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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

GRANDE TRISTEZA GRANDE AMIGO DEIXOU-NOS


> O meu grande amigo Humberto Abreu, residente em Macau, colaborador dos meus jornais desde a primeira hora, colaborador deste blogue, colaborador do diário macaense 'Hoje Macau' que assinava os seus artigos por Pinto Fernandes, um homem bom com B grande, foi acometido de uma leucemia que acabou por lhe ceifar a vida, hoje, no hospital de Macau. A minha dor é imensa. Este homem maravilhoso, simples, humilde, profissional exemplar, proibiu-me enquanto vivesse de dar conhecimento público do bem que proporcionou a muita gente. Não falarei de nada a não ser de um caso exemplar que se passou comigo. O Humberto soube no Natal de 2008 que eu me encontrava numa situação financeira precária com graves dificuldades para fazer frente à vida. O Humberto reuniu uns amigos seus a quem pediu um contributo para me enviar. O donativo proporcionou-me um Natal mais feliz. Um caso que nunca esquecerei, que me aqueceu a alma e que ainda hoje não me deixa controlar as lágrimas.
O Humberto adorava escrever e por esse motivo, em sua homenagem, vou aqui deixar-vos o último artigo, que ainda na quinta-feira passada publicou no 'Hoje Macau'. Para a sua mulher Isabel, um beijo de solidariedade nesta hora de dor. Humberto, obrigado por tudo e até sempre.



A Ingerência
Por Pinto Fernandes, in 'Hoje Macau'



Há apenas dois meses o Chefe era outro e dizia que os portugueses eram parte integrante do progresso de Macau. O novo Chefe, por exemplo, diz que o progresso de Macau não é possível sem a presença dos portugueses.
Como vêem, grandes diferenças!

Um amigo meu, que em visita de trabalho se deslocou a Maputo nos anos 90 do século findo, contou-me uma história algo comovente e demonstrativa de como as coisas não se devem de misturar.
A meio da tarde, ele e outros profissionais da informação, entraram no Hotel Polana daquela cidade, com a finalidade de comer alguns aperitivos e beber umas cervejolas de modo a refrescarem-se.
Já sentados à mesa, repararam que atrás deles estava um grupo de sul-africanos, de etnia branca, que haviam já feito o respectivo pedido, aguardando a todo o momento que fossem servidos.
Entretanto, o velho empregado do Polana, homem que anos antes havia passado de porteiro a chefe de sala do restaurante, atende rapidamente os clientes, entre os quais se encontrava o tal meu amigo, acabando por servi-los primeiro que o grupo sul-africano.
A reclamação não se fez esperar e, com bastante alarido, demonstraram a sua insatisfação por os outros clientes estarem a ser servidos primeiro, embora tivessem chegado depois deles.
O velho empregado, com a calma e pacatez que conhecemos dos povos da antiga África portuguesa, recomenda alguma tranquilidade e diz-lhes que o pedido está quase pronto e a sair.
Insatisfeitos por terem sido preteridos não desarmaram e, com a motivação de terem sido os primeiros a chegar ao local, e os outros terem acabado de chegar, acabaram por gerar alguma confusão dirigindo alguns impropérios contra o velho africano.
Este, em tom educado mas incisivo, responde-lhes, textualmente, - os senhores estão enganados, estes senhores não chegaram agora, estes senhores chegaram (pausa) há quinhentos e oitenta anos. Toma e embrulha!
É sobejamente conhecida a irritação que causa a ingerência, sendo que, talvez o mais popular e mais conhecido exemplo, é aquela frase que diz, entre homem e mulher não metas a colher.
Vem isto a propósito de um texto sobre Macau, inserido numa revista especializada em medir a qualidade de vida dos outros, a que o jornal Ponto Final fez referência na semana passada.
Ao que parece, o texto não é actual e, segundo os especialistas na matéria, esse artigo peca por alguma antiguidade e estar desactualizado face às mudanças que Macau demonstra todos os dias.
Um exemplo flagrante e significativo é o que se passa na administração.
Há apenas dois meses o Chefe era outro e dizia que os portugueses eram parte integrante do progresso de Macau. O novo Chefe, por exemplo, diz que o progresso de Macau não é possível sem a presença dos portugueses.
Como vêem, grandes diferenças!
Depois, nestes dois meses de governação, iniciaram-se uma série de acertos na administração como há muito não se via. Presidentes, directores de serviço, e outros lugares de confiança, começaram a dar lugar a novas contratações, ou promoções. Enfim, como se apercebem, Macau não está parada e o que ontem era assim, hoje é diferente.
Um outro exemplo de que vos falo, bem menos importante, é aquele buraco na Estrada Governador Albano e Oliveira, ali na Taipa. Esse, há dois meses tinha quinze centímetros de diâmetro, agora já vai para lá dos trinta. De facto, Macau não pára!
E o que tem a tal revista a ver com isto? Bem, é muito simples.
Em primeiro lugar, esta gente vem cá só para coscuvilhar e opinar sobre o que não sabe. Sabem lá eles se a gente gosta de viver num estaleiro permanente onde a chinfrineira não pára o dia inteiro? Que sabem eles da má construção em Macau e dos preços exagerados das casas? Que têm eles a ver com o sistema de saúde e se este é retrógrado, desumano e ineficaz? Que têm eles a ver com o sistema educativo cá da terra? E que sabem eles de panchões, e do barulho que fazem, para que a administração não acedesse em prolongar por mais dois dias a queima dos ditos, para, não incomodar a população, com grande prejuízo para os vendedores?
É fácil chegar a Macau com um bloco e um lápis na mão e começar a apontar defeitos, dizer que a qualidade de vida não é boa, que os preços dos géneros alimentícios são elevados e os mercados são uma javardice, que os transportes deixam muito a desejar, que os velhos vivem sozinhos, que a mão-de-obra existente é de má qualidade e que é praticamente impossível (para alguns) importar trabalhadores capazes, e por aí fora. Sim, e depois?
Estas questões dizem-nos respeito, é a população de Macau que deve fazer a diferença e, se julgar que tem direito a uma vida melhor, ela e só ela é que poderá reivindicar melhores condições, escolher o seu futuro e o que quer efectivamente. Quanto aos ingerentes, que passem muito bem!

