luís Figo, no dia do aniversário dos seus 35 anos sofreu a lesão mais grave da sua carreira ao serviço do Inter de Milão. Ontem no encontro com a Juventus, um dos jogadores adversários entrou a doer e lesionou o jogador português mais internacional, partindo-lhe o peróneo. Luís Figo será operado amanhã. Desejamos-lhe rápidas melhoras e que regresse ainda ao futebol.

Atropelamento mortal

Esta tarde informámos que se registou um atropelamento em Tires - Cascais, que atingiu uma senhora com 81 anos acompanhada de dois netos, um de quatro e outra de seis. A criança de seis anos sofreu vários trumatismos. Foi transportada para o hospital S. Francisco Xavier. Infelizmente a criança não resistiu e morreu.

Portugal em seca


No mês de Outubro não choveu. Este Novembro já vai com cinco dias e nada de chuva. Em algumas regiões do país já se verificam situações de seca. Os agricultores estão apreensivos e entendem que as chuvas já estão a fazer falta, especialmente para o centeio e trigo.

Benfica na Escócia


O Benfica já está na Escócia para defrontar o Celtic de Glasgow, a contar para a Taça dos Campeões.
Será que os escoceses jogam com a gaita... de foles?
Será que a Scarlett Johansson é do Benfica?

Prá boca (3)



Hoje vamos aconselhar-vos mais um restaurante de estalo. "O Pereira" está em Cascais, na Travessa da Bela Vista, 42 e o amigo Manuel Trindade Castro é o proprietário e responsável pela boa cozinha. Quer toda a gente satisfeita e por isso é que pergunta sempre "Mais um bocadinho?".
"O Pereira" é uma casa familiar, com uma ementa variada e saborosa. O cozido é de se lhe tirar o chapéu. Tanto os linguadinhos fritos como as pescadinhas de rabo na boca podem ser comidos com açorda de alho (para os lisboetas), migas (para os alentejanos), com arroz de tomate ou com arroz malandro de grelos. Ali pode ainda deliciar-se com pezinhos de coentrada, mão de vaca com grão, caldeirada à fragateiro, feijoadas de chocos ou à transmontana, cabrito assado à padeiro, dobrada com feijão branco, arroz de cabidela, iscas à portuguesa, cação de coentrada e um cativante pernil de porco no forno. Ui, vale a pena marcar na agenda e o telefone é 214831215, com um horário das 12.00 às 15.30 e das 19.00 às 24.00 horas, aceitando cartão multibanco e com um preço médio de 15 euros. Bom apetite!

Fico contente

Tenho a noção que praticamente ninguém lê o meu blogue, mas a verdade é que abro o rádio para escutar o noticiário das 14.00 horas e o que oiço? A abordagem de dois temas que aqui referi. O caso da funcionária de Ponte de Lima, muito doente e obrigada a trabalhar pela Caixa Geral de Aposentações. Oiço o noticiarista referir que o caso já está a ser resolvido. Por outro lado, o mesmo noticiário colocou no ar, em directo, uma responsável da área da Educação a pronunciar-se sobre as crianças deficientes que não têm apoio nas escolas de Viseu, no sentido que está a equacionar-se todo o esforço para resolver o problema ainda hoje. Até parece que leram o meu blogue. Naturalmente que não, mas fico contente por ter alertado os problemas em causa e os mesmos serem abertura de noticiário.

Atropelamentos muitos

Falámos aqui dos atropelamentos nas passadeiras de peões e do desrespeito pela sinalização. O nosso comentador J.C. chegou mesmo a dar exemplos do que se passa no Japão, onde as pessoas nem se preocupam em olhar se vem algum carro, à semelhança da Austrália e de outros países civilizados. Há quem diga que o ensinamento de criar o hábito para que os sinais sejam respeitados deve começar nas escolas. Pois, pelo que acabei de ver no intervalo para almoço, leva-me a dizer que neste país tudo tem de começar no berço.
Apresento-vos duas situações que não originaram tragédia por um simples acaso do destino. Numa passadeira de peões com o sinal verde uma dúzia de jovens atravessou com o sinal verde para eles. Nos segundos imediatamente anteriores passou um carro a grande velocidade que não respeitou o sinal vermelho e que por pouco não atropelava os jovens. Passados uns minutos vejo quatro jovens de 11 a 12 anos atravessarem uma passadeira de peões com sinal vermelho para eles. Um carro na sua marcha não os atropelou por pouco.
Ora, aqui temos duas situações distintas em que automobilistas e peões não respeitam os sinais.
Quanto a mim, o maior desgosto vai para o caso dos jovens, muito jovens, que ainda não respeitam. Que ainda não ficam quietos na passadeira a aguardar o tempo que for necessário que abra o sinal verde para a sua travessia. Se esta geração de jovens ainda não cumpre, como é que os atropelamento poderão acabar nos próximos 20 anos?

