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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Carmindices

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

CAVACO: INTERVENÇÃO TARDIA DE UM CÚMPLICE 
 
> O requerimento de fiscalização sucessiva da constitucionalidade do Orçamento do Estado para 2013, subscrito por Cavaco Silva, é incisivo. Através de uma fundamentação muito rigorosa e pormenorizada, o Presidente põe em causa as bases fundamentais do tipo de política de austeridade que o Governo quer impor.
 
Mas esta nova faceta de Cavaco é profundamente contraditória com as suas anteriores actuações.
 
Sócrates decretou, para 2011, a retirada de uma percentagem dos salários dos funcionários públicos, atacando o seu rendimento. Já era, como agora afirma Cavaco, uma ablação de rendimentos. Mas Cavaco promulgou tranquilamente o Orçamento de então e nem sequer uma palavra crítica proferiu. O Tribunal considerou, a instâncias de um grupo de deputados, que a medida era temporária e, assim, respeitava a Constituição.
 
No Orçamento de Estado de 2012, Passos Coelho retirou os subsídio de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos reformados. Cavaco pronunciou-se negativamente, manifestando a opinião de que uma sobretaxa geral de IRS seria uma solução mais adequada e justa. Mas, contraditoriamente, não requereu a fiscalização da constitucionalidade do diploma.
 
O Tribunal Constitucional acabou por declarar inconstitucional a medida, mas apenas porque deputados do PS e do BE o pediram.
 
Perante nova retirada de subsídios e uma contribuição de solidariedade sobre certas pensões, para 2013, Cavaco mudou de atitude: pediu a fiscalização, e em termos extremamente aguerridos.
 
Estes ziguezagues do Presidente não o credibilizam.
 
Mostram que não tem uma acção coerente e norteada por um pensamento claro.
 
Actua ao sabor do vento.
 
Pontos que invoca para o OE 2013 eram invocáveis anteriormente.
 
Tendo agora razão, é porque antes não quis fazer valer essa razão e acobardou-se. O que é inadmissível e inescrupuloso.
 
O ponto a que se chegou, de imposição de sacrifícios apenas a algumas camadas da população, teve a cumplicidade de Cavaco. A sua presente actuação, por contraponto, é a prova disso mesmo.
 
Só quando se aproxima a segunda metade do seu último mandato é que Cavaco teve um mínimo de coragem e firmeza. 
 
E, mesmo assim, ninguém lhe ouve uma palavra que seja sobre o facto de as despesas com injecções de capital na banca e com as parcerias público-privadas se manterem estranhamente intocáveis. Apesar de terem contribuído com importante fatia do endividamento público.
 
Cavaco age como alguém que pede socorro  depois de estar horas a fio a observar  o acidentado moribundo e, ainda assim, se recusa a testemunhar sobre o acidente.


* Professor Catedrático Jubilado



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Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

OS ÚLTIMOS A SABER
 
Durão Barroso anunciou hoje que a Comissão Europeia já aprovou as medidas orçamentais que lhe foram apresentadas pelo Governo Português.
 
Desmoralizado e derrotado pelo recuo que teve que fazer quanto ao Orçamento de 2013, nomeadamente a descida da Taxa Social Única, com equivalente aumento das contribuições dos trabalhadores, Passos Coelho ainda não disse aos portugueses o que fará alternativamente.
 
Mas já o foi dizer a Bruxelas.
 
Somos os últimos a saber.
 
As cúpulas da instituição maçónica chamada União Europeia já sabem o nosso destino. Nós não.
 
O governo vai-se putrefazendo: o Tribunal Constitucional considera inconstitucionais as suas medidas evidentemente iníquas; o Presidente convoca reuniões do Conselho de Estado para deitar abaixo as suas propostas de orçamento; o CDS está com um pé dentro e outro fora da coligação; a eminência parda António Borges cai no ridículo cada vez que abre a boca (o que  faz, aliás,sem qualquer autoridade política ou legal).
 
É difícil fazer pior.
 
Passos queria aproveitar a crise para estrangular o funcionalismo público e os reformados. O Tribunal Constitucional não deixou.
 
Furibundo, tinha que arranjar alternativa que mantivesse intocáveis nos seus biliõesos negócios das parcerias público-privadas.
 
