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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Notas soltas (4)


António Vitorino esteve brilhante esta noite no frente-a-frente com Judite de Sousa. Talvez a melhor intervenção do político socialista desde que iniciou o programa na RTP. António Vitorino despiu a capa de socialista e dissertou sobre os temas em análise com uma independência tal, que fez o telespectador esquercer-se que estava perante um homem do Governo Sócrates, sem efectivamente fazer parte desse mesmo Governo, contrariamente ao que acontecera nas intervenções anteriores. Vitorino aborda o debate do Orçamento de Estado e muito claramente explica a razão pela qual o "duelo" Sócrates-Santana foi um fiasco. Porque só se falou do passado. Com grande prejuízo para Santana. Ponto final.
Na abordagem sobre os protestos de Van Zeller, presidente da CIP, contra a campanha de Mário Lino na defesa da construção do novo aeroporto na Ota e em detrimento do estudo da CIP favorável à opção Alcochete, Vitorino deixou claro que não concordava com estratégicas pré-planeadas, muito menos oriundas de empresas públicas subordinadas à tutela de Mário Lino. A sua intervenção foi de tal ordem independente que chegou a alvitrar ao Governo que primeiramente elenque os critérios aos quais devem obedecer os técnicos que irão decidir sobre o local de construção.
E por fim, assistimos a uma jogada de um verdadeiro espírito democrático, ao ser colocada a questão da intervenção do rei Juan Carlos na Cimeira Ibero-Americana, no momento em que o rei solicitou a Hugo Chavez que se calasse. Vitorino foi peremptório e, certamente, divergente, e muito, das simpatias soaristas e socráticas por Chavez. O ex-comissário europeu e potencial candidato a Presidente da República respondeu que concordava abertamente com a intervenção do rei e do primeiro-ministro José Luis Zapatero. Vitorino aprofundou a temática explicando que primeiramente está a defesa do Estado e que Hugo Chavez não tem o direito de desrespeitar qualquer representante ou ex-representante de um Estado. Palmas para Vitorino. E caíu o pano.

Remodelação à porta?

Uma remodelação ministerial no elenco comandado por José Sócrates poderá estar para breve. Esta manhã ouvi na Antena 1 José Miguel Júdice a pronunciar-se sobre este assunto e a referir que, na verdade, depois de algum tempo há ministros que por esta ou aquela razão podem ter entrado em queda descendente. Hum... cheirou-me logo a "avanço tecnológico", ou seja, Júdice avançou já com a ideia de que poderá ser possível que Sócrartes opte por uma mudança de certas pastas, assim a modos que a preparar o terreno na opinião pública. Mudança que, digo eu, poderia ser nas Obras Públicas, Economia, Justiça e Cultura. De todo o modo, não fiquei convencido com a conversa de Júdice, a não ser se a entender como uma disponibilidade do próprio para o lugar na Justiça.
Há cerca de uma hora falei com um conhecido que labora no Terreiro do Paço, em gabinete ministerial, e introduzi-lhe esta questão. Ele, simplesmente, respondeu-me on the record: "Com este primeiro-ministro tudo é possível!".

Jogos sujos

O presidente da CIP, Van Zeller, desmascarou o ministro Mário Lino por este andar por aí a influenciar jornalistas e o LNEC no sentido de desvalorizar o estudo sobre o aeroporto em Alcochete. A CIP encomedou um estudo pormenorizado e fundamentado sobre as vantagens em construir-se o novo aeroporto em Alcochete. Segundo Van Zeller, Mário Lino, que é um apressado em construir o aeroporto na Ota, apenas se tem dedicado a denegrir o estudo da CIP. Começou logo por dizer que haveria de dar "uma vista d'olhos" pelo estudo da CIP...

Acabou-se a papa-doce


O tempinho bom vai acabar. O calor veraneante de São Martinho está prestes a deixar-nos. Os banhos no quintal com a caneca ficam suspensos até Agosto. E tudo porque, a partir de amanhã, as temperaturas vão baixar, especialmente à noite. Portanto, preparem-se para começar a tirar do armário os cobertores e os sobretudos.

