Domingo, 12 de Agosto de 2012

Macau: Parabéns ao João Pedro e ao João Rui

 

> A última vez que vi Macau com menção especial em Locarno.

 

 

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por João Severino às 16:21
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Domingo, 5 de Agosto de 2012

Macau?

 

 

 

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por João Severino às 10:11
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

Tufão Vicente atinge Macau

 

 

> Que raio de nome para tufão. Vicente é devastador ao passar por Macau e Hong Kong. Sinal 10 e já há árvores caídas e inundações.

 

 

 

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por João Severino às 18:32
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Sexta-feira, 11 de Maio de 2012

GRANDE SATISFAÇÃO

 

> Como já devem ter reparado introduzi na barra lateral um quadro mostrador dos visitantes do PPTAO. É com grande satisfação que registo Macau como o segundo lugar no mundo com mais leitores do blogue. A satisfação manifesta-se por eu interiorizar que ainda tenho muitos amigos naquele território e que preferem a leitura do que publico. Bem hajam, amigos de Macau. Este post é em vossa homenagem.

 

 

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por João Severino às 10:34
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Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O MELHOR ADVOGADO DE MACAU MORREU HÁ 20 ANOS

 

In 'Hoje Macau'

 

 

por João Severino às 09:26
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

MATARAM O SÉRGIO ROQUE

 

 

> Quem esteve por Macau nos anos 1980 deve lembrar-se de Sérgio Roque, assessor do secretário-adjunto para as Obras Públicas Amílcar Martins. Conheci bem o Sérgio Roque e fui muito amigo dele. Há uns tempos foi para Angola, possivelmente por gostar muito de dinheiro. E foi o dinheiro que o matou. Na quarta-feira, em Luanda, foi levantar dinheiro a um banco e transportou-o numa pasta, de jipe, para os escritórios da empresa onde trabalhava. Angola não é para brincadeiras de quantias avultadas de dinheiro transportadas em pastas na mão. Quatro indivíduos conduzindo motas cercaram o seu jipe e quiseram a pasta. O funcionário que ia com ele fugiu logo e gritou-lhe para largar a pasta. O Sérgio Roque agarrou-se à pasta e tentou enfrentar os meliantes. Quatro tiros acabaram-lhe com a vida. Em certos sites de Angola pode ler-se: "Chegou a hora de matar todos os 'tugas' em Angola". Corram, corram mais para Angola, não se esqueçam, corram depressa para o dinheiro, para a morte...

 

 

 

por João Severino às 17:30
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

ADIVINHEM QUEM É ELE?

 

 

> Na foto à esquerda, nada mais nada menos, que o jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos, na companhia do seu amigo Nuno Cariano. Uma imagem tirada nos anos 1980, em Macau, onde o seu pai exercia Medicina.

 

por João Severino às 11:21
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

ANGOLA IGUAL A MACAU

 

 

 

> O espectáculo é triste. E por que será que temos de ser assim? Uns sanguessugas permanentes e itinerantes. O filme é de papel químico ao que se passou com Macau. O palco agora é Angola. Assisti a um dos espectáculos mais tristes da minha vida com tudo o que era empresa de construção civil, de comunicação social, de aviação, de gestão de aeroportos, de laboratórios, de tudo e mais alguma coisa. Foram políticos de todos os quadrantes, sindicalistas, advogados, arquitectos, engenheiros, jornalistas, livreiros, médicos, enfermeiros, hoteleiros, militares, cozinheiros, pasteleiros, filatélicos, pilotos de carros, de motos e de aviões, empresários de todos os ramos do comércio e da indústria, prostitutas, toda a minha gente era convidada ou fazia-se convidada, ou decidia-se pela aventura de uma experiência macaense. Foi um rodopio de chegadas e partidas à procura do El Dorado. Cheguei a pensar que Macau iria levar uma grande volta cultural e que de uma vez por todas a terra iria ficar aportuguesada. Debalde. O vai-e-vem que vos referi apenas teve um objectivo: sacar dinheiro. E felizes e contentes daqueles que o conseguiram. Que lhes faça bom proveito. Só lhes peço um favor: que nunca digam mal da terra.

