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A Sondagem da Marktest para o Económico/TSF retrata uma queda abrupta de José Sócrates desde o 'Face Oculta'
É preciso recuar a Maio de 2009, logo após a derrota do PS nas eleições europeias, para se encontrar um saldo tão negativo na imagem do primeiro-ministro. O barómetro da Marktest do mês de Fevereiro para o Diário Económico e TSF, com o trabalho de campo realizado em pleno "furacão político" do caso Face Oculta, retrata uma derrapagem significativa na percentagem de portugueses que tem de José Sócrates uma imagem positiva: de 40,3 em Janeiro para apenas 29,4 em Fevereiro. A acompanhar o mau momento do primeiro-ministro está também uma queda nas intenções de voto no Partido Socialista (de 40,5 pontos percentuais em Janeiro para 35,9 p.p. em Fevereiro) e uma subida robusta do Bloco de Esquerda que, praticamente, duplica a sua força eleitoral de 5,5 p.p. para 10,6 p.p. (ver texto ao lado). "Um efeito esperado" é a avaliação do politólogo Manuel Meirinho dado que "o principal efeito das últimas notícias em torno do caso Face Oculta aponta para um descrédito da figura do primeiro-ministro". Meirinho diz mesmo que é Sócrates, e não o PS ou "os boys", quem "paga a factura" desta crise política.
Também o Presidente da República, que tem evitado pronunciar-se sobre a tensão política e judicial que o caso Face Oculta está a provocar, vê a sua imagem afectada com o pior resultado dos últimos 30 meses: a popularidade de Cavaco caiu novamente abaixo dos 60 pontos percentuais (55,5) para o pior ‘score' desde Setembro de 2007 (início do histórico disponível para o Diário Económico e TSF). André Freire diz que "talvez possa haver uma expectativa nos eleitores de que o Presidente pode resolver" o clima de crise política em que o país mergulhou.
Apesar do mau momento dos socialistas, a braços com as suspeitas públicas de um alegado plano desenhado por ex-administradores da Portugal Telecom com o consentimento do Governo para controlar a comunicação social incómoda, o PSD passa praticamente ao lado de qualquer benefício. Não só Manuela Ferreira Leite se mantém como a mais impopular líder política (apenas com 14,9 p.p. de opiniões positivas), como o PSD sobe, apenas, dois pontos percentuais.
O director do 'Sol' acusou ainda a Cofina de ter tentado mudar a direcção do jornal de forma encapotada para afastar "pessoas incómodas" e disse que o presidente daquele grupo o aconselhou a ser "menos contra o Governo". José António Saraiva também acusou Armando Vara, administrador do Millenium BCP, de ter tentado “decapitar” a direcção do jornal após as manchetes sobre o caso Freeport.
"A Cofina também fez tentativas encapotadas para mudar a direcção", disse José António saraiva, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura sobre alegadas tentativas do Governo para controlar a comunicação social.
A Cofina foi accionista do jornal Sol durante seis meses, tendo vendido, em Novembro de 2008, a sua participação (33 por cento) ao empresário Joaquim Coimbra.
Antes desta venda, a Cofina esteve em negociações com o empresário Alberto do Rosário.
"Quem é Alberto do Rosário? É um colaborador da Cofina", afirmou José António Saraiva, adiantando que o grupo dirigido por Paulo Fernandes queria fazer "uma operação fictícia" para "fazer uma limpeza no jornal".
De acordo com José António Saraiva, "enquanto isto se passava, o dr. Paulo Fernandes dizia-nos que devíamos ser menos contra o Governo".
O que Paulo Fernandes queria, acrescentou o director do Sol, era "comprar o jornal entregando-o a outra pessoa para não ficar com o ónus de fazer o trabalho sujo e depois entregava o jornal já devidamente limpo de pessoas incómodas".
O director do 'Sol' também disse ter a certeza que o BCP, através do administrador Armando Vara, quis "decapitar" o jornal e que a relação com o banco tornou-se "hostil" depois de publicadas notícias sobre o caso Freeport.
"Ficou claro que o BCP queria decapitar a direcção do 'Sol'", referiu José António Saraiva no Parlamento, adiantando ter "a certeza absoluta que esta situação, pelo menos na recta final, foi comandada por Armando Vara".
O BCP, que foi accionista fundador do semanário dirigido por José António Saraiva, "começou por ser nosso amigo, mas transformou-se num cavalo de Tróia", disse o director do 'Sol'.
O director reiterou ainda que depois de ter publicado uma notícia sobre o caso Freeport, um subdirector do jornal "recebeu um telefonema de uma pessoa muito próxima do sr. primeiro ministro" que "disse que a relação do banco com o jornal dependia da próxima manchete".
O director do semanário 'Sol' disse ainda no Parlamento que existe um "encobrimento do poder político pelo poder judicial" e que se as escutas não tivessem sido divulgadas pelo seu jornal o debate de hoje não estaria ser feito.
"Hoje acho que há uma conivência do poder judicial com o poder político. Mas penso que se pode dizer mais, há encobrimento do poder político pelo poder judicial. Há factos suficientes para se poder afirmar que há encobrimento", disse José António Saraiva, que está a ser ouvido pela comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura a propósito de alegadas intervenções do Governo na comunicação social.
A edição de hoje do 'Sol' refere que o Procurador-geral da República foi informado pessoalmente de escutas que estavam a decorrer no âmbito do caso Face Oculta e afirma que "a partir desse dia, as conversas mudam de tom e há troca de telemóveis".
No início deste mês, o semanário 'Sol' transcreveu extractos do despacho do juiz de Aveiro responsável pelo caso Face Oculta em que o magistrado considera haver "indícios muito fortes da existência de um plano", envolvendo o primeiro ministro, José Sócrates, para controlar a estação de televisão TVI e afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.
Do despacho constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT.
O processo 'Face Oculta' investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura está a realizar, desde 17 de Fevereiro, audições a quase 60 pessoas e entidades ligadas ao sector da comunicação social, na sequência de acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social, nomeadamente na TVI através da PT.
In 'DN'