Por mares nunca dantes blogados (9)


As histórias do Sol

À medida que o Sol caminhava pelo céu, todos os dias ele parava a meio para jantar em casa da filha.
O Sol odiava as pessoas porque o olhavam com olhos esquisitos. “Eles fazem sempre caretas!” disse à sua irmã Lua. “Eu gosto deles,” retorquiu ela, “sorriem sempre para mim.” O Sol ficou cheio de ciúmes e decidiu enviar uma febre para matar todas as pessoas. Muitas começaram a morrer e os poucos que sobreviviam decidiram que tinham que matar o Sol.
Através de magia, transformaram uma pessoa numa cascavel e ordenaram que fosse esperar o Sol à porta da casa da filha e que o mordesse quando ele chegasse para jantar. Acontece que a filha abriu a porta para ver se o pai vinha a chegar e a cascavel mordeu-a por engano. A cobra voltou para a Terra deixando o Sol vivo e a filha dele morta.
Quando o Sol viu o que aconteceu, fechou-se dentro da casa angustiado. As pessoas deixaram de ter febre mas passaram a viver na escuridão e com frio. Então, sete foram escolhidos para viajarem até a terra onde os fantasmas dançam para resgatarem a filha do Sol. Enquanto passava dançando, eles atacaram-na com hastes, ela caiu e os sete agarraram-na e fecharam-na numa caixa.
No regresso a casa, ela queixou-se de faltar de ar e eles abriram a tampa um bocadinho. A filha transformou-se num pássaro vermelho e fugiu, regressando à terra dos fantasmas. Ao ver as setes pessoas regressarem de mãos vazias, o Sol começou a chorar e as suas lágrimas causaram uma grande inundação. Para animá-lo, as pessoas começaram a dançar.
É por esta razão que ainda hoje se faz a dança do Sol.

Álvaro Damiaças, in Blogue do Sol (Recomendo)

A independência da Madeira

No arquipélago da Madeira há muita gente preocupada. Não sabe se os políticos regionais andam a falar a sério ou a brincar com coisas sérias. Ultimamente tem vindo à baila, ou melhor, ao bailinho da Madeira, a questão da possível independência do território. Será uma independência com terrorismo ou com referendo? Com bombas a rebentar por tudo o que seja sítio onde a República Portuguesa esteja representada ou através de uma decisão unilateral da Assembleia Legislativa? Com a expulsão de todos os cidadãos portugueses que ali trabalham ou com a aceitação de residência no território de quantos optarem por ficar?
Acontece que o deputado do PSD/M, Gabriel Drumond, defendeu mais uma vez a independência do arquipélago da Madeira, se a revisão constitucional de 2009 não acolher as propostas do parlamento regional de aumentar as suas competências legislativas. Em entrevista à TSF, que disse ser a título pessoal, Gabriel Drumond defendeu que se os poderes legislativos que a Madeira reivindica não forem satisfeitos "a solução é a Assembleia Legislativa, eleita para defender os interesses do povo da Madeira e do Porto Santo, declarar unilateralmente a independência".

"Isso, depois, é um problema da República", frisou.

"Nós não somos os parolos da aldeia como eles pensam", afirmou o deputado regional, actual presidente da FAMA - Fórum de Autonomia da Madeira e ex-presidente da Câmara Municipal de São Vicente. Drumond referiu os passos que, em sua opinião, seriam dados se a Assembleia regional declarasse a independência da Madeira.
"O Presidente da República convoca o Conselho de Estado e dissolve a Assembleia Legislativa da Madeira por actos contrários à Constituição, vai haver eleições e o povo da Madeira, aí, vai pronunciar-se sobre o que é que quer - se quer continuar nesta linha da independência, ou se quer ficar ligado de vez a Lisboa", afirmou.
Gabriel Drumond justificou esta posição por considerar que o Governo da República, liderado por José Sócrates, "tem um ódio ao povo madeirense e atenta contra a unidade nacional e em resposta a isto tem que haver consequências".
"É um país que nos trata brutamente, rouba-nos e nos trata à sapatada", disse Drumond sobre Lisboa, referindo que o povo madeirense terá de dizer se quer seguir o seu rumo ou se prefere continuar ligado a Portugal.
Gabriel Drumond, que assegurou que vai lutar pela declaração da independência caso os interesses da Madeira não sejam acolhidos na próxima revisão constitucional, responsabilizou o primeiro-ministro José Sócrates por essa eventual declaração, mas também o Presidente da República, Cavaco Silva: "também tem culpa disto" por não ter vetado a Lei de Finanças Regionais que "sufoca o povo da Madeira, devia ter tomado cuidado e as devidas providências".