A alternativa que arranjou foi tão perniciosa - e desprespeitadora da decisão do Tribunal Constitucional - que foi chamado à pedra pelos outros órgão do poder político e pelos parceiros sociais.
 
Acossado, e mostrando que está à deriva, recuou. Só não se sabe para onde.
 
Mas Durão Barroso já se ufana de que sabe. Antes de todos nós.
 

Mais uma vez o eleitorado é o bombo da festa - e ainda o gozam.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado

 

 

CARMINDICES

 

 

 

 

Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

MARCELO E OS TENTÁCULOS VIS E MISERÁVEIS DO SOCRATISMO
 
 
> De Paris, gozando rendimentos, Sócrates desfruta a sua reforma política.
 
Aqui, temos de nos amolar com o que ele nos deixou: um País a sobreviver de ajudas externas.
 
Mas Sócrates não se limita a tirar pós-graduações parisienses que ninguém percebe, pois na verdade nem licenciado regularmente é.
 
Os seus tentáculos vão-se mexendo, provando que a intenção é de um exílio meramente temporário.
 
Que o digam aqueles que ele pensa que se atravessam no seu caminho.
 
Sócrates tem do seu lado a mais completa e poderosa rede de apoios, transversais às várias forças políticas.
 
Foi assim em 2004, quando uma conjugação de esforços do PS, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e outros elementos do PSD derrubou o governo de coligação PSD/CDS liderado por Santana Lopes, levando Sócrates ao colo para o poder.
 
Nesses outros elementos do PSD inclui-se, obviamente, Marcelo Rebelo de Sousa, que torturou miseravelmente Santana como nunca ousou fazer aos governos socratinos. Com argumentos tão desonestos como dizer que a lei das rendas era má e, mais tarde, afiançar que foi a única coisa boa do santanismo. Rui Gomes da Silva, legitimamente, defendeu o governo, e Marcelo foi a Belém numa triste rábula, em jeito de queixa a Sampaio.
 
Alguém se lembra que Marcelo tenho feito algo do género entre 2005 e 2011? Terá havido um único comentário de Marcelo contra Sócrates que seja digno de ter ficado na memória do público, como ficou a telenovela que se armou em 2004?
 
Supreendentemente, já no período de exílio francês, Marcelo continua na sua senda de caça a quem possa desagradar a Sócrates.
 
Primeiro foi Cavaco Silva.
 
Quando este, no soporífero e perfeitamente inócuo prefácio a um dos seus "roteiros", acusou Sócrates de deslealdade institucional, Marcelo ignorou a substância da acusação: preferiu fustigar Cavaco por não ter, no devido tempo, tirado as devidas conclusões institucionais da actuação socratina. Virando o bico ao prego, atacou Cavaco e deixou Sócrates incólume.
 
Agora é António José Seguro.
 
O líder do PS, eleito contra a corrente socratina, pretendeu alterar regras e procedimentos internos que fortalecessem a sua posição contra os constantes ataques dos adversários, inspirados a partir de Paris.
 
Marcelo, não tardou: atacou de forma arrasadora Seguro, inclusivamente recorrendo a argumentos falseados.
 
Confrontado com a sua falta de rigor, indigna de um comentador sério e de um académico, Marcelo, qual garoto malcriado que nunca aceita as correcções que lhe fazem, não pediu desculpas e continuou as suas diatribes contra a direcção de Seguro.
 
Santana Lopes, Cavaco Silva, António José Seguro. Três pessoas que, em momentos diferentes, eram incómodas para Sócrates e a quem Marcelo se atirou como gato a bofe.
 
A agenda política de Rebelo de Sousa é clara. Já todos podem entendê-la.  
 
Que dor de alma ver um Catedrático servir tão reles gente.