Agora, é tal e qual o mesmo: para Angola e em força. Toda a gente quer sacar o seu. Até a RTP se deslocou para um programa vergonhoso de uma "graxa" que deve ter valido muitos milhões de euros para a sua sobrevivência. Em Macau, o governador convidava, oferecia e o pessoal debandava anunciando aos quatro ventos que se tratava do melhor português do mundo. Agora, Eduardo dos Santos deu ordens para distribuir petrodólares por tudo o que for português. Uma boa maneira de tapar a ditadura e até lhe beijarem os pés. O portuguesinho é tramado. Primeiro, para Angola que era nossa, que era preciso matar os terrorristas. Depois, demos-lhe a independência para que sigam o seu caminho sem o nosso "colonialismo". E agora, são nossos irmãos a quem é preciso sugar o que for possível em forma de neo-colonialismo, perdão, em forma de longa e fraterna amizade entre os dois povos...

 

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por João Severino às 10:39
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

RISÍVEL: AS CARAS DE MACAU

 

> Macau e as caras que eles (chineses) conhecem na EDP, segundo Catroga.

 

 

por João Severino às 23:21
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Domingo, 8 de Janeiro de 2012

ROCHA VIEIRA "NÃO FOI" GOVERNADOR DE MACAU

 

Este jornal era meu. A ditadura da corrupção obrigou-me a encerrá-lo. Uma história que ficará escrita para os meus filhos publicarem

 

 

> Surpresa. O 'DN' ao noticiar a composição do novo Conselho Geral de Supervisão da EDP (algo que não faz falta nenhuma a não ser para arranjar mais uns tachos para amigos do Governo) salienta o que cada membro do Conselho foi na vida. E não é que ao lermos o que fez Vasco Rocha Vieira simplesmente é referido pelo jornal que foi "Ministro nos Açores no primeiro governo de Cavaco Silva". Ministro? Não teria sido "Ministro da República"?

É curioso como ninguém sabe naquele diário que Rocha Vieira foi governador de Macau e que ficou na história por ter entregue sem pestanejar a nossa colónia de Macau à China. Possivelmente mesmo por isso é que a China (agora patroa da EDP) terá indicado o seu nome para o tal Conselho dos tachos.

 

por João Severino às 11:29
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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

CRISE É EM MACAU

 

 

 

 

 

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por João Severino às 18:31
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

O PERFUME DE MÁRIO SOARES

 

> Sabia que me iria irritar. Que o livro Um Político Assume-se seria uma forma de se justificar perante a História, já que não perante a sua consciência. Mesmo assim insisti em querer vê-lo. Foi esta noite. Fui directo à página onde, na obra que diz ser de memórias políticas,  Mário Soares trata do que eu conheço de perto, por ter vivido na pele parte da trama: a história da sua ligação, enquanto Presidente da República, ao território de Macau. Detive-me nas linhas que dedica ao caso Emaudio/TDM. Poucas linhas, esclarecedoras linhas.

Diz que foi afinal uma campanha lançada «pela extrema direita» contra ele, para o envolver na história. Mente, por contrariar a verdade. A questão não tem a ver com políticos de qualquer quadrante que se tenham mobilizado contra si, mas com os factos que não se conseguem iludir.

Acrescenta que na origem da campanha esteve o Rui Mateus. Mente por sobre-simplificar a verdade. O papel de Rui Mateus é prévio na próxima ligação à sua pessoa, contemporâneo com todo o caso e posterior com maior intensidade no que se refere ao caso da Weidelplan/Aeroporto de Macau, mas o assunto transcende-o e em muito.

Para enxovalhar Rui Mateus, Soares diz que o conheceu empregado de um restaurante e que teve uma ambição tal que quis ser ministro dos Negócios Estrangeiros do seu Governo. Mente por omissão da verdade. A ligação entre os dois é muitíssimo mais vasta, próxima, e, é só ler o livro que aquele escreveu, para concluir que em matéria de "comedorias" o conhecimento não se limitou a restaurantes.

Remata, enfim, dizendo que envolveram no assunto o então Governador de Macau, Carlos Montez Melancia, que seria absolvido judicialmente. Mente por adulteração da verdade. A história do processo judicial ainda está para ser contada, como a história dos processos judiciais que nunca existiram em torno do caso. E como é que a absolvição do Governador neste processo deu em condenação em outro, o "caso do fax".

No momento em que escrevo estas linhas hesito se contarei ou não toda a história desse aproveitamento político, económico e pessoal da televisão de Macau que o livro tenta branquear.

