Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2013

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 

 

Franquelização, ou a saga da moda

A “franquelização” é um fenómeno demasiado arreigado na sociedade política portuguesa, apesar de só se dar a conhecer quando os intervenientes padecem de “naivismo agudo contundente”. Se quiséssemos estabelecer uma analogia com a natureza não consigo arranjar melhor imagem para ela que o Jacaré africano, esquiço, quanto mais velho mais arguto e falso.
Sub-reptício como convém a um bom réptil e atento a tudo o que o rodeia para espreitar as melhores oportunidades, ataca sempre sem qualquer chance para a vítima. Domina o seu meio e nele não é incomodado por ninguém nem por nada (salvo raríssimas excepções).
Pois bem. Identificado e avaliado o “bicho”, ou a moléstia, ou como entenderem chamar, importa, isso sim, saber como fazer para o ou a contrariar. Temos três vias, na primeira, aquela que seria seguida numa sociedade culta e desenvolvida, o animal seria cuidadosamente posto no Jardim Zoológico, entre grades convenientes para que nada lhe sucedesse de mal; na segunda, em sítios menos comprometidos com o respeito animal ou mais interessados em respostas prontas, exemplares e pragmáticas, a solução do zagalote naquele triangulosito bem no cimo da cabeça, seria a solução preferencial; e por último a terceira opção é a portuguesa em que o fenómeno é alimentado pela própria democracia e defendido acerrimamente pelos seus mais altos guardiões.
Mas nesta última opção há um perigo: o de um dia vermos a degradação chegar ao limite inadmissível de até um Primeiro-ministro o defender despudoradamente, perdendo-se no lodaçal em que assim entrará sem mais de lá poder sair. Fazê-lo, seria assumir uma soberba insuportável por qualquer sociedade que preze a sua dignidade e os valores mais elementares da civilização ocidental.
Que os seus (do fenómeno) apaniguados clamem por argumentos de “legalidade” ou de não acusação pela “Justiça”, todos o compreenderemos, pois que a “legalidade” é em grande medida feita por Leis que eles próprios urdiram a seu jeito e conveniência e a “Justiça” nada mais pode fazer que aplicá-las. Mas um Primeiro-ministro, decididamente, não!
Se chegássemos a esse ponto, julgo que pouco ou nada nos restaria que enveredar decididamente pela segunda opção. Se a moléstia é grande, já não é tratável. Ou acabamos com ela ou ela acaba connosco.
É verdade, já me esquecia caros coleitores! Para quando um novo, de excelência e LIMPO Partido?




por João Severino às 10:29
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013

Desafio

 

Colaboração de Jorge Cabral

 

 

DECAPITAÇÕES? GUERRA COLONIAL – URGE CATARSE


> Há dias senti uma profunda indignação ao ouvir num serviço noticioso da RTP de uma forma venenosa e insidiosa trazer-se à liça uma folha triste da nossa História. Os exageros que se cometeram nos primeiros dias da Guerra Colonial, designadamente quando em resposta aos “corajosos actos de guerra” cometidos pelos garbosos nacionalistas, foram igualmente cometidos actos de barbárie por parte de alguns militares das nossas fileiras. A notícia em que se baseia, do “Público” é um exercício despudorado e descontextualizado que só pode merecer o nosso mais profundo repúdio.

 

Aos palhaços que querem desenterrar estas lamentáveis páginas eu quero lembrar que ninguém tem o direito de manchar o que na sua generalidade foi uma guerra onde o respeito humano foi preservado ao seu mais elevado nível. As relações que mantivemos e temos com esses povos são bem testemunho disso e a sua principal razão.
A emoção que caracterizou a resposta ao tremendo e trucidário início da guerra, assentou no que de mais elementar sabemos da condição humana. Soldados impreparados e profundamente emocionados para não dizer mesmo transtornados pela indizível violência praticada pelos então “terroristas”, desventrando bebés de berço e rasgando ventres de mulheres grávidas para trespassarem os fetos pelas suas catanas, passando pelos mais atrozes actos sobre os homens e mulheres independentemente das suas idades, rasgando vulvas até ao ventre, decepando e decapitando indiscriminadamente, algumas vezes, chegando ao ponto de extirpar órgãos, comendo-os, não souberam conter-se, dando também lugar, em pretensa resposta a actos de barbárie numa fase tremenda mas que teve uma existência curtíssima, de meses, senão mesmo de escassas semanas.

 

Por outro lado, tendo sido porventura um dos milicianos que mais tempo cumpriu de “zona operacional” tenho o direito e mesmo a obrigação de esclarecer que essa mancha comportamental não foi de forma alguma a imagem que dela deixámos ao longo de 14 anos, onde os capturados eram muitas vezes tratados com exagerados cuidados, tantas vezes suspeitos, porque bem maiores do que os que dávamos aos nossos soldados.
O que é lamentável é que hoje se desenterre essa realidade, sem um responsável enquadramento no contexto em que se verificou. Informação não é isso e a forma como o sacripanta do jornalista abordou o assunto envergonha todos os portugueses que, postos em situações que ele, porventura nem sequer imagina, mantivemos um comportamento que até a ele, que nada fez por isso, dignifica e honra. Tinha uma razoável ideia pelo pivot em causa, de nome HENRIQUE QUALQUER COISA, mas neste momento já só sou capaz de o colocar ao nível da pungente mediocridade que por aí grassa. Infelizmente tal criatura bebe café pelas mesmas chávenas que eu – espero que m’as não contamine.
A forma acintosa como na peça inquiriu o investigador que desenterrou este facto, não fora a lucidez, responsabilidade, saber e consciência do próprio inquirido, poderia trazer mais uma distorção de entendimento da guerra que travámos e que está tão mal tratada. Indivíduos como este, estão a mais – com tão elevada taxa de desemprego e com tanta gente mais competente nessa condição, porque é que basbaques deste calibre são perpetuados a ocupar lugares que seguramente estão longe de merecer?

 

 

por João Severino às 17:23
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

Desafio

 

 

Cortes nas pensões principescas


Jorge Cabral

 


> A polémica que está na berra sobre a taxação especial sobre as pensões só é assunto porque está a atingir os intocáveis – políticos oportunistas e corruptos, gente que tem ou teve poder para manipular a administração do Estado a se interesse. Todos conhecem muitos dos que se enquadram neste “rapinanço”, mas ninguém teve até agora coragem para reabrir esses processos e dar-lhes o mínimo de dignidade e sensatez. E porquê? Porque da porcaria que a Democracia até hoje gerou, em termos de Partidos, todos, uns mais, outros menps, mas todos têm gente desta que importa não molestar. E porquê? Para mim é só e exclusivamente pelos telhados de vidro.
Processos como os do “bimbo” que se diz Presidente da Répública e do Mira Amaral, só a título de exemplo, deveriam ser reanalizados, explicitados e de novo decididos à luz da decência e da virtude que não choquem com a miséria que por sua causa ora grassa nos seus pares.
Dizem por aí uns pacóvios de indecente consciência: Ah, são só 3000 os que auferem de pensões principescas. Só por dizerem isto deveriam levar duas arrochadas bem assentes pelas costas baixo – são só esses mas recebem mais do que 40000 dos que têm pensões medianas. E não é esta a única razão – um País é tanto mais unido e o seu povo digno quanto menos casos destes houverem. Trata-se de uma correcção que é incontornável para que possamos pensar de novo num projecto global e comum que não esteja sempre a contar com a corrosão de mais alguns oportunistas que por aí espreitam.
Todos sabem que tenho sido muito crítico da acção deste Governo. Mas neste caso não posso deixar de o apoiar mais, em prol da retoma da nossa verticalidade mínima como Nação que se pretende justa e actual. Sanguessugas como essa gente, não fora a maternal protecção da Democracia e mais cedo ou mais tarde sentiriam o sabor da verdadeira admoestação.
Passos Coelho, já que como governante comprovou ter vistas curtas, pelo menos faça de bom “Polixia”, que não lhe faltará trabalho, mas cuidado porque tem que saber explicar bem as coisas para que os eleitores não sejam manipulados por essa “seita” a que acima me refiro, que, como todos bem sabemos, tem fortes e dedicados “tentáculos” em toda a comunicação social, com especial relevâncias para a televisão e jornais. Se não é assim, expliquem-me lá porque é que as estações televisivas SÓ dão tempo de antena a essa cáfila que há anos nos anda a entreter com mediocridades, massacrando-nos diariamente com intervenções ora de uns, ora de outros, mas sempre de gente que há vinte, trinta ou mais anos se anda a aproveitar da pobre gente que agora vem acusar de ter vivido acima das suas posses?! Que grande malandragem!!!  

 

 



por João Severino às 10:05
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 


O SEU A SEU DONO

> Tenho feito acintosas críticas ao comportamento deste Governo. Todos sabem que a ideia que tenho da governação até agora praticada não podia ser pior, portanto, não se trata de qualquer inversão nos conceitos que já veiculei, sobre a incapacidade de Passos Coelho como governante, que me faz hoje escrever estas poucas e literariamente pobres, linhas. Delas, aliás, espero tão só que sejam justas.

Ouvi há pouco uma genial repórter noticiar torpe e mediocremente sobre as “escutas aos meliantes do Monte Branco, onde o 1º Ministro vinha incluído”, por ter sido, segundo a mesma “génia”, nada menos que “apanhado”. Mais, a imbecil, movida pela cega ambição da sua  “caixa de glória”, não se coibiu sequer de associar este caso ao famigerado e nauseabundo caso do José Sócrates no emporcalhado caso "Face Oculta”.

Com efeito a “douta” mas enormemente incompetente profissional da triste comunicação social que temos começando com a venenosa frase: “tal como com José Sócrates…”. Nem sequer se apercebe que está, através de uma pérfida manipulação de quem a vê ou simplesmente ouve a contrariar os seus deveres profissionais mais elementares. Lamentável forma de noticiar! Insidiosa, tendenciosa e manipuladora.

Tentar misturar as duas situações é grosseiro e próprio de quem não tem a mínima noção do que está a fazer. É pena que com tantas “formações universitárias” e demais “up grades” entidades reguladoras e comissões para tudo e mais alguma coisa não haja quem mande para casa algumas destas aventesmas da comunicação social que por aí pululam a trucidar-nos a paciência, mormente quando se vê a léguas que são umas nulidades chocantes.

