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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Militares: não queria acreditar


momentos estava a ver o noticiário das 23.00 na SIC-Notícias. Nem queria acreditar no que ouvia: que o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Valença Pinto, concordava com as preocupações inseridas no alerta do general Loureiro dos Santos sobre o descontentamento que reina entre os militares face ao actual poder político. Após a divulgação da notícia disse para comigo, que afinal, tudo o que foi publicado aqui no PPTAO sobre esta matéria tinha a sua razão de ser sem subterfúgios. E explico a minha dúvida, se é que alguma vez existiu. É que depois do alerta de Loureiro dos Santos fomos confrontados com uns "bitaites" oriundos do Ministério da Defesa, o qual sublinhava que nada de especial se passava e que os militares e as suas posições estavam representadas pelos chefes militares dos três ramos. Que grande balde de água fria que caiu sobre a cabeça do ministro Severiano Teixeira ao constatar que, afinal, o principal chefe dos militares também está preocupado com a situação e com uma eventual tomada de posição que os praças, sargentos e oficiais possam vir a pôr em prática.
Tudo isto, depois de, ainda esta tarde, ter ouvido um grupo de pândegos que tem um programa na Antena 1, entre as 19 e as 20 horas com Ana Sá Lopes na liderança da asneira, e cujos comentadores da treta fartaram-se de criticar o general Loureiro dos Santos, chegando ao ponto de dizerem que os militares não tinham qualquer noção do tempo em que viviam e que o 25 de Abril tinha sido há mais de 30 anos, e que o Estado de Direito não permitia qualquer alteração do regime, blá, blá, blá, um chorrilho de disparates contra os militares, mas, todavia, a deixar no "ar" a ideia de que Loureiro dos Santos era um inconsciente pelo alerta que tinha proferido para a opinião pública. Obviamente que Loureiro dos Santos sabia do que falava, que está melhor informado que ninguém relativamente ao que se passa nos quartéis, que a ida de uma representação de militares a um encontro com o ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, não se tratou de nenhum "cházinho das cinco" e que o jantar de mais de 100 militares esta noite também não foi para provarem um qualquer tipo de água-pé...
Relembro apenas que antes do 25 de Abril, o Ministério da Defesa também divulgou a máxima de que os chefes militares estavam ao lado de Marcelo Caetano... e por vezes a história repete-se.

'Jogo Duplo' sem cultura


A RTP tem um novo programa apresentado por José Carlos Malato - 'Jogo Duplo' - que é suposto ser um veículo de incremento cultural para quantos assistem. O programa já apresentou por mais de uma vez falhas nas soluções às perguntas que são colocadas aos concorrentes. Ou seja, depois de formulada uma pergunta são apresentadas três respostas possíveis e os concorrentes têm de responder com a solução certa. Mas a cultura é algo que, infelizmente, não reina lá para os lados da produção do 'Jogo Duplo'.
Na edição de ontem à noite, os concorrentes foram confrontados com a pergunta: "Quem foi o monarca que sucedeu a D. José I?". E as três alternativas colocadas aos concorrentes foram: D. Pedro II, D. Maria I e D. João V. Alguns dos concorrentes responderam acertadamente em D. Maria I. No entanto, esses concorrentes foram prejudicados porque a resposta certa divulgada pela produção foi D. João V. Erro grande e lamentável.
Igualmente, não havia qualquer necessidade do registo "D. José Primeiro" porque não existiu em qualquer Dinastia outro rei com o nome de José. Não sei se os concorrentes prejudicados sabem que a lei preconiza que se contestarem o erro dos responsáveis pelo programa, que têm direito a receber o máximo do prémio em causa, neste caso teriam direito a 10 mil euros.

O que eles dizem (76)

"Ao fim de quatro anos, pouca gente escapou à 'língua de pau' deste regime. Claro que, entretanto, a realidade desapareceu de cena. A realidade económica e financeira, e a realidade política. Os portugueses, por exemplo, estão longe de perceber o sarilho em que os meteram e a humilhação do Presidente da República é reduzida a uma insignificância e atribuída à democrática vontade do PS. Assim se começa."

