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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

ASSUNÇÃO SABE POUCO DO 25 DE ABRIL

 

 

> A história é a história por muitas voltas que lhe demos. No 25 de Abril de 1974 a única senha do Movimento das Forças Armadas para que as unidades móveis saissem dos quartéis foi a música "Grândola, Vila Morena", emitida na Rádio Renascença pelo programa "Limite" de Carlos Albino. Este jornalista estava por dentro de toda a preparação do MFA e esteve numa reunião com Otelo presente, onde este comunicou que tinha dado uma senha ao seu amigo radialista João Paulo Diniz e que a mesma seria a canção "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho. Nessa reunião, foi explicado a Otelo que essa senha não serviria para nada porque os Emissores Associados de Lisboa não eram audíveis a nível nacional e que, mesmo em Lisboa nem em todos os locais a frequência dessa estação de rádio era captada. Foi então deliberado que a canção "E Depois do Adeus" se manteria para que não fosse dada a ideia a João Paulo Diniz de que o Movimento tinha sido suspenso e que todos os que ouvissem essa canção às 11.55 horas de 24 de Abril, deveriam preparar-se para as 00.20 horas de 25 de Abril quando o "Limite" transmitisse a verdadeira senha "Grandola, Vila Morena". Na Rádio Renascença por se tratar de uma estação radiofónica com cobertura nacional. E por quê a Rádio Renascença? Porque na Emissora Nacional não havia nenhum trabalhador que oferecesse confiança ao MFA e porque o Rádio Clube Português tinha sido escolhido para ser o posto de comando do Movimento.  E por quê às 00.20 horas? Porque as portas de armas dos quartéis encerravam às 00.30 horas e nesses 10 minutos seriam confrontados pelos militares do MFA todos os comandantes de unidades e os oficiais de dia para se saber se aderiam ao Movimento, ou não. Em caso negativo, seriam detidos.

Neste sentido, estranha-se que a presidente da AR, Assunção Esteves, tenha "oficializado" na última cerimónia do 25A no parlamento uma senha que não foi a senha oficial do Movimento. E se Assunção Esteves pretender para o próximo ano difundir a verdadeira gravação da senha emitida em 1974, resta-lhe pedir à Fundação Mário Soares, onde a bobina está religiosamente guardada, depois de ter sido doada pelo jornalista Carlos Albino.

 

 

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