Neste caso, não está em caso o 1º Ministro, incompetente como tal, ou muito menos o homem sem dimensão para o lugar de governante que ocupa e para o qual voluntariamente concorreu. O que aqui está em causa, e só, é o seu carácter, postura pessoal e comportamento face aos poderes que se são cometidos. E a esse respeito, nada a referir. – Passos Coelho não fez nada de mais do que aquilo que todos nós esperamos que um governante faça, ou seja, afirmar que não tem nada a esconder, declarando expressamente que é seu desejo e vontade que tudo seja divulgado. Ele não é responsável pelos telefonemas indesejados que lhe fazem nem dos comportamentos dos “Ricciardis” que poluem este país. Não é por alguém ser marginal, cafajeste, meliante de 1ª, 2ª ou 3ª que deixa de poder falar ou contactar com quem o não seja.

Mas, certo é que neste caso, nenhum de nós pode deixar de reconhecer que até aqui (repito, neste caso) o comportamento de Passos Coelho não envergonha nenhum português o que, diga-se em abono da mais elementar verdade, não aconteceu quando esteve em causa a divulgação das escutas do seu homólogo que o precedeu. Nessas, o manto de vergonha por termos todos ficado convictos de que Sócrates estava metido na porcaria até ao pescoço não se esquece facilmente. Mais, na saga que se lhe seguiu, foi evidente o grau aviltante de manipulação das entidades e das instituições, que, aliás, deveria ter sido alvo da mais viva indignação por parte de qualquer povo com coluna vertebral. Tudo foi então feito para além dos limites se esconder a verdade e desresponsabilizar alguns criminosos. O elevado nível de malandragem e criminalidade dos meliantes envolvidos era até inversamente proporcional ao nível fraseológico utilizado, até esse, indigno de pessoas que ocupam tais cargos o que a cada um de nós não pôde deixar de envergonhar também. E ainda há quem fale de tal meliante!!!...




por João Severino às 11:00
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Terça-feira, 16 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 

 

BARDAMERDAS



> São 19 horas do dia 15 de Outubro e já não consigo suportar mais estes canalhas. Consegui manter-me calado até este momento, apesar de todos os esforços dos habituais arautos da desgraça, aliás, diga-se em abono da verdade, agora mais activos e contundentes, porque desta vez lhes foram indistinta e desalmadamente ao bolso, os quais, tendo como sempre tiveram grandes privilégios de exclusividade no acesso aos poderosos media e deles abusaram sem pudor.
Ser governante é pôr as pessoas acima de tudo. É servir os outros e recusar servir-se a si. É agir sob os mais elevados princípios de rigor, esforço, abdicação, mas sobretudo de honestidade e de plena responsabilidade. As governanças de que temos sido vítimas não podiam distanciar-se mais deste rumo. Se uns são meliantes chapados, outros, parece que governam um país sem pessoas.
Enfim, uns e outros mais não podem ser catalogados que desprezíveis bardamerdas que aqui quero - porque simplesmente já não posso evitar fazê-lo - condenar.
Diz Vitor Gaspar, que, se não fizermos este “ajustamento” teríamos que mais tarde suportar a tirania da dívida. Simplesmente curioso! Eu sinto que já estamos a viver essa realidade e em dimensões impensáveis; e como eu, provavelmente 90% da população portuguesa.
Esta política conduzirá à maior onda de miséria e de desgraça desde da última crise do século XIX:
-  A eliminação do nosso tecido económico e das estruturas de criação de riqueza vão pura e simplesmente ser reduzidas à expressão mínima.
- A família vai sofrer a maior agressão de que há memória e a sua desagregação vai assumir dimensões assustadoras, amorais.
- As crianças vão sofrer as consequências do fenómeno de desagregação das suas famílias e tornar-se-ão maioritariamente elementos revoltados, descrentes e incompreensíveis perante os mais nobres princípios de qualquer sociedade digna e respeitável alicerçada em valores contemporâneos.
- A economia paralela tenderá a aumentar e o contrabando será iniciativa compensadora.
- Os capitais, sobretudo os que estivessem destinados a investimentos, tomarão outros destinos, porque o convite ao desinvestimento não podia ser maior.
E pior que tudo,
- O cidadão começará a sentir um amargo nacionalismo, porventura sem qualquer sentido, uma vez que a esperança de entregar às gerações futuras algo melhor do que aquilo que recebeu é já, e só, uma fantasia delirante. Logo, nós, os da geração mais responsável por este estado de coisas, perdemos toda a dignidade. Ora, assim sendo, o que é que nos resta?!
Infelizmente todos sabemos a resposta. E temo que ela não se fará esperar muito, caso esta senda de irracional destruição progrida.
Vitor Gaspar, parece padecer de uma doença que eventualmente não lhe permita sair do contexto da “sebenta” em que massacrou os seus neurónios nos tempos de estudante. Mas não deve ter estudado em compêndios muito abrangentes porque parece que para além das doutas análises e medidas “macro-económicas”, não parece ter a mais pequena sensibilidade nem consciência dos efeitos e dos fenómenos micro-económicos que a todo o momento trucidam a sociedade portuguesa.
Não quero massacrar os leitores com uma crónica muito extensa, muito embora o tema mereça bem um “tratado”, mas não posso deixar de lamentar que Passos Coelho em quem eu, lamentavelmente, votei, não tenha a mais pequena noção do que é GOVERNAR UMA NAÇÃO.  Passos Coelho dá-me a ideia de uma pessoa, que muito embora me pareça honesta (sem prejuízo de qualquer alteração sugerida pela conclusão do caso da Tecniforma), não tem dimensão interna para o lugar (daí parecer estar vendido ao seu ministro das Finanças), nem externa (daí a execução escrupulosamente estúpida do programa exteriormente definido).
Mas pior que isso e para culminar a inexequibilidade de qualquer acção deste des”governo”, não podemos ignorar que Passos Coelho, tão ignorante e impreparado como o Sócrates de má memória, não tem nem nunca teve, tal como o seu antecessor, nenhum projecto nacional consistente, para além de servir grupos de influência instalados nos mais diversos patamares da cáfila partidária viciosa.
É altura da sociedade civil se preparar para tomar as rédeas do nosso destino colectivo e esta “democracia” está viciada e não nos permite qualquer solução exterior ao universo dos partidos, então dancemos conforme a música –porque não há qualquer problema irresolúvel.
Acabemos de vez com esta trampa de gente que nos tem massacrado até à medula e corroído o país a níveis quase irrecuperáveis. E deixemo-nos de pruridos e de compreensividades bisonhas. –Há que julgar os cafajestes em Tribunais sóbrios e imparciais como felizmente ainda temos.




por João Severino às 10:20
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 

 

 

MALDITOS CRÁPULAS

 

> Há alguns dias prometi revelar uma situação pungente e que lamentavelmente é bem a imagem do estado a que os crápulas que nos têm (des)governado conduziram este país e o seu povo.

 

Numa Escola Secundária de uma vila costeira da Estremadura, a poucas dezenas de quilómetros da capital, onde se pavoneiam muitos de nós, muito em especial quando vão a banhos, uma menina de 12 anos olhava insistentemente para os seus colegas que, previamente referenciados com carências, eram alvo da assistência social escolar.

 

Enquanto os colegas comiam, a menina olhava, repetindo esta cena dia após dia, o que chamou a atenção de um professor que, receando que a criança estivesse por questões de natural sensibilidade afectada com o quadro que sistematicamente lhe era fornecido, podendo, inclusivé, gerar algum dano psicológico mais difícil de resolver, abeirou-se dela com cuidado extremo, tentando extrair da aluna alguma indicação ou palavra que o ajudassem a interpretar a situação e lhe desse alguma pista para melhor a abordar. Nada. A menina retraiu-se, emudeceu, baixou os olhos já humedecidos mas não disse nada. Tímida, envergonhada, ou sensibilidade já mordida de dor, foi o que o atento professor pensou tratar-se, mas não ficou descansado e procurou de entre os colegas quem estava em melhor posição para abordar a dita aluna. Foi-lhe indicada uma professora que alguém sabia ter com ela uma boa relação.

 

Sem perder tempo, o professor inquieto procurou a colega e pô-la ao corrente do que havia observado há já longos dias e que o trazia muito preocupado.

 

A professora propôs-se agir e fê-lo prontamente. Havendo uma grande confiança entre a criança e a professora, tendo esta logrado obter da menina a triste verdade – tinha fome e olhava para os colegas que comiam, sem poder desviar deles os olhos.

 

A mãe e o pai haviam caído no desemprego já após o fecho da data normal das inscrições que davam direito à assistência a crianças carenciadas e quando se dirigiram à escola, não sei se bem ou mal, de lá saíram convencidos que já não podiam requerer tal apoio. Passando a viver da ajuda escassa de amigos, vizinhos e alguma família, passaram a viver com enormes carências e não eram raros os dias em que as crianças iam para a escola sem qualquer alimento. Pior, sendo gente simples, que não raro vive com medos por razões de pouco ou mau esclarecimento, pediram aos filhos que não contassem a ninguém as dificuldades amargas que eram vividas dentro de casa, porque se isso fosse sabido elas ser-lhes-iam retiradas porque assim tinha acontecido num caso conhecido na povoação e que servia de exemplo esclarecedor e sem qualquer dúvida quanto às conclusões.

 

Enquanto isto, Sócrates vive que nem um nababo em Paris, “polixia” Loureiro passeia-se entre Cabo Verde e os melhores restaurantes da nossa capital, Gaspar, sonha com novos estratagemas para extorquir mais dinheiro a este povo, Relvas, sem vergonha nem carácter tenta inventar uma “modinha gira” para “assobiar p’ró lado” e Passos Coelho esforça-se por descobrir mais uma medida que o faça incumprir mais uma promessa, isto, para já não falarmos na cáfila que são os ditos “políticos” que temos tido e que maioritariamente povoam (imerecidamente) o hemiciclo de S. Bento.

