Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Insólito e risível...

Depois das ourivesarias, gasolineiras, bancos e supermercados agora temos o assalto mais insólito e risível. Um indivíduo assaltou as instalações do departamento do combate ao banditismo da Polícia Judiciária, em Lisboa. Nem mais, a própria Polícia Judiciária ficou sem muitos valores e objectos de vária ordem que o assaltante conseguiu levar após a escalada do edifício. O assalto decorreu no sábado passado. Pelos vistos, na PJ o fim-de-semana é mesmo de portas fechadas. Abertas, só para os assaltantes de grande coragem...

Os fantasmas

1. A crise económica está aí em todo o seu negro esplendor. Algo de muito grave se está a passar e o cidadão comum ainda não percebeu a dimensão da tragédia que poderá vir a cair-lhe em cima. Esta manhã escutei no café uma conversa exemplar entre dois indivíduos que se interrogavam sobre falências de bancos, de seguradoras, de financiadoras; de como poderiam ou não ficar sem casa, sem carro e sem dinheiro. Não possuiam grandes conhecimentos de economia, de mercados internacionais, de bolsas, de off shores, mas iam dizendo que estranhavam muito que nos últimos anos apenas tivessem andado a ouvir da parte dos governantes a ideia de que andava tudo no melhor dos mundos. Os fulanos acham que os políticos mentiram, os economistas mentiram, os fiscalistas mentiram, os auditores mentiram, ao fim e ao cabo, para eles, tudo tem sido uma grande mentira. E remataram a conversa assim: "Agora percebo como é que via milhares de tipos a ficarem milionários de um ano para o outro...".

2. Os riscos da crise económica são elevados. A generalidade dos economistas e comentadores de televisão apenas sabem dizer que "é preciso fazer alguma coisa" para evitar o colapso dos mercados financeiros. Fazer alguma coisa, mas não dizem o quê. O próprio ministro da Economia, Manuel Pinho, habitué da asneira, até teve a leviandade de afirmar que "os tempos de prosperidade acabaram". Este é o mesmo governante que ainda há dias dizia que a nossa economia estava em crescendo, que os investidores estavam aí por todo o lado, que a crise não atingia Portugal e outras diatribes verbais à la maitre Pino (Pino como o seu camarada Chávez lhe chama).
Uma recessão das principais economias mundiais parece inevitável, como salientou o professor Álvaro Santos Pereira da Universidade da Califórnia, mas o mais grave é que nenhum dos intervenientes deste capitalismo que nos vendertam ao longo dos tempos apresenta uma qualquer solução para o problema. Aonde estão, afinal, as tais grandes "cabeças" que nos têm governado ou governado-se?...

João Miguel Tavares não sabe do que fala

João Miguel Tavares é um jovem jornalista a quem embebedaram de vedetismo. O rapaz desde que teve o privilégio de escrever no Diário de Notícias logo pensou que estava no New York Times e que o mundo caira aos pés da sua leitura. À pala disso, tem sido destacado pelo clan dos fabricantes de "estrelas" e de "vedetas" da nossa praça num palanque absolutamente ridículo. E como o jovem Tavares não lhe colhe o ridículo, escreve muitas vezes da forma mais disparatada possível.

Hoje, nas páginas do DN não hesitou em atirar-se a um mestre do jornalismo. Imaginem como a formiga já tem catarro. O jovem Tavares teve o desplante de condenar o ilustre, sério e exemplar Baptista-Bastos, a propósito das casas da Câmara Municipal de Lisboa que teriam sido entregues a muitas pessoas através da "cunha", tal como o o sabichão Tavares sublinha no seu artigo. Mas como é que ele tem provas que foi por cunha que Baptista-Bastos recebeu um simples apartamento? O jovem Tavares não sabe do que fala e devia estar calado. Quer dar nas vistas, quer ser falado, quer ser citado, quer provocar a polémica, quer um mestre do jornalismo a dar-lhe importância e depois sai-se com baboseiras como esta: "O escritor Baptista-Bastos até podia ser ajudado pela câmara. O jornalista Baptista-Bastos, não". Deplorável e desprezível quando um jovem jornalista apenas tem em mente ultrapassar as suas capacidades.
João Miguel Tavares não sabe do que fala e devia estar calado, duas vezes já o escrevi. Porque estou irritado e magoado. Magoado, porque este jovem Tavares envergonha todos os jovens simples, solidários e ávidos de aprender com os mais velhos. Tavares não faz a mínima ideia do que é uma cunha ou o que é uma necessidade. Tavares não sabe o que é passar dias sem comer ou sem lugar para dormir. Tavares não sabe o que é não possuir uma mesa para poder escrever. Tavares não sabe o que é ter mulher e filhos e não lhes poder dar um tecto. Tavares não sabe o que é ter que se dirigir a uma Câmara Municipal, transmitir a sua situação de quase miséria, de jornalista desempregado, de marido-cuidador de uma companheira doente e solicitar uma residência porque acabou de ficar sem os últimos euros de poupança de uma vida de sessenta anos. Tavares não sabe nada disto nem alguma vez sentiu na pele as dificuldades do desespero em função da penúria pecuniária e vem dizer asneirolas pretensiosas. Não recebi qualquer procuração de Baptista-Bastos, nem ele precisa que alguém o defenda. Mas estou a defender todos os cidadãos que têm a honestidade de chegar a uma Câmara e apresentar a sua situação precária e que solicitam um tecto para viver. O jovem Tavares escreveu que o escritor podia pedir uma casa porque deu muito a Lisboa e que o jornalista, não. Defende que o jornalista não pode pedir nada ao poder instituído, correndo o risco de perder a sua liberdade na escrita. Mas quem é que ensinou a Tavares que um jornalista é um ser superior? O jornalista é um cidadão como outro qualquer a quem tudo pode acontecer tal e qual como aos outros semelhantes a quem a má sorte bateu à porta. O jornalista não pede nada ao poder, o jornalista limita-se a interpretar a Constituição que lhe diz ter direito à habitação.
Se Tavares não conhece nenhum jornalista sem casa, sem dinheiro, sem emprego, sem apoio social, sem reforma, eu apresento-lhe um companheiro e calo-lhe a boca para sempre sobre esta matéria.
Há "vedetas" que não têm direito a ser "estrelas" à base da demagogia e do pretensiosismo bacoco. Desejo sinceramente que o jovem Tavares quando chegar a velho não esteja desempregado, pobre e sem casa, para que nunca tenha de escrever um artigo contra um qualquer jovem jornalista que escreva sobre o que não sabe...

