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Pau Para Toda A Obra

Pau Para Toda A Obra

Uma grande poetisa

Há um poema que tem sido polémico. Diziam que a autora do poema tinha sido Sofia Mello Breyner. Afinal, o poema que é uma maravilha e de um sentimento excelente foi escrito, passados cinco anos de Sofia falecer, pela  Juíza Desembargadora do Tribunal da Relação de Lisboa, Adelina Barradas de Oliveira. Um poema que eu adoro. É sentimental por constituir as vicissitudes referentes às mulheres e uma homenagem singela e profunda simultaneamente às mulheres. Adorava conhecer a Meritíssima Juíza Adelina Barradas de Oliveira para lhe poder transmitir algo mais sobre as mulheres.

O poema:

"Há mulheres que trazem mar nos olhos

Não pela cor

Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos

Ficam para além do tempo

Como se a maré nunca as levasse

Da praia onde foram felizes

 

Há mulheres que trazem o mar nos olhos

Pela grandeza da imensidão da alma

Pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...

Há mulheres que são maré em noites de tardes...

e calma"

É por estas palavras poéticas que eu adorava conhecer a Meritíssima Juíza, talvez, para lhe poder dizer que

Há mulheres que trazem o mar nos olhos, não pela cor, mas pela vastidão da alma de trazerem ao peito um bebé que foi adoptado devido à sua infertilidade, mas que o ama tanto que o apertam como as pedras da calçada.

Há mulheres que trazem o mar nos olhos, não pela cor, mas pela vastidão da alma porque têm dores horríveis no útero porque a família do marido as obrigaram a abortar.

Há mulheres que trazem o mar nos olhos, não pela cor, mas pela vastidão da alma que suporta ter sido linda, culta, inteligente, boa conversadora, admirada, sensual e que ao olharem para o espelho nem se conhecem, não se lembram de ninguém e nem sabem percorrer as ruas sozinhas.

Há mulheres que trazem o mar nos olhos, não pela cor, mas pela vastidão da alma que suporta a exigência de um ou de uma companheira (chulos) que as obrigam pela sua beleza a praticar a prostituição e a terem que exercer sexo com mais de quinze homens ou mulheres em cada dia.

Meritíssima Juíza, que escreve textos maravilhosos no blogue Cleopatra Moon, agradeço-lhe imenso o seu talento, a sua exteriorização do que lhe vai no sentimento, e essencialmente, a homenagem que faz às mulheres. Adoro as mulheres que são iguais ou parecidas consigo. Receba um beijo de fraterna amizade.

 

Foto: Juíza Desembargadora Adelina Barradas de Oliveira

 

adelina.jpg

 

 

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