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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

ROCHA VIEIRA "NÃO FOI" GOVERNADOR DE MACAU

 

Este jornal era meu. A ditadura da corrupção obrigou-me a encerrá-lo. Uma história que ficará escrita para os meus filhos publicarem

 

 

> Surpresa. O 'DN' ao noticiar a composição do novo Conselho Geral de Supervisão da EDP (algo que não faz falta nenhuma a não ser para arranjar mais uns tachos para amigos do Governo) salienta o que cada membro do Conselho foi na vida. E não é que ao lermos o que fez Vasco Rocha Vieira simplesmente é referido pelo jornal que foi "Ministro nos Açores no primeiro governo de Cavaco Silva". Ministro? Não teria sido "Ministro da República"?

É curioso como ninguém sabe naquele diário que Rocha Vieira foi governador de Macau e que ficou na história por ter entregue sem pestanejar a nossa colónia de Macau à China. Possivelmente mesmo por isso é que a China (agora patroa da EDP) terá indicado o seu nome para o tal Conselho dos tachos.

 

livro de rocha vieira incompleto

 

 

 

 

> Já li três vezes a parte respeitante a Macau do livro, pseudo biográfico sobre Vasco Rocha Vieira, "Todos os Portos a Que Cheguei" assinado por Pedro Vieira. Agora entendo perfeitamente a razão porque Rocha Vieira rejeitou o meu convite para ser o autor de um livro sobre a sua vida. O que está escrito, (detecta-se facilmente por mais de um escritor) está mal escrito. E mal, por quê? Porque não existiu a coragem de contar tudo e toda a verdade.

Infeliz ou felizmente, já decidi que irão comigo para o outro mundo as misérias e as grandezas de tudo o que sei sobre o que se passou em Macau nos últimos vinte anos de administração portuguesa do território macaense. Muito haveria a escrever que não está neste livro mal escrito. Mal escrito, porque Rocha Vieira decidiu "esquecer" ou "perdoar" tantos e tantos episódios concretos sobre o que se passou na sua vivência no Exército, nos Açores, no 25 de Abril, no 25 de Novembro e, fundamentalmente, em Macau.

Em Macau, onde o que está descrito no livro não representa nem um terço dos acontecimentos graves ou importantes que tiveram lugar durante a governação de Rocha Vieira. Casos como os da Fundação Oriente e Fundação Jorge Álvares, por exemplo, onde Rocha Vieira não quis deixar para a história o verdadeiro papel maléfico e ignóbil do ex-presidente da República Jorge Sampaio e do seu enviado Magalhães e Silva, este que sempre quis ser governador de Macau.

O general Rocha Vieira tinha a obrigação moral e patriótica de deixar um legado sublime sobre a história contemporânea de Macau. Um, dois, três ou vinte volumes, o que fosse necessário, mas tinha a obrigação de deixar escrito tudo, mas tudo o que se passou. Rocha Vieira sabe bem que teve de lidar com muitos interlocutores, mas a maioria deles de um carisma profundamente cobarde, falso e hipócrita. Este livro não divulga nem metade da verdade respeitante à administração de Rocha Vieira. Quando o governador podia legalmente transferir para Portugal 180 milhões de patacas, resolveu pegar nuns míseros 50 milhões para criar uma fundação importante, e ao fim e ao cabo ficar com a carreira manchada por não querer ferir susceptibilidades que mereciam ser decapitadas. De tal forma são cobardes, que nem se atrevem a contestar uma palavra mencionada no livro daquelas que são graves em qualquer areópago do relacionamento político.

 

Quero apenas salientar a desnecessária referência à prisão do líder da seita 14 quilatres. Segurança? Desde quando é que não foram sempre as seitas secretas a comandar as "operações" em Macau? Os autores do livro "esqueceram-se" de mencionar que Marques Baptista, ex-director da PJ de Macau, não estava apenas decidido a prender o líder chinês da 14 quilates, mas também uma outra personalidade. No gabinete de Marques Baptista, eu próprio lhe disse: "Cuidado, com o que vai fazer. Antes de prender esses dois, fale com o governador para ouvir a sua opinião".

 

A Pedro Vieira:

Que aprenda de uma vez por todas que nem todos os jornalistas se venderam em Macau. E que rejeito linearmente a ofensa que me faz na minha condição de ex-director de jornal de Macau, quando escreveu, a propósito da publicação de anúncios das Direccções de Serviços a saudar a chegada de Rocha Vieira a Macau, "A publicidade funcionava também como pagamento do silêncio dos jornais".