Desculpem lá, mas já não sei em que país vivo. Uma criatura qualquer dá-se ao desplante de impunemente provocar e insultar o Presidente da República e o Primeiro-Ministro . De falar em nome de um povo madeirense. Qual povo? Os algarvios, alentejanos, beirões ou transmontanos que resolveram ir residir na ilha? Com uma arrogância descabida apresenta-se, com o conluio do presidente do Governo regional, como o arauto da independência de um território que pertence a uma Nação independente e que à custa dos sacrifícios dessa Nação tem projectado um progresso e desenvolvimento digno de nota. O senhor Drumond e os seus apaziguados querem a independência? Pois bem, se fosse eu a mandar concedia-lhe imediatamente a pretensão. Obrigava de imediato todos os cidadãos com passaporte português que residam na Madeira a regressar a Portugal. Retirava da Madeira imediatamente todas as estruturas administrativas pertencentes ao Estado português. Aquelas que não pudessem ser removidas seriam destruídas. E cortava relações diplomáticas com o novo país Madeira, proibindo em absoluto qualquer ligação aérea ou marítima com Portugal.
Para pretensões radicais só respondendo com atitudes radicais.

Ilegais na Madeira


Cinco africanos com menos de 20 anos, que usavam câmaras de ar como coletes salva-vidas, tentaram há algumas semanas atravessar o estreito de Gibraltar num bote de borracha e à força de braços. A navegar na zona, a fragata portuguesa Vasco da Gama teve de os proteger para evitar que fossem atropelados pelos enormes cargueiros que sulcam o local.
"É praticamente impossível terem forças para fazer a travessia daqueles 30 quilómetros a remos, numa jangada pneumática, ou não serem atropelados" pelo tráfego constante de navios mercantes, afirmou esta semana ao DN o comandante do navio, Henrique Gouveia e Melo. Para este capitão-de-mar-e-guerra, o desespero que leva os africanos a arriscar ir para a Europa em condições tão frágeis torna inevitável, a médio prazo, começarem a surgir embarcações pejadas de imigrantes ilegais ao largo da costa portuguesa. "Ainda não é uma realidade, mas é uma questão de tempo", sustentou o militar.

O arquipélago da Madeira é, no território português, o destino mais provável para os imigrantes ilegais oriundos de África. Apesar da distância - a Agadir, por exemplo -, "o reforço do policiamento" por parte das autoridades espanholas e italianas (onde se localizam as costas mais próximas do Norte de África) deverá forçar as pirogas a procurar outras áreas e que poderão estar menos preparadas para lidar com o problema.
A par da distância, as correntes marítimas também podem ser uma dificuldade, mas não intransponível. No início desta década, o então comissário europeu da Justiça e Assuntos Internos António Vitorino confessava a sua surpresa por ter sido detectada uma barca cheia de clandestinos africanos a caminho das distantes ilhas Canárias. Meia dúzia de anos depois, a tragédia no continente africano é de tal ordem que o arquipélago espanhol recebe cerca de 30. 000 imigrantes ilegais por ano - depois de demorarem seis, sete dias a percorrer cerca de 300 quilómetros em jangadas com duas dezenas de metros de comprimento por meia de largura.
Com as voltas que as ondas e as correntes dão e com as previsões a transformarem-se em realidade ainda um dia vamos ter a declaração de independência da Madeira por parte dos africanos que ao arquipélago vão chegando e expulsando dali para fora todos os drumonds e jardins à beira-ilha plantados...