Nota: desculpem os meus leitores por não aprofundar um pouco mais este tema mas, como fui apanhado de surpresa com as declarações do Tiger Woods, ainda não parei de chorar. Pôs-se-me um nó na garganta que me deixa incapaz de raciocinar...

SONDAGENS PINÓQUIO


> A última vez que aqui falámos de sondagens foi para estranhar o resultado que a empresa de Rui Oliveira Costa apresentou ao público. A 'Eurosondagem' dava o governo a subir de popularidade, o primeio-ministro José Sócrates a subir, o PGR a subir...
Para que tenham uma ideia da veracidade das tais sondagens, vejam isto:

A Sondagem da Marktest para o Económico/TSF retrata uma queda abrupta de José Sócrates desde o 'Face Oculta'

É preciso recuar a Maio de 2009, logo após a derrota do PS nas eleições europeias, para se encontrar um saldo tão negativo na imagem do primeiro-ministro. O barómetro da Marktest do mês de Fevereiro para o Diário Económico e TSF, com o trabalho de campo realizado em pleno "furacão político" do caso Face Oculta, retrata uma derrapagem significativa na percentagem de portugueses que tem de José Sócrates uma imagem positiva: de 40,3 em Janeiro para apenas 29,4 em Fevereiro. A acompanhar o mau momento do primeiro-ministro está também uma queda nas intenções de voto no Partido Socialista (de 40,5 pontos percentuais em Janeiro para 35,9 p.p. em Fevereiro) e uma subida robusta do Bloco de Esquerda que, praticamente, duplica a sua força eleitoral de 5,5 p.p. para 10,6 p.p. (ver texto ao lado). "Um efeito esperado" é a avaliação do politólogo Manuel Meirinho dado que "o principal efeito das últimas notícias em torno do caso Face Oculta aponta para um descrédito da figura do primeiro-ministro". Meirinho diz mesmo que é Sócrates, e não o PS ou "os boys", quem "paga a factura" desta crise política.