Repudio estas suas palavras e fique sabendo que o meu jornal "Macau Hoje" sempre foi livre, sempre teve a publicidade de instituições privadas que lhe garantiram a necessária sustentação financeira e que foi sempre o jornal que menos publicidade recebeu da administração Rocha Vieira.

a avença

 

> Há dias, alguns leitores manifestaram-me dúvidas, quando referi que tinha contactado o general Rocha Vieira, último governador de Macau, a fim de me autorizar a edição da sua biografia, e que o mesmo me tinha respondido "que já está alguém a tratar disso". As dúvidas dos leitores prendiam-se com vários aspectos, entre eles, "Como pode atrever-se depois de tanta cedência à China e daquela história triste da Fundação Jorge Álvares?". Outro leitor, acrescentava: "Não acredito que saia algum livro bajulador, depois de um reinado onde imperou a corrupção em todos os departamentos do Governo de Macau sob a batuta do general".

Enfim, não vou aqui publicar tudo o que me enviaram, alguns comentários muito contundentes contra Rocha Vieira. Apenas, vos informo que o livro vai ser lançado acabando assim as dúvidas de quantos torceram o nariz ao que tinha escrito. E apenas acrescentarei que, o mais triste de tudo, é quando verificamos quem é a editora - Gradiva -, pertença daquele senhor Guilherme Valente que andou lá por Macau armado em consultor do governador e que percorria as ruas diariamente a efectuar comícios favoráveis às políticas realizadas por Rocha Vieira. Bolas, que ainda não deve ter acabado a avença...

 

 

 

 

sem nexexidade

 

> No espaço de ano e meio o ex-governador de Macau, Rocha Vieira, visitou a Região Administrativa Especial de Macau por duas vezes. Será que o general reformado não tem a noção que dez anos é muito pouco tempo para apagar certas nódoas negras?...

Recordo-vos que, há tempos, contactei com o general Rocha Vieira, a fim de escutar a concordância para escrever a sua biografia. Rejeitou, alegando que "já estão a tratar disso"...

O RESPEITO PELA BANDEIRA

O último governador de Macau, general na reserva Rocha Vieira, abandona o palácio do Governo com a Bandeira de Portugal de que tanto se fala agora. Na imagem vê-se o ajudante-de-campo Tiago Vasconcelos, que guarda a bandeira há dez anos numa gaveta, a acompanhar a mulher de Rocha Vieira até ao carro que os levaria para o cais de embarque







Algumas primeiras páginas do meu jornal 'Macau Hoje' que focaram o assunto da Fundação Jorge Álvares

> De repente o general na reserva Vasco Rocha Vieira lembrou-se de dar nas vistas. Possivelmente com saudades de andar nas bocas do mundo à semelhança dos tempos em que foi governador de Macau. O general veio chocar os portugueses ao anunciar que a última bandeira portuguesa do Império estava numa qualquer gaveta do seu ajudante-de-campo Tiago Vasconcelos.
Se o último governador de Macau tinha a intenção de manifestar a sua repulsa pela atitude de Jorge Sampaio, Presidente da República quando da passagem de Macau para a China, a sua intenção cai por base. Jorge Sampaio poderá responder com uma pedra idêntica, afirmando que se Rocha Vieira tinha algum respeito pela Bandeira de Portugal nunca deveria ter permitido que a mesma fosse para o fundo de uma gaveta de um subordinado militar durante dez anos. Até já deve cheirar a mofo...

Será bom lembrar que toda esta história da bandeira, da atitude de Jorge Sampaio e dos queixumes de Rocha Vieira se deve única e simplesmente ao caso que chocou na altura o Presidente Jorge Sampaio, bem como a opinião pública portuguesa, chinesa e macaense: a criação por Rocha Vieira de uma fundação com dinheiros públicos de Macau, com sede em Lisboa, sem dar conhecimento ao Presidente da República de quem dependia exclusivamente.
Depois da "bronca" com a Fundação Jorge Álvares, o Presidente Sampaio nunca mais quis ouvir falar de Rocha Vieira, quanto mais da bandeira que está há dez anos vergonhosamente na gaveta de um coronel do Exército, ex-ajudante-de-campo do último governador.

CALADO

> O general na reserva Vasco Rocha Vieira, último governador de Macau, numa entrevista despropositada à Lusa, tinha afirmado que "alguns responsáveis portugueses não estiveram à altura da grandeza daquele momento histórico (passagem de administração de Macau para a China)".
Ontem, pediram a Jorge Sampaio, ex-Presidente da República à data, que se pronunciasse sobre as declarações de Rocha Vieira, ao que se limitou a responder que "Não abro esse livro agora", solicitando aos jornalistas que leiam a sua biografia que será publicada em breve.

Diremos a Jorge Sampaio que não abra o livro agora e nunca. Devia ficar calado, porque tudo foi muito triste e lamentável.