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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 

 

Franquelização, ou a saga da moda

A “franquelização” é um fenómeno demasiado arreigado na sociedade política portuguesa, apesar de só se dar a conhecer quando os intervenientes padecem de “naivismo agudo contundente”. Se quiséssemos estabelecer uma analogia com a natureza não consigo arranjar melhor imagem para ela que o Jacaré africano, esquiço, quanto mais velho mais arguto e falso.
Sub-reptício como convém a um bom réptil e atento a tudo o que o rodeia para espreitar as melhores oportunidades, ataca sempre sem qualquer chance para a vítima. Domina o seu meio e nele não é incomodado por ninguém nem por nada (salvo raríssimas excepções).
Pois bem. Identificado e avaliado o “bicho”, ou a moléstia, ou como entenderem chamar, importa, isso sim, saber como fazer para o ou a contrariar. Temos três vias, na primeira, aquela que seria seguida numa sociedade culta e desenvolvida, o animal seria cuidadosamente posto no Jardim Zoológico, entre grades convenientes para que nada lhe sucedesse de mal; na segunda, em sítios menos comprometidos com o respeito animal ou mais interessados em respostas prontas, exemplares e pragmáticas, a solução do zagalote naquele triangulosito bem no cimo da cabeça, seria a solução preferencial; e por último a terceira opção é a portuguesa em que o fenómeno é alimentado pela própria democracia e defendido acerrimamente pelos seus mais altos guardiões.
Mas nesta última opção há um perigo: o de um dia vermos a degradação chegar ao limite inadmissível de até um Primeiro-ministro o defender despudoradamente, perdendo-se no lodaçal em que assim entrará sem mais de lá poder sair. Fazê-lo, seria assumir uma soberba insuportável por qualquer sociedade que preze a sua dignidade e os valores mais elementares da civilização ocidental.
Que os seus (do fenómeno) apaniguados clamem por argumentos de “legalidade” ou de não acusação pela “Justiça”, todos o compreenderemos, pois que a “legalidade” é em grande medida feita por Leis que eles próprios urdiram a seu jeito e conveniência e a “Justiça” nada mais pode fazer que aplicá-las. Mas um Primeiro-ministro, decididamente, não!
Se chegássemos a esse ponto, julgo que pouco ou nada nos restaria que enveredar decididamente pela segunda opção. Se a moléstia é grande, já não é tratável. Ou acabamos com ela ou ela acaba connosco.
É verdade, já me esquecia caros coleitores! Para quando um novo, de excelência e LIMPO Partido?