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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

A Lusa em greve

 

> Os jornalistas da Lusa entraram em greve. Recebi um e-mail a perguntar-me o que penso do assunto. O que penso não o vou manifestar aqui porque iria prejudicar a luta dos trabalhadores da agência. Respondi ao e-mail simplesmente dizendo que são os mesmos trabalhadores que sempre rejeitaram a entrada de outros jornalistas ou, em certos casos, empenharam-se para que o bolo fosse somente comido por eles. Quando nunca existiu solidariedade naquela casa por quem poderia ser mais um, incluindo a aprovação da administração, como é que querem que alguém apoie a sua luta? A classe dos jornalistas conheço-a eu muito bem e o espólio analítico e conclusivo é muito triste.

 

 

O CHORO DO JORNALISTA

 

> Quando um jornalista medita sobre as suas centenas de reportagens que realizou ou sobre os milhares de notícias que redigiu, parece que já nada o impressiona. Parece. Quando se medita sobre o que ainda se gostava de oferecer à comunidade e não se encontra forma de, então, há ainda muita coisa que impressiona.

Na televisão, sob imagens horríveis e revoltantes do que se está a passar na Síria, ouve-se: "Os corpos dos jornalistas estão ali debaixo dos destroços provocados pelo bombardeamento". Neste momento, não se aguenta, e chora-se.

Passados alguns minutos, na RTP chega Rita Ramos com uma reportagem extraordinária a merecer um prémio de verdadeiro profissionalismo. A jornalista mostra-nos como alguns dos 400 mil idosos, que vivem sozinhos, se encontram no centro de Lisboa ou no profundo Trás-os-Montes. Abandonados à sua sorte e apenas com a visita de duas briosas militares e um graduado da GNR. Uma reportagem que nos mostra como um homem vive sem casa de banho, sem água potável, sem electricidade, sem rádio, sem televisão e sem telefone. O idoso apenas salientou à reportagem que no dia em que morrer hão-de encontrá-lo já todo comido pelos ratos e pelas abelhas. Obviamente, que neste momento, também não se aguenta, e chora-se.

 

QUANDO O JORNALISTA VIRA POLÍTICO

 

> É sempre triste. Muito triste a fraca figura de um qualquer jornalista que vira político. No caso de Pedro Rosa Mendes parece ter-se decidiu por andar nas bocas do mundo. Escreveu uns livros e parece querer promoção para a venda dos mesmos. Vai daí, resolveu dar a volta ao mundo a anunciar que lhe exerceram censura. Estamos a falar de liberdade de expressão ou de se tentar queimar um ministro? Se eu participasse num debate sobre esta questão seria muito duro para com os meus contestatários e aprenderiam uma verdade universal: não existe um jornalista que possa dizer que tem a total liberdade para escrever tudo o que lhe apetecer.

 

NOTA: Quem quiser pode organizar o debate desde que seja numa estação de rádio.

 

ABUSO DE PODER

 

 

> O abuso de poder não é executado apenas nos gabinetes dos Ministérios e da Assembleia da República. A Rua Acácio de Paiva, em Alvalade, tem dois sentidos para o tráfego rodoviário. De repente, chega uma carrinha topo de gama Volvo, rola fora de mão e... estaciona mesmo em segunda fila e em contra-mão, para que o seu proprietário se deslocasse a uma loja situada ao lado da viatura.

 

- A viatura é de um ministro?

- Não!

 

- A viatura é de um deputado?

- Não!

 

- A viatura é do governador do Banco de Portugal?

- Não!

 

- A viatura é de um banqueiro?

- Não!

 

- A viatura é de um embaixador?

- Não!

 

- A viatura é do Cardeal-Patriarca?

- Não!

 

- A viatura é do Belmiro de Azevedo?

- Não!

 

- A viatura é do Américo Amorim?

- Não!

 

- A viatura é do Francisco Balsemão?

- Não!

 

- A viatura é do Mário Soares?

- Não!

 

- A viatura é do Stanley Ho?

- Não!

 

- Porra! De quem é o carro?

- É de um jornalista que se recheou bem em Macau...