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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

AGORA É A SÉRIO

> Esta manhã mantivemos um encontro com um alto quadro da Polícia Judiciária.

- Isto do Face Oculta é mais uma fantochada para mostrar serviço e depois ser abafada, não é?

- Nem pense! Isto é um trabalho que já leva quase um ano. Implicou muitas horas de trabalho e de sacrifícios entre o pessoal.

- Mas consta que na GNR e PSP houve grandes recebimentos do Manuel Godinho e como vocês não mamavam nada que atacaram forte e feio...

- Isso são calúnias dos fulanos que já estão com o rabo a arder.

- E são muitos?

- Nem imagina... centenas! E é se não chegarmos aos mil quando apurarmos todas as Câmaras Municipais... é um polvo enorme e não é o Godinho o cabeçilha!

- Então?

- Ainda há tubarões por cima dele que controlavam as vigarices.

- Advogados?

- E não só!

- Membros do Governo?

- E não só!

- Na GNR há gente graúda metida ao barulho?

- Generais, não!... Pelo menos, até agora, nada!

- Mas vocês têm capacidade para irem em frente?

- É difícil. Já começaram as pressões. Aveiro é uma directoria muito pequena e pode começar a levar com os contentores em cima... Mas desistir, nunca!

- Quem são os contentores?

- Não me percebeu?...

- E vai haver gente graúda que poderá ser presa?

- Já devia ter sido!

- E por que não foi?

- A lei que temos é uma merda e dá para tudo. Pode levar o seu tempo mas estamos empenhados!

- Isto de Ovar é uma vingança do PSD contra o PS?

- Nada tem a ver com os partidos... isto já era demais!

- E por que não veio a público antes das eleições?

- Porque ainda estavam a acontecer coisas graves.

- E este caso não é para esquecer?

- Não! Isto agora é a sério!


Comentário oportuno de Carmindo Mascarenhas Bordalo:

Esperemos que sim, que desta seja a sério.
Mas duvido...
Muitos agentes da autoridade são sérios, mas o seu trabalho é sabotado por colegas comprados.
Isto para não falar de uma magistratura vendida às cunhas e ao poder político-económico.
Ninguém estranha que entre políticos e pessoas de influência seja rara a acusação e, quando esta existe, a percentagem de absolvições é muito maior do que no comum dos casos?
Ninguém estranha que o "princípio da livre apreciação da prova" que norteia o processo penal português conduza a que, contra os arguidos de certo estatuto social, nada se considere provado, ao passo que contra o cidadão comum qualquer indício é suficiente?
Seria bom interrogarmo-nos sobre o porquê desta situação.

O futebolista Luisão e o comediante Quintela Machado foram apanhados a conduzir com excesso de álcool no sangue. Tiveram umas injunções que evitaram que ficassem com a carta apreendida. Pelo contrário, quase todos os milhares de portugueses que se sentam no banco dos réus pelo mesmo motivo (em boa parte com processo sumário) têm de pagar multa e ficam inibidos de conduzir durante pelo menos três meses.

Os processos existem - era só fazer a comparação e ver o tratamento favorável que há a favor de alguns. Curiosamente, são sempre os mais poderosos e os mais influentes.
Antes da revolução abrilina, ainda que por motivos políticos, sempre havia mais peixe graúdo atrás das grades...

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