Vasco Pulido Valente, in Público

Militares: corda perto de rebentar


Militares cada vez mais descontentes a caminho de uma atitude grave

Mais de 100 oficiais das Forças Armadas vão juntar-se num jantar esta noite em Lisboa para debaterem todos os parâmetros que envolvem o mal-estar no seio da classe militar. Ontem, o genaral Ramalho Eanes recebeu um grupo de oficiais no activo e ouviu as razões do seu descontentamento, depois do alerta do general Loureiro dos Santos que ontem aqui no PPTAO fizemos referência. A delegação era constituída pelo coronel Alpedrinha Pires, pelo almirante Castanho Paes e pelo general Oliveira Simões.

Entretanto, o general Silvestre dos Santos, da Força Aérea, em declarações ao Público, identifica-se com a posição de Loureiro dos Santos. "Subscrevo e aplaudo", diz. E em referência ao alerta quanto à possibilidade de "actos de desespero individual", manifesta a esperança de que "os órgãos de soberania não deixem a situação chegar a esse ponto". Considera ser necessário "pressionar o poder político para tomar posição e desfazer ilegalidades", como as que se relacionam com "todos os diplomas legais que não estão a ser cumpridos".
Para o almirante Castanho Paes " a situação arrasta-se há mais de 20 anos e tem vindo a degradar-se".
"A corda esticou e está muito próximo de rebentar", afirma, salientando que o descontentamento se estende a "muitas outras camadas da sociedade" e que estão a ser criadas "condições" para que o regime possa vir a ser contestado por amplos sectores.
Por seu turno, o general Albuquerque Seabra afirmou ter ficado "surpreendido e receoso porque nunca vi o general Loureiro dos Santos falar sem fundamento". Seabra sublinha que " o poder político actual tem vindo a empurrar os militares para a asneira" e que os militares "estão fartos de ser maltratados". Como exemplo de desconsiderações, Seabra refere o facto de o primeiro-ministro "nunca ter visitado uma unidade militar".

Angolagate: grande escândalo com contornos mafiosos


"Luvas" de tráfico de armas para Angola passaram por bancos portugueses

Um caso de grandes repercussões com contornos mafiosos que envolve o actual Presidente de Angola José Eduardo dos Santos e outras figuras de Luanda. O diário Público apresenta hoje em manchete este grande escândalo que envolveu, entre muitos contornos obscuros, o pagamento de comissões de 54 milhões de dólares por negócios ilícitos durante o período de embargo de armamento a Angola.

Mais de 21 milhões de dólares recebidos por altos responsáveis do regime angolano no negócio ilícito de venda de armas da Rússia a Angola passaram por bancos portugueses. Os muitos milhões beneficiaram muita gente do regime angolano, tais como o Presidente Eduardo dos Santos, o embaixador Elísio de Figueiredo, o ex-chefe da Casa Civil da presidência José Leitão e a mulher e o filho deste, e altas patentes das Forças Armadas Angolanas, como os generais Salviano Sequeira e Carlos Alberto Hendrick Vaal Neto, hoje ligado a uma sociedade no negócio de diamantes, Fernando Araújo, general e na altura também conselheiro do Presidente. Também o general Fernando Miala, que foi chefe dos serviços secretos e fazia parte do círculo íntimo de Eduardo dos Santos.
Os bancos portugueses que entraram na cabala são a Caixa Geral de Depósitos (que todos pensávamos ser o banco sério do Estado português) e o Banco Comercial Português (BCP), que receberam as somas maiores em depósitos. Outros bancos citados no negócio com depósitos recebidos são o Banco Bilbao Viscaya, Banco Nacional de Crédito, Banco Nacional Ultramarino, Banco do Comércio e Indústria e Totta & Açores, Banco Pinto & Sotto Mayor e Barcklays. A negociata envolveu figuras gratas do Estado Francês e o Angolagate já começou a ser julgado nos tribunais franceses. Estão acusados como principais suspeitos de terem pago as comissões o empresário franco-brasileiro Pierre Falcone, o milionário israelo-russo Arkadi Gaydamak, o senador da UMP Charles Pasqua e o "senhor África" de Mitterand Jean-Christophe Mitterand.
Com as pressões de Luanda a fazerem-se sentir cada vez mais junto dos centros de investigação e de poder, o desfecho deste caso é imprevisível.

Faço votos para que José Manuel fernandes, director do
Público, tenha criado os mecanismos adequados para defesa e salvaguarda da integridade física da jornalista Ana Dias Cordeiro, que corajosamente assina o trabalho sobre toda esta rede de mafiosos.

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