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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

O Sismógrafo (9)



Anos 60 do regime salazarista: a Índia e o princípio do fim

por J.C.




Completaram-se ontem 47 anos sobre o fim da governação secular portuguesa em territórios da Índia. A 18 de Dezembro de 1961, a iniciativa da União Indiana para fazer sair Portugal à força podia ter sido evitada, mas esse foi apenas um sinal, entre vários, de que o regime salazarista caminhava para o colapso. Este, porém, ainda vinha longe.
Os maiores abalos do Estado Novo rebentam com a chegada da década de 60. O ano de 1961 regista logo uma série significativa de sinais:
- o «assalto» do capitão Henrique Carlos Mata Galvão (1895-1970) ao navio 'Santa Maria';
- o «assalto» às prisões de Luanda;
- a tentativa de golpe de Estado do general Júlio Carlos Alves Dias Botelho Moniz (1900-1970);
- a resolução da ONU a condenar a política portuguesa em África;
- a perda do Estado da Índia (o primeiro-ministro da União Indiana Cri Jawahardal Nehru dá ordem para invadir Goa, Damão e Diu, após a longa e sistemática recusa de Salazar para negociar uma transição pacífica);
- a revolta de Beja.
Neste quadro complicado, tem início no mesmo ano, em Angola, a guerra independentista nas chamadas «províncias ultramarinas» de África, alargada à Guiné em 1963 e a Moçambique em 1964. O Exército cria as primeiras tropas especiais de intervenção, uma força de elite que recebe a denominação de «Comandos», cujo primeiro curso de formação decorre na Guiné, também em 1961 (a respectiva unidade vai funcionar futuramente em Lamego).
Sob a tutela do Ministério do Interior, a Direcção-Geral dos Serviços de Censura aperta mais a sua acção junto da imprensa.
Com as colónias convertidas em «províncias ultramarinas», Portugal insiste na coesão nacional, projectada para o exterior (em resposta à ONU) como território uno, mas descontínuo. O conflito armado que se prolonga em África e o isolamento acentuado do País em matéria de política externa («orgulhosamente sós», na definição do regime) deixam adivinhar o fim do Estado Novo. Porém, esse fim ainda vai tardar...

União Indiana invade Estado Português da Índia

Aviso de 1ª Classe Afonso de Albuquerque N.R.P

18 de Dezembro de 1961 - A União Indiana acabou com a presença portuguesa em Goa, Damão e Diu

Foi há 47 anos. O Aviso de 1ª Classe 'Afonso de Albuquerque N.R.P' foi afundado pelo tiroteio de seis fragatas, um cruzador e um porta-aviões da Armada indiana. Durante 50 minutos o 'Afonso de Albuquerque' esgotou as suas munições durante os bombardeamentos que se registaram conseguindo atingiu duas fragatas indianas, após o que, naufragou na sequência do intenso ataque do inimigo.
O herói comandante do 'Afonso de Albuquerque', capitão de Mar-e-Guerra António da Cunha Aragão ficou gravemente ferido nos combates. Vários membros da tripulação portuguesa faleceram.
Hoje, tive o privilégio de conversar sobre esta triste efeméride com o capitão de Mar-e-Guerra Vitoriano Cabrita, um dos sobreviventes do 'Afonso de Albuquerque', que conseguiu nadar para terra sendo posteriormente levado para um campo de concentração, onde na companhia de muitos portugueses, esteve a aguardar o fuzilamento. Felizmente, os prisioneiros portugueses viriam a ser libertados.

O Sismógrafo (8)



A crise «sidonista» há 90 anos (2)

por J.C.






A 14 de Dezembro de 1918, assassinado Sidónio Pais, fica a sua obra emblemática de um ano: Monsanto, que ele quis transformar em parque da cidade no sentido de oferecer um lugar aprazível para os tempos livres dos lisboetas e, com isso, evitar grandes ajuntamentos populares no centro urbano. Dois dias após a morte de Sidónio, sucede-lhe João do Canto e Castro Silva Antunes (como Presidente, Canto e Castro vai exercer 294 dias de mandato). Porém, um mês volvido, estala um levantamento monárquico que ainda tenta aproveitar o pacto celebrado com o «grande morto».

A 19 de Janeiro de 1919, no Porto e em Lisboa, os monárquicos ainda se proclamam, reivindicando uma governação reposta após longa usurpação, baseada nas instituições históricas e em princípios antigos que possam acabar com a demagogia, mas é só no Norte do País que o movimento ganha alguma (pouca) dimensão.

Com efeito, no Porto, aquela que fica conhecida como «Monarquia do Norte» e a sua pretensa Junta Governativa do Reino não vão ter grande sucesso, porque as forças republicanas, cerca de um mês depois, põem fim ao golpe. Este, encabeçado por Henrique de Paiva Couceiro, é tão inexpressivo que até o antigo e último monarca evita tomar posição: exilado há nove anos em Inglaterra, D. Manuel II espera que, finda a Grande Guerra, os ingleses assumam um papel determinante para a restauração da realeza em Portugal, mas mais depressa se conforma com a realidade do que apoia qualquer regresso ao passado por via da força e sem a certeza de uma percentagem da população convicta e receptiva.

Em Lisboa, a mera intentona nem chega a ganhar espaço: os monárquicos revoltosos alojam-se na zona de Monsanto para dominar a capital, mas são vencidos logo nos primeiros dias, frente aos batalhões de estudantes e muitos outros voluntários que vão ao encontro deles. A «Escalada de Monsanto», como fica conhecida a batalha campal, é sangrenta e deixa muitos mortos, mas a aproximação dos populares faz-se ao som de uma quadra provocadora sobre os acontecimentos, cantada com brejeirice:

Fomos beber água ao Rato,

Iremos mijar ao Porto;

Já cagámos no Monsanto,

Na obra do "grande morto".