Confesso que o descaramento do livro me incendeia um sentido de revolta pessoal. Que a "reconstrução" da História  me repugna como cidadão, como o faz tanta historiografia oficial arregimentada que tem andado a ser escrita em relação ao que nem regime político chegou sequer a ser e hoje está em estilhaços, o estado cadaveroso do País.

Sei que se o fizer, contando o que sei, serei sujeito aos efeitos da difamação e do enxovalho, porque ele e este estilo de obra são o rosto de um modo de ser que define a actual Situação, o verso dos que a criaram, o anverso dos que a consentiram. Talvez haja um direito à tranquilidade, minha e dos meus, que eu deveria saber preservar.

Por outro lado estou perante uma figura pública idolatrada a quem tantos perdoaram tudo, à direita e à esquerda, com quem tantos se arranjaram para tanto. Ficarei isolado e à mercê.

Talvez haja, enfim, o respeito devido à idade, se não houvesse o respeito devido à Nação de todos nós. Apodar-me-ão de desapiedado, logo quanto a um livro em que o seu autor se fez cercar, no lançamento, da imagem inocente dos seus netos.

Vou tentar tranquilizar o espírito e logo verei. Até passar o hálito da sordidez do caso e do perfume barato com que agora o vejo contado.

 

 José António Barreiros,15.12.2011

 

 

NOTA do autor deste blogue:

 

O Doutor José António Barreiros tem de saber que não está sozinho em qualquer assunto relacionado com Macau durante a vigência de Mário Soares como Presidente da República.

O senhor sabe que muitos sabemos que o que se passou foi escandaloso e a raiar o limite da página mais negra da história de Portugal além-fronteiras na era moderna. Macau deu para tudo. Para o saque, para o conluio, para o compadrio, para o roubo, para a corrupção, para a compra de juízes, para a traição a camaradas de partido, para "faxes" pagos a peso de ouro, para a imprensa colaboracionista e vendida a todos os valores mais degradantes da decência humana, para o afastamento de homens sérios, enfim, não vale a pena descrever durante uma hora, pelo menos, os desmandos, roubos, lavagens de dinheiro, tráfico de influências, crimes consentidos, e - em lugar de destaque deplorável - a diplomacia rasteira e homossexual a que se assistiu nas últimas duas décadas antes da entrega de Macau à China.

Apenas uma palavra para si: parabéns pela coragem.

 

por João Severino às 10:48
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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

HÁ 12 ANOS

 

 

> Na noite de 19 de Dezembro de 1999 senti um dos momentos mais tristes da minha existência. Em Macau, cumpria-se uma das páginas mais negras da história de Portugal, a entrega de Macau à China. À meia-noite retirei do mastro da Redacção do meu jornal 'Macau Hoje' a Bandeira Portuguesa que sempre ali desfraldou desde que passei a proprietário do jornal mais popular de língua portuguesa publicado no território.

Hoje, cumprem-se 12 anos da passagem de administração de Macau para a sobernania chinesa e nem sequer uma pequena cerimónia alusiva à data está anunciada para qualquer local de Portugal. Vilanagem mal agradecida...

 

por João Severino às 09:49
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

MORREU MELO EGÍDIO

 

 

> O primeiro Governador de Macau que conheci no território foi o general Melo Egídio. Guardo gratas recordações das suas atitudes frontais e futuristas. Algumas das primeiras decisões em Macau no pós-25 de Abril no sentido do desenvolvimento ficaram a dever-se ao governador Melo Egídio, que teve como seu braço direito o secretário-adjunto Henrique de Jesus. O general Melo Egídio morreu hoje com 89 anos.

 

 

por João Severino às 18:54
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

90 ANOS DE STANLEY HO

 

 

> Afastado dos negócios do jogo e do jogo dos negócios, Stanley Ho celebra hoje 90 anos sem mão firme no cedro do império, muito pelo seu estado de saúde - rastilho para acirradas disputas entre as suas quatro “famílias”. O rei dos casinos de Macau comemora 90 anos de idade quando se assiste no antigo enclave português a uma proliferação de casinos inusitada.

Stanley Ho ficará na história de Macau e de Portugal. Muitos dos portugueses que hoje se encontram nos locais de decisão e de influência no poder político e económico receberam benesses de Stanley Ho e, muitos deles, a ele devem tudo o que são. Há portugueses que passaram por Macau e que tiveram em Stanley Ho um amigo de quem nunca receberam uma pataca num envelope à margem de qualquer relação comercial.

