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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Hoje é Dia da Espiga


Quando era puto o Dia da Espiga era comemorado em Évora com toda a pompa e circunstância. Lembro-me que todas as famílias iam para o campo com o farnel e que o passeio era maravilhoso pelo convívio que encerrava. Hoje, assim que saí de casa, qual não foi o meu espanto ao ver umas senhoras em plena avenida a vender as espigas, sinal comemorativo da efeméride. Sensibilizado pela lembrança lisboeta, logo adquiri dois molhinhos de espigas que ofereci à mãe e mulher. Quis o calendário que a quinta-feira de Espiga coincidisse, este ano, com um feriado. Tradicionalmente neste dia, colhe-se a espiga de trigo, que simboliza a bênção dos primeiros frutos. Um antigo ritual pagão ligado à fertilidade, que, como muitos outros, foi adoptado pela Igreja católica. Neste dia comemora-se também a quinta-feira da Ascensão - a ascensão de Jesus Cristo ao Céu, quarenta dias depois da Páscoa. Segundo a sabedoria popular, colhe-se um ramo de oliveira para se ter azeite, a espiga de trigo para se ter pão, malmequeres amarelos para se ter ouro e papoilas para se ter alegria. Sempre em número ímpar. Este ramo é guardado durante um ano e colocado atrás da porta de casa.

Humor na rádio

A jornalista Sónia Calheiros, da revista Visão, apresentou ontem à estampa um trabalho visando o humor na rádio e os seus intervenientes. Uma abordagem chocante. Chocante? Hellas!, dirão vocês e ficando certamente curiosos em que eu explique a razão do choque.
A reportagem percorreu as várias estações de rádio e tentou falar com os humoristas (?), alguns são apenas vozes cómicas porque não escrevem. Humorista é aquele que cria o humor, que escreve humor e não o que interpreta. Aqui, por vezes, observa-se uma grande confusão quando abordado este tema.
Intervenientes foram muitos. A autora falou de e com Roberto Pereira das Produções Fictícias, Rui Unas apresentador na Antena 3 de Cómicos na Garagem, Herman José que é ouvido n'O Tal País da Antena 1, Fernando Alvim, o 'Nando' das Conversas de Café na Antena 3, Ana Bola e Maria Rueff que se ouvem na TSF, João Paulo Rodrigues e Pedro Alves, intérpretes do FM Histórico que passa na Best Rock FM, Bruno Nogueira e João Quadros do Tubo de Ensaio na TSF.
Tudo certo, mas onde é que está o choque do trabalho de Sónia Calheiros? Tem razão leitor, em perguntar pelo choque. O choque é surpresa, é satisfação, é justiça. Já não estamos habituados a que as novas gerações de profissionais prestem homenagem aos antepassados e aconteceu que, o talentoso Nuno Markl a dada altura da entrevista, disse: "Não nos podemos esquecer que humor na rádio sempre existiu. Tenho um respeito brutal pelos Parodiantes de Lisboa que fazem parte do meu imaginário".
Na verdade, os Parodiantes de Lisboa, Ruy e José Andrade, foram alguns dos pioneiros do humor na rádio e de tal forma o fizeram com êxito que por lá estiveram 50 anos diariamente. Parabéns ao Nuno Markl pela justiça e, sobretudo, pela lembrança de quem fez rir os portugueses ao longo de cinco décadas, uma obra ainda hoje nada valorizada pelas instâncias oficiais.

Almerindo não pode passar por Barcelos

Ainda se lembram do Almerindo Marques? Aquele despenteado que tudo tentou para correr com o José Rodrigues dos Santos da RTP e que acabou corrido para as 'Estradas de Portugal'. Nesta empresa já torcem o nariz com o senhor administrador. E para os lados de Vila Seca, em Barcelos, nem podem ouvir falar nele. Cerca de 30 famílias foram expropriadas dos seus terrenos para que se construisse a A11. As 'Esradas de Portugal' fizeram a obra e acordaram na indemnização a pagar pela expropriação. Há quase cinco anos que estão para receber o devido porque os cheques já tinham sido entregues, num valor global de 1 milhão de euros, e logo que Almerindo Marques tomou conta da EP deu ordens para retirar os cheques. Muitos dos proprietários dos terrenos estão com a corda na garganta endividados à banca.
Mas quem é que este senhor pensa que é?...

O livro é cultura (2)

MARIA GABRIELLA LLANSOL – APRESENTAÇÃO DE LIVROS

A Assírio & Alvim tem o prazer de o/a convidar para a apresentação dos livros de Maria Gabriela Llansol Os Cantores de Leitura e Desenhos a Lápis com Fala - mar um Cão. Dia 5 de Maio (segunda-feira), pelas 18:30h, na Livraria Assírio & Alvim (Rua Passos Manuel, 67 B - Lisboa).

Sobre Os Cantores de Leitura fala António Guerreiro. João Barrento e Maria Etelvina Santos lêem excertos do livro, acompanhados por Diana Cortez Pinto, Joana Martins e Nuno Atalaia (flauta transversal). Mafalda Saloio canta a leitura de algumas páginas.

Os Desenhos a Lápis com Fala são apresentados por José Tolentino Mendonça. Estarão expostos os originais dos desenhos de Augusto Joaquim.

OS CANTORES DE LEITURA

«Pensei primeiro que este livro deveria ter quatro partes. Mas verifiquei depois que um fluxo contínuo lhe unificava as partes - que acorriam, afinal, umas para as outras. A minha nostalgia de Amigo e Amiga era evidente e o texto prosseguindo me pedia que conservasse, ao menos, um vestígio estrutural.

No primeiro instante, no livro presente, eu tinha chamado aos fragmentos partículas, duplos, contextos. Nas páginas do início, eu deixei ainda ficar este encadeamento. Mas rapidamente compreendi que não se deixa assim, de um dia para o outro, um Curso de Silêncio, e que Os Cantores de Leitura transportavam ainda um pouco da minha nostalgia. Ou muito. Para a ir desvanecendo sempre, mas suavemente, conservei do Curso referido um modo de prosseguir que consistia em, das últimas palavras, ou palavra, de um bloco de texto, fazer o título do fragmento ulterior.»

Maria Gabriela Llansol (excerto)

DESENHOS A LÁPIS COM FALA - AMAR UM CÃO

Reúnem-se neste livro a escrita de Maria Gabriela Llansol e uma selecção dos desenhos de Augusto Joaquim feitos sobre o texto Amar um Cão.

«______ houve uma breve hesitação da parte de quem transportava o recém-nascido ______ o meu cão Jade, há muito tempo; muito, e com grande intensidade, aconteceu durante esse tempo breve em que Jade foi deixado suspenso sobre um medronheiro, sem mãe visível,
num berço nem celeste,
nem terrestre.»

Maria Gabriela Llansol (excerto)

«Cada texto da Gabriela é um texto - uma imagem, um problema, uma adequação expressiva.

Quase sempre, a visão proposta sai do senso comum, seja ele prático ou filosófico.

A ideia que me transmite este texto concreto é a de que "somos criadores de formas", a que procuramos injectar tempo e pregnância, por temermos a Fugacidade de uma epifania Grácil.»

Augusto Joaquim (excerto)

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