 

E nós, sociedade civil, o que é que fazemos? Vamos continuar a permitir esta vergonha pungente e que há muito ultrapassou o admissível? Organizemo-nos de vez!

 

 

 

por João Severino às 09:20
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2012

Desafio

 

 

 

Jorge Cabral

 

 


IMI – SUICÍDIO INEVITÁVEL

 

 

> A actualização em curso do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) é um exemplo gritante da extrema fragilidade do actual Governo perante os mais fortes. Com efeito, esta medida radica como outras posições passivas bem conhecidas e já mal cheirosas, na sua submissão aos multifacetados interesses dos vários poderes instalados.

 

Desnorteado e frágil, o Executivo não hesita em massacrar quem não tem poder para fazer afirmar os seus direitos, apesar de elementares, em benefício chocante das corporações (salazaristas) e dos conhecidos grupos de chacais que criminosamente se têm apoderado de bens públicos, através de influências perniciosas habilmente “geridas” por redes de influência nascidas no âmago dos Partidos do chamado “círculo do poder”; eu diria até do “quintal do poder”.

 

Neste caso foi o claudicar perante as exigências da “corporação do Poder Local”, encabeçada pela poderosa Federação Nacional dos Municípios, fortemente entranhada por elementos que se enquadram na rede que designei no parágrafo anterior.

 

Porém, julgo que desta vez se perdeu a mais elementar noção de decência, para não falar já do posicionamento a anos-luz de qualquer padrão de bom senso. Ultrapassaram-se todos os limites e caso não seja operado um significativo amaciamento do conjunto das medidas anunciadas e contemplados racionalmente os casos de impossibilidade material de pagamento, não arrisco nada ao adiantar desde já que isto consubstanciará (nas palavras de um bisonho que certa vez me deleitei a ouvir) o “auto-suicídio” deste Governo.

 

Com efeito, nas actuais circunstâncias socio-económicas é, no mínimo, escandalosa a dimensão com que querem aplicar esta actualização de uma só vez. Para já não falarmos na multidão de péssimas avaliações, pelo irrealismo que reflectem, que originam aumentos imorais, irracionais e até mesmo que raiam o criminoso, é imprescidível ter-se em conta que a grande maioria dos proprietários, foram-no à força, por terem sido obrigados a investir na sua habitação, sem o que, nunca teriam conseguido materializar o seu elementar direito a constituir sequer família. Ao fazê-lo, não só contribuíram muito activa e positivamente para a dinamização da economia, como deram exemplo de sacrifício pessoal, abdicando de luxos, grandes ou pequemos, passeios ou cruzeiros, férias em desejáveis destinos, etc., etc., contribuindo, portanto, com sacrifícios próprios variadíssimos, para a riqueza colectiva. Parece que agora querem castigá-los por isso.

 

Mais! Uma enorme percentagem desta gente continua ainda hoje a pagar os seus empréstimos de habitação à banca, só Deus sabe com que sacrifícios, cumprindo spreads usurários, discricionários e unilateral e leoninamente impostos pelo emprestador, para o que, curiosamente, o “supervisor” nunca prestou a mais pequena atenção, nem proferiu a mais incómoda palavra.

 

Mais ainda! Dessas pessoas, muitas haverá que se encontram hoje em enormes dificuldades, por força de despedimentos, ou de situações de subemprego, fazendo já DESUMANOS SACRIFÍCIOS para suprir as responsabilidades mutuárias, custos de condomínios e demais taxas por todos conhecidas. Todos temos consciência que a manutenção de uma casa, nos dias de hoje, envolve custos muito consideráveis e que disso beneficia obviamente a economia. Manter hoje uma casa é já uma significativa contribuição económica que não pode ser ignorada.

 

É, pois, este “Cabaz de Custos” que vai EXPLODIR com esta medida que não me repugna considerar provir de MENTECAPTOS de PAUPÉRRIMA INTELIGÊNCIA.

 

O único benefício que me parece resultar desta medida é a queda inexorável do Governo: Sem apelo nem agravo, se a medida não for fortemente corrigida, o Governo cairá entre finais de Abril e princípios de Junho do próximo ano.

 

“Paz à sua alma”, e que venha rapidamente quem, limpo (sem passivos), sério, honesto e que priveligie o bem público e despreze em face dele quaisquer interesses particulares e muito menos próprios, saiba conduzir este povo que, maioritariamente, bem o merece.

 

 

 

   

por João Severino às 14:43
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Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Dersafio

 

 

Jorge Cabral

 

 


PALHAÇADA

 

Nunca vi tanto “génio” a botar ciência sobre o estado da coisa e a sua cura. Curioso é que os mesmos não tenham previsto nada quando, afinal, tudo era tão óbvio. Mas eu digo por quê.

 

Porque os tais génios ou, pelo menos, a maioria deles vinha-se alambazando tranquilamente com a situação instalada. Ganhavam à tripa forra e enquanto isso, convinha-lhes o silêncio estratégico. Ou não será isto? A outra hipótese é que sejam mesmo uns cretinos chapados, burros em todas as dimensões e a níveis impensáveis. Não pode ser. Apesar de algumas provas contrárias, julgo que não serão assim tanto. Ou será que tudo isto sucedeu pela acumulação das duas razões em justa e conveniente medida? Talvez.

E agora? Temos que ainda por cima suportá-los nos shows televisivos que se sucedem inelutável e lamentavelmente? Igualmente, talvez.

 

O curioso, mais uma vez, é que discutem a “árvore em vez da floresta”, o fait-divers em lugar do essencial, o embrulho em vez do conteúdo, enfim, parece uma manobra de diversão - face ao momento - tenebrosa e quase maquiavélica. De tudo o que tais fulanos têm dito, pouco ou nada se aproveita. Digo-o eu que apesar de ter feito uma pós-graduação numa área específica da economia, não me reconheço nenhuma capacidade ou conhecimento profundo na matéria. Todavia, desafio qualquer desses senhores a provar o contrário do que digo ou qualquer outra solução para sairmos deste caos em que nos colocaram, sem provocarem dramas inadmissíveis nos nossos semelhantes.

 

Em PRIMEIRO lugar

 - Só podemos sair desta situação através de uma posição política forte e consistentemente defendida a todos os níveis em que seja possível impô-la em plenitude. Essa posição tem que conduzir inevitavelmente a juros ZERO sobre os empréstimos concedidos pelas instâncias internacionais. Com efeito, tais organismos não perseguem nem devem admitir o lucro – isso é contrário aos princípios que estão na base da sua génese e desvirtua-as.

Por outro lado, que se encontre no estado em que o nosso está, jamais poderá libertar os fundos necessários ao pagamento de tal verba, mormente sem sacrificar o seu povo a sacrifícios dignos de uma tenebrosa idade média (e não me venha nenhum filho da puta dizer que estou a exagerar, porque dentro de poucos dias redigirei uma crónica de um pungente facto real de que tive conhecimento, que muito gostaria de enfiar pela garganta de todos os responsáveis pela calamidade instalada e então depois concluirão se tenho ou não razão em afirmá-lo).

 

Por outro lado, um programa que consistentemente recupere o tecido económico do país, tão metodicamente destruído pelos Cavacos e Sócrates e seus bandos, só será possível num prazo mínimo entre 10 a 15 anos. Temos que formar os profissionais necessários a cada uma das áreas económicas em geral e a especializá-los para algumas das suas actividades. Os poucos que tínhamos foram desbaratados desde há 20 anos a esta parte, com sistemática irresponsabilidade, complacência e sobretudo participação dos bandos supra referidos.

 

Em SEGUNDO lugar

 - Há que negociar verbas justificadas por projectos de desenvolvimento nacional, competentemente gizados, com metas e objectivos temporais bem definidos, cujas aplicações deverão ser rigorosamente fiscalizadas pelos organismos financiadores. Ora aqui surge um problema fundamental – é que o “poder instalado”, nem está interessado num plano longo e muito menos numa fiscalização aturada durante tanto tempo. E por quê? É simples! Porque a maioria desta tropa fandanga quer voltar à “grand bouffe” que se instalou nos círculos de poder e seus arredores. Estão ávidos para retomar o saque e tão obcecados por ele que nem se apercebem que o programa que anunciam é pura e simplesmente caricato pelo prazo. Mais uma vez julgo que isto não é só sintoma da estupidez e burrice de tal cáfila.

 

Coelhito, tu não és mais que um pianeco nas mãos desta troupe. Aguenta-te mas aprende de uma vez por todas que foste levado ao poder para defender as pessoas e absolutamente mais nada. O país é isso e só isso. Só governarás aceitavelmente se conduzires a esmagadora maioria do teu povo a mais felicidade, se conseguires galvanizá-lo em torno de um projecto colectivo entendível e ambicioso, através de linhas mestras que OBRIGATORIAMENTE tens que saber gizar - para isso deixaste que te elegessem. Deixa-te de merdices e de justificações torpes – encara o touro de frente e defende os forcados que tens na tua rectaguarda – eles estão prontos para te secundar mas és tu que tens que encarar a fera em primeira instância, preservando o mais possível a sua integridade física, moral e, sobretudo, a sua dignidade e o seu direito a um futuro desejável.

 

Não te deixes guiar por técnicos de meia tigela que nem merceeiros de esquina chegam a ser. A prova disso foi a tua última calinada – devias levar umas palmatuadas valentes por ela. E agora cala-te de vez! Não quero ouvir mais palermices como aquela dos empresários que tinham medo que os seus colaboradores se revoltassem contra eles. Não vez que com isso só fazes figura de parvo? Que empresário é que disse isso a sério? No limite nada o proibiria de devolver o dinheiro aos seus colaboradores e com isso até ganharia pontos perante eles. Portanto, deixa-te de mostrar que estás a anos-luz da realidade e preocupa-te com a dimensão política que de uma vez por todas tens que passar a assumir nos diversos círculos internacionais onde tens que fazer prevalecer, em traços gerais o que acima te digo. Queres manter os “compagnons de route”? Ok, mas põe-nos na ordem! Se for preciso manda-os estudar o que de facto têm que saber para estarem nos lugares que ocupam. Nada de “academismos ensaísticos, balofos e perigosos”.