 

 

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Carmindo Mascarenhas Bordalo

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 

OS HORRORIS CAUSA 

> Xanana Gusmão, velho combatente em prol da causa comunista e contra a civilização ocidental, inimigo jurado da presença portuguesa em Timor (sem qualquer acompanhamento da maioria da população, diga-se) e actual praticante de jogo duplo quanto à língua a utilizar em Timor (favorecendo na penumbra o inglês), vai receber o doutoramento honoris causa pela Universidade de Coimbra, proposto pela respectiva Faculdade de Letras.
Assim se vão degradando as distinções académicas, tornando-as em meros penduricalhos políticos. A Universidade de Coimbra, transformada em distribuidora de brindes de acordo com as vontades do poder, espelha bem o estado da academia e da educação em Portugal.
Se o povo timorense tanto sofreu, deve-o a Xanana e seus comparsas, quando tentaram tornar Timor num satélite soviético e mergulharam o território no complexo e sangrento jogo da guerra fria. Uma coisa é certa: piores do que Suharto e seus esbirros, só os mentores do guerrilheiro Xanana, então instalados no Kremlin.
É este o curriculum de Xanana, que tanto deslumbrou a Universidade coimbrã! Foi esta folha de serviços que a fez atribuir uma distinção académica a quem não tem qualquer passado académico!
Como Che Guevara já está morto, arranjaram o que ainda poderia simbolizar as loucuras que tantos continuam a apreciar.
Mas se Xanana pode receber galardões académicos, os melhores alunos portugueses do ensino secundário, para aprenderem que é com marxismo e anti-portugalidade que se é reconhecido, já tiveram a notícia que os 500 euros que lhes foram prometidos vão para outros bolsos!
Nuno Crato (de quem me lembro a chafurdar nas vascas da extrema-esquerda, cujos quadros mentais parece que não abandonou inteiramente) quis dar um sinal de que estudar, trabalhar e cumprir a palavra é tudo conversa. Só por isto, também ele merecia um horroris causa...
Assim vamos. Mérito é ser beneficiado por jogos políticos. Trabalhar e alcançar resultados é recompensado com ... coices.

É o espelho de uma sociedade que depois se admira de andar a sobreviver de esmolas.

 

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Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

Mercado Social de Arrendamento: Socratinismo sem Sócrates?
 
> O governo anunciou que vai promover um "mercado social de arrendamento", aproveitando os muitos imóveis que a banca tem disponíveis por incumprimento dos empréstimos para habitação.
 
Na base disto, estará o arrendamento de “casas desocupadas abaixo do preço de mercado tradicional, com o objectivo de dinamizar o mercado de arrendamento".
 
O mais certo é tudo ficar em águas de bacalhau, como é costume. Mas a proposta é particularmente perigosa.
 
Como todos sabemos, o mercado de arrendamento tem um sector completamente estrangulado, o dos arrendamento de renda congelada. São centenas de milhares de contratos anteriores a 1990 (data da liberalização pelo governo de Cavaco Silva, mas com efeitos só para o futuro) que os senhorios não podem terminar e com rendas que durante décadas não puderam ser aumentadas. Nestes contratos, o Estado obriga os proprietários a serem a Segurança Social de quem, muitas vezes, nem precisa.
 
Por isso, legislar em matéria de arrendamento sem mexer nestes contratos é tapar o sol com uma peneira.
É muito bonito dar aos necessitados o que eles precisam. Mas, se as rendas serão abaixo do preço de mercado, só há três alternativas:
- ou os proprietários das casas são muito bondosos e aceitam ficar com o prejuízo;
- ou os proprietários são coagidos a ficar com o prejuízo;
- ou o Estado cobre a diferença entre a renda social e a renda de mercado.
 
Se os proprietários não tiverem um ataque de generosidade e o governo não os quiser obrigar a ceder os seus imóveis, resta ao Estado financiar o tal mercado social.
 
Mas deve começar por o fazer com aqueles que estão na casa alheia a pagar misérias. Muitas vezes à custa de pessoas que são pobres.
 
Se não se for por aí, temos de concluir que o "mercado social de arrendamento" mais não é do que um frete aos bancos, que depois de terem irresponsavelmente emprestado dinheiro durante anos, já não sabem o que fazer a tantas casas que recebem dos incumpridores. 
 
Se assim acontecer, teremos uma medida ao nível do pior de Sócrates: ao mesmo tempo que se beneficiam os grandes grupos económicos com projectos faraónicos, oneram-se os pequenos proprietários e empresários com impostos e inquilinos perpétuos. E destrói-se o mercado privado de arrendamento, com uma concorrência desleal, financiada pelo Orçamento do Estado.
 