O desafio, aliás, não fica sem resposta por parte dos entrincheirados:

Da pêra do Afonso Costa,

Hei-de fazer um pincel,

Para lavar o penico

Do Senhor D. Manuel.

Desacreditado o «sidonismo», a fugaz «Nova República» que é a primeira experiência ditatorial do regime republicano, o novo governo concentra todos os partidos e o País regressa à «Velha República», até que as eleições de Junho de 1919 são inteiramente favoráveis aos democráticos. O novo Presidente é António José de Almeida e, face à derrota eleitoral, os evolucionistas e os unionistas formam o novo Partido Liberal, conservador, que vai depois redundar no Partido Nacionalista. Por seu turno, os democráticos, bem organizados e com a maioria, recriam o Partido Republicano Português.

A verdade é que o País continua a assistir a desordens e em crise, agravada esta na década seguinte com o «caso Alves Reis», o primeiro megaprocesso em Portugal (mais de sete mil folhas em 58 tomos e 26 acusações, para um colectivo de oito juízes e um total de 85 testemunhas), que se arrasta de 1925 a 1930. Depois de Sidónio e sem que se sinta o fim da instabilidade, a grande ditadura do século está prestes a instalar-se…

Rádio espanhola





A
'Antena 1', estação de rádio estatal, mais parecia esta manhã uma rádio espanhola. Com umas espanholadas musicais lá nos foi transmitindo ao longo da manhã que hoje se comemorava o Dia Mundial da Luta contra a Sida. Parece mentira que uma estação de rádio com a responsabilidade institucional não tenha programado com a devida antecedência um trabalho que relembrasse ao auditório a razão de hoje ser feriado. A razão de ser do 1º de Dezembro. O que significa "Restauração". Nem uma palavra sobre o assunto ao longo da programação e dos noticiários. Lamentável...
As gerações mais novas mal sabem o que foi o 25 de Abril quanto mais o que se passou em 1640. Por isso mesmo é que uma 'Antena 1' tem a obrigação de convidar historiadores e ocupar a onda com uma recordação sobre acontecimentos marcantes da história de Portugal, que inclusivamente obrigam à comemoração de um feriado nacional. Ou então, para que serve o feriado? Para arrumar papéis, para ficar na sorna, para ir ao cinema ou para lavar o carro. Eu prefiro lamentar que a memória histórica dos feitos dos nossos antepassados sejam atirados para o caixote do lixo...
Igualmente se lamenta que diários como o 'Correio da Manhã', 'Diário de Notícias' e Jornal de Notícias' não tenham feito qualquer referência ao 1º Dezembro na sua primeira página.

Comentário oportuno de José Martins:

É isso mesmo!
Eu estive em casa todo o dia com a RTPi ligada e, sequer, um noticiário, falou no 1 de Dezembro.
Muitos "gajos/gajas" do canal da TV estatal que cá a gente tem a fazer a cobertura das estradas cobertas de neve.
Um festival de peças, frias, como a neve.
Perguntas/entrevistas de merda a automobilistas, a habitantes de serras (coitadinhos) como eles se sentiam com a tragédia do nevão...
Resposta: "a gente encara a neve com normalidade, temos comida,jogamos as cartas e bebemos uns copos etc.etc..
Mas para que falar e fazer festa no dia 1 de Dezembro os nossos governantes?
Se Portugal já está espanholado!
Hipocresia aos montes....
Mandá-los à "bardamerda" ainda é pouco...

Triste Portugal nos dias que correm!

Estão a formar mentalidades novas que no dia de amanhã cagaram-se para a memória de Aljubarrota e outras batalhas que ao longo dos séculos, os portugueses, mantiveram a sua identidade.
E agora com a chegada e a propaganda do PC "Magalhães" foi o golpe de misericórdia para a história.
Primeiro o Magalhães de facto é português; embarcou nas Naus na Índia e foi oferecer-se ao Rei de Castela.
O Magalhães, nunca capitaneou uma nau portuguesa, serviu apenas bordo como marinheiro.
Tenho dúvidas se não teria "surrupiado" cartas marítimas (muito em voga na época quinhentistas) e ir vendê-las a Castela.
O Magalhães não deu nada a volta ao mundo... Ficou a meio na ilha de Cebu na Filipinas.
O Magalhães é um heroi falso e, depois de ter andado à pancadaria em Cebu,onde perdeu a vida, foi feito heroi, como outros por conveniência, política, foram forjados.

O êxito do Magalhães...

A que propósito é que se escolheu o nome 'Magalhães' para um computador português que se pretende apresentar como um grande êxito da navegação virtual, quando o inspirador do projecto Fernão de Magalhães foi o que se sabe.
Um leitor enviou-nos a sua indignação desta forma:

O Magalhães não deu nada a volta ao mundo... Lixou-se ao meio do caminho, em Cebu, nas Filipinas.
O Magalhães conseguiu navegar no tormentoso Pacífico, perdeu-se e chegou a terra, em Cebu.
Arranjou lá uma namorada e apaixonou-se pela rapariga... Só que a moça tinha um namorado e sem saber estava metido num "triângulo amoroso".
Ao fim de uma tarde saiu da nau, mais uns tripulantes e foram beber uns copos a terra, de aguardente de palmeira.
Bêbedo de podre mais os seus amigos castelhanos regressaram à nau.
Pelo caminho cruzou-se com o seu rival e este limpou-lhe o sarampo.
O Magalhães foi empregado do Rei de Castela e aprendeu a arte de marinhar nas naus da Índia.
O Magalhães não tem nada a ver com Portugal (nem a nacionalidade) nem com Castela.
O Magalhães é dos filipinos e dorme para sempre em Cebu.