Acredito ainda na tua seriedade. Assim como eu, muitos dos portugueses o crêem também e é isso que ainda te salva. Mas não abuses, porque, para mim, seria uma pena perdermos a oportunidade de sermos guiados por alguém que não nos roube, mas por outro lado, daqueles já poucos estarão dispostos a suportar mais este calvário insuportável que cega e cretinamente tens perseguido. Prossegui-lo é eliminar qualquer esperança de um presente vivível e muito menos de um futuro que congregue vontades e catalise as pessoas.

Porque penso nos meus filhos e nos dos meus iguais, desejo-te ânimo, inteligência, bom senso e um grande sentido de responsabilidade.

 

P.S. Isto não abdica de JULGAR nos Tribunais competentes os responsáveis, todos os responsáveis, pelo estado em que estamos. Ninguém se compadece com os exemplos do meliante das sucatas, qual palonço chico-esperto, que saindo à pressa da escola aprendiz de feiticeiro tropeçou nos primeiros passos de mágica, nem daquele em que metem de castigo em caso um velhote acabado e doente, para dar cobertura aos verdadeiros cafagestes, como é o caso do “polixia” marginal de renome reconhecido que se passeia garbosamente entre Cabo Verde e os melhores restaurantes desta capital lisboeta, sem que ninguém lhe peça as devidas responsabilidades.     

 

 

 

por João Severino às 09:50
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Desafio

 

 

Jorge Cabral

 



DESPEDIMENTO COLECTIVO DOS POLÍTICOS

> Há uns dias a esta parte temos assistido e suportado um assédio insuportável por parte de alguns “políticos de chinelo” a coberto das manifestações cívicas de 15 de Setembro. Sobretudo a que se verificou em Lisboa, causou-lhes uma inveja imensa e os oportunistas trataram logo de lhe dar uma interpretação em que eles tivessem lugar. Desiludam-se. –Ali estiveram, estão e estarão sempre a mais, mormente enquanto personificarem o que de mais abjecto paira na nossa vida colectiva. Vocês foram e são oportunistas, medíocres, não têm nem nunca tiveram um projecto colectivo de cariz nacional que contemplasse o respeito pleno dos valores respeitadores pela dignidade de todos, incluindo dos mais frágeis, honestidade nos pensamentos e nos actos e responsabilidade pelas acções cometidas. Estas manifestações não foram só contra o Governo, mas sim contra todos vós, portanto calem-se, pelo menos calem-se seus palhaços e pensem a sério no que aconteceu.

Dizem-nos agora com uma desfaçatez espantosa –que foram cometidos alguns erros”, como se estivessem a assumir o direito de voltar à mesma vidinha. Não, de facto não o têm. Mais, a sociedade deve requerer julgamentos legítimos pelo despautério em que chafurdaram e que tanto depauperaram este país e este povo que agora é obrigado a arrastar-se ensanguentado de sacrifícios bem dispensáveis, que vocês, seus bandalhos, tivessem sido menos safardanas, menos ladrões e/ou menos irresponsáveis e incompetentes.

A Democracia não vive sem Partidos, – pelo menos por enquanto, – mas não é admissível que esses cavalheiros, crápulas comprovados tenham lugar cativo. –Há que despedi-los, a bem ou a mal, e no quadro do mais elementar Estado de Direito há que responsabilizá-los em julgamentos límpidos e serenos e por Tribunais legítimos. Não é compreensível que um gerente de uma empresa, mesmo que exclusivamente sua, possa ser incriminado por acções contrárias às boas práticas e que a lesem e admitir que estes bandalhos alienem centenas de milhões de euros em negociatas com amigos, em iniciativas mais que desaconselháveis e em muitos casos em escancarados benefícios próprios e depois nada lhes aconteça. Tribunal com eles! Ainda que antecipadamente haja que varrer dos órgãos judiciais os elementos que escandalosamente lhes têm dado cobertura ao despautério sem limites.

O que aconteceu não pode ficar impune. Esses garimpeiros da política estão há dezenas de anos, muitos deles a receber lautos vencimentos à custa de todos nós, na injusta expectativa de que constituíssem uma primeira linha de defesa do bem e património comum. Mas em vez disso, o que fizeram? Amanharam-se TODOS, ainda que uns mais que outros, não assumindo as mínimas responsabilidades que lhes cabiam; daí o estado a que chegámos.

Atente-se num simples exemplo que me parece paradigmático do índice de incompetência, de irresponsabilidade ou de criminalidade dos nossos políticos:

Todos sabem que no hemiciclo em S. Bento há anos que um génio da economia ali tem tido lugar cativo. Pois bem, nesses mesmos anos o País foi acentuadamente arrastado para a situação presente, de clara “Banca Rota”. Não será estranho que um génio daquele calibre, tamanha autoridade na matéria vertente, não tenha assumido uma posição séria, sistemática, radical, contra tal postura económica, alertando todo o País para a inevitabilidade da desgraça? É que não se tratou de um pormenor ou de uma bizantinice, foi mesmo um cataclismo e um desmando total que era impossível passar despercebido a quem tendo acesso a todas as contas e números e sabendo interpretá-los tecnicamente, nada fez. Isto, também é crime.  




por João Severino às 10:51
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Sábado, 22 de Outubro de 2011

DESAFIO (66)

 

Jorge Cabral

colaborador

 

O Movimento dos Indignados - Fundamentos e Objectivos possíveis

> Todos sabemos a razão que tem levado às ruas centenas de milhares de indivíduos. O sentimento de descontentamento e de revolta  generalizados têm, para a grande maioria deles uma origem comum - a ganância desmedida praticada por alguns.
É imperioso que este quadro se altere radicalmente e o movimento em curso reclama-o. Mas, para além de chavões vagos e sem aplicabilidade, não temos podido observar objectivos concretos e alcançáveis, que garantam a radical eliminação da verdadeira origem do mal que conduziu a este tremendo estado de pobreza de tantos a favor do fabuloso enriquecimento de tão poucos (comparativamente).
O que está errado é sem dúvida a matriz em que tudo isto se desenrolou. Foi ela que possibilitou o aproveitamento mais que condenável de bens e de posições, à custa de processos ínvios, onde a corrupção foi a "rainha das festividades". É que, quando deixamos à iniciativa privada a gestão de bens imensos e que trazem consigo tanto poder é impensável  que quem os comanda, não aja no sentido de majorar os seus interesses e com isso surge a corrupção o lobing e até fenómenos bem mais condenáveis - acreditar que isso não suceda é tão ingénuo na génese como criminoso nos efeitos. 

Na verdade o capitalismo atingiu o apogeu neste quadro de liberalismo carnavalesco na sua versão mais tenebrosa e burlesca. Há, pois, que gerar um conjunto de propostas que, constituídas como objectivos incontornáveis, façam com que as pessoas conscientes das dificuldades, mas também dos seus direitos e capacidades, os persigam sem tréguas - porque só assim poderemos chegar a bom porto. O moviento que globalmente agora vemos surgir bem podia e devia eleger estes propósitos como indiscutíveis.
Os areópagos que todos conhecemos estão minados e controlados pelos interesses de "grande grupos" económicos com o grupo da "pandilha financeira" à cabeça, logo seguida pelo "bando das energias" (quem não se lembra do exemplo da Enrom?), com o sub-grupinho dos hidrocarbonetos à cabeça.  Então o que fazer?
Perdoem-me a imodéstia mas para mim parece-me claríssimo a urgência da mudança. A sociedade tem que se refundar num paradigma muito próximo do das sociedades ocidentais actuais, digamos mesmo, do actual capitalismo, preservando assim a total livre iniciativa, mas, e penso que nisto devemos ser incontornáveis, com áreas nevrálgicas vedadas radicalmente à possibilidade de qualquer aproveitamento individual. E que áreas são essas?


a)  Desde logo, a banca e toda a actividade especulativa que em torno dela fervilha. O dinheiro é dos Estados e a nenhum particular pode ser permitido substituir-se ao Estado, e até dar-se ao luxo de o controlar, como hoje parece acontecer. O "negócio" do dinheiro só aos Estados pode ser permitido.  A actividade bancária só deve ser exercida por Organismos Públicos ou seja, os Bancos devem ser todos nacionalizados. Alguma dúvida??? (As Bolsas poderão permanecer tal como hoje se encontram mas as suas actividades, bem como as dos investidores devem estar muito mais controladas por forma que as acções irregulares senão mesmo criminosas que alguns investidores frequentemente praticam sejam prontamente identificadas e estes indíviduos exemplarmente punidos).


b)  Os recursos naturais ESTRATÉGICOS, cujo conjunto poderá variar de Estado para Estado (por exemplo, para um País a extracção de cobre pode ser estratégica, para outros não) conforme a importancia circunstancial de cada um no espaço em que se insere, devem só ser possíveis à esfera Pública. Muitos dos serviços ali desenvolvidos poderão, mediante processos transparentes ser adjudicados à iniciativa privada, mas a responsabilidade base a eles afecta nunca poderá sair da responsabilidade DIRECTA dos Estados. Todavia há dois recursos naturais que seja qual for a região do Mundo em que se encontrem só poderão estar na posse de Entidades públicas - um são os recursos hídricos, o outro são os recursos energéticos, com a exploração e produção petrolífera à cabeça.


Caros amigos, quando isto acontecer poderão todos estar certos que estão lançados os dados para um Mundo melhor, onde a livre iniciativa será mais pura e menos contaminada com abutres que não conhecem limites à sua sede de poder e de dinheiro.