A recessão vem aí



não há S.Sócrates, Santa Manuela ou S. Cavaco que nos valha. A recessão vem aí e vai bater forte. Os que se habituaram já a uma refeição por dia estão salvos. Os restantes terão que começar a vender um dos carros, uma das casas, uma das quintas, um dos montes no Alentejo, um dos barcos e a pensar que os fins-de-semana na casa do Algarve vão também acabar. A recessão vai atingir superiormente a classe média-alta. Foi um dos melhores economistas da nossa praça, que me pediu anonimato, que acabou de me transmitir este quadro, depois de ter tido a confirmação que a França e a Espanha estão já em pré-recessão.
Em França a crise financeira e o aumento do desemprego - mais 40 mil pessoas sem trabalho em Agosto, 12 vezes mais do que a média dos meses anteriores - levou esta segunda-feira as autoridades francesas a evocarem abertamente a ameaça de uma recessão no país.
O ambiente era hoje à tarde, em Paris, de visível agitação e inquietação porque da Bolsa também chegavam más notícias. A meio da tarde o indíce CAC 40 perdia 4%, com alguns valores financeiros em queda acentuada - o banco franco-belga Dexia perdia perto de 24%, o francês Natixis quase 17% e algumas outras instituições bancárias enfrentavam perdas entre 6 e 8%, como era o caso do Crédit Agricole e da Société Générale.

Para tentar tranquilizar o país e fazer o ponto sobre a saúde da banca francesa, o Presidente Sarkozy convocou para amanhã, no Eliseu, uma reunião de emergência com os patrões dos principais grupos financeiros. Na reunião estará igualmente em foco o crédito às empresas e aos particulares. Em França, foi até agora o sector do imobiliário o mais atingido pelas dificuldades na atribuição de créditos com uma diminuição de actividade nas transações da ordem dos 35%.

Na semana passada, o chefe de Estado gaulês garantiu que "nenhum francês perderá um euro se um banco ou uma companhia de seguros não puder fazer face aos seus compromissos".
A situação económica e financeira da França levou o conselheiro especial de Sarkozy, Henri Guaino, a dizer que o país se encontra à beira de uma recessão. "A questão, hoje, é saber se esta situação se vai agravar ou se se vai prolongar", acrescentou o conselheiro.
O orçamento francês, que agudiza os défices da França, foi calculado com base num crescimento de apenas 1%. Mas Sarkozy excluiu há dias a necessidade de avançar para uma política de rigor.
Guaino explicou que o Presidente poderá optar por "medidas de relançamento" porque, acrescentou, "o orçamento é modificável". E concluiu: "Esta crise financeira levou-nos ao fim de um ciclo do capitalismo - vamos assistir ao regresso do Estado e, talvez, a uma certa forma de capitalismo de Estado".
Além dos banqueiros e patrões de seguradoras, participam na inédita reunião de amanhã, no Eliseu, o primeiro-ministro, François Fillon, a ministra da Economia e das Finanças, Christine Lagarde, e o governador do Banco de França, Christian Noyer.

Por cá tudo pode ser semelhante por simbiose e não seria má ideia que o primeiro-ministro José Sócrates tivesse uma palavra na televisão pública dirigida aos portugueses no sentido de esclarecer a verdadeira situação e o que poderá acontecer no futuro. Temos aí o exemplo do Presidente Sarkozy, que, sem receio, enfrentou o touro pelos cornos, sem se preocupar se há ou não, lá fora, manifestação anti-touradas...