Esperemos que não.
*Professor Catedrático Jubilado, colaborador residente

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Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

 

O BLOCO CENTRAL PODE ENTRAR PELA JANELA??
 
 
> No dia 6 de Junho, logo a seguir às eleições legislativas, fiz "votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu".
Se Passos Coelho e o seu governo querem colocar um basta ao socialismo que nos conduziu à pré-bancarrota, têm de enfrentar os vampiros com estaca de madeira.
Durão Barroso, com medo de Sampaio - e, quem sabe, de outras forças - nunca fez a purga necessária. Os altos níveis da administração pública mantiveram uma horda de quadros intermédios que já tinha servido o PS. Importantes leis (como a lei do arrendamento) não avançaram. Quando Santana as quis efectivar, foi corrido.
É por isso que soube com terrível preocupação que  Francisco Ribeiro de Menezes (que foi até Agosto do ano passado chefe de gabinete de Luís Amado) será o chefe de gabinete de Passos Coelho.
As grandes reformas nunca se fizeram com quem salta de lado da barricada.
Rezar a Deus e ao demónio nunca foi prova de qualquer tipo de integridade.
Quem serviu o governo de Sócrates num lugar de directa confiança política, poderá participar numa regeneração do País que Sócrates afundou?
Votei PSD. Não votei PS.

Espero que este episódio não seja sintoma de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, arranjou maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.

 

 

*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

 

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Carmindo Mascarenhas Bordalo*

 

 

QUEM SÃO OS INDEPENDENTES DE PASSOS?
 
"No Governo ou vai estar o Partido Socialista ou vai estar o PSD, não vamos estar os dois".
Passos Coelho foi peremptório nesta afirmação.
Passos deu a sua palavra a Portugal de que não levará os socialistas (e não especificamente Sócrates) para o governo.
PSD e CDS alcançaram ontem uma confortável maioria absoluta: cerca de 50% dos votos e, pelo menos, 129 deputados (em 230).
É uma ampla base social e política. 
Sócrates nunca a teve - e, mesmo assim, governou sozinho durante seis anos.
Atendendo ao outro compromisso de Passos - o de levar o CDS para o governo - poderíamos concluir que o PS está irremediavelmente arredado do poder.
Mas...
Quer no último dia de campanha, quer no discuro de vitória, o presidente do PSD afirmou que, além de se coligar com o CDS, colocará personalidades independentes no executivo.
A questão reside aqui: quem são esses independentes?
Cavaco levou para o governo independentes ligados à direita (como Roberto Carneiro e Bagão Félix) ou sem qualquer peso político (caso do polémico Carlos Borrego). Não alteraram a correlação de forças interna ou as linhas definidas pelo PSD.
Guterres contou com muitos independentes no seu primeiro governo. Mas tratava-se de pessoas que haviam participado nos "Estados Gerais" do PS, colaborando na elaboração da alternativa socialista de 1995.
Portanto, até hoje, as vagas de independentes que integraram governos ou eram ideologicamente próximas do partido do poder, ou não tinham relevância política, limitando-se a uma participação governativa de carácter técnico.
Ora, os independentes de Passos Coelho não fazem parte de uma plataforma de fundo como a dos "Estados Gerais" - e, isto, porque o PSD não apresentou nada do género.
Serão figuras do centro-direita, embora não militantes do PSD ou do CDS? Parece-me improvável, pois, nesse caso, não mereceriam tanto ênfase nos discursos de Passos.
Restam, pois, duas alternativas:
- ou serão personalidades sem filiação política definida, mas que se destacam pela sua competência técnica em determinadas áreas (por exemplo, Medina Carreira como Ministro das Finanças);
- ou serão figuras que estabelecerão pontes com o PS.
Se for o último caso, Passos terá de ter muito cuidado.
Está a pisar gelo muito fino.
Prometeu não levar o PS para o poder.
Não pode, sob pena de desonestidade, trazer o PS para o governo, a coberto de pretensas independências de quem tem afinidades notórias com os socialistas.
Não pode deixar entrar pela janela o que garantiu que saía pela porta.
Não se pode comportar como o alcoólico que bebe vinho de olhos fechados, porque prometeu não olhar mais para a bebida.
Estranhamente, Passos não se contenta com a confortável maioria de que dispõe com o CDS. Voltou a dizer que quer independentes, colocando-os ao mesmo nível do parceiro de coligação.
Se o CDS não chega, mas o PS também não serve, resta, ao que parece, uma base política comum ao PSD e aos socialistas.
E ela é fornecida pela Maçonaria, organização que é transversal ao PSD, ao PS e ao CDS e que poderá oferecer esse tipo de "independentes".
Esperemos para ver.
Com os votos de que Pedro Passos Coelho, via Maçonaria ou quejandos, não arranje maneira de, enviesadamente, governar com o PS e defraudar quem o elegeu.
*Professor Caredrático Jubilado, cronista residente

