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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Timor-Leste: brincar com o fogo

 

> Xanana Gusmão tem a obrigação de saber que sem a participação da FRETILIN numa aliança governativa, nunca mais haverá paz no país. A FRETILIN, simpatize-se ou não, foi um partido fundamental para a libertação do povo do jugo indonésio. O líder Mari Alkatiri transformou-se num político moderado, consciencioso e pronto a participar na reconstrução e desenvolvimento da sua terra. Xanana sabe que está a brincar com o fogo, porque se a ilha de Timor já está politicamente dividida em duas, não duvidem que a revolta em Baucau, Lospalos e Viqueque poderá levar à divisão em três partes. Haja senso e clarividência na decisão política futura. Caso contrário, nem desenvolvimento nem investimento. Só a mim, que sou um simples cidadão, já cerca de meia dúzia de grandes investidores internacionais se negaram a optar por Timor-Leste enquanto não houver estabilidade social.

 

 

Timor-Leste: quando se fala do que não se sabe

 

 

> Em Timor-Leste existem 32 dialectos. Imaginam certamente o que isso significa. Pelo menos, 32 maneiras diferentes de pensar e de actuar. Significa que construiu-se um país sem unir o fundamental, os costumes e as tradições. Transportar uma dita democracia, do tipo portuguesa, para o extremo oriente é a mesma coisa que obrigarem todos os franceses a falar alemão. A violência e os confrontos em Timor-Leste serão uma constante quando os chefes tribais são afastados dos desígnios da terra. A violência voltou. Xanana Gusmão não convidou a Fretilin (segundo partido mais votado) para a aliança governamental. A Fretilin não gostou e saiu à rua. Os líderes da Fretilin não conseguem controlar as decisões basistas do todo militante. O povo continua a olhar para o absurdo sem entender a razão do mal. Os portugueses eram maus, disseram ao povo. Os indonésios eram macabros, o povo constatou. A indepenência com Xanana, Horta e Alkatiri era a solução ideal, o povo acreditou. Até hoje, passados mais de 10 anos, estes três homens só têm apresentado dissidência com o beneplácito de "sabichões" do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e da ONU, os quais têm dito que tudo está bem. Não me apetece dizer mais nada sobre Timor-Leste porque o povo continua a sofrer e o neo-colonialismo foi instalado. E mais a mais, os comentadores das televisões devem estar para breve a falar do que não sabem...

 

 

Timor-Leste: grande derrota da Fretilin

 

> Pela primeira vez a Fretilin saboreia o amargo de uma derrota eleitoral. Xanana Gusmão é o grande vencedor das eleições legislativas e poderá formar governo em coligação com outros pequenos partidos. O CNRT que apoiou Taur Matan Ruak para Presidente da República pode a partir de agora comandar as operações no Parlamento. De salientar a derrota de dois históricos da política timorense, Mari Alkatiri e José Ramos-Horta que se preparavam para formar um governo Fretilin-PD, mas viram o tiro sair-lhes pela culatra. Tal como salientámos aqui, alguém (Ramos-Horta) já contava com o ovo no cu da galinha para ocupar o lugar de primeiro-ministro. A partir de agora, as posições políticas anti-Xanana e os seus críticos de práticas de corrupção terão de ficar muito activos na fiscalização de uma governação que se deseja, no mínimo, digna e séria. Uma referência para o Partido Democrata (PD) apoiado por Ramos-Horta e cuja pontuação veio demonstrar à evidência o erro histórico de Ramos-Horta não ter optado por ser reserva da República.

 

Xanana poderá não formar governo
A confusão está instalada. Xanana Gusmão poderá não saborear a vitória. E até não conseguir formar governo. As matemáticas começaram a ser feitas e já existe muita confusão, desânimo e alegria nas hostes dos diferentes partidos. Acontece que o CNRT conseguiu 30 cadeiras no Parlamento. A Fretilin 25. O PD 8 e a Frenti Mudansa 2. No caso de Ramos-Horta convencer José Luís Guterres da Frenti Mudansa a aliar-se à coligação Fretilin-PD, estes ficarão com a maioria parlamentar. Neste caso, Xanana seria sempre derrotado. Mesmo que a Frenti Mudansa quisesse aliar-se ao CNRT teriam apenas 32 cadeiras no Parlamento contra 33 da Fretilin-PD. De qualquer forma o Presidente da República Taur Matan Ruak passa a ter a batata quente na mão no sentido de que forças políticas é que irão formar o novo governo.