Grande Prémio de Macau, a saudade de um ruído único


Os dias desta semana são para mim particularmente muito tristes. Uma tristeza profunda pela razoabilidade da sucessão de recordações referentes à realização do Grande Prémio de Macau, um conjunto de corridas de carros e de motos que têm lugar anualmente naquele território. Imagine o leitor que tinha dedicado quase vinte anos a este evento como piloto, como jornalista, como promotor do Museu do Grande Prémio e como comentador oficial das corridas. Acreditem que são milhares as recordações inerentes a toda a envolvência do maior cartaz desportivo daquele território hoje sob administração chinesa.
Ao ver no blogue Leocardo a imagem da bancada central já pronta para receber os entusiastas da 25ª edição da Fórmula 3 a partir de quinta-feira, entristeci-me profundamente por uma simples razão: por não estar a preparar a voz para a maratona. Todos os anos, a partir de quinta-feira até ao domingo de corridas, logo pelas cinco horas da manhã, preparava os meus dossiês sobre pilotos, carros e motos, o franel, a garrafa de água, os discos com as músicas que seriam ouvidas pelo público, os autocolantes para oferecer à miudagem e punha-me a caminho daquela bancada, a fim de durante quatro dias dar a minha voz a todos os detalhes do evento. As recordações são infindáveis, mas não posso deixar de lembrar um facto que me marcou para toda a vida. Em 1983, ano em que se realizou a 30ª edição do Grande Prémio, tive a felicidade de subir ao pódio por ter conquistado o 3º lugar na prova de carros de turismo. Neste momento olho para o troféu e para a medalha que me foi entregue. Têm um significado muito especial. Naquele ano, tive como companheiro durante a semana de corridas um jovem brasileiro que se estreava e que depois de ganhar a Fórmula 3 ficou meu amigo até ao dia da sua morte. Ayrton Senna nunca sairá da minha memória porque, para além do piloto mais famoso do mundo, foi durante toda a sua vida o mesmo rapaz humilde e atencioso que conheci naquela semana de Novembro de 1983.
Para quantos residem em Macau e que têm prazer na realização de tão cativante espectáculo envio um abraço, de saudade.

Nova semana sem chuva

Mais uma semana de Novembro tem o seu início. Em Portugal, o sol raia mais uma vez sem que a sua luminosidade seja perturbada por qualquer nuvem. A perturbação já vai longa mas é na auto-estrada Lisboa-Porto. Mais um acidente grave que levou à interrupção rodoviária daquela via indispensável no sentido Norte-Sul, junto de Albergaria-a-Velha. Mais que indispensável parece ser a promoção ou propaganda das ideias do primeiro-ministro, que nem por ontem ser dia de descanso se coibiu de andar em roda-viva discursando amiúde, já que reina grande alegria nas hostes socialistas porque Bruxelas já deu luz verde para que o Governo possa baixar impostos em 2009. Uma roda-viva foi o brinde que os jogadores do Braga resolveram patentear frente ao Sporting distinguindo-os com uns humilhantes três golos contra zero dos leões sem garra. Garra a sério ficou patente no estádio da Luz onde as "águias" resolveram começar a marcar e a falhar muitos golos, deixando o Boavista completamente cego depois de sofrer seis. Sofrimento que ficou registado também entre os jogadores do Porto que a cinco minutos do fim ganhavam por dois a zero permitindo até ao final o empate do Estrela da Amadora. Quem também está a sofrer uma vaga de protestos é a GNR, onde os seus oficiais vão entregar uma providência cautelar, a fim de evitar que a instituição recorra ao recrutamento de tenentes-coronéis ao Exército. Os oficiais da GNR acham-se com competência suficiente para exercerem as mesmas funções e entendem que não há necessidade de recrutamento àquela arma das Forças Armadas. Onde não havia necessidade para abusos foi na Escola Agrária de Santarém. Seis alunos vão ter de enfrentar a justiça por terem praticado alegadamente uma praxe brutal que levou um aluno a ficar pendurado de cabeça para baixo e enfiada num penico cheio de excrementos. E é com estas novidades que iniciamos mais um dia de Novembro... sem chuva.