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Carmindo Mascasrenhas Bordalo*

 

 

SÓCRATES E O PS - AS VÍBORAS DISFARÇADAS DE ENGUIA
 
> Nos últimos tempos, os dirigentes do PS, vendo que poderão ser escorraçados do poder que tanto proveito lhes deu, desfazem-se em apelos a uma coligação governamental de que venham a fazer parte.
Carlos Melancia, António Costa, Almeida Santos, Jorge Sampaio, Manuel Pinho e, agora, o próprio Sócrates.
É um truque de mau gosto.
Como o nosso João Severino já disse, Passos Coelho tem de rejeitar expressamente essa hipótese grotesca.
O PS levou Portugal à bancarrota, de que apenas nos salvámos com um empréstimo concedido pela Europa e pelo FMI (e que  os socialistas atrasaram suicidamente).
Com o PS, a degradação da qualidade política atingiu graus nunca vistos, com a impunidade e as mentiras constantes de Sócrates.
Se Passos Coelho quer, efectivamente, salvar Portugal, tem de afastar o PS.
Sócrates e o PS são duas  víboras que provocaram o maior descalabro social, económico e financeiro dos últimos 35 anos.
A eles devemos os recordes de desemprego, endividamento, défice orçamental e falta de liberdade na comunicação social.
Para a educação, deram-nos as Novas Oportunidades (o liceu oferecido como brinde dos ovos da Páscoa).
Para as contas públicas, deram-nos um buraco orçamental único na nossa história.
Para a política social, deram-nos aa duplicação do desemprego.
Como recompensa pelo trabalho, cortaram salários
Como futuro do País, serviram o aborto e o casamento gay.
Como exemplo de conduta pública, apresentaram-nos o Freeport e a Face Oculta.
Esta gente tem de ser travada.
O PS não deve ser mantido no governo.
Os resultados foram catastróficos.
Sócrates e o PS disfarçam-se agora de enguia: um ser que escorrega, que muda de posição agora que está aflito, mas que é inofensivo e, até, comestível.
Na realidade, são víboras, também viscosas e rastejantes, mas venenosas - e  à conta de quem estamos a passar péssimos momentos.
Querem que comamos um prato que apresentam como caldeirada de enguias, mas que é um ensopado de víboras. Cheio de veneno letal.
Passos Coelho tem de nos provar, ainda hoje, que não cai na esparrela.
PS: este post é uma homenagem ao João Severino que, com uma lucidez impressionante, tem feito no PPTAO uma cobertura notável da campanha. Ainda hoje o mostrou.
* Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

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Carmindo Mascarenhas Bordalo*

Professor Catedrático Jubilado

 

 

 
JORGE SAMPAIO OU O ESCARRO MORAL
 
Jorge Sampaio veio pedir entendimentos entre as várias forças políticas porque a situação do País é difícil.
 
Será que, em Novembro de 2004, quando dissolveu a Assembleia da República onde havia uma maioria parlamentar, Sampaio achava que não eram precisos entendimentos?
 
Por que estranho motivo é que, nessa altura, as coisas só se resolveram com uma dissolução e consequente queda do governo?
 

 

Talvez Sampaio ache que os entendimentos só são precisos em fases muito críticas - e em 2004, com o governo PSD/CDS, a situação portuguesa era bem melhor.

 
Mas, então, por que é abriu uma crise política, se ainda não estávamos na lástima a que Sócrates nos conduziu?
 