Eleições em Timor-Leste

 

 

> Decorreram hoje as eleições legislativas em Timor-Leste. Das duas dezenas de partidos, apenas três estão a ser considerados para a possibilidade de formar governo. Segundo os últimos resultados que estão a ser escrutinados nos 13 distritos, o CNRT (Xanana Gusmão), a Fretilin (Mari Alkatiri) e o PD(Lasama-Ramos Horta) estão a disputar a liderança dos votos. No entanto, na parte oriental do país encontra-se a Fretilin à frente, enquanto a primazia na parte ocidental pertence ao CNRT. O PD ficará possivelmento no 3º lugar. Até ao momento de registar uma surpresa vinda de um novo partido - o KHUNTO - formado à base de dirigentes de associações de artes marciais. Contudo, a aliança governativa deverá centrar-se na coligação da Fretilin com o PD, podendo José Ramos-Horta vir a ocupar o cargo de primeiro-ministro e Mari Alkatiri a cadeira de presidente do Parlamento. No caso do CNRT vencer como partido mais votado, Xanana tem várias opções para a aliança governativa tais como o KHUNTO e a Fretilin Mudança de José Luís Guterres.

 

Já não há delegado da RTP

 

O delegado e correspondente da RTP/Antena 1 em Timor Leste, Francisco Piedade, ter-se-á demitido do cargo, segundo informa o blogue Página Global. Esta plataforma da net publicou hoje a seguinte notícia:

 

A delegação de Timor-Leste da RTP será a primeira a encerrar portas, de acordo com o plano da empresa. O encerramento da delegação até ao final do ano e a escassez de meios humanos disponibilizados para a cobertura do 10º aniversário da independência, terão levado o delegado, Francisco Piedade, a bater com a porta.

Ao longo dos anos a RTP tem desinvestido no país de forma visível, mas ninguém fala no assunto. A rádio RDP Internacional chegou a ter um programa semanal feito de Díli, estúdios próprios, emissores em Baucau, programação própria. Tudo isso desapareceu a bem da contenção orçamental. Restam uns miseráveis emissores de rádio que servem a capital, que falham diariamente.
E ninguém parece estar atento a mais este assalto às obrigações públicas do estado português. Por ocasião do aniversário da independência, por duas vezes, o presidente cessante e o atual, condecoraram a empresa portuguesa.
A RTP parece ser cada vez menos atrativa e cumpridora dos seus desígnios. O correspondente bateu com a porta, mas ao que tudo indica, tenciona ficar em Timor. Será porque se fala no nascimento de uma nova televisão no país? É esperar para ver, contando que até lá não se lembrem de encerrar igualmente o Timor Contacto, ou a Agência Lusa.

 

 

Última hora (16.30 Lisboa):

 


 

 

 

De década em década

 

> O líder da Fretilin, Mari Alkatiri, é um optimista. Defendeu que a próxima década deve ser dedicada a garantir habitação, saúde, educação, água e electricidade para acabar com a pobreza em Timor-Leste.

 

 

ATÉ QUE ENFIM

 

> Até que enfim que apareceu alguém com cabeça a falar acertadamente sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. O novo Presidente da República, Taur Matan Ruak defendeu que a língua portuguesa passe a ser ensinada como uma língua estrangeira e não língua materna. Esperemos que não sejam enviados mais livros para Timor-Leste onde os alunos eram obrigados a aprender que Portugal tem quatro estações ao ano, os nomes dos rios e outras barbaridades para crianças que nem sabem onde fica Portugal.

 

 In 'Hoje Macau'

 

 

A ÁGUA DE RAMOS-HORTA

 

 

> José Ramos-Horta já mete água por todos os lados. Até parece que de um dia para o outro perdeu o discernimento. Um político experiente que acaba de ser Presidente da República não deve vir dizer no dia seguinte à saída do cargo que pretende outro cargo. E logo o de primeiro-ministro. Ramos-Horta anunciou que vai apoiar nas próximas legislativas de Julho o Partido Democrático (PD) de Fernando Lasama. E que o faz para que esse partido possa vir a fazer frente à Fretilin ou ao CNRT de Xanana Gusmão. Asneira dupla. Ramos-Horta queria dizer que a Fretilin vai ganhar e que o PD ficará em segundo lugar. Que nesse caso, far-se-ia uma aliança Fretilin-PD e que ele seria o primeiro-ministro. Uma tristeza. Então, Ramos-Horta nunca ouviu falar em reserva da República? Obviamente que era o seu lugar: quietinho, a promover Timor-Leste pelo mundo e se um dia mais tarde tivesse que intervir novamente seria como Presidente da República. Mais grave ainda: Ramos-Horta "esqueceu-se" que o PSD de Zacarias da Costa (o único diplomata a sério que Timor-Leste possui) está semanalmente a aumentar o seu número de militantes. Veremos em Julho...