Também o Presidente da República, que tem evitado pronunciar-se sobre a tensão política e judicial que o caso Face Oculta está a provocar, vê a sua imagem afectada com o pior resultado dos últimos 30 meses: a popularidade de Cavaco caiu novamente abaixo dos 60 pontos percentuais (55,5) para o pior ‘score' desde Setembro de 2007 (início do histórico disponível para o Diário Económico e TSF). André Freire diz que "talvez possa haver uma expectativa nos eleitores de que o Presidente pode resolver" o clima de crise política em que o país mergulhou.

Apesar do mau momento dos socialistas, a braços com as suspeitas públicas de um alegado plano desenhado por ex-administradores da Portugal Telecom com o consentimento do Governo para controlar a comunicação social incómoda, o PSD passa praticamente ao lado de qualquer benefício. Não só Manuela Ferreira Leite se mantém como a mais impopular líder política (apenas com 14,9 p.p. de opiniões positivas), como o PSD sobe, apenas, dois pontos percentuais.

MAPUTO JUNTA-OS

> Como Portugal é um país enorme onde as pessoas para se verem têm de se deslocar horas e horas de comboio, avião ou de carro e onde na capital Lisboa os eventos com a presença do primeiro-ministro sucedem-se a todos os minutos do dia, impedindo José Sócrates de se avistar seja com quem for. É o caso referente ao adiamento que se tem registado de um encontro entre Sócrates e Manuel Alegre. Por isso, é que os dois políticos socialistas vão encontrar-se ali ao lado... em Maputo.

SARAIVA ABRIU O LIVRO


QUEM SE ATREVE A DESMENTIR?

>
Armando Vara era o administrador do BCP responsável pelo financiamento e pelo processo accionista do 'Sol' quando o jornal passou pelos problemas financeiros há um ano e dificultou a entrada de novos accionistas, afirmou esta manhã o director do semanário na Comissão de Ética.
“Tenho a certeza absoluta, pelo menos na parte final [da negociação de venda da quota do BCP no Sol à Newshold] que foi comandada directamente pelo dr. Armando Vara”, garantiu José António Saraiva. O representante do BCP, Paulo Azevedo, “disse várias vezes que tinha que falar com Armando Vara porque não tinha autonomia para tomar decisões”, acrescentou o director.
Há uma semana, Armando Vara veio à Comissão de Ética negar qualquer responsabilidade no dossier do jornal no BCP, dizendo mesmo que isso estava entregue a outras pessoas e departamentos.
José António Saraiva acusou mesmo: “Ficou claro que o que o BCP queria era decapitar a direcção do Sol e interromper a sua publicação”, ao afirmar, primeiro, que estava vendedor da sua parte no jornal e depois, quando os investidores angolanos quiseram negociar, recuou e disse não estar vendedor mas comprador. E nessa altura, “queria mudar” a cláusula que impõe que quem comprasse se comprometia a manter a direcção.
Tendo o BCP sido “um amigo” e accionista desde o lançamento do jornal, a mudança de atitude foi “coincidente com a entrada da administração Santos Ferreira/Armando Vara”. Aí, “o BCP transformou-se num cavalo de Tróia”, disse José António Saraiva, contando os pedidos ignorados de reuniões, a retirada de um patrocínio do BCP que estava pelo menos “verbalmente” combinado, e os “meses terríveis” de dificuldades financeiras que o jornal passou entre o final de 2008 e os primeiros meses de 2009.
Sobre a situação geral da comunicação, questionado pelo social-democrata Pedro Duarte, Saraiva disse-se “chocado” quando vê “pessoas responsáveis do PS a dizer que não se passa nada”.
“Os factos que têm vindo a público através das escutas são absolutamente chocantes. Faz-me lembrar o Iraque, quando choviam mísseis e o ministro da Informação continuava a dizer que não havia nada”, comparou.
Saraiva salientou que esta Comissão de ética existe porque “as escutas foram reveladas” e mesmo depois disso “as pessoas continuam a dizer que é falso”. “As escutas são a prova cabal e insofismável e a única maneira que tivemos de provar que havia em marcha um plano para controlar a comunicação social.”
In 'Público'

O director do 'Sol' acusou ainda a Cofina de ter tentado mudar a direcção do jornal de forma encapotada para afastar "pessoas incómodas" e disse que o presidente daquele grupo o aconselhou a ser "menos contra o Governo". José António Saraiva também acusou Armando Vara, administrador do Millenium BCP, de ter tentado “decapitar” a direcção do jornal após as manchetes sobre o caso Freeport.