Mas há muitos que pedincharam e até roubaram aquele que tinha, e tem, muito dinheiro para conseguir toda e qualquer aprovação dos governantes. E os que tiveram poder de decisão a governar Macau ao longo de décadas embriagaram-se com a possibilidade de na troca por troca ficarem ricos. Vergonhosamente ricos.

Neste aniversário histórico de Stanley Ho não podia deixar de registar aqui a minha satisfação pela passagem da sua 90ª primavera e, ao mesmo tempo, lamentar mais uma vez a existência de portugueses que se venderam por três tostões...

 



por João Severino às 09:18
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Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011

ARQUITECTOS DE MACAU PARECEM CEGOS

 

> Em Macau, encontram-se radicados alguns dos melhores arquitectos portugueses. A sua criatividade é imensa, diversificada, cultural, futurista e premiada. Há décadas que os arquitectos portugueses com ateliê aberto em Macau têm mostrado o seu currículo nas mais diversas obras de construção civil. Será que os arquitectos de Macau são cegos ou já estão de tal forma milionários que não necessitam de mais projectos?

Vem isto a propósito de uma notícia que nos diz que o ateliê português “Saraiva & Associados” é o primeiro a estabelecer-se em Pequim, o que aconteceu há apenas seis meses. O ateliê, com sede em Lisboa, espera dinamizar um projecto gigantesco nos arredores de Pequim e outras obras em diferentes localidades chinesas. Fundado há 15 anos, em Lisboa, o atelier “Saraiva & Associados” emprega hoje cerca de 80 arquitectos e tem quatro escritórios fora de Portugal: S. Paulo (Brasil), Oran (Argélia), Malabo (Guiné-Equatorial) e, desde Abril, Pequim (China).

Será que os arquitectos portugueses de Macau ainda não "viram" o manancial de oportunidades existente na China?

 

 

Projectos do atelier “Saraiva & Associados” na China

 



por João Severino às 10:22
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

30 anos de ctm

 

 

> Assisti em Macau em 1981 à criação da Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). Uma empresa que veio modificar todo o sistema económico do território e contribuir grandemente para o desenvolvimento de uma terra onde uma chamada telefónica era um martírio. A CTM está a comemorar 30 anos de existência e desejo expressar aos seus responsáveis e a todos os trabalhadores, os meus encómios pelo trabalho desenvolvido.

A CTM foi uma empresa que esteve sempre ao lado do meu jornal 'Macau Hoje' contra tudo e contra todos os inimigos do diário, incluindo alguns governantes que chegaram a influenciar administradores da empresa para que terminassem a relação comercial com o jornal. E isso nunca se pode esquecer. Num dos momentos de crise na imprensa local, foi a CTM [com a realização de um contrato de publicidade] que concedeu a facilitação de sobrevivência ao jornal. Parabéns, bem-haja e votos de muitos anos ao serviço de Macau e das suas gentes.

 

por João Severino às 11:33
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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

é a história, estúpido

 

 

> A remoção do escudo português dos Boletins Oficiais em formato pdf, anteriores a 1999, depositados na página na internet da Imprensa Oficial de Macau é um tema deveras interessante e com diversas ramificações. Assim a abrir, interessa-me porque se trata de um símbolo, aparentemente o eventual elo mais fraco de uma cadeia de possíveis modificações. Se fosse a assinatura do Governador, seria mais chocante; se se tratasse do conteúdo da lei, seria atroz; e etc.. Mas não: trata-se de um símbolo e os autores (morais ou imorais) da acção não o respeitaram, pensando provavelmente que tal não era grave. Repare-se que Manuel Cansado de Carvalho, cônsul-geral de Portugal comentou, perante o facto, qualquer coisa como o design não interessava, desde que o conteúdo se mantivesse o mesmo. Contudo, acrescentou prudentemente que não estava na posse de toda a informação sobre o assunto, criando para si mesmo margem de manobra posterior, nomeadamente se o MNE português resolver tomar alguma posição sobre o assunto (já lá vamos).

Ora o ataque ao símbolo remete-nos para as teorias estruturalistas de Ferdinand Saussure, a partir das quais se explica, às vezes de forma demasiado clara, que as relações que se estabelecem entre os símbolos (significantes) acabam por ter uma relevância tal que se sobrepõem aos conteúdos (significados). Ou seja, traduzindo para macanês: retirar o escudo português da legislação pré-1999 inscreve-se num conjunto de acções, mais ou menos conscientes, que promove o apagamento da História de Macau, transformando-a num inconsciente complexo colectivo, ao invés de a esclarecer, de assumir à luz do dia, isto é, de a tornar inofensiva. É dos livros: o recalcado volta sempre ao local do crime. Logo, retirar os escudos é contraproducente e estúpido.

