Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

carmindices


Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado


O RATO QUE RUGIU


 


 

> O grande vencedor das eleições de dia 23 foi, sem dúvida, Cavaco Silva.

Sem qualquer alternativa credível de esquerda e sem outros candidatos à direita, Cavaco conseguiu a eleição à primeira volta, com o decisivo apoio do eleitorado flutuante que decide as eleições e que nos últimos anos também elegeu o PS.
Teve um primeiro mandato lastimável, em que cedeu nos princípios (ou seja, cedeu a Sócrates ...) para conseguir a reeleição. O que é certo é que a alcançou.
Mas foi uma reeleição amarga.
Todo o discurso de vitória na noite de 23 foi eivado de dor e ressentimento, marcado pelos casos BPN e da mansão algarvia. Mário Soares, aliás, não perdeu a oportunidade de apontar o discurso "rancoroso".
Numa noite que devia ser de glória e de alegria, para mais sendo certamente a sua última noite eleitoral, Cavaco mostrou-se crispado e vingativo devido às denúncias de que foi alvo - e a que nunca quis responder minimamente.
O grande responsável por essa noite ter sido de fel e não de mel foi, ironicamente, o candidato que ficou em último lugar, Defensor Moura.
A ele se deve, no debate de Dezembro, o início dos ataques a Cavaco. Coelho e Alegre só depois disso cavalgaram a onda.
Na própria noite eleitoral, Defensor voltou a reclamar os louros de ter sido o destruidor da imagem de Cavaco como homem impoluto.
Como ontem escrevia o sub-director do CORREIO DA MANHÃ, a grande ironia da noite foi a de o vencedor passar o tempo a dizer mal da estratégia de um candidato regional que alcançou somente 1,5% dos votos.
Alegre, Nobre e até o espalhafatoso Coelho foram adversários que nem beliscaram Cavaco. Aquilo que verdadeiramente incomodou o Presidente foram as denúncias que Defensor teve a coragem de iniciar.  Como no filme cómico dos anos 50, com Peter Sellers, foi "O rato que ruge".
A questão que fica é esta: o que podemos esperar de um Presidente da República que se abespinha com os ruídos de um rato, mas que não os desmente cabalmente?
Que margem de manobra e independência terá Cavaco quando ficaram no ar - não respondidas - as acusações de um mero peão?
Se até Defensor Moura pôs Cavaco na retranca, imagine-se como será com Sócrates ou Santos Silva...
*Colaborador residente

por João Severino às 19:45
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pauladas:
De joshua a 26 de Janeiro de 2011 às 13:51
O que mais temo é a covardia incurável de Cavaco perante Sócrates e foi por causa dela que preferi acreditar em Nobre.

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