 

por João Severino às 10:36
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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

desafio (65)

 

 

Jorge Cabral

colaborador

 

 

CAFAGESTES

 

Temos ideias tristes de muitos políticos. Ineficiência, falta de projecto nacional, falta de dimensão humana, irresponsabilidade e incompetência gritantes, mediocridade atroz e leviandade chocante, partidarite aguda e oportunismo escancarado, etc., etc., são particularidades com que alguns dos políticos bem conhecidos nos presentearam.
O resultado de tais características está aí: um país arruinado, um povo destroçado e um futuro enegrecido.
Mas há limites, penso eu, desculpem lá se não for verdade, mas no meio deste meu romantismo inveterado e de uma ingenuidade incontida, ainda penso que há limites.…
Todavia, ouvindo o vice-rei da Madeira, já começo a ter algumas dúvidas. É que, das duas uma, ou eu sou um imbecil chapado, ou ele é um criminoso declarado. Este facto entristece-me tanto que quase preferiria que se verificasse a primeira hipótese. Não sofro de partidarite alguma e ainda preservo a liberdade de dizer o que entendo de qualquer dos Partidos e do seu comportamento, embora confesse ter simpatia pela social-democracia e se fosse obrigado a votar, seria nessa linha que o faria, não abdicando de escrutinar previamente quem o representasse. Por esta razão mais lamento o comportamento de tal indivíduo e fico embasbacado quando verifico que um irresponsável de tal craveira se mantém, à custa da democracia, no poder há mais de 25 anos, sem que ninguém o obrigue a ter tento no comportamento. O que este senhor fez foi desbundar, como muito bem entendeu os fundos públicos, decidindo não ter que dar satisfações a ninguém. E só o fez agora porque as "regras" da bagunça estão mesmo a mudar e ele bem sabia que ou o fazia de livre vontade ou seria vergonhosamente confrontado com o que já há anos vinha escondendo - porque é de facto isso - se se trata de verbas assumidas desde 2003, de que é que se trata então? Pura sonegação de há anos a esta parte! Deixemo-nos de mais golpes!
Somos um Estado de Direito e a Constituição prevê estas situações e o seu devido tratamento. É tempo de levarmos estes bandalhos a Tribunal e aí vermos de facto se são ou não culpados e se o forem deverão ser inquestionavelmente responsabilizados. Se um reles gerente de uma empresa a administra mal e abre falência, tantas vezes com razões bem plausíveis, tem consequências graves para enfrentar, como é que é possível que estes palhaços degradem o país e desbaratem o dinheiro público, destruam um país, hipotequem gravemente o futuro, criem problemas a tanta gente que levam tantos de nós a suicidarem-se e no fim ainda têm a pouca vergonha, como o tal vice-rei, de falar de alto como se tivesse agido no cumprimento da lei e no respeito pelos seus concidadãos?
Alberto João e Sócrates não podem sair imunes dos actos tão lesivos de todos nós e deverão ser presentes a TRIBUNAL. Este país tem que recuperar a sua dignidade, não pode continuar a ser uma marionete deste tipo de cafagestes. É tempo de dizer BASTA!!! Isto ainda não é a Somália.

 

por João Severino às 16:37
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Terça-feira, 7 de Junho de 2011

desafio (63)

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Há dias assim!...


 

 

Tempos atrás escrevinhei umas patetices sobre o desânimo e a amargura que o triste espectáculo do último congresso do PS me provocou. Pus até a hipótese da histeria colectiva não se ficar por aí e estarmos a entrar num túnel de grave patologia mental colectiva. Disse-o! Na verdade foi só uma encenação concebida pelas tortuosas mentes dos apaniguados de Sócrates, e melhor corporizada por este, numa inigualável demonstração de pérfida teatralidade, com única intenção de contaminar as mentes mais débeis, de quem, afinal, sempre se valeu para condicionar o Partido à sua vontade e o País à sua impudência.
Com base na "legitimez" que o dito congresso lhe conferiu, poluiu os orgãos directivos do Partido com a sua matilha de todos tão bem conhecida. E é ela que agora constitui não só os orgãos directivos do Partido, como ocupa os lugares que o PS manteve na Assembleia da República. Se no Partido as coisas se podem resolver no próximo congresso, já na Assembleia é diferente. Tais escolhidos por Sócrates e eleitos por arrasto vão ali permanecer durante 4 anos, em prejuízo de tantos valores que o Partido mantém mas que por se terem recusado a lamber as botas do tiranete, foram liminarmente marginalizados.
Disto, resulta simplesmente que o grupo parlamentar do PS, neste momento, salvo raras excepções, é constituído por gente sem qualidade (à imagem do "chefe"), cuja função era tão só continuar com a reza uníssona do "amén" que há tristes e duros 6 anos ali vínhamos confrangedoramente observando.
Lelos, Santos Silvas, Miranda Calhas, Ricardo Rodrigues, mais conhecido por "abafa cassetes"  o sacripanta que agora detinha a pasta da economia, a namorada do "acusado de pedofilia", o boquinhas, etc., etc., já para não falarmos das hostes mais recuadas que continuam prontas a assambarcar caixas de robalos ou cais de contentores, estão todos a postos para continuar a saga da desbunda que tem sido a desavergonhado fartar de vilanagem em que transformaram a vida pública deste exausto povo e seu exaurido país.
E agora?! Como é que nos vamos livrar desta cáfila, já que eles decerto não têm coluna vertebral para colocarem os seus lugares ao dispor do Partido, na sequência da nova orientação política que o novo congresso ditar? A resposta é simples: Não vamos! São como uma praga, pior que a sarna. Não vamos livrar-nos de tal gentalha.
Há gente séria, capaz e bem intencionada no PS. Foram durante estes últimos anos amordaçados e alguns até grosseiramente marginalizados. Conheço alguns e espero que a retoma dos lugares e posições que merecem seja o mais rápida possível para que o Partido possa assumir as posições que lhe competem na importande tarefa de recuperar o país, do estado impensavelmente calamitoso em que a trupe de incompetentes e de criminosos os colocou. Com efeito, no estado catastrófico que os imbeciloides socratistas o deixaram, não chega um governo de gente honesta e capaz. É preciso mais do que isso e o principal partido da oposição, que representa e haverá sempre de representar uma quota importante do nosso tecido eleitoral, tem que desempenhar um papel de elevada consciência política, que conduza este colectivo, o mais depressa possível aos objectivos que garantam um bem estar colectivo, tão imune quanto possível às calamidades a que estes cafagestes despejaram impunemente sobre os seus ombros e que se traduzem em sacrifícios indizíveis de tantos de nós, com os quais é impossível conviver sem uma profunda angústia solidária.
Pela minha parte, apelo a que esta gente seja julgada em Tribunais competentes e imparciais para que a mais ninguém seja possível sequer, sonhar com tamanho desrespeito pela coisa pública e com práticas de  tamanha desconsideração pelas pessoas e pela sua dignidade. Sócrates tratou os portugueses exactamente da forma oposta ao que correspondia a sua mais elementar obrigação de seu governante. Algumas vezes, por aquilo que desavergonhadamente e com chocante desfaçatez afirmava, julgo até que nos considerava a todos atrasados mentais. Sê-lo-ia??? Como "virgem ofendida" veio por fim queixar-se de ter sido alvo de muitas acusações e ofensas pessoais durante a campanha. Ele que fique descansado que ninguém será capaz de chamar-lhe o que ele de facto merece. Não há vocabulário que chegue!

 

 

 

*Cronista residente

 


por João Severino às 19:19
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Domingo, 10 de Abril de 2011

desafio (60)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Palavras para quê???

 

Porque os portugueses têm memória curta!!! e diria mais… de acordo com o seu comportamento eleitoral, inteligência também não é coisa que abunde.
Não é por votarmos no MRPP, no PCP, no CDS, PSD ou no BE que somos inteligentes, mas diga-se pelo menos em abono da verdade que quando se dá uma maioria a um Partido, melhor dizendo, a um indivíduo que já tinha comprovado ser incapaz de governar este ou qualquer outro país, (provavelmente nem sequer uma mercearia) e que, muito pelo contrário tinha já mostrado não ter quaisquer qualidades nem de competência nem de carácter para ocupar tal lugar, temos que reconhecer, que não abona muito à capacidade de avaliação que como povo fazemos dos individuos que se propõem cunduzir os nossos destinos e zelar pelos nossos interesses como Nação.
E depois, o resultado é o que se vê. E que tão bem, infelizmente, se sente. Para além dos custos e amarguras concretas, tão expressivas e lamentáveis, temos também que considerar devidamente a vergonha colectiva que nos inunda, a sensação que nos fica de incapacidade em zelarmos por nós próprios, o cunho de mendicidade com que nos apresentamos aos olhos de quem paga estes desvarios, as auréolas de mediocridade, de irresponsabilidade e de mentecapticidade que recheiam a nossa imagem que vai para o exterior.

 

Hoje, tem lugar o Congresso do PS. Tenho lá alguns bons amigos mas lamento por todos eles a figura colectiva que estão a transmitir ao país. Que lamentável cena, que profunda e gritante certidão de demência colectiva. Sempre tive algum respeito pelo Partido Socialista e nunca pensei que uma tão frenética prova de indignidade ali pudesse ter lugar. A liberdade de ideias, só é possível no exterior das suas actuais fileiras, ali temos o monólito Sócratista, a franja imbecil do PS, que todos calou. É inadmissível, indigno e inimaginável que no PS, após tão catastrófica e criminosa governação, não haja uma única voz relevante a pedir responsabilidades internas e a pugnar pela continuidade do Partido numa tradição de seriedade, de competência e de verdade. O PS habituou-nos a ser um Partido atento, onde eram permanentes a crítica e a auto-crítica responsáveis a desvios que pusessem em risco a nossa integridade colectiva como País. É pois pungente ver como "este" PS age num momento tão grave da vida nacional para onde o próprio, sistematicamente, nos conduziu através de um acumular de acções irrazoáveis e totalmente desconformes com tudo o que era aconselhável e prudente, e pior, não realizando o que era gritante fazer-se.