Será que as crises políticas, na óptica do Dr. Sampaio, só são boas quando a maioria governamental não é da sua preferência política?
 
A postura de Sampaio é reveladora do pânico que se está a apoderar da camarilha socialista.
 
Sócrates, Silva Pereira, Santos Silva, Luís Amado, Mário Soares e, agora, Jorge Sampaio rastejam a implorar que deixem o governo sobreviver.
 
Para quê esta atitude quase abjecta? 
 
O que é feito dos valentes que criaram e apoiaram a crise política e as eleições antecipadas de 2004-2005? Para onde foi toda a empáfia?
 
A explicação só pode ser uma.
 
O PS e Jorge Sampaio estão altamente receosos que a situação a que conduziram Portugal origine um processo de tal dimensão que leve a uma vassourada nos seus tachos e mordomias.
 
Um novo governo pode, aproveitando a frescura de um novo mandato, tomar medidas que afectem uma estrutura de compadrios, interesses e distribuição de benesses.
 
Imagine-se que, escudando-se no estado calamitoso da herança socratina, um novo governo acabava ou reduzia salários em administrações de fundações, empresas e institutos ligados ao Estado.
 
Imagine-se que um novo governo extinguia organismos públicos supérfluos.
 
Imagine-se, ainda, que um novo governo impedia quaisquer novas admissões em todos os sectores da função pública.
 
O que seria da camarilha?
 
O que seria de pessoas como a filha de Jorge Sampaio, que o Ministro socratino Pedro Silva Pereira nomeou sua assessora?
 
 Ponha-se, ainda, a hipótese de o novo governo admitir uma auditoria externa às verdadeiras contas públicas portuguesas. E se houvesse responsabilidades criminais e financeiras pela situação?
 
Percebe-se bem o pânico de Sampaio e dos outros.
 
O homem que provou uma crise política e conduziu Sócrates ao poder quando o desemprego, o défice e a dívida externa eram muito menores, pede, agora, muita calma e  entendimentos.
 
Um verdadeiro escarro moral.
 
 
*Colaborador residente
 
 
PAU COMMENTS
 
De Jorge Cabral a 23 de Março de 2011 às 11:05
 
Caro Professor,

Tenho que começar por lhe agradecer ter-me poupado a fazer o que o senhor aqui fez. Há quase 24 h que ando com a minha "alma" azeda pelo que ontem ouvi do Sr. Dr. Jorge Sampaio. E fê-lo com a qualidade que eu nunca conseguiria atingir, pelo que o meu agradecimento terá que ser duplo.
Na verdade perante o que aconteceu no seu "principado", facto a que o senhor muito bem se refere, Jorge Sampaio perdeu qualquer legitimidade em intervir numa situação como a que agora se nos depara, politicamente.
Jorge Sampaio foi um Presidente medíocre. Tão medíocre que não deixou qualquer memória que não seja o "pecado" de ter soçobrado perante uma das piores manifestações de partidarite que era possível presumirmos como passível de qualquer atitude de um homem decente. Para mim nem isso Jorge Sampaio chega a ser. Licenciado com 10 valores, sem nada que se lhe conheça que não seja o confortável e permanente encosto ao Partido, este cavalheiro foi mais um dos que contribuíram para a situação em que estamos.
Não estou com isto a defender o Santana, cuja medíocridade está também por demais notória, mas a forma indigna e "desconstitucional" como tal Governo foi escorraçado é um manifesto inquestionável das rídiculas qualidades da pessoa de Jorge Sampaio.
Mais, Jorge Sampaio é tão sectário que até levou tais defeitos a escolher quem, dentro do seu partido, seria o seu "serafim". Que o diga Ferro Rodrigues, que foi ostensivamente ostracizado a favor do Sócrates, e com tal clareza e desfaçatez que o pobre homem, só teve que abandonar tudo, para manter a pouca dignidade que o Jorginho lhe deixou. e mais ainda, vejam a prenda que estas maquinações construiram e que se dá pelo nome de José Sócrates - eis o que Jorge Sampaio pariu.
Portanto, Jorge Sampaio que se cale e se reserve ao, ou aos, tacho(s) que a carreira lhe vem garantindo.
Entretanto, haja pachorra para suportar estes cretinos.