Alunos deficientes fora da escola

Alunos com problemas motores têm direito, por lei, a acompanhamento. Por lei. Mas isso é no papel. Porque na prática nada acontece e o apelo à senhora ministra da Educação para não se demitir continua. Tal como continuam os escândalos na área da Educação. Em Viseu, no Agrupamento de Escolas Infante D. Henrique encontram-se seis crianças sem aulas porque o agrupamento não lhes dá resposta às suas necessidades especiais. O número de auxiliares não chega para as acompanhar. São as tarefeiras, funcionárias contratadas avulso, quem presta apoio a estes alunos portadores de deficiência. Uma vergonha...

Blogando com prazer (10)


e-m@il da semana

Este tem circulado pelos mail lists de muita gente. Se ainda não leram deixem-me partilhar convosco. Uma história de fazer chorar as pedras da calçada.

"Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.

Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é? Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um.

Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas.

Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.

- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.

Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.

- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?

Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora. O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma
refeição decente para ele. Então sentou-se à minha frente e perguntou:

- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mail.
- O que são e-mail?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses). É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor você tem Internet?
- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual.
A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia.
Isto é virtual não é senhor???

Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado.

Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado senhor, você é muito simpático!".

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!"

In Leocardo (recomendo)

Fusão Benfica-Sporting põe comentador em risco de vida

Na foto o Dr. Rui Santos com muita sede

Ponto prévio: gosto de futebol, joguei futebol e fui treinador de futebol. Gosto essencialmente de ouvir pessoas que saibam de futebol. Mas ontem ao ver o programa "Tempo Extra" na SIC-Notícias, com a intervenção do comentador desportivo Rui Santos, comecei a pensar que algo vai mal no mundo dos chamados analistas futebolísticos, o que é diferente de analistas da problemática futebolística.
Rui Santos, sentado (ainda ninguém lhe ensinou que ao sentar-se deve desabotoar o casaco) e rodeado de jornais por todo o lado, apresenta-se como catedrático da disciplina chuto na bola. Com o seu ar emproado e sapiente dedilha umas quantas máximas linguísticas que nos deixam abananados.
"Há uma Quadratura do Círculo no Sporting onde Paulo Bento, Pedro Barbosa, Carlos Freitas e Soares Franco se apoiam uns aos outros". Ficámos assim a saber que Jorge Coelho, Lobo Xavier, Pacheco Pereira e Carlos Andrade estão lá na sua Quadratura a apoiarem-se uns aos outros.
Rui Santos denomina a Liga de futebol, como a "Liga da Mentira", onde apenas os três grandes clubes - Benfica, Sporting e Porto - contam para o campeonato, existindo assim, uma "macrocefalia". Curiosamente o programa "Tempo Extra" é macrocéfalo porque apenas fala dos três mesmos clubes.
Rui Santos, a dada altura, diz que no futebol português "há muito dinheiro a circular" mas que, no entanto, "os dirigentes estão de braços cruzados". Não entendo. Se estão de braços cruzados como é que podem mexer no dinheiro?...
Para o analista futebolístico o que é preciso é ter "anturage" para se ser árbitro e neste propósito "o futebol tem duas faces". Só duas?...
No Benfica, Rui Santos entende, que há uma "clivagem fracturante" e acaba com uma estirada que lhe pode valer a vida. Ou os benfiquistas e sportinguistas já estavam a dormir à hora do programa ou Rui Santos a partir de hoje corre perigo de vida. Nada mais, nada menos, o comentador corajosíssimo atirou com a bola para a "fusão" entre Benfica e Sporting. Ai, onde ele se foi meter...