 

Já não estamos na idade média, onde se endeusavam idiotas, nem em sistemas forçados ao silêncio e à ausência de ideias próprias. O PS não pode ser o que nos está a mostrar, sem ideias, a matraquear argumentos que só a cretinos convencem, a recusar o peso e a prestação de contas por acções passadas em tempos tão próximos, como a semana passada. Isto, é o desvario total, o chamar-nos a todos mentecaptos, atrasados mentais, manadas de gente por quem não é preciso ter o mínimo de respeito.
Sócrates demonstrou ser um incapaz, um mentiroso compulsivo, um irresponsável praticante, um impertinente anti-democrata e um narciso insuportável! É isto um Primeiro-Ministro? Tenham juízo senhores eleitores! Não estou com isto a conduzir o vosso voto para A ou para B. A mim tanto se me dá desde que não votem em quem eu tenho a certeza que enquanto não der cabo de todos nós e das gerações futuras, pelos vistos, não descansará.
Vejam bem o video que abaixo insiro e depois apaguem as luzes e detenham-se a pensar durante 5 minutos. Bastam 5 minutos. Será que um individuo que tem "a responsabilidade" da condução do futuro de um país [que pessoal e activamente colocou na bancarrota] no momento em que impende comunicar uma decisão tão profundamente contrária a todas as suas convicções, curiosamente tão proclamadas até à exaustão horas antes, com a responsabilidade que tudo isto invoca, pode, não sendo um demente, um chapado idiota, preocupar-se com trejeitos e com fotogenias pessoais. Este fulano é só, para mim, o paradigma da falta de vergonha e da imbecilidade. Invoca ele a credibilidade do país perante o exterior? Mas há alguma coisa que nos possa recuperar a nossa credibilidade depois de cenas como esta???

 

 

Juízo!!!...

 

*Colaborador residente

 


por João Severino às 11:34
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Quinta-feira, 31 de Março de 2011

desafio 60

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

SANTANA LOPES E OS PONTAPÉS NO BERÇO

 

Senhor Santana,

 

Se fossemos uma monarquia V. Exa. seria o bobo. Mais, se fossemos uma monarquia e o rei fosse o Don Juan já lhe teria dito “callate”. Mas não somos! Somos uma república e o nosso Presidente só soube traduzir este quadro em “moeda falsa”. Mas para bom entendedor…

Se bem me lembro, V. Exa. soube, com suficiente prosápia, mas com alguma infelicidade, criar a imagem dos pontapés no berço, onde V. Exa., metaforicamente falando, estaria tranquilo e deleitado em sonhos de poder e de bajulação das tias deste “rectângulo”.

Na altura reconheci-lhe alguma razão; não porque lhe reconhecesse valor para o lugar que inadvertidamente e sem dignidade ocupou, mas porque a atitude de corrosão e maledicência, perpetrada pelos seus pares me pareceu de grande baixeza.

 

Na verdade, V. Exa. não tinha/tem qualquer competência para o lugar que ocupou, e só alguém sem o mínimo de consistência, responsabilidade, dignidade ou autoridade, se deixa primeiro, conduzir para tal situação, e, posteriormente, varrer insultuosamente como lixo, como o Sampaio lhe fez. Possuidor de uma maioria absoluta, V. Exa. não teve a mínima capacidade para se impor, simplesmente porque não era merecedor do lugar, nem tinha a mínima noção do que fazer com ele, o que parece configurar alguma demência e uma considerável imbecilidade.

Mas o mais grave de tudo é que V.Exa. com o seu diletantismo habitual e uma enorme superficialidade em tudo o que aborda, insiste em continuar numa linha de irresponsabilidade e de inconsistência, contrariamente à atitude que lhe poderia grangear respeito e dignidade.

Lamento ter que lhe fazer um convite sério para que se cale e deixe de nos envergonhar. Simplesmente porque alguém que foi já primeiro-ministro não deve, melhor, não pode proferir as leviandades que V. Exa. tão insultuosamente, para o bom senso, para a inteligência e para a razoabilidade, tão facilmente parece insistir em corporizar.

 

Naquele célebre debate televisivo com José Sócrates é que o senhor teve toda a oportunidade de mostrar quem era, quem é, o que valia e o que vale. E fê-lo! V. Exa. mostrou ignorância nas matérias abordadas.

V. Exa. é o paradigma dos irresponsáveis que se têm apoderado das rédeas dos poderes deste pobre país e conduzido as suas simples e crédulas gentes ao lugar andrajoso, pungente e impensável em que nos encontramos. V. Exa. é bem o estereotipo dos políticos que me provocam profundfa náusea.

Há-os sérios e capazes mas, os do seu estilo tudo farão para se lhes opôr.

Não incomode mais os portugueses.

 

 

*Colaborador residente

 

 

 

 

por João Severino às 11:34
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Domingo, 20 de Março de 2011

desafio (59)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

A mesquinhez e a mediocridade da maioria dos políticos portugueses

 

> Portugal não está como está por razões alheias aos que nos têm conduzido. A eles,  só e inteiramente, cabe  a responsabilidade da situação a que chegámos.
José Sócrates é o apogeu do modelo que acuso, mas na colmeia de profissionais da política, cujas caras todos, infelizmente, bem conhecemos, raros são os que se aproximam do perfil que um político tem que personificar. Isto é, ser abnegado e entregue à causa pública, humilde, honesto e íntegro, magnânimo e sensato, com formação adequada ao que se compromete atingir ou com capacidade para poder escolher equipas ou individualidades que nisso o possam ajudar e não ter qualquer interesse pessoal a satisfazer para além da defesa dos interesses da comunidade e do país. Bom, se fizermos uma análise rigorosa a cada um dos actuais políticos mais conhecidos, porventura não encontraremos um único que os cumpra na integra, nem sequer se esforce para isso.

 

É lamentável e pungente o nível dos pilantras que pululam na área política do nosso país. E na área governativa, ultimamente, nem é bom falar. Ouvindo-os hoje, cheguei até a convencer-me que há por ali muito de demência. Isto, porque falam como se dementes fossemos nós. Mas, como sei que isso não é verdade, só há uma possibilidade, é que, são-no eles!
Tendo hoje prestado atenção a algumas passagens do discurso de Sócrates no Porto, revoltaram-se-me as vísceras e fiquei convicto de que temos sido "governados" por um irresponsável incompetente e, pior que isso, profundamente desrespeitador dos seus concidadãos. O momento é terrível para muitos de nós e isso faz-nos mal a cada um dos que ainda não se estão nas tintas, através da enorme amargura que o seu sofrimento nos imprime. Ouvir o primeiro responsável desta calamitosa situação a invocar autênticos despropósitos a tecer loas à sua impensavelmente desastrosa actuação é algo que ofende quem ainda guarde uma gota de lucidez e de vergonha. Segui-lo, que fique muito claro, é um acto de estúpido clubismo, insensatez cívica e/ou defesa de interesses inconfessáveis.

 

Mas, o congresso do CDS também não nos deu razões para qualquer motivo de orgulho. Paulo Portas, falou como se os portugueses não tivessem memória, ou seja, cá está mais um a ofender-nos, desde logo, por manifesto desrespeito. Ninguém esquece que ainda hoje não está esclarecido o que se passou com a negociata dos submarinos, a qual, num país decente como a Alemanha já justificou algumas detenções. Pois é! Em Portugal ainda esperamos,… e cumpre-nos simplesmente esperar, enquanto os que intervieram nele e por isso foram e são os seus directos responsáveis, continuam a pavonear-se como se nada se tivesse passado.

 

Que não se pense que com isto estou a fazer a apologia do PSD, do PC ou mesmo do BE. Nem pensar em tal coisa! Também não vejo nesses alfobres camarilhas diferentes daquelas a que me refiro acima. O PSD é um permanente saco de gatos e os exemplos que nos deu nas últimas experiências governativas não foram de molde a fazer-se qualquer conceito positivo. O Governo do Cavaco foi o maior esbanjador que conheci e sem qualquer programa reformador que acautelasse o futuro do País com estradas feitas para servir clientelas, sem rei nem roque nem qualquer verdadeiro plano ou projecto que não o geométrico face ao rectangulozinho do nosso espaço nacional. Qualquer garoto as desenhararia desta forma. Os programas de formação do Fundo Social Europeu, foram durante tal período a expressão mais evidente da irresponsabilidade criminosa na aplicação de tais fundos uma completa e eutêntica vergonha sem paralelo na história do esbanjamento. 
Bom, do PC e do BE nem quero sequer falar, porque além do mais trata-se de Partidos que não têm nem nunca terão aspirações governativas, porque, desde logo, não é essa a sua vocação, pelo menos, nos próximos anos.

 

Os nossos políticos não vão além dos seus interesses mesquinhos quer pessoais, quer partidários.  Falam com desfaçatez em "carreiras políticas", em "ir ao pote", etc., etc., manifestando desavergonhadamente aquilo que lhes vai na alma. Na verdade, é só por isso que lá andam para fazer "carreira" e para "ir ao pote". Que vergonha de gente!!!
Bom, e chegados onde hoje nos encontramos o que fazer? No meu entender só há um caminho:
Os Partidos, só porque não os podemos ignorar no modelo democrático que vigora, devem juntar-se numa ampla plataforma, constituindo um governo de cariz apartidário, regido por um programa comumente aprovado previamente e que tenha como único objectivo resolver o problema económico e financeiro que hoje nos tolhe. Tal governo deveria submeter-se a objectivos e a balizas temporais previamente definidos.
Isto, sem qualquer campanha eleitoral e novas eleições. Partiria da iniciativa do primeiro-ministro e assumiria a forma de mera reestruturação governamental, embora se tratasse de algo muito mais abrangente, sério e substancial. Isto teria a vantagem de não provocar um lapso que nos vai trazer graves inconvenientes que não poderemos evitar.
Dir-me-ão, isso não está previsto constitucionalmente. Julgo que não contraria em nada a Constituição e se ela o não prevê será bom que a alterem, porque se trata de algo para servir as pessoas e não para as penalizar ou constranger, designadamente em matéria do bem comum e dos interesses nacionais.
Na ideia que aqui lanço hoje, o primeiro-ministro deveria convidar todos os patidos a nomearem cada um, cinco individualidades de reconhecidíssima competência e total integridade, sublinho e realço, total integridade, sem qualquer mácula, para que com este conjunto de individualidades fosse constituído um "colégio de sábios" (logo, com muito poucas possibilidades de sairem das suas hostes políticas tradicionais) que tivesse como único objectivo definir um programa concreto de desenvolvimento e crescimento nacional para ser realizado no próximo quinquénio, por um governo que fosse dirigido não por um primeiro-ministro mas por um grupo de coordenação ministerial constituído por cada um dos partidos que participassem nesta tarefa. As pastas ministeriais, bem como as Secretarias de Estado  deveriam ser reduzidas ao máximo e distribuidas de comum acordo como primeira tarefa de tal grupo de coordenação.
Só este modelo suporta a (eventual) continuidade de José Sócrates na acção governativa, porque em qualquer dos restantes cenários ele não terá lugar. Nem sequer como oposição. 

