Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

plágio

 

> Escrevi no Pau Para Toda a Obra, em 15 de Fevereiro de 2010:

 
Não vejo no PS uma dinâmica global para forçarem Sócrates a abandonar as funções que exerce. Ele tem sabido manobrar com mestria uma rede de distribuição de vantagens, benefícios, cargos, benesses e manutenção de interesses que serve muita, muita gente.
Sócrates foi deputado e Ministro do Ambiente e isso deu-lhe uma enorme massa de contactos pelo País fora. Conhecer e dominar uma estrutura nacional de contactos é algo de primordial importância na conquista, exercício e conservação do poder.
A isso acresce que o PS, com a sua tradição de cumplicidades e protecções aprendida com a Maçonaria, tem como caldo de cultura o favor e a defesa dos seus. Apunhalar Sócrates iria contra esse código genético e abriria um precedente que ninguém quer que mais tarde se vire contra si.
Por último, sejamos pragmáticos: sendo a estratégia socialista a da conservação do poder para a continuação do seu domínio de pontos-chave da sociedade portuguesa, faria sentido abrir uma crise interna só porque Sócrates fez tudo aquilo que podia para lhes permitir alcançar esse objectivo? Talvez isso lhes possibilitasse uma operação cosmética, mas jamais o PS quererá mais do que isso.
Desde 1995 que o PS domina totalmente o aparelho de Estado, o que em boa medida se manteve em 2002-2005 com o interregno da governação PSD/CDS: para contentar Sampaio, Barroso e Santana Lopes mantiveram ao nível de quadros intermédios muitos que estão ligados ao PS ou, pelo menos, que vão saltando de um lado para o outro. As malhas da rede estão, pois, muito apertadas e sólidas, permitindo que a falta de vergonha de Sócrates triunfe e se imponha à ética e à Justiça.
(http://pauparatodaaobra.blogspot.com/2010/02/pau-comments_9511.html)
 
No dia 14 de Março de 2011, o Arquitecto Saraiva, Director do SOL, escreve:
 

O PROBLEMA é que todos os socialistas - os sérios e os não sérios - sabem que, no dia em que Sócrates se for embora, o PS cairá do poder.

A escolha, hoje, não é entre Sócrates e outro socialista - mas entre Sócrates e o PSD.

Por isso os socialistas estão reféns de Sócrates e não têm outro remédio senão apoiá-lo.

Fecham os olhos às suas mentiras e aos seus excessos.

Assobiam para o lado quando o seu staff faz uma patifaria.

Além disso, todos eles - de Correia de Campos a Armando Vara - vão beneficiando da presença do PS no Governo: hoje é a administração de uma empresa pública ou de um banco, amanhã é um lugar numa fundação, mais tarde é um subsídio ou simplesmente facilidades num negócio.

O GOVERNO construiu um poder tentacular - o tal Polvo, de que o SOL um dia falou - que chega a todo o lado.

Ajuda uns e intimida outros.

As empresas públicas, as empresas privadas, os bancos, as direcções-gerais - toda a máquina do Estado e suas adjacências estão cheias de socratezinhos que servem de polícias e fazem tudo o que for preciso para agradar ao chefe.

Correia de Campos sabe isto tão bem como eu.

Por que faz então de parvo e atira o odioso sobre os jornalistas?

Por ter deixado de ser sério?

Acho sinceramente que não.

Fá-lo porque, quer ele quer os seus camaradas, seguem no barco em que Sócrates é capitão - e, no dia em que este deixar o lugar, vão todos ao fundo.

NÃO SE ESPEREM, portanto, divergências ou clivagens no PS.

De uma forma ou de outra, todos os socialistas são hoje cúmplices de José Sócrates.

No momento da verdade, unir-se-ão para aguentar este primeiro-ministro e atacar os seus supostos inimigos.

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=13990&opiniao=Pol%EDtica%20a%20S%E9rio

 

 
Aquilo que se diz há mais de um ano no PPTAO, é agora aproveitado pelo Senhor Arquitecto.
É este o jornalismo que temos.
Também por isso, e apesar de tudo,  Sócrates resistiu até agora.
 
 
Carmindo Mascarenhas Bordalo
Professor Catedrático Jubilado