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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

O POLVO É MUITO GRANDE

Dá cá 400 mil euros

> A corrupção em Portugal é um cancro com dimensões incalculáveis. Na Polícia Judiciária já há quem saiba a verdadeira dimensão da doença e que apresentou relatório sobre o diagnóstico e orçamento necessário para o combate. O seu trabalho foi para a gaveta, mas os seus discípulos mantêm-se empenhados na luta possível.
Na Câmara Municipal do Porto, na de Lisboa, na de Coimbra e na maioria dos municípios do país os casos de corrupção têm sido às centenas nos últimos vinte anos. Toda a gente que paga conhece perfeitamente quem recebe. O hábito transformou-se em vício e o vício em abuso. No Porto, um engenheiro deu-se ao luxo de pedir "pouquinho"... apenas 400 mil euros para facilitar o resultado de uma adjudicação.

A Polícia Judiciária deteve ontem (sexta-feira) um engenheiro da Câmara do Porto que pediu cerca de 400 mil euros a uma empresa em troca de benefícios num concurso para manutenção e instalação de semáforos, após denúncia da autarquia às autoridades. Segundo fonte da PJ, o detido, apanhado em flagrante delito, era o chefe da divisão de intervenção na via pública e pretendia beneficiar uma empresa de electrónica num concurso público para a manutenção e instalação de semáforos, num total de 1,9 milhões de euros. De acordo com informações de fonte da PJ/Norte, o funcionário está indiciado pela prática de um crime de corrupção passiva para acto ilícito. A mesma fonte explicou que foram obtidas "provas inequívocas de que estava a ser praticado um acto de corrupção e que o arguido se preparava para praticar mais a troco de dinheiro, num montante global de 400 mil euros".

A denúncia foi feita pelo presidente da autarquia, Rui Rio, que hoje disse à agência Lusa que foi "feita no dia seguinte às eleições autárquicas". "Desde o primeiro dia que entrei na Câmara qualquer situação idêntica que eu tenha conhecimento terá um tratamento igual, será denunciado às autoridades", afirmou Rui Rio, acrescentando que será aberto um processo disciplinar ao funcionário.
O arguido foi hoje presente ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, que decidiu impedi-lo de continuar funções na autarquia e determinou que se apresente periodicamente às autoridades policiais até à data de julgamento.
A fonte informou que o engenheiro "solicitou a uma empresa ligada ao ramo da electrónica uma elevada contrapartida monetária, de várias centenas de milhares de euros, para que este beneficiasse a empresa no concurso de adjudicação do contrato de exploração e expansão da rede semafórica da cidade".