Temos uma sondagem sobre a fusão Benfica-Sporting na barra lateral. Vote!

Greenpeace malucos

Conversa esta manhã numa esplanada de café lisboeta

- Bom dia, compadre!
- Ora viva! Então, como é que foi esse fim-de-semana?
- Ao sol, meu amigo! Ao sol porque estes ossos com setenta e nove primaveras bem precisam dele...
- Ai, o sol é uma maravilha! Mas oiça cá, ó compadre...
- Diga, diga que a sua fala também me aquece!
- Este dia maravilhoso que está... com o céu totalmente azul... este sol radioso que até aquece o coração tem me dado cá que pensar!
- Então, porquê?
- Ora, porque nunca vi isto assim a um dia cinco de Novembro. Uma coisa é a gente ter o frio do costume a partir de meio de Outubro... umas chuvas em Setembro, outras em Outubro e chuvadas fortes em Novembro e depois lá para o dia 10 de Novembro o sol para o Verão de São Martinho... e outra coisa é estarmos em pleno Verão desde Julho... não lhe parece isto muito estranho, compadre?
- Realmente já tenho falado nisso com os meus filhos e eles têm razão. Os homens estragam o planeta com essa fumarada dos carros e outras coisas e depois estranham que isto tudo esteja a mudar...
- Mas a mudar de uma maneira que até assusta... isto é muito preocupante...
- Então, não é? Você lembra-se de há uns anos começarem a aparecer uns tipos que se fartaram de levar porrada e que lhes chamavam malucos... os greenpeaces?
- Então, não me lembro? Muito bem... e até perseguiam uns barcos que eles diziam transportar coisas tóxicas...
- Esses mesmos. Pois esses malucos, como lhes chamavam, já tinham razão sobre tudo isto que está a acontecer agora e qualquer dia quando os glaciares derreterem todos é que vão ser elas... já não será no nosso tempo, mas coitados dos nossos bisnetos e trinetos...
- Olhe, aproveitemos o sol e este bagacinho que está tão bom para nos irmos aquecendo destes males que o homem não quer espantar para longe...
- Diz bem, compadre! Então, à nossa! Viva!

Direitos dos Jornalistas

Foto M.E.C.

Hoje comemora-se o Dia Europeu dos Direitos dos Jornalistas. Cava vez mais os jornalistas veem a sua dignidade subjugada e a sua subserviência obrigada. Porque os seus direitos são desrespeitados. Porque o emprego é instável e há uma família a sustentar. O Sindicato dos Jornalistas enviou-me um e-mail a solicitar que respeitasse um minuto de silêncio e que vestisse uma camisola apelativa ao dia de hoje. Achei bem. Um sindicato tão criticado pela classe que afinal defende os direitos dos jornalistas. E se a classe decidisse apoiar mais o seu sindicato e colaborasse mais na sua existência? E participasse mais nos momentos eleitorais? Não seria melhor do que pensar em criar ordens e mais divisões na classe? Já me silenciei durante um minuto e vesti a camisola. É que estas coisas dos nossos direitos são muito sérias. Já sofri muito por ser jornalista. Já fui alvo de muitas injustiças e de despedimentos sem justa causa. Já fui alvo dos poderosos sem escrúpulos que me liquidaram a carreira e já chorei muito por nada poder fazer contra esse status quo (contrariamente ao diz Ana Sá Lopes de que os "homens não choram, como é óbvio"). O que é óbvio é que Ana Sá Lopes nunca sofreu na pele as agruras de ser-se jornalista a sério.

Não há direito

Esta manhã, uma funcionária de uma Junta de Freguesia de Ponte de Lima foi obrigada a regressar ao trabalho depois de três anos de baixa médica com problemas vários. A Caixa Geral de Aposentações obrigou a funcionária a trabalhar em condições depauperáveis. Não consegue vestir-se, movimenta-se dificilmente, tem uma braçadeira num braço imobilizado, um colar cervical e a necessidade de estar algumas horas deitada. Mesmo assim, esta manhã, amparada pelo seu pai, deu entrada nas instalações da Junta e regressou ao trabalho. Não há direito que se viva assim neste país.