 

 

 

plágio

 

> Escrevi no Pau Para Toda a Obra, em 15 de Fevereiro de 2010:

 
Não vejo no PS uma dinâmica global para forçarem Sócrates a abandonar as funções que exerce. Ele tem sabido manobrar com mestria uma rede de distribuição de vantagens, benefícios, cargos, benesses e manutenção de interesses que serve muita, muita gente.
Sócrates foi deputado e Ministro do Ambiente e isso deu-lhe uma enorme massa de contactos pelo País fora. Conhecer e dominar uma estrutura nacional de contactos é algo de primordial importância na conquista, exercício e conservação do poder.
A isso acresce que o PS, com a sua tradição de cumplicidades e protecções aprendida com a Maçonaria, tem como caldo de cultura o favor e a defesa dos seus. Apunhalar Sócrates iria contra esse código genético e abriria um precedente que ninguém quer que mais tarde se vire contra si.
Por último, sejamos pragmáticos: sendo a estratégia socialista a da conservação do poder para a continuação do seu domínio de pontos-chave da sociedade portuguesa, faria sentido abrir uma crise interna só porque Sócrates fez tudo aquilo que podia para lhes permitir alcançar esse objectivo? Talvez isso lhes possibilitasse uma operação cosmética, mas jamais o PS quererá mais do que isso.
Desde 1995 que o PS domina totalmente o aparelho de Estado, o que em boa medida se manteve em 2002-2005 com o interregno da governação PSD/CDS: para contentar Sampaio, Barroso e Santana Lopes mantiveram ao nível de quadros intermédios muitos que estão ligados ao PS ou, pelo menos, que vão saltando de um lado para o outro. As malhas da rede estão, pois, muito apertadas e sólidas, permitindo que a falta de vergonha de Sócrates triunfe e se imponha à ética e à Justiça.
(http://pauparatodaaobra.blogspot.com/2010/02/pau-comments_9511.html)
 
No dia 14 de Março de 2011, o Arquitecto Saraiva, Director do SOL, escreve:
 

O PROBLEMA é que todos os socialistas - os sérios e os não sérios - sabem que, no dia em que Sócrates se for embora, o PS cairá do poder.

A escolha, hoje, não é entre Sócrates e outro socialista - mas entre Sócrates e o PSD.

Por isso os socialistas estão reféns de Sócrates e não têm outro remédio senão apoiá-lo.

Fecham os olhos às suas mentiras e aos seus excessos.

Assobiam para o lado quando o seu staff faz uma patifaria.

Além disso, todos eles - de Correia de Campos a Armando Vara - vão beneficiando da presença do PS no Governo: hoje é a administração de uma empresa pública ou de um banco, amanhã é um lugar numa fundação, mais tarde é um subsídio ou simplesmente facilidades num negócio.

O GOVERNO construiu um poder tentacular - o tal Polvo, de que o SOL um dia falou - que chega a todo o lado.

Ajuda uns e intimida outros.

As empresas públicas, as empresas privadas, os bancos, as direcções-gerais - toda a máquina do Estado e suas adjacências estão cheias de socratezinhos que servem de polícias e fazem tudo o que for preciso para agradar ao chefe.

Correia de Campos sabe isto tão bem como eu.

Por que faz então de parvo e atira o odioso sobre os jornalistas?

Por ter deixado de ser sério?

Acho sinceramente que não.

Fá-lo porque, quer ele quer os seus camaradas, seguem no barco em que Sócrates é capitão - e, no dia em que este deixar o lugar, vão todos ao fundo.

NÃO SE ESPEREM, portanto, divergências ou clivagens no PS.

De uma forma ou de outra, todos os socialistas são hoje cúmplices de José Sócrates.

No momento da verdade, unir-se-ão para aguentar este primeiro-ministro e atacar os seus supostos inimigos.

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=13990&opiniao=Pol%EDtica%20a%20S%E9rio

 

 
Aquilo que se diz há mais de um ano no PPTAO, é agora aproveitado pelo Senhor Arquitecto.
É este o jornalismo que temos.
Também por isso, e apesar de tudo,  Sócrates resistiu até agora.
 
 
Carmindo Mascarenhas Bordalo
Professor Catedrático Jubilado