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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

esvoaçar

 

 

 

No nascer do sol

Há nascer de vida

A natureza vem abraçar

As delícias do verde

No céu sem aves

Sobram as folhas, as folhas...

... que partem a esvoaçar.

 

vermelho

 

 

photo jotaesse, hoje, Sintra-Colares

 

 

> Vermelho da tarde

   Sangue de vida

 

   Flores que despontam...

 

   Sol que perfura

   Raio meu que arde.

 

dia da poesia

 

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

 

Fernando Pessoa

 


 

CANTINHO DO POETA

> Entrei numa pastelaria e deliciei-me. Com os bolos? Não, com os livros que estavam à disposição dos clientes numa estante própria promovida pela 'Chiado Editora'. Um dos livros que escolhi surpreendeu-me. A imensa qualidade da poesia de Dulce Guarda, uma jovem licenciada em Gestão e funcionária do Banco Santander Totta. Para vos apresentar o livro que tem por título "Momentos", deixo-vos com
O (falso) despertar

Acordei...
... ou pelo menos pensei.
Os olhos abriram e
Tudo parecia bem.

A cada passo meu,
Algo novo acontece.
E tudo parece
Que acabou de acordar!

De reoente,
Sou invadida por uma força estranha
Que me alaga de incertezas
Me enche de coragem
Me faz ir até ao topo
E me faz pensar...
... se devo ou não saltar...

Em tudo acho confusão,
Tudo me faz interrogar
Sem que eu ache
Qualquer solução.

Por fim paro e penso:
Terei eu acordado?

Vida! Que palavra tão completa,
Tão cheia de alegria e de tristeza,
Tão cheia de agonia e de mágoa,
Tão livre e tão bela.

Por vezes queima,
Por vezes aquece.
Sempre tão senhora,
Nunca esmorece.

Ah! Ilusão!
Porque vens destruir o sonho,
Os passos que pretendo dar?
Porque não me concedes
O direito de sonhar?

Sofro. A vida nem sempre é bela.
Nem sempre nos acolhe.
Nem sempre nos protege
Dos males do fado.

Continuo a sofrer. O coração aperta.
Tento gritar alto...
Mas a voz... ninguém a ouve
Apenas eu a sinto desmaiar no ar.

Porque não me deixas Vida?
Porque continuo a sofrer?
Será que alguma vez vou parar
De sonhar e de VIVER?

© dulce guarda - chiado editora

CANTINHO DO POETA


fernando pessoa




"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.


Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.


Hoje já não tenho tanta certeza disso.

Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.


Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.


Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?

Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!


- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.

E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.


Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...


Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

DIA MUNDIAL DA POESIA

Se me movesse a moda, o que se usa,
era outra decerto esta poesia,
mas o que me fascina é a recusa
do prato do dia.
Não me venham dizer como devia
fazer para andar certo e estar na hora,
pois a única regra que me guia
é cantar sem jactância nem demora
a beleza das coisas e a alegria
de estarmos vivos e haver sol a rodos,
lembrando que este nasce para todos.

TORQUATO DA LUZ

PESSOA NO ANEDÓTICO

> Acreditem porque é verdade. O cómico brasileiro que tem passado a vida a contar anedotas contra os portugueses virou grande amigo de Portugal e, em especial, do nosso Fernando Pessoa. Jô Soares vem a Portugal mamar mais umas centenas de milhares de euros à custa de declamar uns poemas de Pessoa, como se no nosso país não existissem declamadores a sério. Lamentavelmente continuamos a pensar que o que é estrangeiro é que é bom. A prata da casa é merda. Para os artistas portugueses nunca há dinheiro nem contratos, mas à estrangeirada abrem-se as pernas para todo e qualquer parto, especialmente como este de Jô Soares, de muita dor... de alma por se ouvirem os poemas de Fernando Pessoa tão mal tratados.

OS TIRANOS TAMBÉM MORREM

A fábula do leão velho
E do burro é ilusória:
Tresanda a falso conselho,
Para enganar a memória.

Do leão e mil onagros
Só a força é probatória:
Lutem os gordos e os magros,
Ver-se-á o fim da história.

Ó magros de cabedal,
Ó cada um meu amigo,
Haverá qualquer moral
Quando andais em tanto perigo
E em combate desigual,
Que eu seja vosso inimigo?

Estes leões são a escória,
Ó meus ingénuos onagros:
Só eles fazem a história,
Enquanto morreis de magros.

Guardemos, porém, a esperança:
Também morrem os tiranos.
Afiemos bem a lança,
Que atrás de anos, vêm anos...


António Dias Miguel