Depois vem à colação a questão da credibilidade, levantada por Amélia António, presidente da Casa de Portugal, e por José Rocha Dinis, director do Jornal Tribuna de Macau. Com efeito, como acreditar em documentos rasurados, onde existiu uma intervenção qualquer? Os autores da “patriótica” façanha fizeram uma coisa bem simples: retiraram crédito a qualquer documento que publiquem na internet porque já se viu que são capazes de adulterar a História. Isto é grave. Se as pessoas não compreendem a gravidade de um assunto como este então o mundo, tal qual o conheço, está mesmo perdido. E perigoso. Contamos com o Estado para nos proteger destas estranhas acções, desta espécie de maníacos, e, curiosamente,

é o próprio Estado que cria condições de insegurança e de fraca credibilidade.

Em difícil posição está Paulo Portas, o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros. O que fazer perante esta situação? Provavelmente nada, porque os “negócios” entre Portugal e a China são certamente mais importantes do que a retirada do escudo português do Boletim Oficial de Macau. É certo que poderia ser invocada a Declaração Conjunta ou simplesmente enviar um protesto para Pequim face a esta bizarra facada na História. Não fazer nada significa aquiescer e aquiescer significa o habitual alheamento perante as questões de Macau e significa também que se dá luz verde a este apagamento das coisas que vão sendo consideradas inconvenientes não se sabe bem por quem. Por isso, de Portugal espera-se as habituais tibieza e cobardia. Talvez Portas nos surpreenda.

Falta considerar outros aspectos. Por exemplo, saber de quem partiu a ordem, conhecer o responsável. Terá sido um ditame do Governo Central ou um excesso de zelo de um funcionário local? Ou, talvez, alguém no meio? O Chefe do Executivo, um Secretário? Qual a grandeza real deste comando? É irreversível ou poder-se-á voltar atrás?

Quanto a nós é com tristeza que assistimos a ete tipo de acção. Afinal, a retirada do escudo não nasceu ontem, não se trata de um caso isolado e sem precedentes: tem precedentes conhecidos. É o caso famoso das fotografias de onde Estaline mandava retirar os que caíam em desgraça. O ditador russo não foi o único, tendo sido esta técnica abundantemente utilizada. Claro que o caso vertente dos escudos não tem a mesma gravidade, mas o princípio é o mesmo: certos senhores julgam-se no direito de apagar a História, crendo na sua estupidez que tal é possível e a História não ressurgirá. Estaline também morreu julgando que seria considerado um herói, mas hoje é conhecido por ter sido um paranóico e tenebroso assassino.

 

Carlos Morais José, director do 'Hoje Macau'

 

por João Severino às 10:33
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

china desilude

 

 

> A China tem tido atitudes em Macau que envergonham o seu próprio umbigo. Desde Dezembro de 1999 que existe uma fobia em apagar todos os marcos da presença portuguesa naquele território como se a História fosse algo que se pudesse apagar com uma borracha. Uma borracha gigante foi o que deve ter servido para o governo de Macau ter rasurado o escudo português de TODOS os Boletins Oficiais do tempo do "colonialismo". Sem necessidade, talvem por ódio ou por complexo... O assunto é hoje tema de manchete no diário 'Hoje Macau'.

 

http://hojemacau.com.mo/?p=21477

 

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por João Severino às 10:07
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011

convite

 

 

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por João Severino às 11:47
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pptao

Um blogue onde deixarei simples observações sobre o que vai acontecendo à nossa volta neste mundo global. Também serve de contacto com imensas pessoas que gostaram de mim. O título do blogue? Porque sempre fui "pau para toda a obra". Obrigado por ter vindo. “Morrendo estou na vida, em morte vivo; / vejo sem olhos, e sem língua falo; / e juntamente passo glória e pena.”, Camões

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Jornalista com a Carteira Profissional nº 278. Já restam poucos do meu tempo. Como último cargo fui director e proprietário do diário 'Macau Hoje'. Pode ler o meu CV completo na primeira mensagem de Outubro de 2007.

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