 

*Colaborador residente

 

 

por João Severino às 19:08
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Quinta-feira, 17 de Março de 2011

desafio (57)

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

COMUNICAÇÃO SOCIAL = MEDÍOCRE FÁBRICA DE APOCALIPSES

 

 

(Esta crónica pretende ser só um modesto coontributo ao sugerido pelo autor deste blogue, no seu post intitulado “ INFORMAÇÃO APOCALÍPTICA “ e não se dirige aos poucos prafissionais da informação que se restringem a uma atitude meramente profissional, alheia a emoções despropositadas, cingindo-se a relatar impessoalmente, com rigor e clareza os acontecimentos, contribuindo para uma informação da comunidade liberta de contaminações subjectivas e pior, totalmente infundamentadas).

 

Dito isto, debrucemo-nos então um pouco melhor sobre o que parece constituir o modelo, quase mesmo, o paradigma, do comportamento jornalístico actual.

Todos nós , ainda que não queiramos, acabamos por não conseguir evitar o massacre que a comunicação social exerce compulsivamente sobre a sociedade. Como se estivessemos perante a mais tenebrosa ravina da história da humanidade a generalidade dos aparentemente narcísicos profissionais da informação explora, espreme, escarafuncha e arranha tanto quanto pode, tudo o que possa fazer arregalar os olhos da sua plateia.

Qualquer acontecimento, só é notícia se a ela puderem colar adjectivos sonantes e contribuíveis para a sistemática sementeira de alarme, de stress, de depressão e se possível de demência, com que querem premiar todos quantos lhes caiam nas glísseras.

Este comportamento não é tão acintoso no jornalismo de especialidade, mas no da informação noticiosa de carácter genérico é gritante a sede de influir, de remarcar com cunho pessoal o que na realidade nunca lhes competiu fazer. Por vezes até fazem caretas, exibem contracções várias da face,  contraem as pálpebras ou emitem interjeições com total despropósito. Há dias, vi uma jornalista, já com significativa tarimba, que insistentemente fechava os olhos como que se o que estava a transmitir a arrepiasse ou quisesse que quem a ouvia tivesse tal sensação.

É a cultura da desgraça levada ao extremo da epidemia social. Moem-nos a paciência com coisas ditas e reditas, só porque a sua inteligência não descortina mais nada que nos massacre, mas se sorrir outro facto dos que muito apreciam, logo se esquecem do primeiro. Passa da importância da repetição permanente e doentia ao esquecimento, porque o acaso se encarregou de lhes oferecer mais uma desgraça para espremer até ao tutano caso não apareça outro, no seu entender, ainda pior.

Há até um modelo que muito me apraz registar. É que eles, jornalistas, quando o manancial das agências não chega, baseiam-se em fontes elaboradas por colegas seus e comentadas, enfim, de forma tantas vezes caricata por outros que tais, num completo ciclo vicioso e corporativamente fechado. Neste modelo quase não há verdadeiros especialistas nas matérias a descodificá-las e a esclarecer os ouvintes, os espectadores ou os leitores, e diga-se, quando os há e eles se põem a dizer coisas que não alarmam ninguém, logo se apressam a calá-los à guisa da falta de tempo; o que há, isso sim, é a multiplicação amontoada da mesma opinião, mas veículada à vez, por diversas fontes e meios. Parece a maneira antiga de ensinarem a tabuada às crianças.

No caso presente do tremendo acontecimento ocorrido no Japão, esta gentinha tem usado e abusado tanto da boa fé de todos nós que escolhe as mais horríveis palavras para caracterizar uma situação que, embora grave e de consequências lamentáveis, está muito longe do que transmitem. Fazem-no de tal forma que quem os ouvir, caso esteja menos bem informado, facilmente se convencerá que uma qualquer, ou talvez mesmo uma sucessão de  explosões nucleares, com consequências apocalípticas (a palavra é deles) está para suceder a qualquer momento. É que nem estão interessados em saber o que é que este alarme cataclísmico está a gerar em cada um de nós e na sociedade! Ora o que está a ocorrer é bem diferente e só um sistema com um elevado grau de segurança, perante uma ocorrência daquele grau é que poderia responder com tão poucos danos.

Pode haver fuga de material radioactivo que lese seriamente a saúde de alguns, o que não deixa de ser profundamente lamentável, mas talvez muitos mais sejam os que venham a ser lesados ou até vitimados pela falta de electricidade que tais centrais estão agora impedidas de produzir, mas explosão nuclear é impossível que suceda. Mais, muito do desenvolvimento económico daquele país foi devido à sua aposta na energia nuclear, pois sem ela só com carvão e/ou petróleo é que conseguiriam um nível de produção eléctrica equivalente, mas nestes casos, alguém está interessado em saber com que custos materiais, ambientais e humanos? Portanto, sejamos razoáveis e punhamos alguma razoabilidade ao serviço da elucidação do momento e não embarquemos em conclusões politicamente correctas.

Talvez um bom serviço de informação em vez de andarem a catar as palavras “apocalípticas” da intervenção de A ou das declarações de circunstancia de B, pudessem realçar como lhes competia, a atitude nobre e infinitamente responsável de uma centena de tecnicos da central mais afectada (que, note-se, tem cerca de quarenta anos, logo, sistemas de segurança muitíssimo ultrapassados relativamente às de construção mais recente), que, apesar dos riscos, não viram as costas às suas obrigações profissionais na procura e execução de sistemas de arrefecimento alternativos. Estes sim, merecem que os adjectivem com justiça.

 

 

*Colaborador residente

 

por João Severino às 23:24
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informação apocalíptica

 

> Em breve o nosso colaborador Jorge Cabral irá apresentar uma crónica sobre a "explosão" nuclear que pode acontecer no Japão difundida pela comunicação social "apocalíptica".

 

por João Severino às 11:17
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Quarta-feira, 9 de Março de 2011

desafio (56)

 

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

VAMOS ZURZIR NAS PETROLÍFERAS

 

 

(Esta crónica pretende ser só um modesto complemento ao post escrito por João Severino sob o título “ O ROUBO CONTINUA “, no sentido de acrescentar alguns esclarecimentos à matéria ali versada.)

 

> Julgo que apesar das alusões que já por diversas vezes este blogue fez a respeito deste assunto, ainda não foi possível transmitir com clareza até que ponto, e de que forma, é possível a todos nós, como consumidores, sancionar os mercados e através dessas sanções corrigir os seus comportamentos no sentido dos nossos interesses. Porque, não tenhamos quaisquer ilusões, até este momento o que tem ponderado é exclusivamente a majoração do lucro das empresas, dos grupos empresariais, dos trusts, dos monopólios, etc,. etc.,. Quanto a todos nós,  só contamos pela capacidade que temos de lhes pagar.

Hoje, com as amplas possibilidades de que dispomos para veicular ideas para congregar e coordenar esforços conjuntos, é inadmissível, imperdoável e incompreensível que não utilizemos tais ferramentas no sentido do interesse colectivo, deixando-nos espoliar como masoquistas.

Temos que utilizar as redes sociais em específico ou a Internet em termos mais gerais para informar e orientar os consumidores, no sentido de ponderarem muito seriamente e muitissímo para além do único interesse que o “mercado” lhes confere, ou seja, de serem “pagantes”.

 

Deveria ser constituído quanto antes um núcleo cívico totalmente alheio a partidos ou quaisquer outros interesses que não os da sociedade civil como um todo, que decidisse medidas, avulsa e inesperadamente, as divulgasse através de canais da informação global de forma que a sociedade na sua maioria pudesse aperceber-se deles em tempo útil e corresponder eficazmente às orientações propagadas.

O facto de existirem marcas, é neste caso uma enorme fraqueza dos mercados porque, sem prejudicarmos os consumidores podemos bloquear a ou as que entendermos, sem apelo nem agravo. Há que explorar as debilidades do sistema que nos tem massacrado a seu bel-prazer.

No caso dos combustíveis, não só com o público em geral mas também com o enorme auxílio que a adesão de associações empresariais do sector dos transportes de pessoas e  de mercadorias pode trazer em termos de eficácia, está inteiramente ao nosso alcance instituirmos uma prática fiscalizadora e sancionatória das eventuais práticas maliciosas que as petrolíferas realizem. Isto, com enorme eficácia porque o sistema em que se baseiam, tal como hoje funciona, exige grande programação prévia e qualquer perturbação do mesmo tem efeitos onerosos e muito difíceis de contornar e corrigir.

Tentando elucidar-vos melhor vou limitar-me a dar-vos um exemplo do que mais elementarmente se poderá fazer.

 

Imaginemos que todas as segundas-feiras era divulgado um comunicado do tal núcleo cívico a que acima me refiro. Estabelecida esta rotina, e confirmada a sua extensão o núcleo decidiria em função dos comportamentos das empresas, desaconselhar os abastecimentos numa ou noutra das marcas existentes ou simultaneamente mais do que uma, durante um intervalo de tempo crítico para a actividade económica em causa. Por exemplo, durante 8, 10 ou 15 dias ninguém abasteceria na Galp, ou na Repsol, ou nas duas ao mesmo tempo ou noutras quaisquer. Passado tal período, novas instruções seriam dadas ou até repetidas as primeiras.

Sabendo que as programações dos abastecimentos obedecem a programas rigorosos de tancagem e de transporte que são impossíveis de bloquear instantaneamente, e sabendo que os depósitos das estações de serviço não comportariam os reabastecimentos dos programas que entretanto estavam pré-definidos, seria muito dificil a essas empressas interromperem o roll-over de que o sistema vive sem enorme prejuízos. Donde, fácil será concluir que passariam a ponderar melhor todas as medidas que entendessem pôr em prática.