"A Cofina também fez tentativas encapotadas para mudar a direcção", disse José António saraiva, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura sobre alegadas tentativas do Governo para controlar a comunicação social.

A Cofina foi accionista do jornal Sol durante seis meses, tendo vendido, em Novembro de 2008, a sua participação (33 por cento) ao empresário Joaquim Coimbra.

Antes desta venda, a Cofina esteve em negociações com o empresário Alberto do Rosário.

"Quem é Alberto do Rosário? É um colaborador da Cofina", afirmou José António Saraiva, adiantando que o grupo dirigido por Paulo Fernandes queria fazer "uma operação fictícia" para "fazer uma limpeza no jornal".

De acordo com José António Saraiva, "enquanto isto se passava, o dr. Paulo Fernandes dizia-nos que devíamos ser menos contra o Governo".

O que Paulo Fernandes queria, acrescentou o director do Sol, era "comprar o jornal entregando-o a outra pessoa para não ficar com o ónus de fazer o trabalho sujo e depois entregava o jornal já devidamente limpo de pessoas incómodas".

O director do 'Sol' também disse ter a certeza que o BCP, através do administrador Armando Vara, quis "decapitar" o jornal e que a relação com o banco tornou-se "hostil" depois de publicadas notícias sobre o caso Freeport.

"Ficou claro que o BCP queria decapitar a direcção do 'Sol'", referiu José António Saraiva no Parlamento, adiantando ter "a certeza absoluta que esta situação, pelo menos na recta final, foi comandada por Armando Vara".

O BCP, que foi accionista fundador do semanário dirigido por José António Saraiva, "começou por ser nosso amigo, mas transformou-se num cavalo de Tróia", disse o director do 'Sol'.

O director reiterou ainda que depois de ter publicado uma notícia sobre o caso Freeport, um subdirector do jornal "recebeu um telefonema de uma pessoa muito próxima do sr. primeiro ministro" que "disse que a relação do banco com o jornal dependia da próxima manchete".

O director do semanário 'Sol' disse ainda no Parlamento que existe um "encobrimento do poder político pelo poder judicial" e que se as escutas não tivessem sido divulgadas pelo seu jornal o debate de hoje não estaria ser feito.

"Hoje acho que há uma conivência do poder judicial com o poder político. Mas penso que se pode dizer mais, há encobrimento do poder político pelo poder judicial. Há factos suficientes para se poder afirmar que há encobrimento", disse José António Saraiva, que está a ser ouvido pela comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura a propósito de alegadas intervenções do Governo na comunicação social.

A edição de hoje do 'Sol' refere que o Procurador-geral da República foi informado pessoalmente de escutas que estavam a decorrer no âmbito do caso Face Oculta e afirma que "a partir desse dia, as conversas mudam de tom e há troca de telemóveis".

No início deste mês, o semanário 'Sol' transcreveu extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que o magistrado considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.

Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.

O processo 'Face Oculta' investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.

A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura está a realizar, desde 17 de Fevereiro, audições a quase 60 pessoas e entidades ligadas ao sector da comunicação social, na sequência de acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social, nomeadamente na TVI através da PT.

In 'DN'


FRASE DA SEMANA

> "Se não publicarem nada na primeira página sobre o Freeport os vossos problemas com o banco serão resolvidos"

José António Saraiva, director do 'Sol', na Assembleia da República, sobre o que lhe tinha sido transmitido por pessoa próxima do primeiro-ministro José Sócrates

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