Apesar das dificuldades, das primeiras vezes as companhias poderão atamancar soluções indesejáveis mas após sistemáticas repetições dos “bloqueios”, tudo claudicará e não haverá forma de mascarar os prejuízos e mesmo a impossibilidade de suportar os efeitos. Os custos subirão em flecha, e toda a máquina que envolver este stato quo, que se baseia numa sagrada estabilidade, poderá falir com situações tão graves como seja a impossibilidade de dispor de tancagem suficiente, ou mesmo que ela existisse, de suportar os seus acrescidos custos.

 

Infelizmente, obrigam-nos a actuar desta forma, pois já temos obrigação de saber que se o não fizermos não haverá ninguém que o faça por nós. Os “governos”, vivem deste regabofe e banqueteiam-se com os impostos chorudos que extraiem dos combustíveis, as “autoridades da concorrência” limitam-se a fazer as figuras tristes que já todos conhecemos e a consciência social é algo que pura e simplesmente não existe neste mundo cão onde os ratios que valem são os dos índices das bolsas e dos biliões de lucros dos relatórios anuais dos “vampiros de hoje”.

E atenção, não me venham com pézinhos de lã dizer que agora isto tudo é fruto da instabilidade internacional. Para isso, eu só chamo a atenção para o facto da instabilidade social só existir em países produtores de petróleo. Então? Em muitos outros não existem as mesmas razões para a indignação e levantamento popular? Mas nada se passa, nem ninguém reclama! Por que será?

Sobre esta matéria haverá seguramente muitos que sabem muito mais que eu, pelo que o convite a que participem aqui fica.

 

*Colaborador residente

 


 

 

 

por João Severino às 09:16
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Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

desafio (55)

 

 

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

O Aumento do preço do Crude e o Apocalipse do actual paradigma económico

 

 

> Há mais de um ano, alertei por diversas vezes para o facto do preço dos combustíveis na venda ao público estar a subir mais do que as suas causas reais permitiam; a par desta constatação chamei igualmente a atenção para o pormenor de que se uma nova e mais que expectável subida do preço do crude viesse a verificar-se não haveria margem para fazer acompanhar os preços dos refinados a público. Isto, porque os consumidores não conseguem pagar além de um determinado valor, mesmo esmagando necessidades elementares, atingindo, então, o ponto em que a indignação é incontível e as revoltas sociais incontornáveis.

Neste momento, entrámos num carrocel da desgraça, para cada um dos que vivem com orçamentos apertados e para os Estados de orçamentos esgotados, muito em especial aqueles que a par disto são maioritariamente importadores de crude ou dos seus refinados. Quanto aos efeitos deste facto em cada um de nós, abstenho-me de vos massacrar mais, mas quanto ao que se reflete nos Estados, não posso deixar de dizer duas palavras. Para que melhor se entenda, vejamos o caso concreto de Portugal:

- O nosso (des)Governo tem baseado a “salvação” das finanças públicas no “roubo” de uma parte dos salários dos seus servidores e no escandaloso valor a que se situa os impostos sobre combustíveis, configurando estes sim, um autêntico ROUBO que agride gravemente a nossa Nação enquanto realidade sócio-económica. Neste último grupo (o dos impostos sobre combustíveis), o abuso foi claramente levado para os extremos (mais do que 50% do que pagamos vai directamente para os cofres do Estado, que na verdade, em nada contribuiu para que aquele produto chegasse aos consumidores). Ou seja, por mero oportunismo e abuso gritante de autoridade, o Estado tem vivido à custa do que afinal constitui a SEIVA da nossa vida económica, personificando um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento, quando não constituiu mesmo um factor decisivo de tantas mortes de agentes económicos sérios e fundamentais ao nosso colectivo.

Pois bem, chegados a esta encruzilhada colocam-se duas opções; ou o Estado recua nos impostos cobrados, permitindo à sociedade ultrapassar esta grave turbulência, mas pondo totalmente em causa o seu plano de equilíbrio das finanças públicas, ou permite que as leis do ”livre mercado” continuem a “funcionar”, o que conduzirá à maior onda de perturbação social jamais vivida, o que, acrescente-se, irá também resultar em catástrofe das finanças públicas, mas diga-se que se formos conduzidos a esse quadro, esse será o mal menor.

Espantoso é que os doutos comentadores, cheios de ponposos títulos em “ciências ocultas”, que amiúde, sublinho amiúde, isto é, A TODA A HORA, temos que engolir, não tenham nunca alertado sobre o buraco negro para que estavamos a ser levados. Será que não é sabido por todos que, com duas únicas excepções, a totalidade dos países produtores de petróleo são, social e politicamente muito instáveis, sendo todos eles, uns de uma forma, outros de outra, possuidores de características que nos exigem a consciência de realidades enormemente voláteis com reflexos imediatos e nefastos na produção petrolífera? Então, onde é que está a surpresa???

O que é que têm andado a fazer os responsáveis mundiais para que tudo isto nunca tivesse chegado a este ponto? Na verdade, têm todos andado a “DANÇAR A RONDA NO PINHAL DO REI”. Desde o Sócrates até ao Obama são todos uns imbecis que nem sequer têm consciência da realidade para que têm conduzido aqueles que lhes conferiram responsabilidades que NUNCA tiveram nem hão-de ter capadidade para assumir, mas a sede de poder e de protagonismo é tremenda e obnubila tudo e todos.

Resta-me esperar que o que aí vier, coloque um ponto final neste paradigma de irresponsabilidade e inépcia a que temos assistido por parte dos políticos. Eles são nossos representantes, mas nunca demonstraram colocar acima de tudo a preservação da dignidade humana, a equidade social e a valorização do homem na sua verdadeira dimensão social, que por força do constrangimento da dimensão económica, nunca poude assumir.

Afinal, hoje, tenho mais razões para ter esperança no futuro. Só lamento que para isso se tenha que arriscar tanto e para tantos de nós, descer tão baixo.

 

*Cronista residente

 

por João Severino às 15:26
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Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

desafio (54)

 

 

 

 

Jorge Cabral*

 

 

Egipto – Mais uma intervenção vergonhosa dos EUA

 

 

Por vontade mascarada dos senhores do petróleo temos sido empurrados para guerras desonrosas, a coberto de calúnias mais que ignominiosas. Com efeito, a alegação das “armas de destruição maciça”, do tonto do Sadam, o tratamento do Estado Iraniano como que do Império de Satan se trate, não são mais do que estratégias bacocas para manipular as nossas consciências de forma que nos calemos perante a tomada de assalto de posições consideradas estratégicas ou de riquezas concretas, quase sempre na área da energia ou mais precisamente das reservas de crude. Só assim têm conseguido massacrar povos e cometer atrocidades inadmissíveis sem que alguém lhes barre declarada e ostencivamente o caminho, ou sequer os condene.

Tais intentos por parte dos criminosos que desde a tomada de poder por parte de Ronald Reagan se têm apossado e contaminado, múltiplos níveis do poder em Washington, são neste momento já irrecusáveis aos olhos de qualquer simples mortal por muito desatento que esteja.

Veja-se, apesar da era do crápula-demente George Bush já ter aparentemente acabado, o facto é que muito embora a casa Branca esteja agora ocupada por alguém claramente opositor às suas políticas criminosas, há tentáculos de outrora que permanecem em lugares-chave das áreas fundamentais à continuação do programa antes encetado. Só assim se compreende que Robert Gates, cão-de-fila de Bush (seu Director da CIA e posteriormente designado Secretário de Estado da Defesa), permaneça com Obama no mesmo lugar. E se agora falo neste abutre é porque há muito que este “subterrâneo” tem um papel tenebroso e edectivo em matéria de política activa dos EUA para os Países Árabes. É no mínimo curioso que estejamos a viver exactamente agora um período tão intranquilo e conturbado que se estenderá a uma parte significativa do Mundo Árabe.

A desgraça que nos caiu em cima, com tão lamentável e pungente saldo para os povos que tal cáfila invadiu, é hoje um dos factos mais controversos, criminosos e mesmo humilhantes do Ocidente. Muitos de nós gostaríamos de ver alguns dos seus principais responsáveis julgados no Tribunal Internacional para Crimes de Guerra, mas infelizmente os criminosos não se dão bem com Instituições desse tipo e como tal, como seria espectável, não os reconhecem para assim esperarem ficar de fora da sua alçada.

O Egipto hoje inicia uma nova era. Nada será como antes, mas lamento temer que venha a ser muito pior. O povo árabe está “queimado” com as infantilidades, aventureirismos e crimes do ocidente. Isto, desde o tempo das inúmeras Cruzadas, que, parecem permanecer até hoje, muito embora com outra roupagem.

A  probabilidade do Egipto virar no sentido de um regime submetido ao Islão é quase total. Penso que considerar a hipótese da instalação de uma democracia ocidental naquela sociedade é não mais do que mera alucinação e sintoma de grande imaturidade.

Não estou a defender o regime anterior, mas assusta-me que alguém como o Presidente dos Estados Unidos, precise de um facto aleatório (como o foi a divulgação de infâmias por parte da Wikileaks) que gerou uma avassaladora onda popular de indignação, para interferir da forma como o fez no caso do Egipto. Todos nós esperaríamos que, se entendia fazê-lo, dado que as razões eram desde há muito conhecidas, o razoável era que já tivesse há muito desenvolvido todos os esforços nesse sentido e não o contrário, porque afinal, quem mantinha aquele regime, até à revolta popular, eram exactamente os EUA, que pagavam a preço de ouro aquele “stato quo”, isto com mais de MIL E QUINHENTOD MILHÕES de dólares por ano.

Estamos fartos de ser uns joguetes destes senhores que se consideram donos do mundo, fazendo o que lhes dá na real gana e quando isso lhes apetece, sem o mínimo respeito pelas vidas que ceifam.

Sou e sempre fui ANTI-COMUNISTA, mas jamais pactuarei com uma política da cafagestes que só têm em vista os interesses mesquinhos da cáfila dos lobies que os controlam.

Não me admiraria que um dos intentos de tal cáfila neste momento se situe no estalar da verdadeira guerra (de que há muito tempo se fala) em todo o Próximo e Médio Oriente, a começar, claro está, entre Israel e o próprio Egipto. Isto encher-lhes-ia ainda mais os bolsos e na verdade é só isso que interessa a tais homunculos.

 

*Cronista residente

 

por João Severino às 11:38
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Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

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Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

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